Start?

18 #16 - Praia e Coincidência


Notas iniciais
Rélou amores o/ Obrigada a: #Monkey D Amanda #Vlad Ember #Guelbs #MistyAlbarnEater (Becca-chan) #Breaker #Julia Marques #Beatriz Carvalho #LalanNyahUchiha #Mari the Wolf Pelos comentários divos *---* Amo vocês s2 E finalmente chegamos ao capítulo 16, que quando eu comecei a escrever Start? pensei que seria o capítulo 12~13... Eu realmente enrolei muito e.e Enfim, boa leitura! Até lá embaixo!

Eu estava com meu biquini, azul marinho e (claro!) de bojo, short jeans curto e desfiado, e minha blusa estava na minha bolsa, com Tsubaki. Havia enrolado meu cabelo nun coque desajeitado, mas o vento teimava em arrancar mechas dele, então acabei deixando-o solto e batendo nas minhas costas. Fui até a beira da água e molhei meus pés, notando que não estava tão fria quanto pensei que estaria quando saí de casa. Ainda assim, o céu estava meio nublado e o sol não aparecia por muito tempo.

De algum modo, Tsubaki e Black*Star haviam conseguido me trazer pra praia com esse tempo.

Ok, pra começar, acho que isso é culpa do Kid. A noite com ele havia sido perfeita. O garoto conseguia ser lindo e romântico, ele conseguia me fazer querer ficar mais e mais perto dele, tudo era tão fácil quando estávamos juntos... Nós passamos a noite tomando raspadinha e nos beijando, tanto na praça quanto no caminho pra casa, e eu nunca me cansava. Podia ficar ali por mais horas com ele. Eu não conseguia parar de pensar que tínhamos algo especial, não tinha como estar errada.

Eu cheguei em casa feliz, praticamente nas nuvens, até fiquei um pouquinho preocupada com o que o Soul iria dizer, mas não tanto. Nem precisava ter me importado, na verdade. Quando eu cheguei, ele não estava em casa.

Blair disse que ele saiu só um pouco depois de mim, e que ia ver uma amiga. Tradução: ele iria ver Liz, e fazia questão de tentar me fazer ciúmes. Funcionou apenas em parte, porque ele podia até ter saído pra ficar com a Liz, mas eu também tinha o Kid. E cara, por mais que Soul achasse que as coisas entre ele e Liz estivessem bem, não tinha como estar melhor que eu e Kid. Mas ainda assim, não queria ficar perto dele, então acho que foi culpa do Soul também.

Isso quer dizer que, na manhã seguinte, eu estava de ótimo humor e não queria ficar em casa. Não foi muito difícil me fazer sair. Quando Tsubaki me ligou, até cheguei a comentar que o dia não parecia muito bom pra ir na praia, mas ela rebateu que na previsão do tempo dizia que faria sol mais tarde e isso foi o suficiente pra me tirar de casa.

Acabamos vindo Tsubaki, Black, Blair e eu no meu carro.

A praia ficava a pouco mais de uma hora de viagem, e chegamos mais ou menos nove da manhã. Não tinha muita gente, mas também estava mais cheia do que pensei que estaria. Mais gente devia ter confiado na previsão do tempo.

Depois de escolhermos nosso lugar na areia, Tsubaki foi arrumar as espreguiçadeiras e o guarda-sol, Blair foi dar uma volta pra ver o movimento, Black começou a treinar flexões com um braço só e eu vim dar uma olhadinha no mar. Estava bem animada, na verdade. Fazia um tempo que não vinha á praia.

Voltei correndo para perto de Tsubaki, que tinha acabado de deitar numa espreguiçadeira, e sentei-me na do lado.

– O que deu em você pra querer vir assim, de última hora? – questionei.

Tsubaki sorriu de leve, olhando pro parceiro.

– Foi idéia do Black. Ele me acordou hoje antes das seis reclamando que nunca viemos na praia juntos, que era uma afronta pessoal pra ele... então, achei que não tinha mal nenhum, mas não queria vir sozinha com ele.

Abaixei a voz e comentei:

– Isso porque você não consegue negar nada ao Black. Alías, — completei. – ele também deve ter ficado bem animado com a idéia de te ver de biquíni.

Tsubaki não tinha vindo de biquíni, e sim de maiô. Era verde claro, com estampas de flores havaianas, bem decotado e que deixava as costas e um pedaço da barriga á mostra. Ela ficou linda nele, e bem sexy, Black não parava de olhar.

Tsubaki corou e riu de leve.

– Talvez. – respondeu. – Mas e você e Kid? Como foi ontem?

Queria contar tudo nos mínimos detalhes, mas fiquei com medo do Black ouvir, então me contentei em dizer:

– Foi melhor que da primeira vez. – suspirei, então peguei minha bolsa, que tinha deixado no chão, e joguei na espreguiçadeira que estava. – Vou dar uma voltinha, tá?

– Pensar?

– Acho que estou feliz demais pra pensar hoje. — brinquei. – Mas relembrar...

Tsubaki riu, escondendo a boca com a mão, e eu saí em seguida. Coloquei minha playlist favorita pra tocar nos fones e voltei para a beira da água, seguindo á direita, sempre pisando perto o suficiente para as ondas quebrarem nos meus pés.

Minha mente estava dispersa, teimava em voltar para a noite de ontem. Eu e Kid. Meu Deus, eu definitivamente estava apaixonada por aquele garoto.

Mas acho que não havia como não estar. Ele parecia, não sei, ser perfeito. Racionalmente, eu sabia que não era, com aquelas manias de perfeccionismo e simetria, aquele jeito meio fechado demais, mas ainda assim, eu não conseguia ver aquilo como defeitos.

E era como se eu devesse achar o que sentia por ele errado – afinal, eu estava apaixonada pelo Soul desde antes – mas simplesmente não podia. Se tinha algo errado ali, era com o Soul. Gostar de alguém que finge que você não existe e depois, do nada, implica com você, além de pegar sua amiga, não me parece saudável. Gostar de alguém que te trata como uma princesa, sim.

Suspirei, satisfeita. Kid havia dito que, agora, princesa seria meu apelido. Eu respondi que eu não levava jeito pra princesa, que princesas eram elegantes, graciosas e indefesas, e eu não era nenhum dos três, mas ele me disse que eu era, sim, a princesa dele. Porque, segundo Kid, uma princesa tinha que ser linda, determinada e forte como eu. E “princesa” tem oito letras.

Eu não sabia se ria ou chorava. Achei melhor beijá-lo.

Acabei dando uns risinhos sozinha, enquanto andava, ao lembrar de nós dois naquele chafariz, quando me apoiei no seu peito e – pasmem! – ficamos jogando um jogo de corrida no celular dele. Eu mal prestava atenção, com Kid apoiando o queixo no topo da minha cabeça, com os braços ao meu redor, ficava difícil me concentrar. Ele reparou e brincou comigo, dizendo que eu era uma péssima motorista, mas respondi que eu era boa em outras coisas, corei e acabamos nos beijando de novo. Eu ainda me surpreendia com minha audácia, mas era tão fácil conversar com ele que quando ia perceber, as coisas já tinham saído.

E o beijo do Kid era tão bom... Ele era incrível, me fazia sentir coisas que eu nem sabia que podia. Quando ele me beijava, mordia de leve meu lábio, ou arrastava sua boca sobre a minha suavemente, eu sentia que estava derretendo.Eu amava o jeito que me olhava, que seu cabelo roçava na minha testa quando nos beijávamos, o modo como me abraçava.

O ruim é que tinha o Soul, que eu sabia que tinha de dar um jeito de esquecer, mas não conseguia. Ás vezes, eu me pegava lembrando que ele ficou com a Liz e deu em cima de mim ao mesmo tempo, que beijou-a no meu baile, que estava me tratando como a mulher invisível, e eu o odiava, do fundo do meu coração. Ás vezes, eu lembrava dos nossos dias juntos antes dessa merda toda acontecer, de como Soul era sempre preocupado e até romântico comigo, como só de estar na mesma sala que ele meu coração disparava, e eu sentia um ímpeto de ir até ele, abraçá-lo e pedir pra que tudo voltasse a ser assim.

E ás vezes, eu me perguntava o que teria acontecido conosco se, ao invés de ficar com medo de beijá-lo no baile, eu simplesmente houvesse fechado os olhos e aceitado. Se eu e Soul houvéssemos nos beijado na pista de dança, ao invés de nos afastarmos e voltarmos pra mesa, como estaríamos agora? Será que ele teria terminado com a Liz? Será que eu teria ficado com o Kid? Não tinha certeza quanto á primeira pergunta, mas não havia dúvidas que a resposta da segunda seria não. E, pra falar a verdade, eu não tinha certeza se preferiria que as coisas acontecessem do outro jeito.

Eu não sabia como seria ter o Soul, mas sabia como era ter o Kid, e não tinha certeza se ter ficado sem ele seria melhor.

Suspirei, afastando esses pensamentos. Não queria quebrar a cabeça com o modo que as coisas poderiam ter acontecido. O que eu precisava fazer era dar o melhor com a situação que eu tinha agora.

Troquei a playlist por uma só com músicas da Pink – perfeita pra me alegrar – continuei andando, cantarolando no ritmo das músicas. Ocasionalmente eu acabava dando uma rebolada ou uma girada enquanto andava, e quando comecei a cantar U &Ur Hand alto demais, uns garotos ficaram me olhando meio tipo, “DAFUQ, a garota ta tendo um orgasmo?!”.

Quando cheguei ao fim da praia, dei meia volta e decidi voltar pra onde o pessoal estava – eu ainda corria o risco de Tsubaki ter se preocupado e estar querendo me matar. Aumentei o volume dos fones e tratei de me concetrar nas músicas, pra não ficar pensando besteiras e sorrindo/fazendo cara feia/cara de tarada sozinha. Mas eu estava reparando no movimento da rua – vai que dou de cara com a Blair? – por isso que notei o carro preto. Ele me era familiar, mas não lembrei de onde na hora, então deixei pra lá.

Ele estava andando normalmente, até frear bruscamente e o carro de trás quase bater. Não dei importância, e continuei andando e enfiando meu dedos dos pés na areia molhada, até reparar que o carro buzinava sem parar, e o som era alto o suficiente pra eu conseguir ouvir. Fiz cara feia e aumentei o volume nos fones, mudando pra um tuts tuts selvagem, e quando olhei de novo o carro havia estacionado e o motorista estava saindo.

Kid estava na praia.

Encarei-o, perplexa, enquanto descia do carro, notava que o vi e aceneva pra mim. Parecia que algo havia me acertado com força no peito, mas não era uma sensação ruim. Kid estava aqui. Kamisama, Kid estava mesmo aqui, e estava vindo em minha direção!

Fiquei praticamente elétrica e estática ao mesmo tempo, não sabia bem como agir, mas estava boba de felicidade – e vergonha! Estava pensando nele até pouco tempo atrás! Acenei de volta e cruzei os braços atrás de mim, me inclinando pra frente e pra trás e pensando que era incrível eu vê-lo aqui – quais as chances dele ter me encontrado assim? E Kid estava tão bonito... De bermuda cáqui, camiseta preta e chinelo, estava tão informal, mas ainda assim lindo! Observei enquanto se aproximava, decidindo se devia cumprimentá-lo com um abraço ou um beijo, quando de repente me dei conta de uma coisa: estava só com o sutiã do biquíni e aquele short minúsculo.

Olhei para mim mesma, quase em pânico. Eu estava praticamente pelada. E Kid estava vindo!

Cruzei os braços na frente do corpo, por instinto, e senti meu rosto esquentar. Principalmente quando notei que Kid estava me olhando disfarçadamente. Mas, por fim, descruzei os braços e mantive ao lado do corpo, mesmo tensa. Aquilo era uma praia, afinal. As pessoas ficam assim, mesmo. Sem neura com o tamanho dos seios, ou com o modo que o sutiã marca a gordura das costelas, ou com minha pele quase transparente...

– Ei, Maka! – disse, quando estava perto o suficiente pra eu poder ouvir. – Tudo bem?

– Tudo, sim, Kiddo. – sorrí. – E com você?

– Melhor agora. – ele respondeu, passando a mão pelo cabelo e sorrindo.

Ficamos nos encarando por uns instantes, sem saber o que fazer em seguida, e foi aí que reparei: ele também estava sem graça. Não conseguia me olhar direito, sempre acabava desviando o olhar e corando. Isso meio que me deu coragem, e cara, ele ficava tão fofo com vergonha!

Me adiantei e envolvi seu pescoço com os braços, rindo de leve.

– Agora sim. – sussurrei. – Oi, Kiddo.

Ele não me abraçou de volta imediatamente, só ficou lá, duro, por alguns segundos, antes de pousar suas mãos na base das minhas costas, hesitante. Quando sua pele tocou na minha, um arrepio subiu, e eu gostei – um pouco demais. Ele envolveu minha cintura com os braços e pousou a cabeça na curva do meu pescoço, a boca quase tocando minha pele. Me afastei, depressa, e percebi que Kid notou. Estava com um sorrisinho muito presunçoso.

Acabei cruzando os braços de novo, e ele sorriu, comentando:

– Não sabia que vinha aqui hoje.

– Nem eu. – rebati, encolhendo os ombros. – Tsubaki me ligou hoje ás seis da manhã pra me convidar. Fazia tempo que não vinha na praia, sabe, aí a gente veio.

– Ah, Tsubaki está aqui, também?

Ele olhou em volta, procurando por ela, e eu neguei com a cabeça.

– Está, mas não aqui. Viemos eu, ela, Black e Blair, e a gente está lá perto das quadras de vôlei do outro lado da praia.

A expressão do Kid passou de curiosa e feliz pra surpresa e, em seguida, chateada. Encarei-o, sem entender, e ele suspirou.

– Princesa, tenho que te avisar uma coisa...

– Pode falar. – disse, com um sorriso de orelha a orelha.

Kiddo passou a mão pelos cabelos de novo – ele ficava tão bonitinho fazendo aquilo – e por fim disse, nervoso:

– Eu não vim exatamente pra praia, hoje, eu vim mais trazer as meninas. Elas ficaram me enchendo o saco a semana toda porque queriam carona pra vir. Então decidi trazê-las, mas a Liz convidou o Soul pra vir junto.

Meu sorriso congelou no rosto na hora.

– Como é que é?

– Se eu soubesse nem teria concordado. – Kiddo confessou, com raiva. – Ao que parece, Liz disse pra ele que eu emprestei o carro, e eu só soube que ele ia quando apareceu lá em casa de manhã. Eu não podia simplesmente quebrar a minha palavra. Sinto muito, mesmo.

Olhei em direção ao carro e vi Patty, no banco do carona, nos olhando.

Encarei o chão por alguns segundos, perplexa. Soul estava aqui, com a Liz. Uma ponta de raiva subiu pelo meu peito, não dava pra acreditar naquilo. Tá, claro que dava, afinal os dois estavam um nojinho de tão grudados ultimamente, mas tipo, eu avisei pra ele que estava vindo na praia com o pessoal, e ele não me disse absolutamente nada!

Respirei fundo, engolindo os sentimentos ruins. Não precisava me preocupar com isso. Soul que fizesse o que quisesse da vida de merda dele, eu estava muito bem, obrigada.

– Bom, pelo menos eles vão ficar por aqui mesmo, né? – perguntei, esperançosa.

Kiddo fez que não com a cabeça, franzindo a testa de leve.

– Liz disse que queria ficar nas quadras de vôlei, pra jogar mais tarde.

Ah. Se ferrar, né.

Eu não ia simplesmente sair de onde estava só porque Liz e Soul iam ficar lá, também. E era orgulhosa demais pra isso. Mas ficar olhando pra cara deles o dia todo não era exatamente minha prioridade agora.

Respirei fundo e olhei para o Kiddo, mordendo o lábio inferior.

– Tudo bem. Obrigada por avisar. Você vai ficar com a gente?

– Na verdade, eu só vim trazer eles, não pretendia ficar... – confessou.

– Ah, não! – reclamei, verdadeiramente chateada. – Você vai me deixar sozinha, Kiddo?

Ele me encarou em dúvida por alguns segundos, e corei sob seu olhar. Por fim, perguntou:

– Você... quer fazer ciúmes no Soul?

Corei violentamente, me surpreendendo com a linha de raciocínio do Kid. Pra falar a verdade, aquilo nem tinha passado pela minha cabeça. Eu não gostava desse negócio de fazer ciúmes, na verdade, me sentia estranha quando estava no mesmo lugar que os dois, juntos. Meio sem saber o que fazer. E mesmo que eu soubesse fazer ciúmes em alguém, Soul não iria sentir ciúmes de mim. Ele estava com a Liz, que era bem mais bonita, sexy e sabia o que fazer pra virar a cabeça de um garoto.

– Eu não quero fazer ciúmes em ninguém. – confessei, ficando mais vermelha ainda. Não devia ter que discutir sobre o Soul com o Kid. Nunca tínhamos tocado no nome dele depois daquela noite no baile, era até estranho falar sobre aquilo agora. – Eu só... queria que você ficasse aqui, comigo. Porque você faz as coisas complicadas parecerem simples. E eu passei a manhã toda pensando em você, e sei que isso é constrangedor, mas você é provavelmente o cara mais legal que conheço e mesmo que você tivesse vindo sozinho só para, sei lá, catar conchinha, eu ia querer que ficasse comigo.

Falei essa última parte rápido, constrangida e olhando pra areia, mas era verdade. Além disso, eu iria ter Blair e Tsubaki comigo, e seria legal o apoio delas contra o Soul e tals, mas com as meninas eu sentia como se eu precisasse odiá-lo. Com o Kid, não. Com ele, eu podia simplesmente... esquecer.

Quando ergui os olhos, notei que Kid sorria, orgulhoso, para mim. Estava a ponto de perguntar o porque daquela cara – ou sair correndo de vergonha – quando ele suspirou, satisfeito, e anunciou:

– Nesse caso, acho que vou te dar uma carona.

E, do nada, se inclinou, passou o braço pela minha cintura e pela parte de trás dos meus joelhos e me pendurou no ombro. Como um saco de batatas.

Fiquei estática de susto, sem saber se brigava ou ria. Kamisama, ele me pegou no colo! E eu tava só com aquele shortinho e de sutiã!

Comecei a me retorcer e socar suas costas, mas sem conseguir parar de rir.

– Me solta, Kiddo! – reclamei. – Eu sei andar.

– Aham, eu também. – riu de volta. – Porque não fica quietinha e aproveita o tratamento VIP?

– Tratamento VIP uma ova! – disse, sem parar de socar suas costas. – eu tenho medo de altura, seu bobo!

– Nossa, e está tão alto! – revidou.

Parei um pouco de me remexer quando minha bunda bateu na bochecha do Kid – incrível como consegui essa façanha. Pensei em tentar alguma manobra pra me soltar, mas com certeza isso derrubaria nós dois e provavelmente tiraria meu sutiã do lugar. Ainda assim, eu não ia parar sem lutar.

– Se você me deixar cair, eu te mato, me ouviu? – ameacei.

– Sim, claro, mate um shinigami. – ele riu.

Fiquei em silêncio alguns segundos, pensando em como responder aquilo, então disse:

– Se você me deixar cair, eu entorto todos os quadros da sua casa.

Eu rí, e ele também.

– Você não faria isso.

– Me tente. – cantarolei.

– Mais do que você me tenta?

Depois dessa, resmunguei sobre como pessoas ficavam falando coisas de duplo sentido com a cabeça a centímetros da minha bunda e cruzei os braços. No entanto, eu estava feliz.

Kiddo só me colocou no chão na calçada, comentando, modesto:

– Nem cansei.

– Cansou, sim, só está se fazendo de forte. – revidei, dando língua. – Foi muita audácia sua.

Ele riu e colocou as mãos nas minhas costas, me guiando em direção ao carro dele. Quando chegamos, o banco do carona estava vazio, Patty fora pra trás em algum momento. Não me importei nem um pouco – isso significava que não teria de me sentar junto com Liz e Soul, no banco de trás. Respirei fundo rapidamente e abri a porta, sem deixar que Kid fizesse isso por mim.

– Você devia me deixar ser um cavalheiro. – ele reclamou.

– Mas eu sei abrir a porta. – ri.

Kiddo revirou os olhos, dando a volta no carro. Me sentei e virei para trás, decidida a ser educada. Soul estava no canto atrás do motorista, Liz no meio e Patty atrás de mim. Vê-los juntos enviou um choque pelo meu corpo, mas não tão forte quanto pensei que seria, e eu ainda estava meio rindo do Kid, então foi fácil demais não fazer cara de assassina.

– Oi, bom dia, gente! – sorri.

Os três responderam bom dia, alguns mais felizes que outros – né, Patty? Então Kid sentou no banco do motorista e colocou o cinto, reclamando:

– Sabe andar, sabe abrir a porta do carro... tem algo que você não saiba fazer?

Me virei pra frente, fingindo pensar no assunto.

– Eu não sei desenhar, não sei andar de skate, não sei fazer burritos. – dei de ombros.

– Amém. – Kiddo sorriu. – Agora coloca o cinto.

Olhei torta pra ele. Eu estava sem blusa, ia ficar toda marcada se colocasse o cinto.

– Tá falando sério?

– Kid chato! – Patty riu.

– Você també, Patty, cadê o cinto? – reclamou.

Revirei os olhos, e cruzei os braços.

– Não vou colocar o cinto, Kiddo.

– Vai logo. – Liz reclamou.

– Concordo com ela. – ri, sem acreditar direito no que falei.

Foi a vez de Kiddo me olhar torto, mas acabou ligando o carro e saindo.

– Você vai ver, depois.

Joguei um beijo pra ele e fomos embora.

Notas finais
Hum, é isso... Estamos na metade da fic mais ou menos! *0* Isso, claro, se eu seguir o plano original e não ficar enrolando... Eeeenfim, vou calar minha boca e ir ali chorar pelo meu cabelo que se recusa a ficar vermelho: Kisuus ;*