Staub Und aschen
3 Capítulo 2
— Mas por que só ele?
Hanae massageou as laterais da sua cabeça lentamente, fazendo pequenos círculos com a ponta dos dedos antes de abrir os olhos e encarar um dos seus fotógrafos. Kudou Yohji trabalhava no mesmo jornal que Ken e ganhava a vida tirando fotos de várias celebridades; as más línguas diziam que dormindo com elas também. — Porque é a área de atuação dele, Kudou. — ela respondeu e saiu do seu escritório com pastas nas mãos, distribuindo-as nas mesas dos funcionários que deveriam trabalhar com elas. — Mas Kitada-san, ele vai precisar de fotos! — o loiro tornou a insistir, andando atrás da sua chefe. — Eu sei, mas ele pode fazer isso sozinho. — Mas... — Kudou. — ela se virou de repente, colocando uma das mãos na cintura e lançando um olhar ferino para ele — Você tem um talento e sorte inegáveis para a sua profissão, razões pelas quais eu contratei você. Mas em todos os outros aspectos profissionais, você é terrível, Kudou. Terrível. A última pessoa que eu mandaria para um terra famosa pelas modelos e pela bebida seria você. Não vou pagar uma viagem de turismo sem razão nenhuma, Yohji. Fui clara? Os dois ficaram parados no corredor, enquanto os olhos esmeralda do fotógrafo abriam e fechavam repetidamente, seu cérebro tentando entender todo o discurso da sua chefe. De repente, ele abriu um sorriso charmoso para a ruiva, inclinando o corpo para sussurrar próximo ao ouvido dela: — Que tal um jantar para compensar a falta da viagem, então? Pode ser aqui mesmo em Tokyo. Hanae se virou depressa para ir embora e sem dizer palavra, mas Yohji vislumbrou o rubor que tingiu seu rosto antes disso. Alguns passos na frente no corredor a dona do jornal parou, virando-se devagar para o loiro que ainda sorria no mesmo lugar. — Como você descobriu que ele vai para a Alemanha? — Ah, foi fácil. De uma hora para outra começaram a aparecer livros de gramática, dicionários e coisas estranhas em alemão em casa. E todos sabemos que idiomas não são o forte dele... Foi só prensar um pouco que ele cedeu todos os detalhes. — o outro explicou com mais uma curva dos seus lábios, piscando um olho para a editora-chefe. — Ele deve estar pagando todos os pecados das vidas passadas dele morando com você, Kudou. — dando um sorriso meio cúmplice Hanae foi embora, deixando Yohji sozinho que balançou a cabeça antes de ir cumprir os seus afazeres aquele dia: — Pecados? A minha companhia é uma bênção! Desembarcando no aeroporto em Berlim, Ken se deu conta de que todo o seu esforço para aprender alemão havia sido praticamente em vão. Ele não entendia nada do que a mulher falava pelos alto-falantes do saguão e muito menos as placas, e o moreno se sentiu invariavelmente estúpido por ter perdido tanto tempo estudando aquela língua complicada. Saindo da área de desembarque, ele escolheu um táxi e ir direto para o hotel onde Hanae havia feito sua reserva. Ken optou por mostrar o endereço numa folha de papel silenciosamente, porque ele não fazia idéia de como deveria pronunciar o nome da rua. O percurso entre o aeroporto e o hotel foi mais curto do que o repórter esperava; descendo do carro depois de pagar o motorista, o jovem rapaz colocou uma das malas no ombro e usou a mão direita para carregar a outra sacola que levava, entrando no hotel rapidamente. Não era excessivamente luxuoso, mas estava bem acima do que Ken estivera esperando da sua chefe, honestamente. Ele ainda nem era um jornalista formado, então ele havia suposto que Hanae iria tentar gastar o mínimo com ele. Sorrindo para si mesmo, ele se adiantou até o balcão e fez o check-in, não encontrando muita dificuldade para se comunicar nesse momento: os livros de alemão ensinavam tudo sobre essa parte, mas é bem verdade que o fato da simpática recepcionista que lhe havia atendido ter um inglês impecável havia vindo em boa hora. Ken finalmente subiu para o seu quarto, retirou as roupas das malas e arrumou suas coisas para os próximos quatro dias que havia planejado ficar em solo germânico; o repórter esportivo só não imaginava que sua ausência do Japão fosse ultrapassar muito mais do que esse prazo. Na manhã seguinte, Ken saiu rapidamente da cama e tomou banho, comendo o café da manhã no hotel e em seguida rumando para o clube onde Nakamura Hiroki faria seu último treino antes da estréia. Enquanto outro táxi o levava pela cidade de Berlim, o moreno colocou as credenciais que o identificavam como parte da imprensa ao redor do pescoço, abrindo a bolsa que carregava consigo para se certificar que a câmera fotográfica, o gravador e muito papel e caneta estavam com ele. Ligando seu celular, Ken constatou que ele não estava funcionando na Alemanha. Era estranho: antes de viajar, ele havia consultado vários sites na internet e descobriu que seu celular supostamente tinha cobertura internacional, devendo ter funcionado sim ali. Deixando essa idéia de lado, o moreno cobriu normalmente o treino daquela manhã e conseguiu conversar com Hiroki de forma amigável. O jogador estava agradavelmente surpreso ao descobrir que sua transferência iria ser noticiada no seu país de origem, e concordou em dar uma exclusiva logo após o jogo para o seu conterrâneo.
— Como está sendo sua adaptação, Nakamura-san? — perguntou o repórter com um sorriso, anotando as respostas numa prancheta. — Ah, do jeito que eu esperava. O tempo não é muito diferente e as pessoas são cordiais, mas entender o que elas falam... — É complicado. Eu sei, eu estudei quase dois meses de alemão e acredite, não aprendi muita coisa. — Ken confidenciou com um sorriso que arrancou uma gargalhada do jogador. — Sem falar na comida. — A comida alemã é estranha. Não nego. Se bem que no hotel... Eles são mais globais. — Bom, se por global você entende americano... — Sim, foi isso que eu quis dizer. Mas pelo menos parece melhor do que o café da manhã regional deles. — Sem dúvida. — Nakamura concordou com a cabeça, usando a toalha que tinha em volta do pescoço para enxugar o rosto, espreguiçando-se rapidamente depois — Suas observações sobre o treino mais cedo foram muito interessantes. É jogador de futebol também, Hidaka-san? O moreno sorriu, corando ligeiramente e aproveitando para coçar a parte de trás da cabeça antes de responder: — Na verdade, não. Eu queria muito ser um, desde pequeno... Mas acabei desistindo porque não tinha tempo livre para treinar: ou estudava ou jogava, e meu pai era muito rígido. Mas sempre jogo quando tenho algum tempo livre. — Em que posição? — No gol. Nakamura arregalou os olhos. — Goleiro? Mas é uma vocação rara. — Verdade. — o moreno concordou — Mas sempre me saí melhor defendendo o ataque dos outros do que atacando eu mesmo. — Fiquei curioso agora, Hidaka-san... Aliás, você me lembra alguém. Será que já me entrevistou antes? — o jogador perguntou de um jeito que deixava claro que não se tratava de arrogância e sim curiosidade. Ken parou para pensar na pergunta do outro, a fisionomia do jogador não lembrando ninguém, mas seu sobrenome... Nakamura virou a cabeça bruscamente, vendo um alto homem loiro que gritava seu nome com uma dificuldade notável — Ah, eu acho que tenho que ir. Ele parece desesperado para que eu me junte a ele. — Entendo. — o moreno sorriu e começou a guardar suas anotações — Então amanhã eu venho entrevistá-lo após a sua partida. Nos vestiários do estádio mesmo? — Sim, nos vestiários. Eu vou avisar o segurança sobre você para não ter qualquer problema amanhã. Espero que sua matéria fique excelente! — No que depender de mim, com certeza, Nakamura-san! Boa sorte amanhã! — Arigatou! O jogador se despediu esqueceu sobre o seu possível conhecimento prévio de Nakamura; era tudo obra dos cadernos esportivos que ele lia com freqüência, provavelmente. Logo o moreno se viu sozinho na beira do campo, o vento meio frio brincando com as mechas do cabelo castanho-chocolate do repórter esportivo que havia erguido a cabeça para observar as traves e a rede do gol de um dos lados do campo. Durante toda a sua infância, ele sonhara com os aplausos e gritos de todo um público quando ele defendesse a bola mais improvável, o chute mais certeiro do atacante do time adversário. Ken nunca fora popular quando criança; afinal, nenhum traço nele se destacava daqueles encontrados em qualquer criança pelo Japão, e ele freqüentemente era zombado pelos seus colegas de escola por ser gentil e leal a pessoas que, no geral, nunca mereciam sua confiança. Ele sempre quis provar para todos esses moleques que lhe provocaram de que ele era capaz de brilhar e refletir qualquer coisa, a começar pelos insultos que ouvia na época. Mas agora...Era apenas um sonho distante. Lançando um olhar triste para o gol, Ken se foi de volta para o hotel. Precisava escrever um e-mail para a sua chefe e preparar tudo para o dia da grande estréia de Nakamura também. Já que ele não podia estar em campo literalmente, ele pelo menos poderia entrar nos vestiários, bater fotos e conversar com quem ele esperava ser o destaque do dia seguinte.Continua...
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