Stay Strong
1 Capítulo 1 - Meetting
Notas iniciais
Hm.. um concelho? preparem uma playlist lenta, com musicas que voces gostem, e depois comecem a ler o capitulo.
- Ei Anne! – uma das vadias interrompeu meus pensamentos assim que entrei pelos corredores da escola, Helenna estava acompanhada de mais duas amigas. As de sempre. – Você esta bonita hoje – Ela olhou para as amigas e soltou uma risada. Meu dia já estava uma merda e ainda eram oito horas da manhã. Voltei a andar, então ela segurou meu braço.
- Venha, vamos dar uma voltinha. – Então elas me carregaram para o banheiro. Ah, eu estava fudida.
- Não, Helenna, espera.. – Tentei impedi-las.
- Cala boca Ann.
Ela sussurrou e continuou a me levar até o banheiro mais próximo. O que elas fariam dessa vez? Meu estomago já estava revirando, sentia minhas pernas moles, e meu punho fechado de raiva.
- Então, chegamos asquerosa. – Ela começou.
- O que temos pra hoje? – Disse uma das amigas dela, Carol.
- Não sei, acho que.. ah! Tranque a porta Carol e vamos começar a festa meninas. – Permaneci parada, em silencio.
Helenna tirou uma tesoura da mochila. Me assustei por dois segundos, e então ela começou a falar.
- Seu cabelo.. hm.. é tão lindo assim, loiro acastanhado, ondulado.. — ela já tinha andado e estava parada atrás de mim, pegando nas pontas de meus cabelos. – Que pena seria se.. – Então ela cortou. A raiva subiu em meu corpo, estava me odiando mais do que odiava a Helenna, exatamente por eu não fazer nada, e deixar ela simplesmente cortar meu cabelo. Uma lagrima escorreu pelo meu rosto, sequei rapidamente com as costas das mãos, mas não adiantava mais, ela já tinha feito o estrago. Meu cabelo, que antes batia na cintura, agora estava abaixo dos ombros.
- Ficou linda! – Mari, sua outra amiga, disse.
- Entra ai garota. – Ela me empurrou para dentro de um box, e me trancou lá. Pude ouvir quando ela saiu acompanhada das outras duas garotas, então abria porta do box e olhei no espelho. Três palavras escritas em batom vermelho: você poderia morrer.
Encarei o chão, e vi o tanto de meus cabelos que tinham sido cortados. Levei o olhar ao espelho novamente e vi meu rosto molhado e minha maquiagem preta espalhada pelo rosto. Eu chorava novamente. Eu sabia exatamente em o que isso iria dar. Fui até a porta de saída do banheiro, mas como imaginei, estava trancada. Sentei ali, de costas a porta ainda chorando de raiva delas e ódio de mim. Peguei minha mochila e achei exatamente o que eu estava procurando: minha lamina preferida. Eu usava uma camisa de mangas longas, estiquei-as pra cima e comecei, fazendo movimentos aleatórios e a cada momento mais fundo. Meu braço já estava com várias cicatrizes por causa daquelas garotas.. ou melhor, por minha causa. Porque eu nunca disse nada. Nunca tentei impedir. Porque sou fraca, e em momento algum lutei para impedir.
Senti um empurrão na porta. Enfiei a lamina de volta na mochila, machucando um pouco do meu dedo, e abaixei rapidamente a manga da blusa, e me levantei. Então uma das mulheres da limpeza entrou no banheiro:
- O que aconteceu aqui? – Ela começou. – Voce fez tudo isso?
Antes de responder eu corri e sai dali. Eu já tinha perdido o primeiro tempo, e estava sem condições de me apresentar para os próximos. Fui para um lugar que considerava “my dark place”. Mas era só um lugar atrás do campo de futebol embaixo das arquibancadas, que dei sorte de estar vazio.
Comecei chutar tudo que estava na minha frente, socar de raiva e gritar. O que eu diria a minha família agora? Mais uma vez, eles levariam como outra revolta. Eu não queria ir pra casa. Engraçado, porque hoje de manhã eu não queria ter saído de lá. Ouvi um barulho. Olhei para tras e um garoto estava sentado lá, me observando.
- Quem é você? – Eu disse, em um tom arrogante. – O que você quer?
- Sou Nicolas, muito prazer. – Ele disse, encarando o braço que eu tinha machucado a menos de 10 minutos. – Voce precisa por um curativo nisso ai.
- O que? – Eu disse e levantei meu braço para que eu conseguisse ver. Estava feio, de verdade.
- Deixe me ajudar você. – Ele levantou e foi até mim, pegando meu braço.
- Por que? – Eu disse, empurrando ele pra longe.
Ele sem responder, pegou meu braço novamente, tirou um pedaço azul escuro de pano do bolso e enrolou em meu braço.
- O que você esta fazendo cara? – Eu falei, olhando para ele enquanto ele terminava o curativo. Ele deu um nó forte e gemi de dor.
- Eu sei como é. – Ele disse.
- Voce também se cor..
- Não, — ele me interrompeu antes que terminasse. – Eu sei como é ter alguém te empanturrando o saco a ponto de você odiar a si mesma.
Não falei nada, só sentei no chão, e fiquei olhando pro nada. Isso sempre acontecia comigo, me arrepender demais depois de não poder mais voltar no tempo e refazer as coisas.
- É.. obrigada.. Nicolas.
- Me chame de Nick. – Ele disse sentando-se ao meu lado. – A propósito, seu cabelo.. esta legal assim. – Ele riscou o isqueiro e acendeu seu cigarro, e ofereceu pra mim. Aceitei, mas depois de por na boca, devolvi imediatamente, antes de ter outra crise de arrependimentos. – Você não se apresentou.
- Ahn.. certo, sou Anne.
- E o que aconteceu Ann?
- Helenna, Mariana e Caroline. Isso aconteceu. Ou melhor, acontece a um ano.
- Ah, já entendi. Imagi..
- Posso saber o que esses dois fazem aqui fora? – Alguem interrompeu Nick, antes que terminasse de falar.
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