State of Grace
3 Jane, o leão...
Jane era um homem cheio de truques e mistérios. Sempre conseguia esconder o que estava sentindo. Mas quando ficava realmente irritado era quase impossível se conter. E, nesse momento, o que estava o tirando do sério era ver como Ray Haffner olhava para Lisbon. Não era um simples olhar. Jane sabia que Ray desejava Lisbon tanto quanto ele.
Por que tinha que ser assim? Porque Lisbon tinha que ter aquelas curvas que chamavam atenção de todos os olhares? Porque ela não poderia ser uma agente federal como qualquer outra? Porque tinha que ser tão...sensual? Era quase impossível parar de pensar nela. Que infortúnio!
No entanto, felizmente, Jane era um homem com total controle sobre si mesmo e, mesmo sabendo que um dia Ray já ousara imaginar Lisbon sem todas aquelas camadas de roupas, ele tinha total convicção de que aquelas curvas de pele macia e cremosa pertenciam a ele. Tudo o que Jane precisava era uma nova oportunidade de provar isso a ela.
–Então, é isso...espero que tenha sido clara quando disse que não queria mais você metido nos negócios do CBI, Sr. Haffner.
–Claro Teresa, o seu pedido é uma ordem. -Ray não convencia Lisbon (nem Jane) com aquele sorriso sarcástico estampado no rosto.
–Ótimo. -Lisbon deu meia volta e deu sinal para que o porteiro abrisse os portões. Jane saiu logo atrás dela.
Ambos seguiram até o prédio do CBI. Ainda no estacionamento, Lisbon se irritou ao ver a pertinência de Jane ao segui-la até lá. Ela saiu de seu carro, batendo a porta o mais forte possível.
–Jane, já pode ir embora agora. Não tem nada pra fazer aqui.
–Bom..tecnicamente você também não tem nada a fazer aqui. Por que voltou?
–Esqueci algumas coisas na minha sala..
–Hum, interessante... acho que vou esperá-la.
–Ah não vai não!
–Não? Por que não?
–Eu não quero você me seguindo pra todos os lados. Arranje outro encosto pra você. -Lisbon ia caminhando para dentro do prédio e Jane permanecia a seguindo. Quando chegaram na sala dela, ela se virou a bloqueou a entrada dele.
–Lisbon...
–Já chega! Está me irritando....vá embora!
–Pare com esse ''showzinho''. Você quer que eu fique. Eu sei que quer. -Lisbon sorriu irônica.
–HA HA HA. Deus, o que eu fiz para merecer isso?
–Tire Deus dessa história, Lisbon.
–Não, eu não quero que você fique.
–Por que você tem que ser complicada assim? Quanta teimosia! Pare de se negar tanto assim. Eu sei que, no fundo, nós dois queremos a mesma coisa. E você deve saber disso também.
–Jane...
–Eu estou deixando você protestar, por hora. Mas você sabe que eu posso muito bem te deixar sem escolhas. E quando eu te deixo sem escolhas você nem sequer tenta fugir... -Jane fechou as persianas e a porta da sala, depois girou a chave. Oh não, era mais um daqueles momentos em que Lisbon não conseguia dizer ''não''.
–Isso é covardia sua...
–Não, covardia é o que VOCÊ faz comigo.
–Jane, destranque a porta.
–Não...- Em fracos passos, Lisbon tentava ir até a porta e fugir dali. Jane deixava ela se movimentar mas mantinha os olhos pregados nela, sempre a seguindo. Como uma caçador esperando o momento certo de capturar sua presa.
Quando Lisbon finalmente se aproximou da porta, ela tentou girar a chave, mas era tarde. Aquele era o ''momento certo'' que Jane esperara para atacá-la. Lisbon se sentia presa enjaulada com um leão feroz, deve ser por isso que tremia tanto. Ela sentia suas pernas bambearem e, antes que pudesse pensar em perder o equilíbrio Jane a carregou pressionado-a na porta. Ele mesmo se encarregou de posicionar as pernas dela para que ele se encaixasse entre elas.
Havia um minúsculo sofá -que mais parecia uma poltrona- naquela sala. Jane levou Lisbon até esse sofá e a jogou ,com cuidado, ali. As roupas era rasgadas com tanta feracidade e selvageria...Lisbon olhava para aquele corpo tão perfeitamente estruturado de Jane, se lembrando de como já havia tocado naquela masculinidade pensando ser alguma arma letal. De fato, ela havia acabado de descobrir que era sim uma arma perigosa. Ela desejava tanto senti-lo, que a única coisa que conseguiu expressar foi:
–Atire em mim...
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