Starstruck - Uma estrela golpeada
1 Uma nova vida
Sentei-me em frente ao grande órgão, levantei a madeira refinada, que agora deixava a mostra as teclas brancas e pretas , pus minhas mãos e a única coisa que vinha a minha mente eram lembranças de meu pai
" flashback- On Estávamos sentados lado a lado, já era tarde da noite, ambos não conseguíamos dormir, ele era um grande músico, apesar de não fazer tanto sucesso e tocar em pequenas apresentações, pra mim ele sempre seria o maior compositor de todos os tempos e a minha maior inspiração, me encostei em seu ombro, fazia um bom tempo que eu já sabia tocar piano, mas não parecia ter a mesma magia de quando ele tocava. Fechei meus olhos esperando o sono chegar, coisa que não chegava nem se eu quisesse. Abri-os novamente, o ambiente era só iluminado por um única luminária no canto de uma parede, elevei minha cabeça até enxerga-lo ele me olhava entendendo o recado, deu um leve sorriso e pôs seus dedos a tocar, sentia-me tranqüila, relaxava a cada nota que ele tocava. A canção estava chegando ao fim e tudo que sentia era minhas pálpebras se tornando cada vez mais pesadas me levando rumo ao sono, até que me peguei totalmente dominada por ele. flashback — Of "
Estufei meu peito e soltei todo ar, senti algo úmido descer pela minha face, a saudade era forte, nunca imaginei que presenciaria a morte dele tão cedo, percebendo a minha situação, enxuguei o rosto, comecei a tocar, mas logo na primeira nota percebi uma coisa e parei:
– É meu velho amigo....- falei para mim mesma acariciando o instrumento — parece que você está meio desafinado — fechei as teclas me levantei, não poderia ficar presa naqueles pensamentos, agora tinha que me concentrar apenas meus estudos, tinha conseguido entrar na faculdade que eu sempre quis, e as aulas começavam no dia seguinte, e tinha acabado de chegar a minha antiga casa,..... Que saudades eu estava desse lugar, há anos não piso aqui, era um pequeno sobrado de dois andares, nada demais, minha mãe pagava enquanto eu ainda estivesse cursando a faculdade, artes cênicas não levaria muitas anos, eram apenas 4 anos de faculdade, mas como estava na faculdade de Tokyo quem sabe ?! Uma das melhores faculdades do mundo poderia levar um pouco mais de tempo.
Queria atuar e cantar, apesar de ter um pouco de medo de palco, sabia que teria que enfrenta-lo para poder conseguir chegar ao estrelato, respirei fundo e coloquei os cotovelos sobre o piano e pus minhas mãos em meu rosto, estava muito cansada da viagem, de Tomoeda até Tokyo eram 6:00 horas de viagem, apesar do Japão ser um país pequenos, de uma cidade a outra demorava muito.
Algo tremendo em meu bolso me tirou de meus devaneios, peguei o celular, e atendi sem nem mesmo ver quem era.
– Alô?! — perguntei
– Oi Kagome, aqui é a Oka-San – respondeu o outro lado da linha.
– Oi Oka-San.
– Tudo bem Kagome? Como é que está aí ?
– Sim Oka-San esta tudo bem — respondi- e .... A senhora sabe como é o movimento de Tokyo.. Então .... Mas a casa está bem cuidada, aliás, parece que nunca foi mexida — falei observando o ambiente.
– É querida, seu pai não quis que nos vendêssemos, ele gostava bastante dessa casa, quando nós mudamos ele queria mantê-la para que pudéssemos passar férias aí, mas.... – vi que minha mãe iria começar a chorar e me vi obrigada a interferir.
– Oka-San não precisa me contar, ta tudo bem, o importante é que eu to aqui é que eu to bem, ok?!
– Sim filha, ... Mas e aí?! Já arrumou as suas coisas ?
– Sim — menti
– Se lembre que você tem que arranjar um trabalho, porque eu só vou manter a casa e ..
– Ok, ok, ok Oka-San .... Amanhã eu vo procurar um emprego assim que a minha aula terminar, ok?!
– Ok
– E a Sango ? Já chegou — era minha irmã mais velha, que apesar da idade.... Quando via a celebridade favorita dela aparecia em algum lugar ela parecia uma criança ... Revirei meus olhos lembrando disso.
– Ainda não, está trabalhando ainda.
– então ta — respondi calma.
– Ahh então ta bom– houve um breve silêncio entre nós duas — tenho que desligar filha, beijos a Oka-San te amo.
– Tchau Oka-San — ela desligou.
Me levantei, parei e revirei os olhos, estava muito cansada ainda para começar a arrumar as minhas coisas, mas como a faculdade começava no dia seguinte teria que ser rápida, me espreguicei e comecei o trabalho duro.
No dia seguinte....
Corri para o grande portão de entrada, me senti realizada ao pisar para dentro daquele campus, mas esse momento foi breve demais, pois tinha que correr estava atrasada, tinha acordado tarde devido ao fato de eu ter ficado até altas horas ajeitando minhas coisas lá em casa. Minha barriga roncou alto, tinha pensado em café da manhã ? ... Nem um pouco, e além de estar atrasada eu estava perdida, fiquei procurando algum funcionário da universidade para pedir informações, porém o pátio estava totalmente vazio, não havia uma alma viva naquele lugar, virei-me de um lado para o outro e nada, desisti e sentei em um banco próximo, achei melhor esperar o segundo tempo, mal o meu primeiro dia tinha começado e eu já não comparecia a primeira aula, apoiei o meu cotovelo direito em um de meus joelhos e pus minha mão segurando a minha cabeça, olhava entediada para aquele ambiente que apesar de ser magnífico, já estava me irritando, sabe quando você fica encarando um lugar por muito tempo que você acaba se enjoando ? Então ... Essa era a minha situação do momento, continuei a encara-lo sem mudar de expressão, ainda tinha esperanças de encontrar alguém, estavam quase morrendo, mas eu ainda tinha.
– AÍ MEU KAMI-Sama- mirei meu olhar para onde parecia ressoar a voz desesperada, e vi uma menina com os cabelos negros até um pouco abaixo do ombro que andava em passos acelerados — estou muito atrasada! — ela falou olhando para o relógio, passou a mão pelo cabelo se descabelando, parou, olhou para os lados desesperada, primeiro para o contrário a mim, e logo em seguida para onde eu estava, ela pareceu sorrir, a vi correndo em minha direção, me ajeitei meio envergonhada, não falava muito com pessoas, vivi os últimos anos da minha vida praticamente para a minha mãe que estava em depressão, mas como ela melhorou resolvi destrancar minha matricula e vim para Tokyo, e agora cá estava — Você também está atrasada ? — me vi despertando de meus pensamentos assustada, provavelmente estava vermelha, não sabia como reagir, olhei-a de cima a baixo, percebendo que tinha os olhos castanhos, seu rosto parecia de uma criança, mas sua altura e seu corpo remetiam a sua idade entre os 20 e 25 anos, a menina me encarava a espera de uma resposta.
– Sim — Respondi com uma voz saindo meio falha. Ela sentou-se ao meu lado como se já fossemos íntimas, achei que iria falar alguma coisa, mas não, a observei enquanto ela se encostava no encosto do acento e elevou a cabeça até ficar olhando o céu, esperei alguma reação dela, porém um silêncio se estendeu, estranhei, desde que a conheci a minutos atrás parecia uma pessoa tão animada e extrovertida, porém agora estava calma, dei de ombros e voltei minha cabeça para frente.
– Qual o seu nome? — voltei-me a olhá-la — Você é nova aqui, não é?! — agora ela me encarava deixando de deslumbrar o céu que estava totalmente limpo naquela manhã.
– Como você sabe?
– Bom, .... A julgar que parece perdida e por estar nervosa não percebi nada — foi com ironia o que tinha dito — .. Acho que foi a minha intuição feminina — dei uma leve risada, ela correspondeu rindo também, me senti mais descontraída — e então ... Voltando ao assunto qual o seu nome?
–Kagome, ...e o seu ? — perguntei tentando prolongar a conversa.
– Rin
– A quanto tempo você estuda aqui ?
– Há dois anos
– O que você faz? Tipo.... O que você pretende ser?
– Eu quero ser empresária, tipo de famosos, então eu estudo administração e negócios, e também um pouco de marketing — fizemos uma pausa da conversa — E você, o que você vai fazer aqui ?
– Pretendo cantar e atuar
– Nossaa — disse espantada — Boa sorte!
– Porque?
– É muito concorrido as artes cênicas aqui — aquelas palavras me fizeram temer um pouco sobre o meu futuro, mas se tivesse medo agora como alcançaria meu sonho? Tinha que pelo menos lutar por ele, não?! — você teve sorte só pelo fato de ter conseguido entrar, agora é esperar para ver o que acontecer — me confortei um pouco quando ela falou isso.
– É tão concorrido assim esse ramo? — ela apenas me confirmou com a cabeça.
– De toda a faculdade temos apenas uma famosa.
– Quem ?
– Kikyo Miko
– A namorada daquele cantorzinho famoso?
– InuYasha Taisho? ... Sim, você é fã dele?
– Eu não — respondi fazendo uma cara de reprovação — minha irmã mais velha é que é apaixonada por ele — Voltei a olhar para Rin que estava impressionada com alguma coisa — que foi?- indaguei calmamente estranhando.
– Você é a primeira.
– Primeira o que ? — perguntei mais confusa ainda.
– Primeira que eu vejo que não gosta dele
. — Não é que eu não goste ... — falei meio sem jeito — é que apenas não sou fã dele, sabe?!
– Mas de qualquer jeito, eu não tinha conhecido ninguém até agora que não fosse fã dele — ela parecia mais surpresa ainda.
– Bom... Sempre tem uma primeira vez para tudo — falei colocando um sorriso amigável em minha expressão, Rin me retribuiu fazendo o mesmo.
~ Sinal tocando~
– Acho melhor nós irmos — a menina falava desesperada se levantando e já se pondo a correr.
– Espera ! — disse a amparando.
– Que foi?
– Você sabe onde fica a parte de artes cênicas?
– sei — disse ela me pegando pelo braço me forçando a levantar e a correr junto a mesma — fica ao lado da pracinha do campus! Percorrermos aqueles espaços vazios até chegarmos a uma construção de mais ou menos seis andares, senti meu coração pulsar mais forte, o nervosismo era grande. — É aqui que você fica Kagome — disse já indo embora e acenando para mim, retribui da mesma forma. Voltei- me para o prédio a minha frente, respirei fundo fechando os olhos, abri-os e me senti confiante, subi a pequena escadaria que dava para o hall principal, abri a porta de vidro, observei detalhe por detalhe daquele lugar, vi o balcão com duas recepcionistas, andei até onde estavam para pedir informação.
– Com licença — as duas começaram a me encarar me deixando um pouco constrangida — Sou Higurashi Kagome e eu cheguei atrasada e eu queria saber em que turma eu estou?
– Higurashi Kagome?! — fiz um sinal positivo com a cabeça — vou ver ali pra você e já volto, ok?!
– Ok — a segui com os olhos até perdê-la de vista, ela tinha entrado em uma sala na primeira porta do corredor, voltei-me para o balcão esperando-a chegar.
~ barulhos de flashs e fotos~
Ouvi um barulho cada vez mais alto de paparazis, o que será que estavam fazendo ali? Olhei para trás, e através da porta de vidro via centenas dele rodeando alguém e pelo jeito a pessoa estava tentando se aproximar do prédio, porque eles andavam acompanhando-a, eles entraram e passaram direto para a área dos elevadores, e no momento em que passaram ao meu lado, alguns deles deixaram uma fresta fazendo com que eu pudesse ver quem estava naquela muvuca, e, em câmera lenta, conseguir ver uma figura com longos cabelos negros e um olhar frio, parecia que nunca tinha sorrido da na vida, até que consegui reconhece-la, era Kikyo, sempre pensei que podia ser ignorante, mas não tanto e ela também parecia gostar de ter todas as atenções voltada para ela, todos que estavam naquele ambiente se levantaram para reverência-la
. — Ohayo Kikyo- Sama — todos disseram ao mesmo tempo, menos eu, pois havia percebido a ignorância em pessoa que emanava dela. O elevador finalmente tinha chegado, ele foi para dentro, e pelo que pude perceber os fotógrafos eram proibidos de entrar, será que todo o dia seria essa rotina? Revirei o olhos. Aquele paparazis foram embora, deixando o hall novamente tranquilo, a recepcionista chegou com alguns papéis na mão.
– Bom Kagome você está na turma primeiro D, no segundo andar — ela me olhou sorrindo, agradeci e fui em direção aos elevadores e logo em seguida subi.
....
Andava por aquelas calçadas movimentadas meio sem rumo, era um festival de esbarros e caídas de pessoas, algumas pediam desculpas, outras..... Já não posso dizer a mesma coisa. Tentava olha para os lados a busca de um anúncio, mas nem a rua eu conseguia ver, tentei parar para tomar um ar, mas fui empurrada, mas que gente mais mal educada! Ignorei da mesma forma que eles faziam comigo e continuei a minha busca.
Observei as vitrines para ver se tinha algum tipo de placa de " necessita-se de funcionários " caminhei durante um tempo e .... Nada, já estava escurecendo, resolvi desistir por aquele dia, estava no centro e era longe de casa, fui até o ponto de ônibus mais próximo, o qual não era tão "próximo" assim, tive que andar uns 5 quarteirões até chegar nele, mas para alguém que andou o dia inteiro aquilo não era nada.
Encostei-me na placa e esperei calmamente o ônibus chegar, estava muito cansada, precisava sentar em algum lugar e simplesmente esquecer do mundo.
Depois de alguns minutos, longos minutos, o transporte chegou, estava razoavelmente cheio, ainda bem que eu iria no último ponto, odiava passar sufoco, entrei e paguei, procurava com os olhos algum lugar vazio, porém sem sucesso, tive que ficar de pé segurando na barra de segurança, até certo ponto, pois conforme as pessoas iam descendo eu achava acentos disponíveis, e foi assim até o final do caminho.
Sobrará eu e mais alguns indivíduos, era o último ponto, desci, o ponto não era exatamente perto da minha casa, era o mais próximo, tinha que andar mais uns dois quarteirões, suspirei e comecei com um passo de cada vez. Ainda tinha uns comércios abertos, apesar de ser um bairro calmo, ainda tinha a sua movimentação, talvez minha chance estivesse bem ali e eu nem tivesse percebido, e foi o que realmente aconteceu.
Congelei meu olhar em uma placa na vitrine de um restaurante dizendo " precisasse de garçonete ", depois de sair de meus devaneios entrei correndo e fui para o primeiro funcionário que vi na minha frente.
– Quero me candidatar a vaga! — falei confiante e com uma cara de esperta.
2 meses depois...
Eu e Rin passamos a ser bem próximas, viramos praticamente melhores amigas, porém não conseguia passar muito tempo com ela, a não ser na faculdade, pois trabalhava de garçonete assim que saia da universidade, era muito complicado para mim me concentrar nos dois, mas fui obrigada a ter responsabilidades, então ...
– Tchau Rin ! Até segunda — gritei acenando
– Até — a mesma me acenou de volta. Segui meu caminho e fui trabalhar, cheguei no serviço animada, me troquei e passei o dia atendendo os clientes, sempre sorrindo, até mesmo para os mais desprezíveis que só tentavam analisar o meu corpo... Af! Revirei os olhos, são muito idiotas ! O final do meu expediente estava próximo, meu chefe chegou para mim, estranhei aquilo, pois ele vinha com uma expressão muito feliz para o meu gosto, ele estava já frente a frente comigo, hesitei dando um passo para trás, aquilo era muito estranho.
– Parabéns Kagome! — arqueei as sobrancelhas com mais duvida ainda.
– Hãm?
– Você foi promovida — ele abriu seus braços para um abraço, o qual eu não correspondi, não porque eu não queria, mas sim porque eu ainda não havia acreditado no que o mesmo tinha acabado de falar — o que foi? Não quer ser promovida? — ele foi descendo os braços gradativamente.
– Não, não é isso, .... É que ... Er .... Eu só não consegui acreditar ainda, sabe?!
– Sei! — o meu chefe respondeu
– mas isso aqui não é um sonho, e você está realmente sendo promovida, e aliais ....... Toma aqui — ele me entregou um bolo de dinheiro.
– O que é isso ?
– Seu pagamento !
– Mas aqui tem muito mais do que eu recebo!
– Junto com o promovimento vem o aumento de salário — um sorriso foi surgindo em meus lábios e como num flash o abracei em forma de agradecimento, deu um beijo em sua bochecha e assim que saí de seus braços, peguei as minhas coisas, afinal já estava trocada, era só pegar a minha bolsa e ir embora.
– Tchau chefe ! — acenei, mas nem fiquei para ver sua reação, tinha um coisa mais importante para fazer em casa que eu estava querendo a muito tempo.
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