Notas iniciais
Belle

"A dor da perda é maior quando você se lembra que ela existe" (Clara Cavalcante)

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Cheguei no estacionamento da escola eram 17h50. O sol estava quase se pondo atrás das montanhas. Seria uma visão tão linda se não fosse o que eu estava prestes a fazer. Desci do carro e andei até a entrada da floresta, respirei fundo e adentrei o local. À medida que eu andava silenciosamente, eu ficava com ainda mais medo e meu coração batia cada vez mais rápido. Decidi arriscar chamá-la, quero que isso acabe logo:

— Sophie! — eu gritei. — Eu sei que você está aqui!

Ouvi um barulho atrás de mim e, no momento em que me virei, lá estava ela. Seus longos cabelos loiros brilhavam com o toque dos minúsculos raios de sol, assim como sua pele, e seus olhos, antes verdes e agora vermelhos, irradiavam ódio ao ver meu rosto. Engoli em seco e ela sorriu, ela sabia que eu estava com medo.

— Olá, Belle! — ela disse. — Quanto tempo, não é?

— O que você quer? — perguntei, mesmo já sabendo a resposta.

— Quero me vingar de você. Te matando! Como você já sabe. Que pena que seus amigos estão na fronteira da reserva com o território dos Cullen e não vão poder te ajudar.

— Como você sabe?

— Porque fui eu que mandei eles pra lá. — ela deu um sorriso maligno. — Eu criei uma visão de que estava decidida a atravessar a reserva e entrar na área dos Cullen. Mas...uma lobisomem não estava lá, mas sim perto de você exatamente no momento que você estava vindo pra cá.

— Isa! — eu murmurei.

— Isso, mas você conseguiu despistá-la. O que você não esperava... — ela já estava bem próxima de mim. — era que ela alertaria os lobisomens, que alertariam os Cullen, que Justin, Camila, Alex e Isa estariam à sua procura e que você foi rastreada por Camila.

— Você... como?

— Eu leio mentes. E seus amigos acabaram de chegar.

— Se afaste dela, Sophie! — ouvi Justin gritar atrás de mim.

Eu me virei e lá estavam Justin, Camila, Isa e Alex, exatamente como Sophie disse. Com o que eu estava para fazer, eu não conseguiria olhar para eles, mas acho que esse fora o plano dela desde o início, me torturar para depois me matar. Sophie sorriu de forma maligna, confirmando meus pensamentos. Acho que ela era a única que conseguia ler meus pensamentos. Ela se virou para eles e disse:

— Que honra ter vocês em nossa reuniãozinha particular. Agora temos todo o elenco da nossa história. Temos a vingativa antagonista, que seria eu. O namoradinho da protagonista, Justin. A traíra, Camila. O priminho protetor meio-vampiro, Alex. A lobisomem, cujos pais eu matei, Isabella. — quando ela disse isso, Isa arregalou os olhos.

A rivalidade entre Isa e Camila começou porque a casa de Isa foi atacada e uma vampira atacou seus pais. Isa só viu Camila no local onde, em seus pés, estavam os pais dela e a parede lateral da casa havia sido derrubada. Desde aquele dia Isa perseguiu Camila até aqui. E agora ela sabe que não foi Camila. Sophie continuou, ainda com seu sorriso maligno:

— E, finalmente, a assassina, que não passa da nossa própria protagonista, Isabelle Fernandes Swan.

Todas as lembranças me vieram à mente e eu abaixei a cabeça com lágrimas nos olhos. Os outros estavam em choque. Pela feição deles, eles não acreditavam no que ela disse e isso se confirmou quando Justin disse:

— Isso é mentira!

— É verdade! — eu disse e o choque foi maior.

— O quê?! Belle, eu te conheço você não mata nem uma mosca, você não é...

— EU SOU CULPADA PELA MORTE DA MINHA MÃE! — eu berrei em prantos, o interrompendo.

*-Flashback-*

Minha mãe e eu estávamos voltando da casa de meus avós em Goiânia. Tínhamos que voltar pra casa, pois na manhã seguinte eu teria aula. Minha mãe estava uma fera comigo, porque eu tinha ficado com um de meus amigos da cidade. Ela nunca aprovou minha amizade com ele. Por que? Bom, tem vários motivos. Ele fuma, é um pouco drogado, já roubou, bebe e é muito largado, mas é um cara legal. Ela tinha dito que não era pra eu sair com ele, mas eu fui e acabei sendo presa por ser cúmplice, pois ele estava com o carro cheio de maconha e eu não sabia.

— Eu te avisei pra não sair com ele. — disse minha mãe, irritada.

— Mãe, ele me disse que tinha mudado. — eu disse.

— E você acreditou? Francamente, Belle, achei que você tivesse bom censo. Se pelo menos Justin estivesse aqui, você não teria feito isso.

Eu explodi. Ela tocou no meu calo. Ela sabe como eu fico quando ela fala dessa maneira comigo, ainda mais quando cita o nome do Justin.

— Se Justin estivesse aqui, ele teria me impedido, eu sei, mas é por sua causa que eu não posso mais vê-lo. Se você tivesse me deixado ir viajar com ele... — eu disse, aumentando o tom de voz.

— Você podia ter morrido! — me interrompeu minha mãe, no mesmo tom de voz que eu.

— Mas pelo menos eu estaria feliz ao lado dele, porque você, mais do que ninguém, sabe que o quanto eu o amo.

— E como você acha que eu fi...

Minha mãe foi interrompida por uma buzina de caminhão. Ela tentou voltar pra pista, mas nosso carro acabou derrapando, capotou umas cinco vezes e acabou parando de cabeça pra baixo fora da pista e encostado numa árvore. Minha cabeça sangrava por causa do vidro quebrado.

Olhei para o lado e minha mãe estava desacordada. Tentei acordá-la, mas foi em vão. Me desesperei pensando o pior. As lágrimas rolavam sem parar por meu rosto. Arrumei um jeito de sair do carro e arrastei o corpo da minha mãe pra longe do carro, pois em pouco tempo o carro ia explodir e foi isso que aconteceu. Olhei para minha mãe e chequei seu pulso. Nenhuma pulsação. As lágrimas agora não paravam de escorrer por meu rosto.

— NÃO! Mãe, por favor, fica comigo! Não me deixa sozinha! — gritei, mesmo sabendo que ela não iria me ouvir.

Fiquei ali até a ambulância chegar e nos levar. Eu não vou me perdoar nunca, principalmente porque meu último pensamento em relação à ela antes do acidente foi: "Eu te odeio!"

*-Off-*

Notas finais
Continua...