Stay with me
1 Promessa (capítulo único)
Notas iniciais
Plagio e crime, então nem pensem nisso!
Estávamos na aula de matemática. Ele estava sentado na carteira ao meu lado, concentrado na matéria.
- Neev? – sussurrei para o professor não escutar
Ele não revelava expressão alguma que pudesse dizer de algum modo que ele me escutava. Seus olhos iam do quadro ao caderno, precisamente, á cada minuto.
-Neev? – esperei ele me olhar – Pode me ajudar com a matéria?
- O que você não entendeu Lucy? – Falou sem tirar os olhos do caderno
- Não entendi umas coisas que o professor falou! – Respondi
- Mas o que? – Disse ainda olhando seu caderno
Ele não gostava de ser incomodado quando estava fazendo algo, quando o seu propósito era terminar antes de todos. Isso retirava sua concentração e ele “perdia” para qualquer distração que o levava para outro mundo. Ele sempre foi o garoto correto, comparando-o comigo e alguns garotos da sala.
- Não entendi á partir do momento que começou a aula até o momento em que ele parou de falar!
Ele me olha, balança a cabeça em movimento de negação, e volta á olhar para o caderno.
Ele não era assim. Na verdade eu havia sim intendido a matéria, eu só queria uma desculpa para falar com ele.
Ultimamente ele andava meio perdido, meio distanciado dos amigos, e, principalmente de mim. Parecia que me evitava.
Ele me ignorou a aula inteira, não me dirigia uma palavra sequer. O que eu fiz de errado?
A campainha bate pela quinta vez. Hora do intervalo.
Saí da sala e fiquei esperando Neev sair também. E ele não sai. Fica na sua carteira, coloca seus fones no ouvido e fica com a visão focalizada em um lugar qualquer. Volto para a sala e paro na frente dele.
- Não vai para o intervalo Neev?
Ele apenas abaixa a cabeça e não diz nada. Eu começo á estranhar seriamente. Ele nunca foi assim.
- O que está acontecendo? Eu fiz algo de errado? – Perguntei sentando na carteira á sua frente
Ele continua com a cabeça baixa por uns segundos, mas depois fica me encarando.
- Não, você não fez nada de errado – hesita um pouco – Eu acho...
- Então porque está nesse estado? Somos amigos á quanto tempo? Mais de uma década e meia!
- É verdade. 16 anos é muito tempo!
- Então?! O que está o incomodando?
Ele abaixa sua cabeça novamente.
Realmente havia acontecido algo muito sério para ele não me olhar nos olhos. Ele sempre conversa mantendo contato visual, é como se tentasse pressionar a pessoa para ela contar apenas verdades á ele. E quando é ele quem mente, ele é quem não olha em seus olhos. É como se dissesse “não consigo mentir com você mostrando tanta confiança através do olhar”.
- Neev! Pode me contar! Eu tenho todo o tempo que for necessário, se esse for o caso!
Ele hesita, mas resolve falar.
- Eu só quero fazer uma pergunta!
Eu balanço a cabeça em movimento positivo e ele continua
- Se eu morresse... – levanta a cabeça e me olha nos olhos – o que você faria?
Paro para pensar do porque ele ter feito essa pergunta. Era algo tão estranho e feito de surpresa que eu ficava sem fala alguma.
- Deixa para lá. Esqueça ok? – Diz levantando-se da cadeira
A pergunta foi tão simples, mas ao mesmo tempo foi complicada. Seria um turbilhão de coisas que eu seria capaz de fazer se um dia eu o perdesse. E a primeira era...
- Espera! – Segurei o seu braço e o esperei virar para mim
Ele não virou.
- Se você morresse... Eu morreria junto! – Falei esperando sua reação
Ele solta um suspiro e eu não sei como interpretar. Ele decide virar e coloca as suas mãos em meu rosto
- Escute. Se eu morresse, promete que o máximo de um nível normal que você faria seria chorar, e o máximo de um nível de loucura que você iria fazer seria ficar deprimida por um mês? Promete?
- Não! Por que dessas promessas agora? O que está acontecendo Neev?
- Não é nada. Foi apenas uma pergunta inocente!
Ele me solta e vai para a saída, para na frente da porta, e ainda de costas fala:
- Não vem?
Eu podia enchê-lo de perguntas, mas da forma que o conheço, sei que isso seria muito idiota.
- Vamos! – Suspirei em seguida
E assim o dia foi normalmente, se é que posso chamar assim. Diferente dos meses anteriores e igualmente ás semanas anteriores ele continuava a me evitar, de certas formas. Ele andava com os seus amigos e eu com as minhas. E quase nunca era assim, eu sempre andava com ele.
Algo estava mudando ele.
Dia seguinte acordei com o meu celular tocando
- Alô?
- Oi Lucy! – a pessoa chorava enquanto falava cada palavra
- Quem é?
- É a Karen, mãe do Neev!
Mãe do Neev me ligando? Tudo bem que eu falo normalmente com ela, sem restrições alguma, até á chamo de “tia”, mas me ligar de manhã assim e chorando? Estranho
- O que houve?
Sentei na cama e esperei ela falar
- O Neev... – era mais fácil ouvir seus soluços do que entender suas palavras
- O que tem o Neev? Aconteceu alguma coisa com ele?
- Ele teve um desmaio e nada o acordava. O levei para o hospital onde estamos agora. Mas os médicos me avisaram que esse desmaio não foi algo normal.
- Calma tia, eu estou indo para aí! Em que hospital vocês estão?
Ela me passou o endereço e eu fui correndo para o banheiro tomar um banho rápido e me arrumei ás pressas em seguida. Logo depois passei correndo pela sala.
- Filha, aonde vai? – Perguntou minha mãe sentada no sofá
- O Neev, mãe! Ele precisa de mim!
- Ah o Neev! O que houve?
- Desculpa mãe, não posso ficar aqui para explicar. Eu posso demorar a chegar em casa, então não me espere!
- Mas aonde você vai?
- Hospital. Tchau!
- Mas...
- TCHAU! – falei já saindo
Entrei no meu carro e fui até o hospital. Cheguei lá na recepção e falei o nome do Neev perguntando o seu quarto. A recepcionista me falou o quarto e sem querer escutar mais nada, agradeci e fui até ele.
Cheguei e fora dele estava dona Karen andando de um lado para o outro, esfregando as mãos umas nas outras.
- Oi tia!
Assim que houve minha voz, levanta a cabeça e ao me reconhecer vem andando até mim e me abraça. Eu retribuo e acaricio seus cabelos lisos. Ela chorou mais ainda.
- Calma, eu estou aqui agora. Mas pode, por favor, me explicar o que ouve?
- O Neev teve mais um dos seus desmaios. E isso pode ser sinal de ele estar piorando!
- Mais um de seus desmaios? Espera um pouco – falei soltando-a – quer dizer que essa não é a primeira vez?
- Não. Isso é resultado da sua doença.
Minha cabeça girava. Do que ela estava falando?
- Doença? – perguntei
- Sim! – ela me solta e começa a me olhar nos olhos de uma forma diferente – Você não sabe?
Fiquei a olhando e minha expressão estava mostrando o quanto eu estava desinformada
- Ah, não! Ele não contou á você?!
Balancei a cabeça em movimento negativo e ela fica surpresa
- Eu preciso falar com ele!
- Calma querida, eu acho que ainda não dá para entrar.
O médico sai e eu sou a primeira a perguntar algo.
Ficamos conversando e depois de já saber de tudo, meu coração havia se quebrado, eu não sentia mais nada.
Porém, eu ainda precisava falar com ele.
Entrei e ele estava deitado na maca e olhando para cima com uma agulha em seu braço passando o sangue que estava na bolsa até as suas veias
- Neev?
Seus olhos olham para baixo dessa vez, ele continua sem me encarar.
- Porque não me contou? Achou que eu não ia saber?
Ele apenas encarava a parede á sua frente. Parecia que queria me ignorar
- Neev, e agora? – Falei já sentindo uma enorme vontade de chorar
- E agora? Agora eu vou ter que tomar vários remédios todos os dias, transfusões... Até porque eu sou muito fraco, você sabe!
- Não! Você sempre foi forte!
- Era o que aparentava... Já ouviu falar em fingir?
- Neev, você irá ficar bom!
- Sabe... Vai ser muito difícil agora, isso tudo, e mais a quimioterapia.
- Você irá ficar bom!
- E sabe... Você vai ter que se acostumar á viver sem mim!
- Não fale assim!
Ele ri. E apesar de tudo, eu sentia um pouco de remorso em ouvi-lo dizer essas certezas todas, mas ao menos ele estava rindo.
- Eu estou falando sério – disse mudando a expressão – eu não vou durar muito!
- Pare de falar besteiras! As palavras machucam!
- Eu sei. Mas foi por isso que elas foram inventadas! Tudo tem o seu preço.
- Você quer ser dramático? Vamos ser então!
Sentei na poltrona ao seu lado e ele fica me olhando
- O que está fazendo Lucy?
- Lembra quando o meu cachorrinho, o Ben, morreu?
- Sim, por quê?
- Eu o tinha á tantos anos que perdi as contas! Lembra o quanto eu chorei? E que por mais que fosse apenas um animal de estimação, eu achava que meu mundo ia desabar, por que...
- Ele era seu melhor amigo. – disse me interrompendo – E quando eu não podia, quem a escutava sempre era ele.
Eu fico sorrindo e ele sorri de volta
-Depois de um tempo você ocupou esse cargo. E lembra como me fez superar tudo?
Ele balança a cabeça em movimento positivo
- Será que você poderia me deixar fazer o mesmo por você? – Perguntei segurando sua mão direita
Ele coloca sua mão esquerda sobre a minha e fica me olhando. Ele mexia suas mãos com cuidado por causa da agulha em seu braço. Ele solta um leve suspiro.
- Me promete que se acontecer alguma coisa comigo, como eu falei antes, o máximo que fará é chorar?
- Só se você me prometer que vai fazer tudo certinho!
- Tudo o quê?
- Exames, tomar remédios, e essas coisas, sabe?
- Infelizmente sei!
Ele mudou sua expressão para uma que causava depressão até em quem o via
- Se anima Neev! – Falei apertando o seu nariz
Eu gostava de fazer isso, era meio idiota, mas ele sempre sorria, e talvez, seja por esse motivo que ele ria, por ser muito idiota.
– É por isso que eu gosto tanto de você pirralha! – Falou sorrindo
- Hey! Eu sou apenas três anos mais nova que você. Ok?
Ficamos rindo. Depois voltamos á conversar sobre coisas idiotas.
No dia seguinte ele teve alta, mas iria começar uma sequencia de exames e tomar vários remédios. Aquilo me entristecia, porque eu sabia que ele odiava, mas era melhor pra ele.
*1 semana depois*
Toquei a campainha de sua casa, mais ou menos, três vezes. Ele não tinha ido mais uma vez para o colégio. Sua mãe atende a porta
- Oi tia! Cadê o Neev?
- Oi querida, ele está no quarto, não quis sair o dia todo. Você chegou em uma boa hora, ele não quer se alimentar direito, não quer tomar os remédios!
Ele não sabe o que é promessa, só pode!
- Ok. Eu posso subir?
- Deve!
Eu fui até as escadas e subi até seu quarto, bati e ele não abre. Bati mais umas três vezes e nada. Bati novamente e virei a maçaneta, estava aberta. Ele estava embrulhado da cabeça aos pés, deitado na cama.
- Neev?
Como ele não respondia, entrei e fechei a porta. Falei seu nome novamente
- O que foi Lucy? – Falou com uma voz rouca
- Você esqueceu o que é promessa?
- Não. Mas é que eu estou de saco cheio disso tudo.
- Mas tem que fazer tudo certo, ou você acha que tudo vai se resolver se você não quiser seguir as orientações médicas?
- Ah, sermão agora não, por favor!
Sentei ao lado dele na cama e tirei o cobertor
- Me deixa! – Ele diz se embrulhando novamente
Olhei ao redor e vi a sua caixa de remédios em cima da mesa, ao lado um copo de água. O peguei e a água ainda estava gelada.
- Se você tomar isso, eu prometo que o deixo em paz!
- E se eu não tomar?
- Você vai! Eu não saio daqui até você tomar!
Ele tira o cobertor e se senta na cama
- Você tem escola hoje, não é?
- Grande coisa!
Ele suspira, e me olha quase dizendo “você é muito insistente, chega á ser chata!”.
- Você é muito insistente, chega á ser chata!
Não disse?!
Neev levanta e se aproxima de mim. Fica me olhando fixamente.
- O que foi? – Perguntei
- Nada! – Disse desviando sua visão para minha boca
Ele se aproxima mais ainda e coloca suas mãos em meu rosto. Logo depois me beija. Foi um beijo suave e delicado, foi então que eu descobri que ele não havia ocupado o cargo de melhor amigo apenas, ele estava em um cargo mais elevado á muito tempo. Eu tinha que continuar insistindo em tudo que ele fazia, não poderia perdê-lo. O beijo infelizmente acaba.
- É por isso que eu te amo... Pequena!
- He... Que?
- Eu já vou tomar o remédio! – Disse indo para o lado, pegando a caixinha e tirando dois comprimidos da cartela.
Logo depois pega o copo com água e coloca os comprimidos na boca
- Satisfeita?
Balanço a cabeça em movimento positivo, e ele deita novamente na cama, virado de costas para mim.
- Pode ir para a escola agora! – Falou
- Eu não vou hoje!
Ele vira para mim
- Por quê? Eu já tomei o remédio!
- Eu quero ficar aqui com você, posso?
Ele olha para baixo, pensa um pouco e responde
- Não quero empatá-la!
- Eu estou pedindo! Você não vai empatar!
Ele solta um suspiro forte
- OK! – Fala sorrindo
Ele dá umas batidas no espaço vazio ao lado dele na cama, pedindo para eu deitar lá. Eu coloco a mochila na poltrona do lado da porta e vou até lá. Deito ao lado dele e ele me embrulha com o cobertor. Estava deitada de frente para ele, me aproximo bem dele e ele me abraça. Fico encolhida apenas sendo aquecida pelo cobertor e o calor dele. Nós não falamos nada, até o momento em que quebro o silencio.
- Neev? – sussurro
- Oi pequena? – diz sussurrando também
Hesito um pouco em falar, mas eu não conseguia mais guardar para mim.
- Eu... Também te amo!
Ele dá um beijo em minha testa e fica acariciando meus cabelos.
Ficamos assim um bom tempo. Até dormirmos.
Acordei com o meu celular tocando em meu bolso. Atendi.
- Oi? – falei meio rouca
- Oi filha, onde você está?
- Ah, oi mãe. Me desculpa, eu não avisei á você. Estou na casa do Neev. – sussurrei para não acordar o Neev
- Ah, o Neev!
Minha mãe sempre gostou muito do Neev, era engraçado. Toda vez que eu pronunciava o nome dele, ela sempre dizia a mesma coisa “Ah, o Neev”, e sempre com o mesmo sorriso bobo na cara. Vai ver, até ela já sabia que eu gostava dele. E eu sabia que ela estava com o mesmo sorriso idiota, não sei como, mas eu sabia.
- Mas, já está tarde. Venha para casa.
Olhei para o relógio e já eram 19h. Estou aqui desde as 13h, um bom tempo.
– Eu posso ficar aqui, mãe, só hoje?!
- Não filha, desculpa. Deixe o Neev descansar.
Demorei a aceitar, não queria deixa-lo, mas ela tinha uma ponta de razão.
- Tá bom! Já estou indo.
Desliguei o celular e o coloquei no bolso novamente. Saí da cama devagar para não acordar Neev. Peguei minha mochila, e antes de sair voltei e dei um beijo em sua testa.
*3 semanas depois*
Eu ia todo dia á casa de Neev para ver se ele estava bem. E á cada dia ele estava mais teimoso. Porém, eu não parava de encher seu saco. Eu ia novamente hoje, antes de ir á escola.
Meu celular toca, e era Neev.
- Oi Neev.
Ele estava chorando
- Neev? O que foi?
- Desculpa, eu não aguento mais isso tudo! – fala entre soluços
- Neev, eu estou indo aí. Espera.
- Não, não vem aqui, por favor.
- Por quê?
-... Desculpa mesmo!
- Neev?
Ele deliga
- NEEV!
Saio correndo do quarto e vou pra fora da casa, pego meu carro e tento abrir a porta, mas estava fechada.
- CADÊ A DROGA DESSA CHAVE? – Falei para mim mesma
Entro na casa e a chave estava no sofá, por sorte. Volto para o carro, entro e vou o mais rápido possível até a casa dele, foda-se as multas por velocidade. Cheguei á casa dele e a porta não estava trancada, entrei e fui correndo até o quarto dele. Bati mil vezes seguidas chamando seu nome ao mesmo tempo. Meu coração estava disparado e eu tinha um pressentimento ruim. Tentava abrir a porta, mas estava trancada.
- NEEV, POR FAVOR, ABRE!
Afastei-me da porta e comecei a ir contra ela
- Se você não abre eu vou arrombar isso aqui!
Afastei-me novamente e depois chutei a porta com toda a força e ela abre. Olho em volta do quarto, e ele não estava lá, olho para o banheiro e a porta estava entreaberta. Eu estava totalmente com o coração na boca, e sem pensar fui até lá.
Ele estava sentado no chão chorando, com uma faca em sua mão, e com o pulso cortado. E chão ao seu redor cheio de sangue
- NEEV?! POR QUE FEZ ISSO? – Falei sentindo uma dor enorme
- Desculpa – Disse chorando
Cheguei perto dele, tirei meu casaco e amarrei com força no local para estancar o sangue.
- É tarde demais!
- NEEV, PARA! EU VOU AJUDAR VOCÊ!
- Não, você não vai!
Sinto as lagrimas caindo sem parar
- Você quebrou a promessa! – Falei
- Desculpa... De novo!
- Não.
- A minha única razão de ainda estar vivo é você, mas se há uma coisa que eu não quero é que sofra. E não era pra você estar aqui. Você ira esquecer isso um dia, superar, e eu quero que você tenha a oportunidade de conhecer alguém que poderá fazê-la feliz.
- Mas eu já encontrei!
Sua respiração começa a ficar muito lenta, e quase não sentia seus batimentos cardíacos.
- Lucy... Nunca esqueça que eu te amo... Pirralha!
Minhas lagrimas caiam e a dor que eu sentia de estar o perdendo aos poucos era a maior que eu já senti em toda a minha vida.
- Eu também te amo idiota!
Ele sorri
- Seja feliz pequena!
- Eu nunca seria sem você. Não faz isso Neev! Por favor, não me deixe.
Ele sorri, fecha seus olhos e me beija. Seus olhos não se abrem mais, e ele morre ali, nos meus braços.
- Neev, por favor, volte pra mim, não faça isso!
Eu ainda não conseguia acreditar que eu ficaria sem ver ser sorriso...
- Neev, por favor, volte!
...sua voz, seu jeito de me chamar de pirralha ou pequena, seu jeito de sempre achar ser o mais esperto da sala, e de fato ele era.
- NEEV!- gritei
...E de fato... Se ele morresse, eu morria junto, como havia dito para ele.
Ele havia quebrado sua promessa, e ao mesmo tempo quebrou a minha, sem querer. Eu não podia, mas... Eu não saberia viver sem ele, de qualquer forma.
Não pensei em mais nada. Peguei a faca que estava ao lado de Neev e a passei em meu pulso. Senti apenas algo levemente cortando a minha pele, e a minha veia. Apenas vi o sangue cobrindo todo o meu braço. Não sentia arrependimento nenhum, não sentia nada. Qualquer dor do corte comparada com a dor que eu sentia de perder ele não era nada. Por isso, talvez, eu não sentia nada, e depois de alguns segundos não sentia meu coração bater, e não sentia mais nada.
Eu não via mais nada além das lagrimas, e depois de alguns segundos não via nem as minhas lagrimas, tudo escurecia.
- Eu te amo Neev!
Fechei os olhos por não conseguir mais mantê-los abertos. A dor estava passando...
“- Por que fez isso pequena?”
“- Porque assim como eu era a sua razão de viver, você também era a minha!”
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