Stark
2 Capítulo 2
No dia seguinte, não me lembrava do bilhete, até que cheguei na sala de aula e vi, sobre minha carteira um pequeno papel dobrado. Peguei-o. Olhei ao meu redor, haviam poucas pessoas na sala, incluindo Mandy. Desdobrei o papelzinho, desconfiado.
Hoje estarei lhe mandando
vários bilhetes.
Se quiser saber sobre mim e, principalmente,
sobre você, leia cada um
com bastante atenção.
E confie em mim,
cada palavra que aqui escrevo
são a verdade, apesar de que algumas
coisas vão lhe parecer estranhas
à primeira impressão.
Mais um alerta:
cuidado com os seres que te envolvem e,
acima de tudo, mantenha
segredo sobre mim e você.
\"Manter segredo sobre mim?\" pensei de imediato. \"Isso está ficando cada vez mais irritante. Preciso descobrir quem me espiona.\" Mais uma vez olhei ao redor da sala, nada havia mudado, exceto pelo fato de que estava mais cheia do que antes.
Com a chegada do professor, mal consegui prestar atenção à matéria. Não levantava a mão, como de frequência, para responder às perguntas. E, no meu lugar, Mandy respondia. Ela pareceu notar que havia algo estranho em mim, pois na hora do intervalo, veio ao meu encontro.
- Peter, você está bem? — Começou de imediato.
- Sim. Por que a pergunta? — Fiz-me de idiota.
- Você parece estar diferente, não levanta a mão para responder ao professor.
- Pensei que estaria satisfeita com isso, afinal, não foi você mesma quem disse que gostava de responder às questões?
- Sim... Sim, mas... — Ela parou, baixou a cabeça.
- Mandy, por que me persegue? — Algo em minhas palavras me fez ter um súbito pensamento.
- Não te persigo. Apenas hajo como se fosse sua amiga. Apesar de pensar que não sou... Sabe, tenho poucos amigos, as pessoas parecem não gostar de mim...
- Você é estranha?
- Então você sente o mesmo que eu? Sente-se estranho?
- Você parece saber bastante sobre minha vida. — Referia-me ao bilhete, supondo que era ela quem os enviava. — O que sabe sobre mim que eu não sei?
- Eu... nada... Mal te conheço...
- Não minta! Por que está se metendo na minha vida?!
- Eu só queria ser sua amiga!
Bati a mão na carteira, irritado, quando senti um papel. Mais um bilhete.
- Você não cansa? Por que não me diz cara a cara?
Abri o bilhete, esperando reação dela, mas nada fez. Li em voz alta.
Parece que o tempo está
curto para nós. Já lhe darei a resposta,
antes que seja tarde e outros lhe digam.
Vai parecer estranho, mas,
se parar para pensar, é o certo.
Você é um vampiro. É de uma linhagem
de grandes vampiros.
É apenas o que posso lhe informas por agora.
Continue mantendo sigilo.
Vai demorar um tempo para se acostumar
com a ideia, mas pense e faça o certo.
Para saber sobre mim, hoje, ao sair da escola,
va à praça próxima ao mercado e espere
a noite chegar.
Virei-me para ela.
- Do que está rindo?
- Esse bilhete! Que infantil!
Então realmente não havia sido ela quem tinha escrito todos aqueles papeis. Mas estaria prestes a descobrir, hoje à noite.
- Você acredita nisso?
- Sim. Sou um vampiro. Devia ter escondido isso, mas parece que não deu.
Ela continuou rindo. Estava claro que eu estava mentindo. Quem acreditaria que eu era um vampiro chupador de sangue? Nem eu mesmo acreditei, até aquela noite.
Fui para a praça e esperei a noite, conforme fora pedido.
Um vulto negro se aproximou de mim e sentou-se ao meu lado no banco da praça.
- Então resolveu confiar em mim? — O vulto começou.
- Confiar em você? Não confio em ninguém.
- Você é uma pessoa difícil. Sou a mestra certa para você.
- \"Mestra\"? — Repeti. — Então você é uma mulher. Mas por que \"mestra\"? Vai me ensinar artes marciais? — Zombei.
- Você tinha que faz essa pergunta?! — Disse, tirando a capa preta e virando-se para mim.
Ela era clara, os cabelos ruivos compridos balançando com o vento.
- Só gosto de ser chamada de mestra! Mas isso não seria tão errado, já que vou te ensinar muitas coisas.
- Tsc. Essa história está cada vez mais sem sentido.
Ela colocou a mão sob meu queixo e pediu que eu olhasse fundo nos olhos dela.
- Realmente é difícil de acreditar em vampiros. Também fiquei assim quando estava para descobrir. Mas você é um garoto difícil, Peter. — E sorriu, exibindo suas presas. Eram como as dos vampiros de filmes e livros. Inacreditável. — Agora acredita? Faça o mesmo, sei que você consegue. — Esperou um momento. — Não está assustado? — Sorriu novamente. — Gostei de você, garoto. Apesar de teimoso e impaciente.
Eu sorri, mostrando também minhas presas para fora.
- Ora, ora! Mas já conseguiu? Isso será mais difícil do que pensei...
- Por que, se \"aprendi\" tão rápido?
- Algumas coisas não poderei dizer ainda. Sim, o mistério continua. E vai continuar por longo tempo, Peter.
Um barulho fez-se ouvir atrás de nós. Era Mandy. Estava pasma e quase tão pálida quanto nós dois vampiros.
- Mandy! — Exclamei. — Não cansa de me espionar?!
- Era... verdade... — Falou, olhando de mim para a mulher ao meu lado. — Você é...
- Um vampiro. — A ruiva concordou. — Sempre tem alguém indevido que fica sabendo disso. — Suspirou.
- Idiota! Você só quer saber demais sobre mim!
- Desculpe... — Os olhoslacrimejando. — Só queria saber... Essa história... Vampiros... Esta mulher...
- Marie Ann. Chamo-me Marie Ann.
- Eu... — Cobriu a boca com a mão, quando estava prestes a correr, segurei seu braço.
- Mantenha segredo!
- Ela vai manter. — Afirmou Marie, olhando para os olhos medonhos de Mandy.
- Desculpe... desculpe... — Sussurrava.
Marie foi se aproximando dela e lhe fez tomar um líquido roxo.
- O que é isso?
- Não se preocupe, ela vai apenas ficar desacordada. Amanhã estará melhor.
Mandy desmaiou no meu colo, eu a levei para a casa. Disse à sua mãe que ela estava passando mal e desmaiou na escola. Se exagerei na desculpa? Talvez. Nunca fui bom nisso mesmo. Desde que Mandy se mantesse calada, estava tudo bem.
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