Stay Alive

4 Capítulo 3 — Encobrindo verdades


Notas iniciais
Boa leitura!

Eu estava novamente na Rua 12, em frente a uma árvore com folhas de um tom verde musgo.

Olhava de um lado para o outro, esperando alguém chegar, mas a única coisa que veio foi o vento. Uma brisa leve e fria. Sentei-me na beirada da calçada e comecei a olhar para a pequena carta que havia retirado de meu bolso, a mesma que havia encontrado em um dos livros na biblioteca. Era uma noite bonita e silenciosa. De repente, sinto a presença de alguém.

Tessa.

— Você não contou para o Leo, certo?

— Claro que não. Eu quero descobrir o que é isso tudo e você disse que poderia ter uma resposta. — Respondi.

— Então vem.

Começamos a andar por entre a rua. Chegamos no colégio, mas pelos fundos e não na entrada principal, como costumamos fazer.

O colégio FEC era envolvido por grades de ferro e uns trinta centímetros de muro, encostado no chão, os fundos tinham mais postes de luz por ficar mais escuro e havia muitos arbustos. Abrimos o portão menor e entramos. Ela parou em frente ao portão pelo lado de dentro e se abaixou em meio aos arbustos.

— O que você está fazendo? — Perguntei.

— Fique quieto.

Ela arrancou algumas plantas e presa ao muro, havia uma placa dourada onde estava escrito "Propriedade privada residida pela Fundação De Ensino Conceito". Ela arrancou a placa da parede e só precisou de um pouco de força, pois já estava velha. Ela virou a placa e atrás dela estava escrito qualquer coisa numa língua que eu desconhecia. Ela deu um sorriso e se virou para mim.

— Está preparado?

Acordei suando.

Estava no chão e a minha cama estava completamente desarrumada. E de novo, apenas o travesseiro estava arrumado e no mesmo lugar. Fui até ele e havia mais canela num formato de uma casa e dentro dela, tinha o mesmo símbolo que havia encontrado na última vez.

Eu tinha passado quase a noite inteira lendo e pesquisando na internet. O livro me foi muito útil, mesmo que a capa estivesse numa língua totalmente diferente, dentro do livro, todas as páginas estavam em português. Acho que a pessoa que escreveu esse livro, fez assim para que todos achassem que não desse para lê-lo. O que mais me chamou atenção é que o livro que Mauren pegou era exatamente o que eu precisava. Após 00:40, eu havia encontrado algo sobre ervas/plantas onde dizia:

"Essas ervas são tradicionalmente usadas pelos Bruxos nos travesseiros, para ter sonhos mágicos, ou em poções para induzir visões em sonhos proféticos: língua-de-cobra, anis, cânfora, quelidônia (menor), canela, margarida, azevinho, lúpulo, hera, verbena-limão, raiz de mandrágora, malmequer, visco, artemísia, cebola, hortelã-pimenta, bolsa-de-pastor, rosa, erva-de-são-joão, verbena, vervena, absinto, milefólio."

[...]

"USOS MÁGICOS DA AGRIMÔNIA: Use em todas as saquetas de proteção e feitiços, também para eliminar as energias negativas e espíritos. Agrimonia também tem sido muito utilizado para reverter feitiços enviados contra o mago, ou seja, que feitiços não só rompe, ele também envia de volta para o "executor"."

Depois de ler isso, só fiquei mais curioso e animado para saber mais. Era bruxaria... Algo sobrenatural. Então existem bruxos e bruxas e talvez muito mais... Alguém tinha posto a canela debaixo do meu travesseiro, para que eu tivesse algum sonho profético, ou seja, onde eu pudesse prever o futuro. Todavia, tinham símbolos. Por mais que fosse canela, a canela foi colocada de uma maneira proposital. Então quem quer que tenha colocado a canela debaixo do meu travesseiro, queria que o meu sonho tivesse alguma relação com o símbolo. Mas o que se passava em minha mente era: quem poderia ter feito isso? Provavelmente a pessoa que colocou a pequena carta no livro lá na biblioteca... Mas como? Como essa pessoa consegue fazer isso? E por que eu? Porque no meu travesseiro?

O sonho só me deixou mais confuso. O que eu e a Tessa estávamos fazendo nos fundos do colégio? E o que seria aquela placa? Fui pegar o livro que tinha deixado em cima da escrivaninha que havia no meu quarto, para ver se havia alguma resposta para todas as minhas perguntas. Procurei pela escrivaninha, na verdade, pelo quarto todo e não achava o livro. Havia algo errado. Eu lembro muito bem de ter colocado o livro em cima da escrivaninha...

Sentei em minha cama e tentei não pensar em nada. O que foi bastante complicado, já que muitas coisas estavam acontecendo.
Ontem de noite, também tinha pego a pequena carta para ver o que tinha dentro. E a resposta era: nada. Olhei de tudo, mas apenas tinha o envelope da carta. Sem nenhum papel dentro.

Nada estava fazendo sentido para mim. Apesar de ter descoberto várias coisas, ainda precisava de muitas respostas. É como fazer uma prova, mas não ter o gabarito para conferir depois quanto você tirou. Resolvi tomar um banho e depois me arrumar para ir à escola. Pensar em tudo de uma vez só não ia resolver.

Cheguei ao FEC com um nó de pensamentos em minha mente. Encontrei o Leo logo na entrada, que já se despedia da namorada, que ia para a sua sala. Pensei em contar sobre o sonho logo de cara, mas se no sonho a Tessa dizia que eu não devia contar para o Leo, sinal de que eu não devo contar agora. Se contar, é provável que o sonho não se realize, e preciso saber para o que serve a placa e todas essas coisas.

— Oi, cara. Descobriu alguma coisa? — Ele me perguntou.

— Sim. Descobri que alguém colocou a canela no meu travesseiro para que eu sonhasse com o futuro. Mas um sonho relacionado ao símbolo embaixo dele. E a agrimônia ao redor do salão da festa pode ser tanto "proteção" contra alguma coisa, quanto um feitiço de reversão, ou até mesmo um feitiço contra espíritos ruins. — Respondi.

— Feitiços? Você quer dizer que bruxos e bruxas e todas essas coisas existem?

— Eu acho que sim. O livro falava totalmente sobre ervas e plantas para bruxaria. Eu acho que vou pesquisar mais.

— Nem me fale em pesquisar que eu vou lembrar da biblioteca e o beijo de The Walking Dead com a Fátima. — Ele falou reclamando — Mas você teve algum sonho?

— Na verdade, sim, mas não consigo lembrar. Acho que foi mais para um sonho louco, sem sentido, ao invés de um sonho profético.

— Olá, meninos. Escutei alguém falando sobre sonhos? — Mauren apoiou o braço no meu ombro, assim que começou a falar e deu uma pequena risada no fim da pergunta.

— É... Uns sonhos loucos. Sabe, daqueles em que você está em Nova Iorque bebendo tomate em cima da Torre Eiffel. Sim, bebendo. — Ela fez uma careta, provavelmente porque não gostou tanto da piada – se é que era uma –, mas tentou rir por educação quando falei. Não sirvo para fazer Stand Up Comedy, acontece.

— Ah, mas não é bem isso que eu quero falar com você. — Ela falou.

— Ah, certo. Com ele. — Leo deu uma cotovelada nas minhas costelas — Eu vou... — Ele olhou de um lado para o outro — ficar ali com... com... Eu vou... Ah, conversem aí. — E saiu andando.

— Então... Eu queria saber se você tem alguém para ir na festa... — Ela começou.

— Você está me convidando para ir à festa? — Perguntei.

— É, já que você não me pediu e duvido que peça, mesmo que eu dê mole para você, então resolvi pedir por mim mesma.

— Ah... Sim... — Ela me deu mole?

— Então você passa lá em casa umas oito?

— É, sim, claro, pode ser, com certeza. — Falei um pouco afobado. Ou muito.

— Então está bem, te vejo na saída?

— Claro, sim, com certeza... — Ela riu e colocou o dedo indicador na frente da minha boca e me deu um selinho, para que eu calasse a boca.

— Cara, o que foi isso? — O Leo perguntou enquanto a Mauren ia se afastando.

— Não sei, cara. Sei que senti algo subir em mim.

— Calma, jovem, são apenas 6:50 e pouco.

— Não, não é isso. — Falei colocando a não em minha testa — Foi uma sensação estranha... Não sei se é boa ou ruim, apenas estranha.

— Quer saber? Você precisa de alguma distração, a aula vai começar daqui a pouco e provavelmente você vai poder dormir ou fazer qualquer outra coisa, tipo dialogar comigo sobre Coldplay.

— Eu gosto de dormir. — Falei e ele revirou os olhos e fomos andando até nossa sala. O sinal tocou logo em seguida.

Ao entrar no ninho de corredores, esbarrei com a Marina. Ela colocou a mão no meu ombro ao pedir desculpas. Nesse instante, eu senti uma vibração, senti isso percorrendo todas as veias do meu corpo. Ela tinha alguma coisa. Provavelmente era uma bruxa. Podia sentir isso apenas pelo seu toque. E provavelmente ela percebeu que eu tinha notado algo, pois logo em seguida ela me olhou de outro jeito e saiu andando o mais rápido que pôde. Pegamos o material nos nossos armários e fomos andando para a sala de aula, enquanto conversávamos.

— O que houve? — Leo perguntou.

— Não sei... Ela... Ela é alguma coisa sobrenatural, eu sinto isso.

— Como você pode sentir?

— Não sei. Não sei mesmo.

Antes de entrar na sala, alguém atrás de mim me passa uma folha de papel. Tentei virar para ver quem era, assim como o Leo, mas o corredor já estava tumultuado demais. No bilhete estava escrito:

Parece que alguém andou lendo...

Cuidado para não encontrar alguma surpresa...

Eu e o Leo nos entreolhamos. O que será essa surpresa? Senti alguém me empurrar bem forte e ouvi uma voz:

— Olhem por onde andam, maricas.

Conhecia essa voz, era muito familiar.

Douglas.

Notas finais
Gostaram? Podem dar críticas e me ajudar se tiver algum errinho. Obrigada pela leitura. ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.