State of Grace

2 Você só pode estar de sacanagem, vida


POV. Alicia

Á ideia de ir para um colégio interno não me assustava nem um pouco; pelo contrario, eu me sentia completamente ansiosa para finalmente ter a tão sonhada liberdade.

Lá estava eu, Alicia Gusman, arrumando as ultimas coisas na minha única mala.

– Filha- ouço minha mãe chamar da porta e grito um “pode entrar”- Precisa de ajuda pra terminar as malas?

– Não, já acabei, essa eu só tinha aberto pra conferir.

– Certo... E onde estão as outras malas querida?- Mordi os lábios, os olhos da minha mãe tinham uma leve acusação. Eu tinha certeza que ela implicaria com o fato de eu levar apenas uma mala.

– Que outras mamãe?- tomei o cuidado para minhas palavras saírem de forma doce- Eu só vou levar essa mesmo.

E então, para meu completo espanto, minha mãe começou a gargalhar feito uma maluca.

– Mas não vai mesmo!- Ela exclamou sem folego- Vamos por mais algumas roupas aí, eu não te comprei sete malas atoa!

Apenas sentei-me na cama e esperei ela voltar de dentro do closed. Sim! Eu, Alicia Gusman, tinha um closed em meu quarto! Apesar de ter me tornado mais “feminina” com o passar dos anos, nunca consegui aceitar bem a ideia de ter um closed que fosse meu.

– Alicia, cadê o resto das suas roupas?

– Não tem resto mãe, estão todas na mala.

Minha mãe suspirou e me deu um olhar de quem vai aprontar.

Ah não! Não, não, não, não, não!

Assim que eu abri a boca pra gritar “nada de shopping!” ela já me puxava em direção ao carro.

...

– Agora sim! Isso aqui é bagagem de verdade filha!- Minha mãe não poderia estar mais feliz. Fazia cerca de uma hora que tínhamos voltado do shopping e eu nem tempo de descansar tive! Fiquei arrumando mala atrás de mala.

– Eu estou tão cansada- falei, mas acabei sendo interrompida por um bocejo.

– E acho melhor você tomar um bom banho e dormir, amanhã teremos que ir bem cedo para o aeroporto. – Mamãe beijou meu rosto e saiu do quarto.

Tomei um banho, mas antes que me jogasse na minha linda cama, guardei meu skate novo e maravilhoso na mala que estava menos cheia.

POV. Paulo

Meus pais me abraçaram pela milionésima vez. Uma parte de mim (uma parte pequena), estava triste por estar me separando deles, porém a parte maior estava completamente ansiosa para entrar no avião e partir para uma vida de independência e liberdade (se é que se tem liberdade em um internato). Mas tanto faz, eu moraria longe dos meus pais, sem as regras deles, com as minhas regras (ok, com regras as do internato). Mas TANTO FAZ de novo, eu estaria sozinho de qualquer jeito não é? É! Beijo mundo.

Ok, confesso que fiquei um pouco chateado por eles estarem me mandando para um internato (que fique BEM CLARO, que só fiquei um pouquinho, mas bem pouquinho chateado), aguentei bravamente a zoação da minha querida e idiota irmã até descobrir que ela também iria para um internato em Minas Gerais. Não entendo meus pais, se querem mandar os filhos para o internato porque raios não mandar para o mesmo? Não estou reclamando, jamais, estudar numa escola onde Marcelina não me deduraria por qualquer coisa era um sonho.

– Tchau bebê

– Para de me chamar assim Marcelina- resmunguei, mas retribui seu abraço. Confesso que eu sentirei falta desse apelido, mas é segredo.

Dei um ultimo tchauzinho e fui com meus amiguinhos embarcar no aviãozinho. (eu sou muito retardado, ignora).

...

O internato tinha mandado vários ônibus para buscar os alunos no aeroporto, depois de apresentar minha carteirinha que me identifica como estudante de lá, entrei em um ônibus qualquer. Me sentei no ultimo banco, junto com Davi e Daniel. Alguns minutos foram passando e o ônibus foi enchendo. Davi mexia no celular, Daniel lia com muito interesse os folhetos do SOG e eu fiquei olhando as garotas mais bonitas que entravam, enquanto tinha umas muito lindas, também tinha as muito feias. Desisti de ficar olhando e fui ver quantas curtidas teve minha ultima foto do instagram.

Até que tive a brilhante ideia de olhar para frente e ter a visão do paraíso, uma garota mais do que bonita, mais do que gata, mais do que... ESPERA AÍ!

Retiro tudo o que eu disse, lá estava a visão do INFERNO, isso sim! Em minha defesa, digo que eu estava inocentemente distraído e que nem percebi que “a garota mais do que bonita, mais do que gata” era a Alicia. E eu nunca vou admitir que a Alicia seja gatinha, mas na verdade ela é sim.

Para de ser otário Paulo!

ESPERA AÍ DE NOVO!

O QUE A ALICIA ESTÁ FAZENDO DENTRO DE UM ÔNIBUS INDO SUPOSTAMENTE PRO MESMO INTERNATO QUE O MEU?!

Você só pode estar louco Paulo, minha mente me avisou. (eu falo com minha mente sim, o problema is my).

Ufa! Relaxei, e preferi ignorar tudo o que minha mente imaginou, aliás, por que raios minha própria mente imaginou a Alicia aqui?

– Me digam, por favor, que não é a Valéria ali- Davi sussurrou meio supresso, meio desesperado.

– Não é a Valéria ali- falei, mas só por falar mesmo, porque agora que eu estava olhando melhor, parecia que a Valéria e a Maria Joaquina estavam lá com a Alicia. Pude constatar que minha mente estava bem doidona hoje.

– Valéria?- Daniel desviou sua atenção dos folhetos e olhou, olhou mais uma vez, e mais uma até que sua boca se abriu- Não acredito!- falou incrédulo.

– Ok gente, vamos revisar- falei- Eu estou vendo A Alicia, a Valéria, e a Maria Joaquina ali na frente, e vocês?

– Também- responderam juntos

Você só pode estar de sacanagem, vida.

Notas finais
e aí mano tudo em cima? hahahaha cá estou eu, as 02:18 da madrugs, depois de 4 dias postando de novo, olha, isso é um recorde! mas enfim vou tentar postar uma vez por semana ok? mas, só lembrando que se tiver comentários eu posto mais rápido não é chantagem (talvez só um pouquinho) mas é que comentários dão mais animo! então, se gostaram, ou se não gostaram comentem :) i love vocês, obrigada de coração pelos comentários! até!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.