Stark
1 Capítulo 1 - O começo
Notas iniciais
E comentem! Quero saber como estou me saindo como autora ^^'
Chamo-me Peter Hudges, mas sou conhecido como Stark. Nunca gostei do meu verdadeiro nome, achava fraco e imponente. Na verdade, nunca gostei de muita coisa em minha vida. Ela não era alegre. Minha mãe morreu dando-me a luz, desde então fui criado pelo meu pai, a quem me deu toda dedicação. Porém, em meus cinco anos de vida, vi meu pai morrer. Lembro-me até hoje do rosto do assassino, alto, bombado, cabelos negros e mal cuidados. Assaltou meu pai e deu-lhe um tiro na cabeça. Eu corri, desesperado, com todo o fôlego que tinha. Pedi socorros, fiz o que pude, daí então já não me recordo de mais detalhes. Mas a partir desse fato, fiquei sob custódia de minha avó. Foi então que fiquei mais rebelde ainda. Minha avó, já idosa e cansada, não tinha muitas condições de cuidar de mim. Segui minha vida sozinho, praticamente.
E agora estou no segundo ano do Ensino Médio. Entrei para uma nova escola, pois minha avó não tinha condições de pagar a particular, onde eu estudava.
O primeiro dia de aula, todos me olhavam como se eu fosse um estranho. Não ligava a mínima aos sussurros e olhares. Sentei-me ao fundo da sala, ao lado de um cara gordo e nojento. Também não dei a mínima para ele, apesar de que me olhava a cada instante. Mas isso não era incomum, todos pareciam virar os rostos para me olharem. Quando a professora perguntava sobre a matéria, eu respondia certa e cautelosamente. As questões, afinal, eram idiotas e fáceis, mas veio alguém a reclamar de minhas atitudes, no decorrer do tempo.
- Ei, você, novato. — Me chamou uma voz feminina. — O que pensa que está fazendo? Respondendo a todas as questões, delirando as meninas da sala! Você só tira essas notas porque veio de uma escola particular!
Essa conversa começou a me irritar, não era nada agradável o tom com que ela se dirigia a mim.
- Não finja que não me escuta! Sou Mandy Burton, representante da classe.
- Por que tão intrigada comigo? — Perguntei, o mais sutil que consegui.
- O seu jeito de ser é irritante!
- Hm... Pena que não posso agradar a todos, não? — Falei, despresivelmente. — Aposto que você era a mais sabida da sala, até eu aparecer.
- Está dizendo que é mais esperto que eu?
- Não quero repetir, você ouviu muito bem.
Ela cruzou os braços, franzindo a testa, então virou-se e foi sentar-se em sua carteira, ao ver a professora chegar.
Ao final da aula, ela voltou a falar comigo.
- Por que me menospreza?
- Não ligo para o que pensam de mim. Acho que você tem razão em me odiar, nem eu mesmo gosto de mim.
- Não que eu lhe odeie... Mas você me deixa irritada!
- Já disse que sito muito. — Comecei a andar em direção à saída da escola, mas senti sua mão agarrar meu braço.
- Espere!
Ela me soltou, eu vi uma mancha de sangue onde ela me tocou.
- O que houve com sua mão? — Não sei porque perguntei isso, mas algo me agradou ao ver a mancha vermelha em meu braço esquerdo.
- N-não importa. — E saiu correndo, sem falar nada mais. Então fui embora, também.
No dia seguinte, ela veio em minha direção novamente, no intervalo.
- Está bravo comigo? — Começou.
- Não tenho motivos.
- Acho que começamos mal ontem... Aliás, acho que temos muita coisa em comum.
- Eu não acho.
- Não diga isso sem ao menos me conhecer! Ah, por isso que me irrito!
- Por que quer fazer amizade comigo? Não sou estranho, chato e irritante?
- Porque acho que temos muito em comum, já disse.
- Nós não temos nada em comum. Minha vida é diferente de qualquer outra, acredite. E não queira ter uma vida igual à minha.
Algo me disse que, ao ouvir isso, ela ficou satisfeita. Parecia querer que eu desabafasse a ela, e percebi isso.
- Minha vida também não é muito alegre...
- Poupe-me disso.
- Não vai querer ouvi-la? Tudo bem... Pelo menos não estamos discutindo.
É, preferia estar discutindo, pensei.
Ela se virou, tampando a calça por trás, e eu vi por entre seus dedos a mancha de sangue. Algo me alegrou ao ver aquilo. Senti-me um depravado.
No final da aula, eu fui falar com ela. Ela parecia nervosa e apressada.
- Você está com problemas?
- N-não... Por que veio falar comigo? Se importa tanto assim?
- Você está estranha...
Mandy saiu correndo, tampano a calça manchada de menstruação, com a mochila. Continuei me achando um depravado.
Em frente à minha casa, vi uma ambulância parada e enfermeiros carregando uma cama com minha avó deitada nela. Fui ver o que estava acontecendo. Um dos enfermeiros veio me dizer que minha avó havia ligado para o médico, dizendo estar passando mal. Depois de uma pausa, esperando uma reação preocupada vinda de mim(o que não ocorreu), ele avisou-me que ela havia enfartado. Depois disso e outras coisas relacionadas à minha avó recém-falecida, pude, então, entrar em casa.
Larguei o material escolar na mesa da sala, quando vi um papel dobrado em cima da mesma. Peguei-o e desdobrei.
Você deve estar se perguntando o porquê de agir
estranho nesses últimos dias.
Posso dar-lhe a resposta, jovem rapaz.
Na sua idade, também tive minhas dúvidas.
Atração por sangue, isso não é uma coisa muito
comum. Você está compreendendo muito bem este
bilhete, tenho certeza.
Então não fuja, pois será pior.
Apenas espere,
te buscarei quando chegar a hora.
Certo: esse bilhete era de fato estranho. Pensei em largá-lo ao ler as primeiras linhas, achando que era algo sobre problemas na adolescência. Até que li \"Atração por sangue, isso não é uma coisa muito comum\". Certamente que não. Alguém sabia mais que o devido sobre mim, e isso me intrigava mais do que a Mandy.
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