Stay With Me

27 Capítulo 27


Ficaram por mais um tempo conversando. Brittany repreendeu Santana por ter ido a outra cidade só para comprar algo para lhe agradar e a latina se defendeu, um pouco envergonhada em dizer que realmente tinha ido pois sua mãe precisava de algo que aparentemente só tinha na cidade vizinha. Pensou que a loira acharia o gesto menos grandioso, mas a mesma se sentiu aliviada e tranquilizou a latina dizendo que não mudava o fato dela ter lembrado e comprado os seus doces favoritos, que o grau da fofura não havia diminuído por isso. Santana corou e se segurou para não deixar o pensamento clichê sair por seus lábios, de que iria até o fim do mundo se a loira pedisse.

Quando subiram para o quarto da loira Santana percebeu que apesar de já ter estado naquela casa algumas vezes, era a primeira vez que pisava naquele cômodo privado e especial. Gastou uns cinco minutos apenas observando enquanto Brittany esperava que ela falasse algo e quando a latina o fez foi apenas para dizer que tudo ali era doce, leve e alegre como ela. A loira deixou a latina se acomodar na cadeira de sua mesa e puxou um Puff para perto para que assim começassem a estudar.

Pegou papel e caneta e elaborou algumas sentenças enquanto Santana respondia algumas que a professora havia passado, para assim Brittany ter uma noção do que a mesma estava errando. A loira terminou primeiro e enquanto esperava se distraiu com as expressões e gestos da garota ao seu lado. O jeito que franzia o cenho comprimindo os lábios levemente, balançando a cabeça negativamente, quando estava intrigada com algo que havia escrito. A maneira que passava a mão na nuca ou batucava a caneta em uma das têmporas enquanto lia a questão, ou como sorria de canto balançando levemente o punho fechado quando terminava com a intuição de que tinha acertado.

Brittany se perdeu observando e descobrindo pequenas coisas novas sobre a garota ao seu lado, que não percebeu que a mesma havia falado algo com ela, só saindo do transe e desviando o olhar para folha em suas mãos, quando Santana olhou para si.

— O que você disse? – Pigarreou perguntando em seguida.

— Que eu terminei... – Disse Santana estendendo a folha.

— Eu realmente não entendo – Disse a loira analisando os cálculos no papel em sua mão. Santana a olhava curiosa e um pouco nervosa – Santana, boa parte das questões estão corretas e as que não estão, os erros são completamente bestas. – A latina continuou a encarar sem entender, então Brittany suspirou largando o papel em cima da mesa – Está claro que você sabe fazer, tem pequenos erros em combinações de sinais e confusões na hora da formula, mas eu não vejo e não entendo o motivo dos seus últimos F’s . – Santana desviou o olhar para seu colo, Brittany percebeu que ela mordia o lábio inferior em claro sinal de nervosismo e esperou pacientemente sabendo que ela logo falaria, quando estivesse pronta.

— Eu nunca as faço – Começou, o olhar ainda preso no colo – Desde que tudo aconteceu, eu nunca consegui resolver uma sentença, bem, não até agora. – Brittany não estava entendendo nada – Eu peguei os dois brigando e eles não trocavam tantos beijos como costumavam fazer, então como eles ficavam felizes quando tirava ótimas notas nas matérias, resolvi que tiraria dez na minha matéria favorita, matemática. – Brittany escutava atentamente – Passava a tarde estudando e nos finais de semana não ficava tanto tempo brincando com meus amigos para poder estudar e olha que para mim não era tão difícil como era para meus colegas de sala, que odiavam qualquer coisa com números, mas coloquei em minha cabeça que tinha que me esforçar, que nada podia dar errado. – Suspirou com um olhar distante, sentindo seu coração aquecer quando a loira cobriu sua mão com a dela, deixando um leve aperto – E então eu consegui e voltei para casa radiante, doida para mostrar para minha mãe e a noite aos dois juntos, mas então tudo aconteceu e desde aquele dia eu não nunca mais consegui fazer nada relacionado a matéria.

— Santana, eu.. Eu nem sei o que dizer – Disse a loira ainda absorvendo tudo o que tinha ouvido. Santana a olhou, um pequeno sorriso nos lábios enquanto com a mão livre acariciava com o polegar a mão da loira que estava em cima da sua outra. – Como você..

— Como cheguei ao ensino médio? – A loira assentiu – Wayne sempre dava um jeito – Riu sarcasticamente – Quando a professora era gostosa ele simplesmente dava em cima dela, nas reuniões ou marcando encontros, convencendo-as a me passar. E quando ele não tinha essa opção simplesmente subornava alguém da escola. Tudo que eu tinha que fazer era sentar, escrever qualquer coisa para não desconfiarem e ficar lá um tempo com a prova, mesmo que me sentisse mal como sempre acontecia.

— Como ele nunca percebeu que tinha algo errado? Que você precisava de ajuda? – Questionou Brittany levantando-se exasperada, irritada. – Meu Deus Santana, eu vi você, você suava, tremia, ficava inquieta, como ninguém percebeu isso?

— Sempre os pensamentos eram sobre minha mãe com o cara e eu sentia raiva de mim mesma por ainda pensar, por me importar tanto... E como eu não queria aborrece-lo com o assunto eu nunca contava até que meu comportamento foi questionado a ele por algum professor, ele simplesmente dizia que era nervosismo, que eu me cobrava muito, e me pediu para dar a mesma desculpa e que não me preocupasse que devia ser uma besteira que logo iria passar.. – Explicou.

— Deus.. seu pai é um cretino! – Disse a loira sem pensar – Desculpe .. – Pediu corando, Santana deu de ombros e Brittany suspirou se sentando novamente – Como você conseguiu ficar com esse cara por tanto tempo?

— Tecnicamente eu só tinha a ele – Disse – Para mim ele era um herói, o melhor pai do mundo. Ganhava qualquer coisa que quisesse na hora que desejasse, festas, viagens, carros.... Pensava que era o jeito dele de mostrar que me amava, mas hoje sei que eram apenas distrações para não ter que lidar comigo.

— Eu sinto muito.. – Disse a loira pegando a mão dela novamente.

— Tudo bem.. – Sorriu fraco olhando para suas mãos unidas.

— Não está.. – Disse a loira dando um leve aperto, elas se olharam – Vem aqui – A trouxe para perto a envolvendo em um abraço carinhoso. – Obrigada por se abrir comigo – Fechou os olhos passando os dedos entre os fios e o couro cabeludo da morena, enquanto seu outro braço envolvia firmemente sua cintura.

Obrigada por existir..— Suspirou trazendo a loira para mais perto, estava tão entorpecida com o carinho e cheiro da loira que se sentia uma louca por ter a impressão que não só seu coração batia incontrolável contra o peito, mas claro que só podia ser coisa da sua cabeça, óbvio...