Start a Riot
7 Fogo
— Você não devia ter feito isso. — Eu disse logo depois de nos afastarmos, quando ele olhou nos meus olhos com aquele brilho que só ele me dava.
— Por que? — Foi o que ele perguntou, agora me olhando triste
— Eu sou uma granada, Kurt — Disse dessa vez com um tom de raiva. — Não adianta você se aproximar de mim agora porque tudo o que você pode ter de mim são coisas ruins.
Ele me olhou incrédulo.
— Eu sei que isso não é verdade, Jane. Você também sabe que não.
— Realmente? O que de bom eu te trouxe até hoje? — Eu perguntei olhando séria pra ele.
— Razão… — Ele começou pegando na minha mão. — Um estranho conforto mesmo em meio a tudo isso e… — Ele passou a mão na nuca, como sempre fazia quando ficava nervoso. — Compaixão.
— A única coisa que eu fiz foi bagunçar seus sentimentos e sua vida, Kurt, mas isso tem um prazo de validade e quando derrubarmos a Sandstorm você não terá que lidar mais com isso. Enquanto isso não acontece, nós devíamos apenas fazer o nosso melhor para nos machucarmos menos, ok? — Eu disse olhando bem séria pra ele.
— Você ainda acha que eu vou me machucar me deixando se apaixonar realmente por você? — Ele me perguntou dessa vez desapontado. — Olha, eu realmente me desapontei por suas mentiras e me perdi. Eu imaginei que tinha me apaixonado por uma pessoa que não era quem eu via, mas eu errei. Você ainda é você, Jane, e eu sou apaixonado por você.
Uma lágrima caiu dos meus olhos, tão lentamente quanto nossas respirações naquele momento.
— Eu realmente amo você, Kurt, mas nós dois nos machucamos muito e precisamos nos recuperar antes de tentarmos de novo. Eu não quero que sejamos como Romeu e Julieta, uma história trágica, mas eu sou uma granada e se eu explodir eu não quero que você vá comigo.
— Você não é uma granada, Jane. — Ele disse me olhando no olho novamente e alisando meu dedo.
— É o que você quer acreditar, Kurt. Você sabe que é a verdade. Eu preciso ir. — Eu disse e me virei sem dar tchau, seguindo a pé para minha casa pois eu precisava andar depois de tudo isso.
Kurt havia respeitado meu espaço e não veio atrás de mim e já estava perto de casa quando enxuguei minhas lágrimas. Ao abri a porta, vi que havia algo em falso na porta. Ao tirar para fechar, Roman apareceu na minha frente.
****
Já era de manhã quando chegamos na sede da Sandstorm. Roman havia me dito que a fase 2 iria começar, que eu não ia voltar pro FBI e eu precisava avisar ao team imediatamente. Aproveitei um descuido de atenção dele e de Shepherd para ligar para o team, mandando todas as informações que eu poderia. A última coisa que me lembro foi de Roman me compartilhando um bombom e logo depois me pedindo desculpas.
Shepherd havia armado para mim e para o team. Era o que eu sentia quando acordei e senti que estava amarrada em uma cadeira. Ela descobriu minha traição a eles graças do Dr Borden, que segundo ela era um infiltrado, e armou contra o team e contra mim. Ela me fez ver o time todo explodindo e depois quase vi meu irmão me matar. Nós dois porém nos rebelamos contra ela, mas não sem ele tomar um tiro. Eu estava apavorada com tudo que tinha acontecido, e preocupada com todo o FBI, mas antes tinha que cuidar de Roman. Entramos em uma briga feia após eu tentar levá-lo ao FBI e eu acabei fazendo algo estúpido: eu o apaguei. Apaguei sua memória. Tirei dele tudo que tínhamos e poderíamos ter. Ele estava desacordado e como estávamos em campo da Sandstorm, tínhamos que sair imediatamente. Eu o peguei e o coloquei ainda desacordado no carro e corri para o FBI. No caminho ele acordou e acabou fugindo. Eu poderia ter perdido hoje todas as pessoas que gostava e isso me aterrorizou de todo os modos.
Ao chegar no FBI, a primeira pessoa que vi foi Kurt. Minha primeira reação foi abraça-lo tão forte. Senti o seu simples respirar me deixou tão aliviada.
— Que bom que você ta vivo! — Eu disse apertando-o e depois me afastei. — Mas… Onde está o restante do pessoal? — Eu perguntei desesperada.
— Pellington dispensou a Nas e Tasha está com Reade, ele ta se recuperando de uma cirurgia. O que aconteceu, Jane? — Ele disse sério.
— Onde está Patterson? — Eu disse desesperada. E se Borden tivesse feito algo a ela?
Tasha surgiu atrás de Kurt.
— Ela deve está bem. Ela havia ido pra casa do Borden depois do ataque.
O desespero me pegou e eu comecei a chorar.
— Não. Ela não ta bem. — Todos me olharam com estranheza. — Porque o Borden é da Sandstorm.
— Como? Desde quando? — Kurt perguntou.
— Desde o começo. — Eu disse me sentindo super mal. — Shepherd disse que ele havia dito que eu estava do lado de vocês. Ela quase matou a mim, a Roman.
— Ela quase fez isso conosco também. — Tasha disse séria. — Onde está seu irmão?
— Ele fugiu! Nós ficamos contra ela e então ela atirou nele e eu fui cuidar dele mas ele estava relutante em querer vir pra cá então eu… — Eu olhei pra eles dois. Eu apaguei ele. Quando ele acordou ele não sabia de nada e nós lutamos e então ele fugiu.
— O que diabos você fez? — Foi a última coisa que escutei de Tasha.
— Não interessa. Agora precisamos encontrar Patterson e Roman. Depois nós conversamos sobre o que nós fizemos e vamos fazer.
Assentimos com a cabeça.
Depois de um dois dias super turbulentos, finalmente estávamos com Patterson e Roman. Roman estava preso e Patterson no hospital. Tasha havia ido visitar Patterson e eu ainda estava no FBI. Eu havia decidido dormir lá enquanto Roman estivesse lá. Eu não poderia deixar que nada acontece com mais ninguém que eu gostava. Os últimos dias haviam sido traumatizantes demais, e quando achei que tinha perdido todos, eu havia tido lembranças ainda mais assustadoras da morte dos meus pais.
Havia ido deixar comida para Roman e estava voltando para a sala onde estava, onde havia improvisado um lugar para dormir. Me deitei lentamente e lágrimas começaram a tomar meus olhos. Pela primeira vez eu sentia muito medo. As coisas estavam tão turbulentas naquele momento, tão instáveis. A qualquer momento a Sandstorm poderia atacar, o meu irmão poderia voltar a me odiar porque eu menti pra ele. Lágrimas desceram em meu rosto até que escutei o barulho da porta abrir e Kurt apareceu lá. Já era tarde da noite.
— Ei, — ele disse entrando — desculpa te acordar.
— Eu não estava dormindo, de qualquer maneira. — Eu disse num meio sorriso.
— Tem sido bem difícil dormir mesmo nesses últimos dias. — Ele disse sentando ao meu lado.
Nos olhamos.
— Olha, eu sei que não é o melhor momento de te dizer isso, mas nós precisamos conversar. — Ele completou me olhando sério
— Eu tive medo de te perder. — Eu disse num toque de lucidez. As coisas estavam tão voláteis ao meu redor que tudo que eu precisava agora era ser sincera com ele, e com quem mais eu pudesse pois mentir pro Roman havia acabado comigo.
— Eu também, Jane. — Ele disse se aproximando. — Nós precisamos passar por tudo isso… — Ele disse tocando na minha mão, juntando nossos dedos… — juntos.
Eu avancei e fiquei de nariz a nariz com ele.
— Nós vamos passar por isso juntos. — Eu completei antes de me atirar em seu colo e fazer o que eu queria fazer desde que o reencontrei vivo: eu o beijei.
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