Start it Over Again

3 Capítulo 2 - Anjo


Notas iniciais
Oi povo lindo! o/ Gente, muito obrigada pelos comentários, mesmo. *-* Não são muitos, mas pra mim são muito importantes, li cada um surtando, haha. Considerando que as fics/leitores de Stydia daqui são 10% do fandom... Até que eu to feliz, não esperava tudo isso. Sinceramente? Achava que ninguém leria, só postei porque minha amiga me obrigou, hahaha. Obrigada, de novo. Soooooo, aqui mais um capítulo pra vocês:

Pov. Stiles

― Mady?! ― Chamei, saindo do quarto e descendo apressadamente as escadas, tentando não tropeçar pelas caixas no caminho.

― Tô aqui, papai! ― Olhei em direção á sua voz e vi, aliviado, que ela estava ali sentada no chão.

Andei rapidamente até ela e a abracei.

― Por favor, não me assuste assim de novo, meu amor. Eu não quero ter um infarto até você chegar pelo menos na adolescência e tiver um namorado. ― Beijei sua testa e ela sorriu. ― Por que você saiu do quarto?

A larguei e me sentei ao seu lado no chão, vendo apenas agora que ela tinha derrubado uma das caixas e tinha várias coisas espalhadas pelo chão.

― É que eu tive um sonho estranho... Primeiro era a mamãe com você, como nas fotografias. E depois, era uma mulher que eu nunca vi ficou no lugar dela. Ela era bonita, muito bonita. Acho que era um anjo, mas não tenho certeza, papai. Aí eu acordei e desci, não tinha nada pra fazer no quarto e você tava dormindo. ― Mady explicou.

Eu ouvi atentamente sobre o sonho dela, o que me deixou curioso.

― E como você sabe que era um anjo, ela tinha asas? Como ela era? ― Perguntei, olhando-a enquanto ela brincava com as fotos antigas espalhadas pelo chão, de quando ela derrubou a caixa. A maioria era da minha infância, com minha mãe e meu pai, eu e Scott pirralhos...

― Não, ela não tinha asas... Ela parecia querer cuidar de você papai, por isso eu pensei que ela era seu anjo da guarda. E ela era bonita, já disse. Tinha o cabelo grandão e ruivo, e o sorriso dela era lindo. ― Ela dizia, sem olhar pra mim, apenas concentrada nas fotos espalhadas pelo chão.

Eu fiquei um pouco desnorteado. Ela não poderia ter sonhado com Lydia, poderia? Não, não era possível. Ela nunca sequer tinha visto Lydia.

― Tudo bem, filha. Acho melhor voltarmos pra cama e... ― Comecei dizendo, mas fui interrompido.

― AQUI! Achei, papai! Olha só, uma foto sua com o seu anjo. ― Ela levantou com uma foto na mão, saltitando feliz. Veio até mim e me entregou a foto.

Meu coração se apertou só de olhá-la. Era realmente Lydia ali. A foto era uma “selfie” que eu havia tirado de nós dois. Eu nem sequer me lembrava de ter guardado essa foto... Mas eu não podia acreditar. Fazia anos, mas eu lembrava com clareza daquele dia. Foi quando os pais de Lydia disseram que quando acabasse o ano escolar, eles iriam se mudar. Eu e Lydia fugimos. Não foi a coisa mais sensata á fazer, mas fizemos mesmo assim, éramos adolescentes impulsivos e apaixonados. Fomos para a cidade vizinha a que morávamos e nos hospedamos num hotel, deixando apenas bilhetes para nossos pais não nos procurarem, pois estávamos bem. Claro que alguns dias depois, o carro do meu pai estava estacionado na frente do hotel, pronto para nos tirar dali e levar pra casa. Mas enquanto estávamos sozinhos, eu e Lydia aproveitamos como nunca. Nós nos amamos até não aguentarmos mais, a sensação de termos um ao outro era maravilhosa. Estávamos tão aterrorizados com a ideia de nos separarmos que tínhamos que passar o máximo de temo juntos. Cada declaração, cada toque, cada beijo, cada “eu te amo”... Eu me lembrava de todos, sem exceção.

― Papai, você tá bem? ― A voz da minha filha me tirou de meus devaneios, e eu a olhei, forçando um sorriso.

― Estou, meu amor.

― Então por que você parece que vai chorar? Não chora porque se você chorar eu também vou. ― Ela disse, fazendo um beicinho. Mady veio até mim e acariciou minha bochecha com sua mãozinha.

Fechei os olhos aproveitando o carinho, suspirei.

― Papai não vai chorar, está bem? É só saudades. ― Funguei, piscando várias vezes, evitando que alguma lágrima rolasse.

― Saudades de seu anjo? ― Ela perguntou inocentemente.

― Sim, meu amor. Saudades dela... do meu anjo.

Depois disso, nos levantamos e chamei Mady para voltarmos pra cama.

Ela dormiu logo em seguida, já eu, fiquei acordado o resto da noite. Na minha cabeça várias memórias eram repuxadas lá do fundo, onde eu as tinha guardado por tanto tempo. E Lydia estava em todas elas. Era estranho agora voltar a pensar nela, depois de anos. Como será que ela está? Será que também tenha se casado? Construído uma família com filhos? Será que ela tinha seguido com a vida sem mim... Como eu fiz?

.

Algumas horas depois, quando percebi que o dia já havia amanhecido, decidi levantar. Afinal, tinha milhares de coisas pra fazer e resolver.

Tinha que passar na nova escola da Mady para assinar algumas coisas e tinha que ir no meu novo emprego resolver tudo. Depois ainda teria que fazer compras, e se sobrar tempo, eu ainda esvaziaria algumas das caixas. O dia estava realmente cheio hoje.

Estava ansioso por meu novo emprego. Sou um Perito Investigador, aliás. Não era segredo pra ninguém que desde pequeno admirava meu pai e o que ele fazia, ele mantinha a cidade em ordem e eu queria ser igualzinho a ele. E hoje em dia aqui estou eu.

Tudo bem que foi muito complicado chegar até aqui, tantos anos estudando, faculdades (é, foram mais de uma)... Mas sempre tive apoio de todos. Depois de todo esse tempo, era quase inacreditável que eu tivesse conseguido alcançar o meu objetivo.

Quando levantei, fui procurar entre as malas uma roupa mais apresentável. Tomei um banho rápido e me vesti, e quando saí do banheiro da suíte, Mady ainda dormia docemente. Sorri.

Resolvi dar uma olhada rápida na casa, pois não tive oportunidade ontem.

Havia dois quartos, um banheiro e um escritório no andar de cima. Um dos quartos era uma suíte com closet, o outro não tinha banheiro mas também tinha um closet. No andar de baixo ficava a sala de estar, que é bem ampla, com a cozinha acoplada nela, com um balcão longo as separando. Apenas os dois cômodos ocupavam todo o primeiro andar. Tinha também mais um banheiro ao lado da cozinha, uma dispensa pequena, e mais outro cômodo pequeno vazio.

Claro que a casa ficaria bem melhor quando não estiver cheia de caixas de mudança por todo lado, mas isso logo estaria resolvido.

Peguei minha carteira e chaves, tinha que sair e comprar alguma coisa pro café da manhã, já que não havia nada em casa. Os armários e geladeira estavam vazios.

Com a praticidade de um Google Maps, vi que havia uma Cafeteria próxima á vizinhança, então fui caminhando até lá. Eu geralmente gosto de caminhar, ainda mais com o fato de eu não ter comprado um carro ainda.

A Cafeteria tinha um nome francês e parecia ser bem aconchegante, o cheiro bom de café podia ser sentido de longe. Pedi um chocolate quente e um croissant de chocolate para Mady e um cappuccino pra mim, também com um croissant. Levei meu pedido para casa, tentando ir o mais rápido possível para quando Mady acordasse eu estivesse lá.

Quando cheguei em casa, subi e fui logo pro quarto e vi que Mady ainda não havia acordado, mas já estava se mexendo, coçando os olhinhos. Deixei os cafés em cima da mesinha de centro e abri a janela, deixando a luz do sol entrar.

Ouvi Mady murmurar um “Me deixa!” e enterrar a cara no travesseiro. Adoro seu bom-humor matinal, pensei irônicamente.

― Bom dia, meu amor. ― Falei e fui até ela, lhe dando um beijinho. ― Já ia mesmo te acordar, temos um montão de coisas pra fazer hoje. E olha, eu comprei chocolate quente pra você, seu favorito.

― Não quero fazer nada! ― Ela disse, fazendo um bico e se cobrindo toda.

― Nada disso, sunshine. Pensei que estivesse ansiosa pra começar na escola nova. ― Tirei a coberta de cima dela e ela gemeu de frustação, rolando para o lado. Revirei os olhos.

Ela levantou-se, se espreguiçando, com o cabelo todo bagunçado e a cara de sono. Sorri. E antes de seguir em direção ao banheiro do quarto, virou pra mim, séria, e disse:

― Odeio essa vida de gente grande.

Notas finais
E aí? O que acharam? :3