Start a Riot

15 Love Somebody


Notas iniciais
Eu sei que já faz quase uma gestação que não atualizo essa história, mas a peguei e já escrevi dois capítulos. O primeiro deles está aqui e caso tenha boas aprovações, o segundo virá logo.

Kurt estava nervoso. Eu havia notado isso logo que subimos a escada pro hall em direção ao elevador e eu me virei em seu sentido, olhando séria pra ele.

— Tem algo incomodando você. — Eu disse mais num tom de afirmação que de pergunta, pois assim ele falava logo.

— É só que…. — Ele começou e passou a mão no pescoço, um movimento que reluziu sua aliança de compromisso pra mim e então seu olhar encontrou o meu. — Eu preciso conversar com o Roman.

— Ele não é tão assustador como a maioria de vocês pensa.

— Pode não ser em outras ocasiões, mas não sabemos como ele é quando uma das pessoas que o mantém preso irá lá dizer que está namorando sua irmã.

A afirmação me pegou de surpresa, assim como o vermelho que tomou minha bochecha, mas antes que pudesse dizer algo, o elevador chegou.

Entramos dentro dele e o tempo em que passávamos nosso cartão para confirmar o andar foi o tempo que tive para me recompor antes de voltar ao assunto. Limpei a garganta e o olhei com um sorriso no canto da boca. Ele estava retribuindo o olhar.

— Eu não sabia que você…

— Eu sou um rapaz tradicional. Quero fazer tudo certo dessa vez. — Ele respondeu e me puxou pela cintura.

— Você está namorando a consultora e peça principal do seu caso e vai pedir permissão ao irmão dela que está preso. Eu não sei qual é o seu significado de tradicional. — Finalizei com um pouco de humor na última frase e ele deu um breve riso.

— Pode não ser muito normal, mas eu acho que as coisas nunca foram muito normais na nossa vida. — Ele de repente virou para mim. — Você está feliz?

— Uhum. — Afirmei além de balançar positivamente a cabeça.

Ele me deu um beijo na testa.

— Eu também estou. É isso que importa no final de tudo.

— Eu pensei que você estivesse um pouco incomodado com a aliança.

— Claro que não. Foi ideia minha, afinal.

Antes que pudesse dizer mais qualquer coisa, Nas entrou no elevador e ficamos no silêncio pelos segundos em que subimos de andar além dos bom dias trocados.

Notei que ela reparou nas alianças, mas não falou nada. Eu também não fiz muita questão. Não queria travar qualquer problema, pois sabia que o que quer que Kurt tenha tido com ela, não era sério, e eu não iria travar uma batalha feminina ou mesmo um clima estranho apenas por algo que estava decidido.

Kurt era meu e eu era dele e desde que isso não ferisse ninguém, não tínhamos porque falar ou justificar algo para uma colega de trabalho nossa, agora ex-affair dele.

Logo que o elevador parou, ela desceu e antes que pudéssemos ver, já havíamos perdido ela de vista. Fui para minha ilha e Kurt para o escritório dele e logo depois ele saiu, provavelmente para falar com o Roman. Não poderia deixar de estar curiosa para ver eles dois juntos, mas antes que pudesse pensar mais nisso o escritório começou a se encher e me ocupei preenchendo uma tabela de um caso sem tanta importância.

Em 20 minutos depois, escutei a risada da Patterson e pelo tom, ela estava acompanhada da Tasha. Eu sabia o que elas pensavam sobre eu e Kurt estarmos juntos, mas não deixei de ficar nervosa. Era quase como se tivesse que encarar a irmã do Kurt. Do mesmo modo que ele deve estar encarando Roman agora, pensei, mas antes de esboçar qualquer reação a voz de Tasha cortou meus pensamentos.

— Olha o que Patterson arrumou pro nosso dia. — Disse a morena colocando uma pilha de pastas em cima da minha mesa.

— Vocês tem que revisar alguns desses casos, pois acho que há displicência neles e pode ter a ver com uma tatuagem com o nome de um sargento atualmente aposentado.

— Ele se aposentou recentemente? — Perguntou Tasha puxando uma cadeira ao meu lado e sentando-se e puxando uma cadeira.

A ilha dela ficava ao lado da minha, logo, poderíamos revisar juntas. Éramos uma ótima dupla juntas.

Logo que puxei uma das pastas para baixo de minha vista, Tasha ficou em silêncio com o que falava e cutucou Patterson. Eu escorreguei meus dedos em meus olhos, esperando o que quer que fosse escutar delas, mas não deixei desde já de segurar o riso.

— Jane! — Ela disse chamando minha atenção e me olhou com um brilho de admiração nos olhos. Patterson também tinha o mesmo olhar quando a olhei.

— Você e Weller estão noivos? — Patterson perguntou e antes que eu pudesse responder ela me abraçou.

— Eu esperei tanto por isso! — Ela disse, o que me fez rir e logo que ela se afastou eu tratei de corrigir.

— Nós estamos namorando. É um anel de compromisso. Não estamos noivos.

Tasha me olhou com incredulidade.

— Você sabe que não vai demorar muito pra essa aliança virar uma de noivado, né? Ou ele comprar outro já que deve ganhar o dobro que todas nós com o cargo dele.

O comentário me deixou um pouco tímida, não por nada em particular, mas porque não gostava da ideia de gastar tanto dinheiro com algo assim, por mais que fosse algo com um símbolo especial.

Tasha puxou minha mão, querendo ver mais de perto nossa aliança, mas antes que pudesse comentar algo, Kurt apareceu entre nós. Todos nós nos entreolharmos com um clima novo, dançando entre o engraçado e o feliz, e então Tasha resolveu nos tirar dos segundos de silêncio.

— Você tem um ótimo gosto pra jóias, Kurt. — Tasha começou e Patterson completou.

— E pra namorada também.

— Mas acho bom você trocar essa aliança por uma de noivado logo, senão eu vou acabar fazendo isso antes de você. — A morena completou com sarcasmo.

Kurt riu com ironia.

— Você? Ta bom.

— Eu posso roubar sua mulher de você. Ou eu e Patterson iremos casar uma com a outra. — Ela disse com humor e depois o encarou. — Mas não demore.

Ele me olhou bem diretamente e viu o rubor vermelho em minhas bochechas.

— Não irei demorar, embora a única pressa aqui agora seja resolver o caso de hoje. Você quer ficar até tarde aqui hoje?

— Não. — Disse ela e Patterson.

— Então vamos ao trabalho. — Ele disse e foi pro seu escritório.

Segui com o olhar o mais discretamente possível seus passos até seu escritório. Ele parecia relaxado e isso era um bom sinal. Talvez sua conversa com Roman não tivesse sido péssima, mas eu ainda tinha um pouco de medo de saber o que era.

Era pouco antes do almoço quando Tasha e eu achamos algo e encaminhamos pra Patterson. Um militar chegou e discutiu um tanto com o Kurt sobre o caso, mas eles acabaram levando pra ele.

Tasha sentou-se ao meu lado.

— Que coisa mais chata esse negócio de jurisdição às vezes né? Só serve pra eles protegerem os próprios interesses pessoais e nós não podemos fazer nada além de ver eles jogando nosso trabalho no lixo. — Ela disse com pouca felicidade.

Apenas afirmei com a cabeça e ela me olhou.

— Tem algo incomodando você? — Ela perguntou, mas sabia que não adiantava negar então eu simplesmente falei.

— Eu sempre tenho medo de alguém aparecer e levar Roman.

— Ah, mas isso não vai acontecer. — Ela disse com um convencimento invejável e eu a olhei e ela continuou. — Eu não suporto muito a ideia de tê-lo aqui, mas ele é um caso nosso, que sempre foi nosso e não iremos deixar que ninguém faça com ele o que fizeram com você. A NSA também está aqui pra comprovar isso.

— O Kurt foi contar pro Roman que nós estamos namorando e ainda não fui vê-lo, então não sei o que ele acha disso tudo. Ele sabia que estava vendo alguém, mas não sabia quem era.

— Você devia ir vê-lo logo. Adiar só vai fazer você ficar criando expectativas ruins.

— Você tem razão. — Eu disse e me levantei, indo em direção a sala do Roman.

***

Logo que a porta se abriu, Roman se levantou e fui ao sentido do vidro.

— Mas olha se não é a mais nova compromissada do FBI. — Ele disse e me deixou um pouco sem graça..

— Kurt já veio aqui, então. — Eu disse fingindo não saber.

— Sim. Ele é bastante tradicional e veio me pedir permissão para namorar você já que o relacionamento dele com a nossa mãe não é lá muito bom. — Ele disse com um pouco de ironia.

Eu não sabia desvendar como ele estava se sentindo, mas antes que perguntasse ele continuou.

— Fico feliz que você tenha arrumado alguém que você ame e se sinta confortável.

Eu o olhei ali dentro sozinha e o encarei.

— Eu também amo você, irmão, e um dia ainda irá se sentir confortável com a vida que você tiver. Eu prometo pra você.

— Não prometo o que você não pode cumprir.

— Eu prometo. Sei que posso cumprir. Sei que não agora, e talvez não daqui dois dias, mas eu vou tirar daí e dar a vida que você nunca teve, principalmente porque nosso passado te tirou, e vou te dar a vida que você merece ter.

Ele sorriu de uma maneira não muito segura e me olhou diretamente pela primeira vez naquele dia.

— Kurt me contou que foi você que apagou minha memória e que você foi obrigada pela NSA a mentir pra mim. — Suas palavras me causaram um choque, mas antes que eu pudesse falar, ele continuou.

— Eu não sei porque ele me contou. Talvez porque ele não queira mentiras entre nós e ele. Eu não sei, mas sei o que eu sinto e você sabe que não escondo então não posso dizer que estou desapontado com você e estou tentando concentrar minha raiva no fundo do meu cérebro e tentar ser racional ao máximo possível e ainda assim estou desapontado com você. Mas fico feliz que você está com alguém que resolve não mentir pra mim, já que você fez isso a vida quase toda.

Eu senti a raiva aumentando em sua voz conforme as palavras ia saindo e agradeci por ter aquele vidro estar entre nós.

— Eu só posso dizer que estraguei sua vida no passado, e talvez tenha feito o mesmo agora, mas de qualquer modo, você ainda terá uma chance de recompor sua vida, mesmo que seja a última coisa que eu te dê na vida.

— Eu espero que sim. — Ele disse e então deu de costas pra mim.

Aquele era um sinal de que a conversa havia acabado, pelo menos com ele.

***

Depois que sentei ao lado de Tasha com um humor não muito bom, ela nada perguntou e fiquei em silêncio preenchendo o trabalho que tinha começado no começo da manhã. Fiquei fazendo isso até o final do dia e pensando ao mesmo tempo em como o Kurt estava de bom humor mesmo tendo arruinado o meu relacionamento com meu irmão. Fomos pra casa em silêncio, mas logo que bati a porta, falei a ele tudo que estava dentro de mim.

Eu nem acreditava que o nosso primeiro dia chegando em casa juntos pudesse começar logo com uma briga. Ele me escutou calado e paciente enquanto eu debatia como o Roman ia me odiar agora e não mais colaborar com nada. Quando terminei de falar, respirei fundo e me virei na frente dele. Ele estava sentado no sofá e se levantou.

— Você quer ver seu irmão fora da cela, não quer? — Ele perguntou calmo e concentrado, falando manso e parecia com medo que eu explodisse.

Eu assenti com a cabeça e ele continuou.

— O que você acha que aconteceria se ele descobrisse isso apenas quando ele saísse? — Sem qualquer resposta minha, ele continuou. — Ele tinha que saber logo. Nós sabemos que ele gosta de você, assim como eu gosto de você. Eu já tive raiva de você por você ter mentido pra mim, mas eu te perdoei ao saber suas motivações e ele irá te perdoar porque agora ele sabe as motivações e é muito melhor que ele tenha que passar por isso enquanto estiver conosco do que quando ele tiver livre, entende?

Ele suspirou fundo e vi que aquilo não havia sido fácil pra ele também então cheguei mais perto dele e ele colocou as mãos em meus braços e antes que pudesse pensar ele havia me abraçado e me confortado.

Há males que vem para o bem, pensei, e rezei para que esse mal passasse logo. E enquanto não passava, eu esperava que pudesse aproveitar o bem enquanto eu pudesse.



Notas finais
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