Staub Und aschen
9 Capítulo 8
— Levando em conta a sua reação quando chegamos, eu acho que não é a primeira vez que Schuldig vem com alguém ferido aqui. — o jornalista comentou enquanto observava Nagi sair da cozinha com instrumentos cirúrgicos esterilizados.
— Na verdade, é a primeira vez sim. Em todas as outras ele mesmo era quem estava com problemas. — o pequeno prodígio da polícia local respondeu, sentando-se ao lado de Ken e pedindo para que ele removesse a camisa, coisa que o outro fez em segundos. Ran não perdeu o olhar de Schuldig nesse momento. — Schuldig? Mesmo? — o moreno mais velho se virou na direção do tenente que estava encostado contra uma parede, uma expressão estranha no seu rosto. — Hey, Nagi. Mais trabalho e menos conversa. O moreninho deu um sorriso rápido para Ken. — Ele odeia quando eu conto sobre suas fraquezas. Ken-san, desculpe-me mas isso vai doer um pouco. — ele avisou momentos antes de pinçar um pedaço de vidro maior com cuidado, o jornalista fechando os olhos e fazendo uma careta — Pronto. Fujimiya-san, me passe aquela vasilha, por favor? O diplomata se adiantou e fez o que o outro havia pedido, observando a habilidade do perito japonês naquela situação. Ele realmente parecia alguém muito competente em tudo. Voltando ao seu lugar em uma cadeira, ele se aproximou de Ken e deu a mão para o outro: — Aqui, Ken-san. Pode apertar se quiser. Um sorriso agradecido foi tudo que o jornalista expressou antes de fechar os olhos e esboçar outra careta, envolvendo a mão pálida de Ran com seus dedos, apertando-a com força. Quando nenhum dos morenos estava observando o diplomata, ele ergueu a cabeça e fitou Schuldig, seu semblante neutro escondendo um sorriso de vitória ao ver um olhar de pura inveja e irritação no bonito rosto do alemão. — Está de folga hoje, Nagi? — Hai. Crawford me deu o dia hoje... Fiquei mais que o necessário na delegacia nos últimos dias. — Interessante. Ele tem muita consideração com você, mas nenhuma comigo. — Algo me diz que dessa vez o trabalho extra não está sendo desprazeroso, tenente. — a voz do diplomata atraiu a atenção de Nagi e Schuldig, o alemão captando perfeitamente o sentido daquelas palavras. Ken, ainda se concentrando no seu braço, não pareceu notar nada. — De qualquer forma... — o perito falou novamente, colocando um quinto pedaço de vidro na vasilha — Agora pouco a televisão estava noticiando o roubo armado a uma loja de roupas. Era lá que vocês estavam? — Ja... E não foi roubo nenhum, isso foi para encobrir o verdadeiro motivo de tudo. — Schuldig saiu da sua posição e sentou-se sobre uma mesinha de centro que Nagi possuía, observando de perto a cena e admirando a postura do jornalista; ele não havia reclamado em nenhum momento até agora. — Verdadeiro... Motivo? — Ken perguntou antes de prender os lábios em uma fina linha para evitar um gemido. — Sim... Lembram de quando eu disse que estávamos sendo observados? Eu acho que o tiroteio e o roubo foram organizados para levar todo mundo a acreditar que se tratava de um crime comum. Mas depois o tiro foi disparado na nossa direção e feriu Ken. Eu tenho quase certeza de que o assassino de Nakamura está atrás de nós. — E por isso você veio para cá, a fim de evitar hospitais. Faz sentido. — Nagi completou o raciocínio do colega, colocando a pinça de lado — Ken-san, espere aqui, vou pegar algo para desinfetar os cortes e cobrir o machucado. O perito saiu silenciosamente da sala, o jornalista abrindo os olhos e lançando um olhar de gratidão a Schuldig, soltando a mão de Ran ao mesmo tempo: — Obrigado, ne. — Não é nada... Eu estou preocupado com esse cara, agora. Ele provavelmente conhece seu rosto, o meu e o de Fujimiya também. E não somos exatamente comuns na nossa aparência. — o tenente acrescentou com um muxoxo nada característico, fazendo Ken rir. — Schuldig, não é culpa sua. Você tentou evitar isso a todo custo. — Mas não evitei. — Mas tentou... E como nada sério aconteceu, está tudo bem. — o jornalista tranqüilizou o policial do seu lugar, vendo Nagi retornar com um frasco de um produto rotulado em alemão, além de gaze e esparadrapo. — Fujimiya. Acho que você não deve mais procurar por nós pessoalmente. — Schuldig falou depois de algum tempo — Você também está correndo riscos. — Entendo sua preocupação, tenente. Mas eu já servi em países onde a situação diária era muito mais perigosa que este caso; não creio que isso será problema. Uma breve batalha de olhares se seguiu entre eles, Nagi optando por ignorar a mesma e Ken simplesmente não percebendo nada. Quando o curativo estava terminado, ele anunciou: — Vou avisar Crawford. Vocês três não devem circular muito. — Eu sei, Nagi. Qualquer coisa diga para ele me ligar em casa. Vamos, Ken... Quero que você descanse. Os três visitantes se foram, Schuldig e Ken ganhando uma carona do ruivo, embora o tenente não tivesse a intenção de aceitá-la. Os dois subiram para o apartamento do policial, ele mesmo instalando o jornalista com todos os cuidados, ganhando um sorriso deslumbrante do moreno no final.
— Arigatou por tudo, Schu. O oficial suspirou, curvando os lábios para cima em um sorriso cansado antes de usar a mão direita para afagar suavemente o cabelo castanho do outro. — Não precisa me agradecer, Ken. Eu... Só fiz o meu trabalho. Saindo em silêncio do quarto e deixando a porta entreaberta para melhor ouvir qualquer chamado do outro, Schuldig engoliu em seco; nada nunca fora tão distante da realidade quanto a última afirmação que ele fizera ao jornalista antes de sair de perto do mesmo. O tenente apoiou o rosto na mão esquerda, seus olhos observando com cuidado as imagens que Crawford havia lhe enviado. Eram das câmeras de segurança da loja que havia sido roubada no shopping mais cedo, mas Schuldig sabia ser tudo uma farsa para encobrir o verdadeiro motivo. Infelizmente, as imagens não revelaram muito. Somente uma das câmeras havia capturado uma figura ao longe que parecia ter disparado os tiros, mas ele parecia comum: cabelo castanho e roupas normais. Poderia ser virtualmente qualquer pessoa, ainda mais em uma cidade cosmopolita como Berlim. Se por um lado aquela característica favorecia Schuldig, Ken e Ran quando não queriam ser notados ao conversar, ela também ajudava a esconder o assassino de Nakamura. Repassando as filmagens mais uma vez, o tenente viu o seu celular vibrar mais uma vez sobre a mesa; ele havia tirado o volume do aparelho para não acordar o jornalista que ainda dormia no outro quarto e viu que a chamada era mais uma vez da sala do seu superior. — Hey, Crawford. Alguma novidade? — Não. A investigação não cabe à nossa unidade, mas de qualquer forma, a divulgação do incidente é de que tudo não passa de um simples roubo. — Isso ajuda. Talvez ele ache que a polícia não percebeu nada mesmo. — Mas ele viu você. — Eu não estava de uniforme. — Mas estava fardado no dia da morte de Nakamura e foi o primeiro a achá-lo. Talvez ele tenha consciência de que estamos tentando enganá-lo; é bom não perder de vista essa possibilidade, Schuldig. O tenente suspirou longamente, aproveitando para esfregar os olhos. — Você está certo... Sua intuição nunca falha. — De fato. Amanhã Nagi estará de volta e eu vou pedir para ele também examinar as fitas. — Hmmm... Ele fala japonês, certo? O assassino. — Isso não é uma pista muito conclusiva. Afinal, eu e você falamos também e não somos nativos. — Brad, a sua mania de destruir meus argumentos é irritante. A pausa que se seguiu foi o suficiente para o alemão imaginar o pequeno sorriso no rosto do outro. — Schuldig, vá descansar. Já trabalhou bastante por hoje. — Você não costuma ser generoso. — Então aproveite. O som de ocupado encheu a linha e Schuldig esticou-se na cadeira, sentindo os músculos do seu corpo ligeiramente doloridos; era tudo culpa da tensão dos últimos dias, ele tinha certeza. Bocejando, ele quase se assustou quando viu uma xícara de café fumegante ao seu lado. — Ken? Eu te acordei? — ele falou, aceitando a xícara com um olhar preocupado, rapidamente dissipado quando o moreno sacudiu a cabeça negativamente e se acomodou em uma cadeira próxima da mesa do computador. — Não, não. Acordei agora pouco... E vi você trabalhando aqui, então decidi trazer algo para animá-lo. — foi a resposta do outro. O tenente notou que um rubor considerável havia se espalhado no rosto do seu hóspede, e riu baixinho daquela constatação. — Danke, Ken. Não precisava ter se preocupado. — Bom, você está dando duro para pegar alguém que quer me matar. Era o mínimo que eu poderia fazer. — o jornalista replicou, sentindo-se inútil naquela história toda; ele não estava fazendo muito mesmo — São as imagens da loja? — Hmm-hmm. Mas não dá para ver muita coisa; a única imagem em que vemos o possível atirador é esta. — ele mostrou ao moreno com alguns cliques do mouse — É alguém moreno, com calça jeans e camiseta. Pode ser qualquer um. — Sou desu... — o jornalista ficou quieto por alguns minutos, observando alguém que tinha o braço erguido e algo na mão que parecia muito com um revólver. Ken se levantou da sua cadeira, ficando atrás de Schuldig e inclinando seu corpo para frente de modo a ficar com o rosto em paralelo com o do alemão, examinando a cena no monitor. A atenção do policial foi imediatamente atraída para a curva do pescoço do moreno ao seu lado. Um perfume suave vinha do jovem à sua direita, fragrância que Schuldig reconhecia como sendo do seu próprio shampoo, mas que ele nunca tinha reparado até então. Fechando os olhos rapidamente e bebendo o último gole de café da sua xícara, ele imaginou por alguns segundos a visão que Hidaka Ken seria no chuveiro. — Schu. A sua fantasia foi cortada quando a voz do jornalista chegou aos seus ouvidos, um sussurro parecendo bem mais alto do que de costume por causa da proximidade entre os dois: — Schu, ele está vestindo uma camisa de algum time de futebol. — Hmmmm. — o outro murmurou, abrindo os olhos e vendo um certo jornalista coberto de espuma se dissolvendo na imagem congelada de uma câmera de segurança. A vida era injusta para o tenente — O quê tem? — Não tem como aumentar isso? Para ver o número, cores, alguma coisa? — Deixa eu tentar. — o oficial suspirou e tentou ampliar a imagem, surpreso quando um distinto número onze se formou nas costas do suspeito — Você tinha razão. Consegue ver mais alguma coisa? — Onze... As cores são azul e branco, certo? — Isso. — Espera aí! — o jornalista ficou visivelmente alvoroçado, quase empurrando Schuldig para o lado na excitação em que ele subitamente se encontrava — Schu! Schuldig, abra uma janela da internet e digite... Esquece, posso me sentar rapidinho? Tonto com o ânimo do seu hóspede, o policial concordou, deslizando para o lado e prestes a sair da cadeira quando o outro interviu: — Não, não. Não precisa se levantar, é rápido... Um calor que o tenente não sentia há algum tempo começou a subir pelo seu corpo quando ele notou efetivamente a presença do corpo atraente de Hidaka próximo do seu, dividindo o mesmo assento. O jornalista parecia alheio aos olhares nada discretos que Schuldig lançava agora para as coxas e para o torso do japonês, Ken completamente atento ao monitor do computador enquanto digitava algo. De repente, a mão esquerda do moreno apertou a coxa direita do outro homem, apontando com a mão livre algo na tela: — Olha, Schu. Aquela camisa... É de Nakamura! O site de um clube de futebol exibia a foto de uma camiseta antiga, modelo que já não era mais fabricado segundo a legenda da mesma. Era o primeiro clube onde Nakamura Hiroki havia jogado, na sua cidade natal que era a mesma de Ken: Iwata. Piscando, ele quase se assustou quando encontrou os olhos turquesa do moreno faiscando com ânimo na sua direção: — Esse assassino... É da mesma cidade que eu. Ninguém fora de Iwata teria conhecimento desse time, era pequeno e da série C da J-League, eu lembro dessa época. O tenente sentiu que seu queixo havia caído, espantado com a dedução do outro homem e seu vasto conhecimento quando o assunto era futebol. Fechando a boca, ele perguntou: — Então você quer dizer que o cara que matou Nakamura... Possivelmente o conheceu antes da fama? — Sim. Schuldig olhou para a tela, perplexo; aquele crime era mais pessoal do que ele imaginara no início. Sem perder tempo, ele pegou seu celular e discou o número de Crawford; com certeza o coronel gostaria daquela notícia. O policial abriu a porta do seu apartamento com uma carranca, nada feliz em ver a figura do diplomata parada do lado de fora da porta. O sorriso amável de Ran não enganava Schuldig; ele tinha certeza que o outro o detestava por completo, e a recíproca era verdadeira. Representando um país ou não, o tenente não seria cortês se o ruivo tentasse algo de engraçadinho com Ken. — Eu disse que não queria vê-lo na minha casa, Fujimiya. — Ah, sempre tão cordial, tenente. Bom dia para você também. — sem mais palavras, o primeiro-secretário passou por Schuldig e se acomodou no meio do sofá, colocando a pasta que sempre carregava no chão, próximo dos seus pés. — O quê você quer? — No momento, uma xícara de café e falar com Ken-san. Raiva começou a correr pelas veias do policial ao ouvir aquela declaração insolente, mas o insulto que ele tinha na ponta da língua morreu ao ouvir a porta do banheiro ser destravada e posteriormente admitindo o moreno na sala. O mesmo havia acabado de sair do banho, com apenas uma toalha na cintura e outra na cabeça, com a qual enxugava com violência suas mechas castanhas. Os dois outros homens ficaram completamente sem palavras diante da cena, ambos seguindo a trilha que pequenas gotas d\'água deixavam pelo abdômen de Ken, a marca da grande cicatriz que o moreno tinha nas costas quase coberta pela toalha branca na cabeça.
— Schu? Está falando sozin... Hey, Ran! — o outro sorriu e deu alguns passos na direção do diplomata, só então se lembrando dos seus trajes. Ou melhor, da falta deles — Ah, chotto matte, ne. Vou me trocar, já venho. Nenhum dos dois homens mais velhos falou qualquer coisa enquanto o jornalista foi vestir uma camiseta de treinamento da polícia de Berlim e calça, novamente emprestadas do tenente. Schuldig decidiu que o moreno deveria ser um espetáculo quando fardado, mas as suas fantasias ficaram para outra hora quando a voz educada de Ran chegou aos seus ouvidos: — Tenente Schuldig, o café? Ken se levantou do sofá, prestes a ir para a cozinha quando o oficial espalmou a mão esquerda na sua direção: — Nein. Fique aí e conversem logo, eu já volto. Muito a contragosto, o policial se retirou da sala, caminhando com passos arrastados até a cozinha onde começou a fazer o maldito café para o ruivo engomadinho que conversava com o seu protegido na sala. Ele ainda não havia descoberto quem havia passado seu telefone e endereço para Ran; precisava ligar para Nagi, aproveitando que ele já estava de volta ao serviço. Enchendo três xícaras rapidamente e espantando o pensamento de que ele estava fazendo o papel de uma empregada doméstica, Schuldig retornou à sala, encontrando os dois homens sorrindo e conversando animadamente. — Aquela noite eu achei que você fosse me matar! — o jornalista riu, esticando os braços em seguida para se espreguiçar e subindo o tecido da sua camisa; os outros dois homens notaram o pequeno gesto — Aya tinha me avisado que você ia chegar tarde do duelo de esgrima, mas não pensei que você fosse voltar tão rápido! — O outro competidor faltou e eu fui proclamado vencedor automaticamente. — o ruivo sorriu, seu rosto atraente ficando ainda mais bonito com aquela curva nos lábios rosados, mas Schuldig não queria admitir isso — Se esconder no armário foi uma boa idéia, mas deixar os sapatos na entrada de casa não foi exatamente brilhante. — Ah, eu sempre esqueço de detalhes. — o jornalista corou adoravelmente, coçando a parte de trás da cabeça ao mesmo tempo. Ran então se virou para Schuldig, sorrindo de um modo que o policial sabia ser falso para então dizer: — Tem açúcar, tenente? Praticamente grunhindo, o policial retornou à cozinha, somente para descobrir que Ken havia usado o açúcar e guardado o mesmo em algum lugar improvável. Ele gastou longos minutos em uma busca à substância doce, quase pensando em levar sal de volta para o diplomata quando encontrou o açúcar em cima da mesa da cozinha. Revoltado com a sua cegueira temporária, Schuldig retornou com o açucareiro na mão. E quase deixou o objeto cair. Assim que ele colocou os dois pés no piso acapertado da sua sala, Ran aproximou seu rosto do de Ken subitamente e beijou os lábios do outro, assustando positivamente o mesmo. O jornalista ficou estático enquanto o diplomata já havia fechado os olhos e claramente tentava aprofundar o contato entre as bocas, mas quando o moreno pareceu que ia ceder, seus olhos turquesa encontraram os de Schuldig. E ele viu uma coisa refletida neles que fazia parte do grupo das coisas que ele mais detestava no mundo: traição. O açucareiro foi deixado com estrépito na bandeja que continha as xícaras, as mãos de Schuldig rapidamente agarrando o colarinho da camisa de Ran e puxando o mesmo com violência para trás. O ruivo murmurou um protesto, mas seus olhos exibiam um triunfo incontido. Repentinamente falando em alemão e nem se importando se o outro estava compreendendo seu discurso, o tenente praticamente puxou o diplomata até a porta, chutando a mala do mesmo para fora do seu apartamento depois de abrir a porta e gritar para que ele nunca mais voltasse ali. Um olhar rápido na direção do seu hóspede confirmou o que ele imaginava: Ken estava assustado com a reação de Schuldig. O homem mais velho nem se preocupou em falar qualquer coisa, retirando-se para o seu quarto e fechando a porta. Sem acender a luz, o policial caiu de barriga para baixo na cama e permaneceu assim até a voz suave do moreno chegar aos seus ouvidos. — Schu...? Desculpe. Eu não sabia que você não... O policial nem se mexeu ao ouvir aquelas palavras, por mais verdadeiramente sinceras que elas soassem. — Gomen nasai. Não fazia idéia de que você era... Contra isso. Desculpe. — Contra o quê? A voz do alemão havia sido abafada pelos travesseiros, mas fora compreensível. Ele ouviu Ken mudar de posição no quarto e sentiu o peso do outro afundando o colchão; ele havia sentado na beirada da cama do policial, e o mesmo conseguia praticamente ouvir o embaraço do seu protegido. — Contra... Homens se beijando. — Ken, você enlouqueceu? O moreno piscou, vendo o outro sentar na cama com um olhar de descrédito no rosto. Ele havia notado que o outro era inocente, mas aquilo já estava beirando o ridículo. Talvez ele compreendesse melhor com uma demonstração ao invés de explicação. Com dois movimentos rápidos, Schuldig selou os lábios quentes do jornalista com os seus. Usando as suas mãos, ele agarrou os pulsos do outro e deitou de volta na cama, trazendo o japonês consigo sem interromper o beijo. Depois do choque inicial das atitudes do alemão, Ken finalmente permitiu que a língua do tenente deslizasse para dentro da sua boca, um barulho quase inaudível de prazer chegando por fim aos ouvidos do policial. Ele resolveu interromper o beijo, seus olhos já acostumados ao escuro identificando o mais leve rubor no rosto do seu hóspede. — Schu... — Eu não sou homofóbico, Ken. Pelo contrário. — o outro explicou com um sorriso brilhante e malicioso — E qualquer cara hétero olharia mais de uma vez para você, com certeza. Ele podia sentir o calor que a face do outro radiava, estando tão perto. — Eu fiquei com raiva porque aquele Fujimiya... Fez exatamente o que eu não tinha tido coragem de fazer. — Coragem? — Isso não é bom, Ken. Você é meu protegido e um envolvimento que ultrapasse os padrões de guardião e protegido não é desejado. Mas... — a voz do outro terminou num suspiro — Eu não consegui evitar. O moreno ficou quieto por alguns minutos, observando o tenente embaixo dele. Relacionamentos afetivos com outros homens não eram novidade para ele, ainda mais quando se joga futebol por muito tempo. No entanto, ele nunca havia visto o oficial de uma forma diferente até aquele surpreendente momento, e sentiu-se estúpido por causa disso. Schuldig era um homem exótico, muito sensual e de personalidade, e ainda por cima... — Você fica bem de farda. — Todos dizem isso. O tenente deu um sorriso para o outro antes de puxá-lo para mais um beijo, murmurando a sua aprovação quando os dedos fortes do moreno começaram a acariciar seu cabelo, brincando com as mechas cor de fogo que eram bastante sedosas. As mãos do tenente abraçaram Ken na altura da sua cintura e lá ficaram, ocasionalmente deslizando por baixo da camisa para tocar a pele das costas dos outro, sentindo as cicatrizes e tendo vontade de beijar cada uma delas. Schuldig não sabia se Ran havia ido embora ou ficado no seu hall social. Ele esperava que fosse a última alternativa, porque então certamente o diplomata ouviria os gemidos e gritos extasiados do moreno.Continua...
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