Start it Over Again
2 Capítulo 1 - Recomençando
Notas iniciais
Pov. Stiles
Hoje era um dia particularmente difícil pra mim. Fazia exatamente três anos que Malia havia morrido. Eu ainda carregava a dor da perda comigo, e, sinceramente, acho que nunca iria superar. Eu a amei como nunca pensei que poderia.
Todos os anos, eu e Mady vamos ao cemitério levar flores para seu túmulo. Ela tinha apenas dois anos quando Malia se fora, era apenas um bebê, e agora, tudo que restava á ela eram pouquíssimas memórias e fotografias da mãe. Mady sempre faz perguntas sobre a mãe, todos os dias, e eu as respondo sempre, faço questão que Mady saiba como Malia a amava incondicionalmente, e como éramos felizes juntos.
Mas agora somos apenas nós dois, Mady e eu. E eu a amo com certeza exagerada, mais que minha própria vida.
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― Mady, já está pronta, princesa? Temos que ser rápidos hoje, se perdemos o avião, eu e você vamos ter que ir de andando até Miami. Papai está muito mais afim de ir sentado confortavelmente no avião, e você? ― Dei duas batidinhas fracas na porta do quartinho dela, onde ela estava trocando de roupa.
― Não me apresse papai, não quero visitar a mamãe toda desarrumada! Ela não iria gostar. ― Minha garotinha respondeu do outro lado da porta.
Iríamos para até cemitério hoje á tarde para nos despedir de Malia, e logo que chegarmos, vamos ter que correr para o aeroporto para não nos atrasarmos. Meu pai nos levaria até o aeroporto á noite, já que eu havia vendido meu carro para comprar outro quando chegasse lá. É, eu iria mesmo recomeçar minha vida do zero.
Eu me olhei no espelho que tinha no corredor, enquanto esperava minha filha terminar. Baguncei meu cabelo castanho escuro com a mão, mais do que já estava. Eu até que estava bem, com 24 anos eu não tinha mudado tanto assim desde a adolescência. Usava uma blusa de manga simples preta e um jeans, e usava um óculos escuro para completar.
Ouvi a porta ser aberta e me virei.
― E então papai, como estou? ― Mady disse, dando uma voltinha no corredor para mim, que a olhava sorrindo.
Ela estava linda. Usava um vestido simples preto com desenhos abstratos, botas, e um lacinho no cabelo ondulado.
Era incrível como ela se parecia cada dia mais com a mãe. A cor dos cabelos, as feições do rosto, o sorriso... Tudo. Malia se fora, mas havia deixado comigo uma pequena parte dela, uma princesa que só me fazia lembrar dos bons momentos que tive ao lado da minha esposa, e o quanto eu a amei.
― Meu amor, você está igualzinha a sua mãe, linda como ela.
Me abaixei á sua altura e ajeitei o lacinho que estava meio torto, passei a mão em seus cabelos e lhe dei um beijo na testa. Ela sorriu pra mim, se enfiou entre minhas pernas e me abraçou.
Mady adora quando a comparam com a mãe.
― Te amo, papai. ― Ela beijou minha bochecha rapidamente e então saiu correndo para a sala. Sorri.
Fui até meu quarto e peguei o arranjo de flores que eu havia comprado mais cedo para levar ao cemitério. Quando voltei á sala, Mady estava brincando entre as caixas da mudança.
― Vamos bebê? Temos pouco tempo, daqui a pouco seu avô chega pra nos levar ao aeroporto.
― Vamos! ― Ela respondeu, animada.
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No caminho de volta, Mady e eu estávamos calados. O cemitério ficava á poucas quadras da nossa casa, por isso fazíamos o trajeto a pé. Sua mãozinha pequena apertava a minha. A tristeza era perceptível em sua expressão, assim como devia estar na minha.
Assim que viramos a esquina, vi a viatura do meu pai estacionada em frente minha casa. Ele estava adentro dela, e assim que nos avistou, saiu e veio em nossa direção.
― Oi gatinha. ― Meu pai abriu os braços e Mady correu até o avô, que a pegou no colo e beijou sua cabeça. ― Como foi a visita?
― Foi bom, eu estava com saudades da mamãe. Só to um pouco triste porque vamos ficar longe dela, de você, do tio Scott... Mas o papai me explicou e eu entendi que precisamos fazer isso. ― Ela disse, com sua voz doce e infantil.
― Vai ser difícil pro seu velho ficar sem te ver, gatinha. ― Ele a colocou no chão e sorriu pra ela. Se endireitou e veio falar comigo.
― Como está, filho? ― Ele perguntou, e eu podia ver seu olhar preocupado.
― Eu to bem pai, juro. Você sabe, toda vez que eu vou visitar o túmulo dela me deixa um pouco triste, mas vai passar.
― Tem certeza de que quer fazer isso? Não precisa se mudar pro outro lado do país, filho. Você tem uma vida ótima aqui, foi onde você cresceu, onde aconteceu suas melhores lembranças...
Com as palavras dele, minha mente automaticamente voou para minha adolescência. A época mais intensa da minha vida. E de repente, ela com aquele maldito cabelo ruivo que eu tanto amava estava povoando meus pensamentos. Lembranças de nós dois juntos, cada beijo, cada toque... tudo sempre foi muito intenso entre nós.
Suspirei e deixei de lado esses pensamentos que eu vinha evitando á anos.
― Eu sei que é um grande passo pai, mas eu preciso dá-lo. Receber essa promoção foi uma das melhores coisas que me aconteceu. Vou sentir sua falta mais que tudo, mas é necessário. Você me entende, não é? ― Disse e forcei um sorriso. Meu pai revirou os olhos e suspirou, concordando com a cabeça. Ele veio e me deu um abraço meio desajeitado, mas que significou muito pra mim.
― Eu sou seu pai, Stiles. É difícil pra mim, mas vou ter de aguentar. Amo você, filho.
― Eu também, pai. Muito. ― Sorri pra ele, agora um sorriso grande e sincero.
Fomos então, pegar as malas para colocarmos no carro, onde Mady brincava com sua boneca depois de ter subido no capô. Rolei os olhos para a travessura dela.
Quando terminamos de guardas todas as malas, chamei Mady e entramos no carro, indo então até o aeroporto.
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4 horas de viajem foi exaustivo. No táxi até a nova casa, Mady dormia sentada em meu colo e com a cabeça apoiada em meu peito. Eu também já estava quase pegando no sono quando o motorista avisou que tínhamos chegado. Agradeci e paguei a corrida, ajeitando minha filha nos braços.
Com um pouco de trabalho, abri a porta e entrei na casa. Coloquei Mady deitada no sofá e a ajeitei para que ficasse confortável. Andei rapidamente até o quintal para pegar nossas malas que tinham ficado lá, e em duas viagens eu havia colocado todas para dentro.
Saí tropeçando pelas caixas que estavam espalhadas pela casa (um caminhão de mudanças tinha trazidos as caixas um dia antes), até encontrar o quarto. Ele estava quase vazio, apenas uma cama de casal e um criado-mudo haviam ali. Bem, teria de dar por hoje.
Voltei para a sala e peguei Mady no colo, cuidadosamente a levei ao quarto e a deitei na cama de casal. Ela iria dormir comigo hoje. Tirei suas botas e o lacinho do cabelo, deixando-a com o vestido, preferi não colocar um pijama com medo de acordá-la. Dei-lhe um beijinho na testa e me levantei. Fui até as malas, peguei uma calça de moletom pra mim e troquei meu jeans por ela. Tirei os sapatos e finalmente fui me deitar ao lado da minha pequena.
Ajeitei o cobertor sobre nós e fiz carinho em seus cabelos castanhos e lindos, fiquei observando cada contorno de seu rostinho, cada detalhe. Quanto mais eu olhava, mais eu a amava, e mais a queria do meu lado para sempre.
Não demorou muito para o sono chegar.
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Acordei de madrugada com um barulho. Parecia ser do lado de fora do quarto. Olhei para meu lado na cama e constatei, com desespero, que Mady não estava mais ali.
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