Stay With Me
36 Capítulo 36
Acordei com meu celular tocando incessantemente em algum lugar do quarto. Abri os meus olhos lentamente, logo os fechando novamente por conta do incomodo que sentia nos mesmos. Pela manhã meus olhos costumavam ficar bem sensíveis, principalmente quando eu dormia pouco.
— Desliga logo esse merda! – Taylor que estava deitada ao meu lado resmungou, semicerrei os olhos e vi quando ela virou para o outro lado, enquanto pressionava o travesseiro em sua cabeça.
Praguejando quem quer que estivesse efetuando aquela ligação, eu levantei a procura do aparelho, o encontrando em cima da escrivaninha, do outro lado do quarto. Ainda bem que olhei o visor antes de atender, ou então estaria ferrada se atendesse aquela ligação soltando palavrões quando era minha mãe que estava na linha.
— Oi mãe – Franzi o cenho ao perceber como ela estava nervosa do outro lado — Não, ela não está aqui. – Eu disse.— Na verdade, eu não a vejo desde ontem à tarde, na escola. – Continuei— Tem certeza que ela não passou a noite na casa de alguém? — Perguntei tendo um amargo pensamento de que minha irmã poderia estar com ‘’ela’’.— Tem certeza disso? Ligou para os amigos dela? – Comecei a me preocupar— Ok, fica calma, não deve ter acontecido nada demais – Tentei tranquiliza-la— Já estou indo para aí. – Comecei a vestir as roupas que havia tirado para dormir— Eu sei que a Holly já voltou para a cidade, mas eu dou um jeito, não se preocupa! Okay, vou tomar cuidado, até logo. – Desliguei e encarei Taylor que agora sentada na cama, me olhava de forma questionadora – Tenho que voltar.
— Por que? O que aconteceu? – Perguntou ela enquanto eu pensava como voltaria já que estávamos sem carro – Santana, o que houve? – Perguntou novamente, dessa vez obtendo a minha atenção.
— Emily foi encontrar sua irmã ontem à noite e depois disso aparentemente sumiu! – Eu disse enquanto passava pelos nomes na lista de contatos, no meu celular.
— O que será que aconteceu? – Perguntou apreensiva e curiosa.
— Não interessa, só preciso encontrá-la – Disse mais grossa do que gostaria e vi que a loirinha não havia gostado nada. – Alô, sem tempo para suas gracinhas, preciso que me dê uma carona...
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Taylor não tinha gostado nada quando descobriu a quem eu havia pedido carona. Tivemos uma discussão e ela disse que não voltaria, mudando de ideia quando a lembrei que se ela não fosse comigo, ficaria sozinha até o final de semana. Não nos falamos mais, peguei nossas coisas e fiz sinal para que ela me acompanhasse até a varanda da frente onde decidi que era melhor esperar. Alguns minutos após trancar a casa, ouvimos o ronco de um motor e logo um Jaguar F-TYPE conversível na cor laranja, apareceu na pista de concreto que dava acesso a casa de campo. Sebastian saiu do veículo e pela forma que ele bateu a porta do carro, praguejando por isso logo depois, demonstrava o quão furioso ele estava. A loira ao meu lado riu e eu apenas suspirei revirando os olhos enquanto me abaixava, pegando nossas mochilas.
— Porra Santana, eu não sou a merda de um motorista para você ligar a hora que quiser exigindo que te pegue em algum lugar, ainda mais nesse fim de mundo e a essa hora da manhã – Despejou seu desagrado quando eu estava perto o bastante.
— Abre a mala – Ignorei e pedi olhando para ele seriamente. Sebastian bufou irritado e apertou o botão no pequeno compartimento das chaves em sua mão, abrindo a mala como pedi.
— Esse carro tem apenas dois lugares – Se pronunciou Taylor após eu guardar as coisas. Olhei para o automóvel e vi que ela tinha razão.
— Você é idiota ou o que? – Cruzei os braços e observei ele, que tirou os óculos escuros do rosto e passou a mão no cabelo.
— Eu não sabia que ela estava aqui e que também iria! – Se defendeu ele. – Não sou adivinha, porra.
— Eu disse que estava na casa de campo da Taylor – Eu disse irritada – Isso não foi explicativo o bastante?
— Eu não tenho que pensar nessas merdas a essa hora da manhã, eu nem deveria estar aqui – Disse Sebastian – Eu só peguei o carro mais rápido porque queria acabar com isso logo!
— Calem a merda da boca e decidam o que vão fazer! – Disse a loira de saco cheio.
— Ok... – Pensei por um minuto e cheguei a uma conclusão – Você fica – Disse olhando para o garoto que me olhou incrédulo e logo soltou uma gargalhada.
— Mas nem pensar – Disse ele irredutível – Eu não vou ficar aqui e nem mesmo vou deixar meu carro novo na mão de vocês...
— Mas que merda – Balbuciei dando um soco no teto do carro, claro que recebi um olhar repreensor por isso – Vai ter que caber todo mundo! – Abri a porta do passageiro e me sentei, em seguida fiz sinal para que Taylor sentasse a minha frente, entre minhas pernas. Sebastian apenas observava, curioso. – Vamos logo, idiota! – Disse enquanto colocava o sinto em nós e ele logo tratou de tomar o seu lugar ao nosso lado.
— Se eu for multado por isso... – Começou ele em tom ameaçador.
— Só dirige! – Interrompi, sem paciência – Quanto mais rápido começar a dirigir, mais rápido chegamos.
Sebastian fez o que falei e enquanto o silencio preenchia o carro Taylor tentava arrumar uma posição confortável sem querer ceder e se encostar em mim. Toda aquela movimentação estava tornando tudo mais desconfortável, pelo menos para mim, então repousei minhas mãos entre sua cintura e barriga e a puxei contra mim, a loira suspirou surpresa.
— Você não pode ficar com raiva de mim para sempre – Sussurrei em seu ouvido e ela apenas cruzou os braços como que querendo provar que eu estava errada e que sim, ela podia. – Me desculpe por essa situação e por ter sido grosseira contigo – Ela olhou para mim pelo canto do olho e sorriu levemente quando eu fiz beicinho.
— Vocês são quentes juntas! – Disse Sebastian nós lembrando da sua desagradável presenta. Lhe lancei um olhar repreensor que claro, foi ignorado – Mas claro que apenas isso não vai pagar esse pequeno esforço que fiz hoje.
— O que quer dizer com isso? – Perguntou Taylor usando seu tom ríspido.
— Não estou falando com você – Devolveu. Sorriu quando tive que segurar Taylor para que ela não fosse para cima dele e aquilo acabasse em uma tragédia. – Tenho planos divertidos para você, Santana.
— Ela não vai fazer nada que você queira, idiota! – Rebateu Taylor.
— Cala a boca, garota, você não sabe de nada – Disse aumentando o tom de voz.
— Na verdade, ela tem razão – Me pronunciei e logo recebi o olhar confuso do garoto sobre mim. – Acabou Sebastian, não vou fazer mais aquelas merdas que você me obrigava. – Ele riu desacreditado.
— Você não pode fazer isso – Sorriu maliciosamente desviando o olhar da estrada e olhando para mim por um segundo – E você sabe muito bem o porquê.
— Mas é claro que posso! – Eu disse sorrindo confiante. A loira em meu colo apenas ouvia tudo, buscando compreensão – O que você tem contra mim, digamos que eu também tenho contra você.
— Só pode estar louca – Ele riu, mas eu senti um leve nervosismo em seu gesto – Eu não saio por aí beijando a namorada do meu irmão, para falar a verdade eu nem tenho um.
— O irmão do melhor amigo, talvez? – Sebastian freou o carro bruscamente assim que as palavras terminaram de sair por meus lábios. Com meu reflexo só tive tempo de apertar Taylor firmemente contra mim. Agradeci mentalmente por estarmos com o cinto.
— FILHO DA PUTA, quer nos matar? – Taylor gritou assustada.
— De que merda você está falando? – Olhei pelo retrovisor e não vinha nenhum carro atrás, talvez naquele horário a via não fosse tão movimentada, olhei novamente para o garoto ao meu lado e pela primeira vez vi temor em seus olhos.
— Como o prefeito que não se importa nenhum pouco com a homofobia e que abomina os homossexuais, reagiria ao descobrir que seu filho é gay? – Perguntei olhando-o firmemente. Sebastian engoliu em seco e desviou o olhar e Taylor, bem, parecia realmente surpresa.
— Você não faria isso... – Eu ri e ele soube que sim, eu faria sem pestanejar – Foda-se! Ele não acreditaria em você de qualquer forma!
—Espera, então é mesmo verdade? – Taylor Gargalhou e eu ri.
— Sebastian querido, eu tenho como provar, há várias fotos e todas elas estão comigo – Eu disse e vi o garoto ficar pálido.
— O-O que eu posso fazer para que você não faça isso comigo? – Perguntou ele desesperado.
— Agora estamos falando a mesma língua! – Disse confiante – Você vai ficar na sua, vai parar de aterrorizar aquelas pobres pessoas e vai se desculpar com cada um que você fez algum mal.
— Só pode estar brincando com a minha cara. – Rebateu e eu neguei – Eu não vou fazer isso! – Disse batendo no volante – Eu tenho algo contra você também e se você me expor eu faço o mesmo – Disse tentando virar o jogo. Merda. – E então, o que vai ser?
— Elas estão noivas! Acha mesmo que Emily vai ligar para um beijo que nem aconteceu? – Forcei uma risada – Ela pode ficar com raiva de mim, mas depois vai perdoar. Acredite, minha irmã é boa demais para passar o resto da vida me odiando. – Blefei.
— Eu não acredito em você! – Disse ele, mas a dúvida e o medo estavam presentes em seus olhos.
— Vai pagar para ver? – Perguntei e ele assentiu – Tudo bem, você deve estar confiante que seu pai será compreensivo contigo, mesmo não sendo com o resto do mundo...
—PORRA, eu faço Ok? Eu faço, só não publique essa merda! – Cedeu, sua face transbordava raiva. – E eu vou precisar de um tempo para me acostumar com ideia de ter que fazer o que pediu.
— Dois dias e nada mais – Disse firme. Sebastian me olhou incrédulo e Taylor dividia seu olhar entre nós, nos analisando.
— Uma semana... – Tentou
— Mas nem fodendo – Rebateu Taylor se intrometendo – Então vai ser só isso? – Perguntou ela para mim – Depois de tudo o que ele te fez passar, você só vai fazer ele se desculpar e ficar na dele? – A loira em meu colo parecia furiosa, rosnou quando eu apenas dei de ombros sem saber o que fazer. – Desce do carro. – Deu a ordem a Sebastian, logo saindo do veículo e eu logo a segui. – Desce, agora! – Falou novamente abrindo a porta do carro no lado em que o garoto estava. Temeroso, Sebastian obedeceu. Olhou confuso para a loira quando a mesma estendeu a mão em sua direção. – Eu quero as chaves.
— Parece que você terá que arrumar carona! – Eu expliquei, um sorriso torto enfeitando os meus lábios ao entender as intenções de minha amiga.
— Vão se foder! – Soltou ele e eu cruzei os braços o olhando seriamente – V-vocês não podem simplesmente me deixar aqui no meio do nada!
— Podemos e vamos fazer isso – Arrancou as chaves da mão dele – Você está sob nossas condições e nada de uma semana, você ouviu a latina ali, você tem dois dias para fazer o combinado. – Olhou para mim e jogou as chaves, as quais eu agarrei sem dificuldade alguma. – Boa sorte, babaca! – Lhe empurrou, fazendo o mesmo cair sentado.
Eu ri e logo tomei o assento do motorista tendo Taylor ao meu lado. Ela me sorriu e eu lhe pisquei dando partida no carro. Eu sabia que ainda não estava autorizada a dirigir mas duvidava que alguém fosse me parar aquele horário e se caso acontecesse, bem, o carro não era meu mesmo.
— Ruim de cama é a sua mãe! – Gritou Taylor quando arranquei com o carro. Sua mão do lado de fora apontando o dedo do meio para o garoto. Que na época foi o responsável por aquele boato que se espalhou na escola logo que terminaram.
Gargalhávamos da situação enquanto eu seguia o caminho. Eu poderia ter esperado e acabado com a reputação de Sebastian — como ele definiria – E se eu fosse aquela Santana amargurada que chegou na cidade, eu provavelmente teria feito sem pensar duas vezes, mas eu não queria ser como ele, como eu era antes. Eu me sentia melhor, uma versão melhorada de mim e talvez eu devesse esse novo eu a ela. Que trouxe o meu melhor com o que me fez e faz sentir.
Me sentia mais leve apesar de estar angustiada por falta de notícias de Emily. Eu queria ignorar e acreditar que tudo ficaria bem, mas algo dentro de mim dizia que uma tempestade estava próxima e talvez, demorasse bastante a nos deixar.
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