Starlight
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Capítulo 2
Can anybody hear me? Or am I talking to myself?
As gotas de suor não paravam de escorrer incontrolavelmente pelo seu corpo. Ele sabia que estava chegando ao limite, mas também sabia que não podia parar, não agora. Tinha que continuar treinando, cada vez mais, melhorando a cada passo para que um dia conseguisse superar até mesmo o seu pai.
Dividiu-se em vinte clones, primeiramente, com o chakra de Kurama e do resto das outras bijuus tomando conta de seu corpo. Ele podia controlar, sabia disso. Uma guerra começara e todos os clones correram em direção a cópia verdadeira, tentando desferir-lhe socos e pontapés ou no caso de alguns, até um Rasengan. O loiro desviou dos golpes com uma esquiva de mestre, se apoiando no chão com as mãos e formando dois rasengans em ambos os pés, que atravessaram o corpo de dois outros clones que logo voaram com o impacto, explodindo em fumaça de chakra. O estrago causado pelo jutsu ainda lhe trouxera pontos positivos, incluindo o enfraquecimento de alguns clones.
Todos o encararam, pensativos a respeito do que deveriam fazer. Era uma batalha complicada, na qual ficava claro o real propósito daquilo tudo. “Como posso derrotar alguém de fora se não consigo render o de dentro?”
Já cansado de tudo aquilo, Naruto suspirou, decidindo acabar de uma vez por todas com aquele treinamento. Com um rápido movimento, juntara as mãos com força, em posição de reza, concentrando uma quantidade absurda de chakra. Uma esfera se formou, cobrindo as mãos do Uzumaki e num piscar de olhos, seu corpo inteiro. Todos os clones se prepararam, sabendo o que estava vindo.
“Vamos, Kurama!”, exclamou Naruto, com um sorriso no rosto. A raposa soltou um grunhido sonolento como resposta – Bijuu Modo: Naka Rasengan!
A esfera, que a princípio cobria apenas o corpo do loiro, adquiriu um tom vermelho-sangue e em um piscar de olhos, se expandiu insanamente, alcançando, no mínimo, 1 km dali e destruindo boa parte do terreno, inclusive os clones.
–Droooga! – reclamou o loiro, observando a extensão do terreno destruída, procurando ver se alguém ali não havia sido acertado pelo jutsu – pelo menos aqui é área de treinamento!
– Vejo que já está treinando, Naruto-kun! Isso sim é fogo! – exclamou uma voz animada, que imediatamente Naruto reconheceu como sendo a de Lee e um sorriso enorme formou-se em seus lábios. Fazia tempo que não via o amigo. Virou-se e surpreendeu-se ao ver Kiba ao seu lado, bastante mudado – Naruto-kun? Aconteceu alguma coisa?
Com uma barbicha no queixo e se vestindo de forma mais “selvagem”, Kiba sorriu para o amigo, que foi até ambos e os abraçou com força.
– Há quanto tempo, Naruto, hehe – cumprimentou Kiba, com um sorriso brincalhão no rosto – e então? Soube que assim que chegou foi direto falar com a Hinata, hein...
O loiro corou e tentou falar alguma coisa, mas nada saiu de sua boca, fazendo o Inuzuka rir alto. Este deu uns tapinhas no ombro do Uzumaki, que ainda envergonhado e sem entender muito bem, só fez ficar com os olhos brancos. Lee só observava, rindo.
– Como sempre, Naruto sendo Naruto – exclamou Kiba, rindo. Depositou uma mão no ombro direito do colega e olhou brincalhão para ele – senti saudades de você, baka.
Lee fez um sinal com o polegar, sorrindo, e Naruto repetiu o gesto, enquanto coçava a cabeça. Era bom ver os amigos de infância, nem que fosse um pouco. Mesmo que faltasse um...
Kiba e Lee logo tiveram que ir e deixaram o loiro sozinho com seus pensamentos, feliz por ter se reencontrado com os antigos colegas. Acabou adormecendo, com o passar do tempo, sem nem notar.
Um grito, porém, acordou-o quase que imediatamente, num pulo. Ele olhou para os lados, procurando a direção de onde viera o grito. Mais uma vez. Começou a correr, fechando os olhos quase que imediatamente, concentrando o chakra senjutsu. Assim que ativou, localizou a pessoa que gritara e partira em sua direção. O que será que estava acontecendo?
*
– Hinata-sama, está precisando de alguma coisa, no momento?
– Não, Makuri-chan, obrigada – agradeceu Hinata, com um sorriso, enquanto anotava algumas coisas importantes em papeis direcionados a herdeira do clã. Por enquanto, por mais que ela tivesse os poderes legais de líder do clã, os negócios oficiais ainda eram direcionados a Hiashi – bem, na verdade, você poderia chamar Hana-chan, por favor? Preciso falar com ela uma coisa.
– Claro, senhorita, um minuto – respondeu Makuri, saindo da sala em busca da sapeca da família. Nos últimos dias as irmãs haviam se aproximado mais, passavam mais tempo conversando entre si, falando da vida ou de assuntos mais informais. Hanabi não parava de tagarelar “como Konohamaru era um baka sem noção”, enquanto a mais velha só ria baixinho, interessada em saber a vida social da irmãzinha, que nem era tão pequena assim, tendo 13 anos de idade.
Hinata agradeceu com um sorriso gentil e assim que a moça saiu pela porta, levantou-se, dirigindo-se para a janela. Estava muito cansada, mas acima de tudo queria que seu pai se orgulhasse de seu trabalho. Fechou seus olhos, pensando no mesmo e imaginando se um dia ele teria a alegria de ter netos. Sorriu com o pensamento, mas logo balançou a cabeça, tentando evitar pensar muito nisso.
Estranhou a demora de Makuri em trazer Hanabi, que do jeito que era, deveria ser fácil de ser identificada. Ela se parecia muito com uma certa pessoa, sabe? Riu, pensando nisso e decidiu sair da sala em busca da irmã, que provavelmente estava enlouquecendo a cabeça de todos naquela sala.
Não tinha ninguém no corredor extenso do clã Hyuuga e isso logo alertou a morena, que ativou seu Byakugan numa piscada de olhos.
Alvo avistado.
Concentrou chakra no punho direito e, com o auxílio do Shunshin no Jutsu, direcionou um Hakke Kuushou na direção do alvo em menos de cinco segundos, acertando-o em cheio, fazendo o mesmo voar em direção a parede mais próxima, causando uma cratera nesta. Rapidamente foi até o local, preparada para descobrir de quem se tratava aquele invasor.
Porém, não tinha ninguém lá.
Olhou para os lados e arregalou os olhos.
Makuri caída no chão, atravessada por uma espada no peito, morta.
Hinata gelou. Se Makuri estava assim, então...
Onde estava Hanabi?
*
– Não adianta ficar se escondendo, garota. Só está perdendo tempo – explicou friamente o ninja, encarando Hanabi, que estava no topo de uma árvore, tentando se esconder. Estava extremamente nervosa. Sabia que não podia vencer um ninja que vencera Makuri, que era mais forte que ela, apesar de ser da família secundária – segredos da vida – e se controlava para não chorar. O que faria? – Alvo encontrado.
A adolescente gelou e sentiu algo mirando nela. Fechou os olhos, se esforçando para não chorar e querendo gritar por sua irmã, quando ouviu um grito:
– Deixe ele em paz, Dattebayo!
Hanabi abriu os olhos lentamente, olhando para baixo e avistando um loiro de olhos azuis. Ele era lindo. Aos seus olhos, era perfeito. Ainda com vontade de chorar, ficou observando a batalha.
– Não se meta, é um aviso – retrucou o ninja, lançando numa velocidade absurda três kunais molhadas com veneno na direção do tal loiro. Este desviou com uma facilidade absurda das mesmas e sorriu, brincalhão. Estava afim de lutar.
– Pois tenho um aviso também: não mexa com Konoha! – vociferou ele, agora sério e num piscar de olhos seis clones apareceram do seu lado, indo na direção do tal assassino.
Uma batalha corpo-a-corpo começara, com os clones atacando em diferentes ritmos e estratégias o ninja assassino. Apesar de tudo, este não conseguia ser acertado, mas também não conseguia acertar. Do nada, foi jogado longe por um soco triplo dos clones, esbarrando numa árvore, mas logo se recompondo.
– C-como? – perguntou, surpreso. Foi então que percebeu. Não eram clones de verdade. Que idiota... como foi cair naquilo? Se levantou num pulo e realizou alguns selos, mirando no loiro parado a alguns metros. Um imenso dragão de fogo voou em sua direção, visando acertá-lo. E aparentemente o conseguiu.
– Não me subestime! – exclamou o ninja de laranja, aparecendo atrás dele com um chakra absurdo e laranja cobrindo seu corpo. Na sua mão direita, uma gigante esfera de chakra era formada. Assim que o processo terminou, em questão de segundos, o mesmo lançou-se contra o outro, lançando-o longe, internamente destroçado diante do estrago do jutsu – afinal, eu nunca vou desistir!
Hanabi estava com a boca aberta de tanta surpresa. Aquele ninja loiro... ele a salvara! Ainda com medo que o outro ninja acordasse, decidiu permanecer escondida, mas estava bem mais aliviada. Sabia que estava, até agora, fora de perigo. Graças àquele ninja loiro. Será que ele tem... pensou a mesma, mas logo interrompeu-se, totalmente corada, indo observar o mesmo, que fora verificar o corpo do ninja. Parou por um instante, verificando os batimentos e sorriu, olhando na sua direção, fazendo a pobre Hyuuga ter quase um infarto. Ele sabia onde ela estava? Mas como?
– Ei! Tudo bem, garoto, ele já foi! Não vai descer? – acenou o ninja, fazendo Hanabi se encolher – “garoto”, ele pensa que ela é um menino? – e ficar sem responder, deixando o loiro sem saber o que fazer.
Foi quando uma voz conhecida e querida chamou a atenção de ambos.
– HANABI-CHAN! – gritou Hinata, aparecendo repentinamente e espantando Naruto. Ela olhou para o loiro, surpresa por vê-lo, mas ainda preocupada pela irmã – Naruto-kun, você... o que... ah, deixa. Eu... eu...
– Calma, Hinata – pediu o ninja chamado Naruto, chegando perto dela, sério – agora pode falar, dattebayo!
– A minha irmã... ela desapareceu do clã. Algum tipo de ninja assassino deve tê-la raptado – desesperou-se ela, a ponto de chorar. Hanabi sorriu, com os olhos marejados, ao ver que a irmã realmente se preocupava com ela – Naruto-kun, obrigada por tudo, mas eu preciso encontrá-la agora. Desculpe por não ficar mais tempo, eu...
– Matte, Hinata! – exclamou ele, tentando acalmá-la. Ela olhou para ele, corada e assentiu – eu acabei de lutar com um cara aqui. Ele estava tentando assassinar um menino, talvez ele saiba onde está sua irmã!
Hinata olhou para a árvore, em busca do tal garoto. Hanabi, então, saltou do galho e caiu diretamente no chão em frente a ambos, espantando Naruto, que pensava que era um garoto e fazendo Hinata chorar, por ver que a irmã estava bem.
– Hanabi-chan! Eu achei que tinha te perdido para sempre! – exclamou Hinata, abraçando a jovem adolescente, que agora deixava as lágrimas escorrerem pelo rosto, abraçando de volta a irmã mais velha. Era uma cena linda, Naruto tinha que admitir.
Hinata, depois de um tempo, olhou para Naruto, com um sorriso gentil e disse:
– Mais uma vez, Naruto-kun, você salvou a minha vida. Você não sabe o quanto estou feliz ao ver que minha irmã está bem. Obrigada por estar sempre lá quando preciso – agradeceu ela, corando um pouquinho, mas sem deixar transparecer para o loiro, algo que a jovem Hanabi percebeu, dando uns risinhos. Naruto coçou a cabeça, igualmente corado e riu nervoso.
– Ah, maninha, quando que você ia me apresentar o seu namorado, hein? – perguntou Hanabi, diva como era, aproveitando para ir abraçar Naruto, né, não sabe quando pode – ainda bem que você escolheu alguém gato e forte, porque né, aiai.
E saiu pimpolha e diva como sempre foi. Hinata olhou para ela, envergonhada, mas amando ter essa interação com a irmã. Naruto estava parecendo uma pimenta, mas tentava disfarçar rindo pausadamente.
– Ah, Naruto-kun, seu aniversário é amanhã, certo? – lembrou Hinata, sorrindo para o loiro, que arregalou os olhos para a mesma. Era a primeira vez que lembravam de seu aniversário em tanto tempo. Seus olhos marejaram, mas se segurou, preferindo sorrir para a morena e assentir – quer passar a manhã lá em casa? Hanabi pediu de joelhos para que eu te pedisse isso.
– Passar a manhã na sua casa? – repetiu ele, bobo. Então deu um sorriso de ponta a ponta, compreendendo – claro! Fechado! Estarei lá assim que o Sol nascer.
– Certo! – riu a Hyuuga, sorrindo carinhosamente. Seu coração estava um pouco mais acelerado do que o normal, mas ela estava controlando direitinho a vergonha. Isso era bom – até amanhã, Naruto-kun!
Ela se reverenciou e saiu andando, deixando um Naruto bobo e feliz para trás. Alguém tinha se lembrado do seu aniversário e ainda convidara para passar o tempo em sua casa. Hinata... ela era cheia de surpresas, né?
*
– E então, Lokane, conseguiu? – perguntou um homem de cabelos negro-azulados. Estava de costas, apenas esperando a resposta do subordinado.
– Claro, senhor. Aqui está, como ordenado: o sangue de Hyuuga Hanabi – assentiu o ninja, com um sorriso maldoso no rosto.
– Excelente, Lokane. Então, sabe o que faremos agora?
– Não, senhor – respondeu ele, ansioso.
– Faremos a Lua desejar nunca ter aparecido.
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