Na chamada “era de ouro” no ano de 2163, guerras, fome, desigualdade, quase não existiam mais, a maioria dos países haviam se unido para que tal feito fosse alcançado, e sob uma só bandeira a republica da Terra havia começado. Se chamando de Paahu ou Pacto de Aliança Humana, essa mesma “era de ouro” foi a época em que a colonização humana do sistema solar estava em alta, haviam colônias em Marte, que havia sido terraformado, e também na órbita de Vênus e em algumas luas de Júpiter, mais de 16 bilhões de humanos viviam, e mesmo distante de desenvolver quaisquer tipos de viagem acima da velocidade da luz ou até mesmo perto dela a humanidade podia fazer todas aquelas coisas.

A humanidade reinava em seu próprio castelo de cartas.

John S. White nasceu em três de maio de 2162 e como o resto de sua família seguiu carreira militar bem cedo, por volta dos 16 anos de idade, mas no ano de 2190 tudo aquilo que ele e o resto da humanidade conhecia iria mudar.

Um chamado de SOS chega de Europa sendo interrompido segundos depois, após alguns minutos as colônias de Marte mandam sinais de socorro de todo o planeta, estavam sendo atacados pelo que parecia outra espécie. As forças armadas Humanas não tiveram chance contra os Alienígenas que chegaram a uma velocidade absurda destruindo uma grande parte da frota humana, a batalha sangrenta dura por sete dias, os Humanos não têm esperança de vencer, mas lutam para ganhar tempo para que os Cientistas da terra desenvolvam uma escapatória para sobreviverem, eles estavam pesquisando e colocando em prática um motor que seria capaz não só de levar naves à velocidade da luz, mas ultrapassar essa barreira com facilidade.

A nave que John fazia parte tinha como Capitão o homem mais brilhante da frota, seu avô, Scott Acerco White, suas estratégias brilhantes que ganharam vários dias para a Humanidade e levou abaixo diversas naves Alienígenas, mas no ultimo dia uma nave Imensa, tão grande que tinha até um pequeno campo gravitacional chega, e as armas humanas não conseguem nem ao menos penetrar os escudos da tal “nave mãe”, que como primeira ação dispara contra a nave de Scott, os soldados são enviados para a estase e então outro tiro acerta o casco, separando a nave em duas e fazendo um pedaço da nave cair de volta ao planeta.

Apenas 0.002% da população mundial sobreviveu ao ataque graças a tecnologia dos cientistas.

Treze anos se passam após a guerra e John acorda da estase com um barulho muito agudo em seus ouvidos, lentamente o Gás e liquido saem do Pod de estase e ele abre os olhos, há um sinal escrito “ENERGIA BAIXA” e uma voz robótica fala dentro da sala quando ele finalmente abre o seu “caixão criogênico”.

-Todos os tripulantes devem se apresentar a ponte imediatamente — A voz robótica parece muito alta na mente de John

Ele sai da sala de estase cambaleando e abre a escotilha manual da porta com muito esforço e finalmente pode ver a cegante luz do dia, forte demais para quem passou 13 anos “dormindo”, John coloca as mãos na frente do rosto e anda um pouco mais para fora da nave, que está meio inclinada e quando finalmente seus olhos se adaptam, ele pode ver metade do casco da nave separado e um pouco mais a frente marcas de queimaduras da reentrada por todo lugar, buracos de bala atravessando de uma ponta a outra do casco, e ao redor da nave uma enorme floresta.

-Como foi que eu sobrevivi? — John fala consigo mesmo em um tom sério — Têm mais alguém por aí? — Ele grita sem resposta alguma

John passa por uma porta a sua direita e chega à ponte da nave, que estava retorcida e sendo lentamente dominada por arvores, estava quase irreconhecível. Ele se aproxima de um dos consoles da nave onde ele costumava trabalhar, o atirador, ele se considerava o melhor de todos, e talvez tivesse razão. Quando ele se aproxima para apertar um botão uma luz azul se projeta em uma esfera logo acima do console, a esfera lentamente se transforma em uma figura humana de algum modo.

-Upload 100% completo — A voz robótica da nave anuncia

-Upload? Upload de que? — Ele se pergunta enquanto observa a pequena efígie se desmontar em milhares de cubos e depois se remontar na forma de uma pequena mulher holográfica azul, quando a figura finalmente se forma John pode ver que a tal mulher tem cabelos curtos, e sua aparência é bem jovem, lábios grossos, nariz fino e olhos grandes, ela parecia não ter roupas mas, também não tinha o que cobrir, seu corpo era cheio de curvas mas ela tinha apenas 30 centímetros de altura

-O que? O que aconteceu aqui? Quem é você?! – há uma pequena pausa-Quem... Quem sou eu? – A pequena mulher holográfica fala

-Espera aí... Você disse “quem sou eu”? Você é uma IA? – John fala bem desconfiado

-Eu... Eu acho que sim- Ela responde olhando para suas mãos

-Isso é incrível e assustador, achei que IA’s eram muito acima de nossa tecnologia, e como que sua matriz cabe nesse pequeno... — Ele é interrompido pela IA

-É um computador quântico, bem, eu sou um computador quântico, posso processar informações mais rápido que vocês e tão bem quanto vocês, se não melhor — Ela desmaterializa seu holograma de volta a uma espécie de cartão que estava encima do console, e o cartão passa a ter um brilho Azul tão forte quanto o de seu holograma — Agora me diga quem é você e o que aconteceu aqui? Porque esta tudo destruído?

John para e olha ao seu redor e uma dor enche seu peito, buracos de tamanho de pessoas no casco, e a frente da ponte parecia retorcida e enferrujada, com vegetação fazendo seu caminho através dos buracos.

-Uma guerra horrível aconteceu, outra espécie invadiu nosso planeta e não fomos capazes de derrota-los — Ele faz uma pausa — Meu nome é John White, e nós precisamos sair daqui o quanto antes, você têm alguma informação do planeta? Ou das colônias?

-Não há informações disponíveis, desculpa — ela volta à forma de holograma e olha para fora da nave — Naquela direção têm um grande movimento, talvez nós possamos achar algo para sair daqui por lá, existe um veiculo perto da nave que nós podemos usar para nos transportar até lá.

-Veiculo? – John pergunta para a IA muito confuso — Não me lembro de termos nenhum veiculo

-E não tinham, esse veiculo acabou de chegar, e têm duas formas de vida desembarcando, um humano e um não humano — Ela responde.

-Nada bom... Nada bom mesmo! – Ele pega o cartão da IA e corre até onde costumava ser o arsenal, lugar que agora é uma enorme poça escura com pequenos buracos fazendo um pouco de luz brilhar na poeira do local — Você pode emitir um pouco de luz, por favor?

-Mas é claro — Ela se encolhe de volta ao cartão que começa a brilhar intensamente uma luz azulada

Como não era surpresa, o lugar estava arruinado, prateleiras derrubadas e retorcidas, pedaços de armas e armaduras quebrados, mas John da a sorte de achar um colete e uma pistola ainda funcionais e intactos num armário, armário de seu avô.

-Obrigado... Vovô... — Ele dá um pequeno sorriso, veste o colete e vai andando até a ponte novamente, mas começam a escutar uma espécie de conversa que o tradutor dele não consegue traduzir- Como que o Humano tá falando a língua deles?- John fala consigo mesmo e a IA para de emitir luz.

Ele segue cautelosamente em direção a conversa, e enquanto pensava na acaba se descuidando e faz um pequeno barulho, um dos alienígenas olha diretamente para John, e o outro coloca o dedo indicador na frente da boca, o gesto familiar de “silencio”, logo após isso ele puxa a metralhadora das costas do alienígena, dá uma coronhada nele e dispara varias vezes em sua cabeça com a metralhadora.

-Já pode sair agora — O humano tira o capacete e coloca a arma encima de um console — Parece tudo limpo.

-Como e porque você está aqui? – John chega perto do individuo e pega a metralhadora de cima do console — E como conseguiu se infiltrar no meio dos Alienigenas?

-Hah... – O homem dá uma risada sarcástica — Meu nome é... –Antes que pudesse terminar sua frase ele leva um tiro na cabeça, atravessando bem no meio de sua testa.

-Puta merda! – John se abaixa e pega o capacete do homem morto, o veste, e levanta para tentar ver de onde veio o tiro, quando um tiro pega no capacete e ricocheteia na parede – Seu desgraçado!

Ele vê de onde o tiro veio e começa a fazer chover balas no Inimigo, os escudos do Alien quebram e as balas passam a penetrar na armadura, o dissipador de calor da arma é ejetado totalmente queimado.

-Bom parece que vou ter que achar um novo dissipador- Ele se abaixa de novo, por precaução, pega o cartão da IA na mão e pergunta — Ei, você consegue sentir alguma outra forma de vida por perto?

-Não, me parece tudo Ok agora — Ela responde.

-Muito bem, vamos sair logo daqui. – John fala enquanto anda até o local em que a nave está partida no meio e desce.

Fora da nave ele pode ver melhor toda a devastação que aconteceu com a nave, pode ver também a grande floresta ao seu redor, e mais ao fundo ele podia ver uma cidade enorme, mas completamente destruída, do lado da nave tinha oque parecia ser um Jipe militar da Terra, para ele era estranho ver os alienígenas usarem tecnologia terrestre, talvez estivessem poupando recursos. O veiculo era quase todo aberto, sem portas ou janelas, mas com uma metralhadora antitanques montada no teto.

-Caramba, você acha que isso pode fazer um estrago nos escudos deles?- John pergunta a IA –E mais importante, você pode dar conta da metralhadora enquanto eu dirijo?

-Acho que eu posso- Ela responde e olha pro veiculo — Tem uma entrada de cartão de IV ali, talvez seja compatível com o meu “cartão”.

John pula para dentro do veiculo e insere o cartão dela no painel, e um por um todos os painéis vão ligando, o motor liga com um ronco maravilhoso, e a projeção da IA aparece no meio do painel.

-Sim, tomei controle total sobre a Arma desse veiculo! –Ela parecia feliz por ter dado certo

-Muito obrigado — John acena com a cabeça e pisa o máximo que pode no acelerador, o carro dá uma pequena derrapada e depois ganha velocidade. Após um minuto dirigindo em direção a cidade a IA alerta

-John nós temos problemas — Ela gira a metralhadora para frente

-Bom, me mostre se você é boa de tiro então! — John puxa o freio de mão fazendo o carro virar de lado e desce uma pequena curva derrapando, ele pode ver o veiculo alienígena, parecia caber uma pessoa só nele, tinha um formato parecido com o de um peixe e não tinha rodas, ele flutuava.

A IA então vira a metralhadora na direção do veiculo e começa a disparar, e cada disparo podia ser sentido no veiculo, os escudos faziam um show de luzes até perderem energia e finalmente caírem, deixando com que as balas Antiblindagem atravessassem o casco como se fosse uma faca quente cortando manteiga, uma das balas acerta o reator do pequeno veiculo que explode de uma maneira violenta fazendo com que o veiculo desse piruetas no ar, explosão que foi forte o suficiente para tremer o Jipe.

-Ha haha! –John da uma pequena risada – Belo tiro!

Eles continuam em velocidade máxima rumo à cidade, que estava quase totalmente destruída após os treze anos, prédios com buracos enormes, alguns no chão e no centro de tudo uma enorme nave dos Aliens. ele vai se aproximando da nave com o veiculo e fala

-Eu tenho um plano, um plano completamente louco, mas gostaria de sua opinião — Ele diz enquanto olha fixamente para a nave, vendo uma espécie de hangar no qual pequenas naves entram e saem.

-Minha... Opinião? –Ela fica curiosa, acena com a cabeça e pergunta — Certo, qual é o plano?

-Meu plano é roubar uma dessas naves menores e com sua ajuda pilota-la para o mais longe daqui- Ele responde com um sorriso maldoso no rosto.

-Eu... – há uma pequena pausa- Eu acho que pode dar certo! Podemos usar aquele estacionamento ali como uma maneira de pular para dentro do hangar, eu poderia eliminar qualquer ameaça lá dentro, quando uma nave pequena entrar, nos entramos nela, a tomamos e depois fugimos!-Ela fala com um sorriso inocente.

Após alguns segundos com os olhos arregalados para a pequena Holograma sorridente ele decide falar algo

-Brilhante! É um bom plano, mas gostaria de fazer algo antes –Ele fala num tom sarcástico — Que tal você ganhar um nome antes de nos jogarmos para uma morte terrível?

-Nome? –ela pergunta com confusão — Acho melhor que você me de um nome, John, não sou boa com esse tipo de coisa.

-Tudo bem, e que tal... Hm –Ele faz uma pequena pausa e logo em seguida olha para ela com um sorriso — Que tal “Sasha”?

-“Sasha”? – Ela para por um instante — Sasha... Sim, achei... Interessante.

John continua sorrindo enquanto leva o Jipe até o topo do estacionamento, chegando lá um olha pro outro, Sasha “esconde” seu Holograma de volta no cartão e ele acelera ao máximo em direção à nave, passam por cima de um bloco de concreto caído que funciona como uma espécie de rampa, os lançando em direção à ela, John se sente quase que sem peso com o Jipe caindo em direção ao Hangar da nave gigante e quando estão prestes a entrar uma pequena nave sai do hangar e o Jipe acaba caindo encima dela, deslizando por cima de seu casco e acaba prendendo uma roda na entrada de ar da tal, a roda é sugada e o carro tomba, e cai de lado no hangar, a pequena nave começa a girar com fumaça saindo de seus motores e bate numa das vigas no estacionamento, fazendo com que ela virasse de ponta cabeça e uma pequena parte do estacionamento desabasse encima dela.

Vários alienígenas se aproximam do Jipe sem uma roda e um pouco retorcido, com fumaça saindo do motor, mas há uma parte ainda intacta, a metralhadora montada do veiculo faz um giro violento batendo no chão e virando o carro pra cima novamente, e logo após isso uma chuva de balas cai sobre os oito inimigos no hangar.

-John? – Sasha pergunta — John? Você esta bem?

Ele sai do carro cambaleando de um lado pro outro e diz chacoalhando a cabeça

-Sim... Sim eu estou bem... Agora, vamos só entrar na... – John olha ao redor coçando sua nuca — Cadê a nave?

-Nós acabamos batendo nela no meio do ar, agora está soterrada por concreto — Sasha fala sem expressão alguma – Mas há outra nave se aproximando, gostaria que você me tirasse do carro antes que ele exploda

-Ah... Sim claro — Ele fala ainda um pouco tonto.

Ele remove o cartão de Sasha do jipe e ouve um barulho atrás dele, era outra nave entrando, parecia um pouco diferente da outra, um pouco maior, a nave entra no hangar em grande velocidade e para perto do carro, a porta em sua traseira abre formando uma rampa. John não consegue enxergar nada dentro da nave pois há uma luz muito intensa lá dentro

Ele segura sua pistola no coldre e segue cegamente ao interior da pequena nave mas para no meio do caminho, ele olha para trás e vê luzes no hangar piscando, o carro destruído no chão do local e pegando fogo quando ele escuta uma voz feminina de sotaque russo, mas a voz tinha algo mais de diferente

-Entra logo! Tem mais a caminho! –Era uma voz suave com esse sotaque que ele julgava ser russo, mas a voz parecia “filtrada” de certo modo, como se tivesse passando por um tradutor — Este vai ficar aí parado? Entre logo! – A mulher fala novamente

John rapidamente entra na Nave e escuta um barulho de botão sendo apertado, escuta a porta se fechando e a intensidade da luz vai diminuindo, até que ele sente um frio na sua nuca, o frio de uma arma encostada em sua pele.

-Quem é este? –A mulher pergunta – E como este sobreviveu tanto tempo na face de tal planeta possuído pelos Koha’rt?

-Koha’rt? – John pergunta — Você se refere aos alienígenas? – John sente a nave se movimentando, eles estavam saindo daquele local, era uma boa noticia — Certo, meu nome é John White, eu sobrevivi por ter ficado em estase por treze anos, minha nave havia sido abatida, os Aliens... Os “Koha’rt” eram muito mais avançados que nos tecnologicamente, mas certamente alguns de nós conseguiram escapar... Não é?

-Não sou como este – As luzes voltam ao normal e a mulher guarda a pistola de volta no coldre de John, que se vira para a mulher e vê que ela certamente não era humana, ela tinha uma pele lilás claro e seus olhos eram um pouco maiores que os de um humano normal, puxados como de asiáticos e completamente brancos, ela tinha nariz como um humano normal, mas com três buracos de cada lado ao logo do dorso do nariz, sobrancelhas completamente pretas e cabelo bem longo e tão negro quanto as sobrancelhas, os lábios eram da mesma cor de sua pele e se assemelhavam com os lábios humanos, porem no meio do lábio superior tinha uma pequena listra roxa.

-Este vai continuar me encarando? – A mulher pergunta

-Ah, me desculpe, eu nunca vi ninguém que não era humano antes... Pessoalmente é claro – Ele fica desnorteado com a beleza daquela mulher alienígena, mas depois coloca sua cabeça de volta no lugar – Bom, se você esta aqui falando comigo então quem está pilotando a nave?

A porta do outro lado da nave se abre e dela sai um homem velho, por volta dos 60 anos, um pouco acima do peso usando um chapéu de aviador eletrônico e com um charuto na boa.

-A mulher na sua frente é uma Yaksh – O homem vem mancando na direção de John – E seu nome é Katzeena.

-Mas este pode chamar a mim de Katz, muito prazer John –Katzeena interrompe o Homem – E aquele é nosso piloto, Cairo, não há abreviação para o nome dele.

-Prazer em conhecê-los, meu nome é Sasha! – ela fala diretamente da mão de John

-O cartão disse isso? – Cairo fica olhando para o cartão – Isso aí é uma IV?

Katz vai se aproximando dele e pega o cartão de sua mão, e quando tem espaço livre, Sasha projeta seu holograma acima do cartão.

-Oi “Katz” – Sasha sorri – Desculpe mas acho que precisamos nos mover rápido, talvez eu pudesse ajudar lá na ponte?

Katz fica perplexa e fala

-Esta é uma Inteligência Artificial? – Sasha pergunta com confusão marcada em seu rosto

-Sim, eu não sou uma Inteligência Virtual ou gravações, sou uma IA!

Cairo olha para John que responde levantando os ombros, momentos após isso um alarme é soado na ponte, eles correm todos para lá Cairo senta no assento de piloto e fala.

-Apertem os cintos crianças, a coisa vai ficar feia aqui pra nós! – E então vira bruscamente a nave para desviar de dois misseis

-Apertar que cintos Cairo?! Essa nave não tem cintos! – John exclama enquanto a nave é atingida por alguns dos tiros de energia da outra nave, os escudos aguentam mas a nave acaba perdendo gravidade artificial, e pra melhorar Cairo faz uma curva brusca enquanto John e Katz acabavam de se segurar em qualquer lugar possível, mas a curva é muito forte e acaba lançando John contra a parede, pela falta de gravidade e Katz cai bem encima do peito dele, o fazendo perder todo o ar. A gravidade volta e ele cai no chão de cara e novamente Katz cai encima dele

-Eu acho... Que quebrei alguns ossos... Vários ossos – Ele fala pausadamente enquanto põe a mão no seu peito com leves sons de dor

Katz se levanta e ajuda John a se levantar, logo após ela da uns tapinhas nas costas de Cairo com sua mão de quatro dedos e se senta no console ao lado.

-Este precisa de ajuda? – Katz fala num tom sarcástico e ativa a interface do console

Quatro armas então emergem do casco da nave duas de cada lado e então giram 180 graus

-Vamos mostrar nossos dentes a eles Katz! – Cairo exclama com grande empolgação – Manda bala nesses filhos da-

Katz começa a atirar na outra nave atrás deles, as quatro armas tem uma cadencia de tiro impressionante, quase não se pode ouvir o intervalo de um tiro e outro, e elas também tem um poder de fogo impressionante, pode-se ouvir o barulho das armas de dentro da ponte pela propagação do som pelo casco da nave, os tiros de Katz são muito bem colocados para desabilitar os escudos da nave inimiga e os motores daquela nave param, a nave começa a girar muito rapidamente e a se despedaçar pela força centrifuga, com partes da nave voando para todo lugar, algumas até batem nos escudos mas sem avarias na nave, momentos após isso a nave explode grandiosamente numa bola de plasma atrás deles que dura por apenas um segundo.

-Prontinho – Katz fala num tom de voz bem suave e coloca as mãos atrás da cabeça

-Bom trabalho Katz – Cairo fala e olha para trás – O que aconteceu com o nosso novo amigo ali?

John se levanta e chega até os consoles da ponte, era um local meio apertado já que a nave tinha só quatro compartimentos, a sala de cargas, o quarto, o banheiro, e a ponte, e todos os espaços menos a sala de cargas eram apertados.

-Eu estou bem... Na verdade poderia estar melhor-John fala e logo adiciona – E então, para onde vamos?

-Europa – Katz responde – Essa lua do seu sistema solar têm o que esta nave precisa: Combustível, bastante Hidrogênio para a fusão.

-É mas vai levar alguns minutos para processar os cálculos da DET – Cairo responde apertando alguns botões e interfaces holográficas, e no mesmo instante que ele termina a frase Sasha fala

-Creio que eu possa ajudar nos cálculos e algumas outras coisas se me permitirem – ela fala de uma maneira feliz

-Esse negócio de IA ainda não entra na minha mente, essa tecnologia não é tipo, uns 500 anos mais avançada que a nossa? – Cairo vira sua cadeira em direção a eles – Isso supondo que não foi outra raça ainda mais inteligente que construiu você. Quem construiu você?

-Eu não me recordo de nada antes da nave de John cair – Sasha diz olhando para baixo – Eu sou uma IA, eu entendo que vocês possam ter medo de algo que tecnicamente não tem limites, mas eu asseguro a vocês que não sou de mal algum. Vocês vão aceitar minha ajuda?

Katz anda até Sasha, pega o cartão em sua mão, e aproxima Sasha de seu rosto.

-Mas é claro sua coisinha fofa! – Katz fala estendendo um aperto de mão, mas como o Holograma de Sasha é pequeno Katz só estende um de seus quatro dedos – Vamos, aperte minha “mão”!

Sasha dá um enorme sorriso enquanto aperta a “mão” de Katz e depois disso fala

-Vocês precisam inserir meu cartão no lugar do cartão de IV da nave – Ela fala sem expressão – Pode levar alguns milésimos para que eu me familiarize com todos os sistemas.

-Todo esse tempo? – John fala sarcasticamente – Não sei se temos alguns milésimos para gastar

-Há há. – Sasha fala enquanto Katz a insere no console principal da ponte

Imediatamente após Katz inserir o Sasha na ponte todos os painéis se apagam e as luzes param de funcionar por uma fração de segundos, e quando voltam, todos os painéis se tornam azuis, as luzes embranquecem um pouco mais e um novo Holograma de Sasha se materializa lentamente na área de carga da nave, dessa vez um pouco maior que uma criança. Todos se sentam cada um em um console diferente, John nas armas, Katz nos escudos e Cairo pilotando.

-Fez um upgrade? –John pergunta

-Mais do que isso... – Sasha responde

Todos na nave se seguram da maneira que podem nos assentos quando o campo de visão começa a aumentar, tudo parecia se esticar, pela janela da ponte só se via traços bem alongados passando numa velocidade incrível, no painel da ponte podia se ver uma marcação escrita “3.457c” e essa marcação continuava a subir “4.563c” e depois “10.344c” e logo após isso a marcação diminuiu quase que instantaneamente para “0.000c” John nunca havia presenciado algo assim antes, viagem acima da velocidade da luz graças ao gerador de dobra espacial da nave, e antes que alguém pudesse falar “Eu amo astronomia” estavam todos da orbita de Europa, uma das varias luas de Júpiter.

-Haha! –John da uma risada empolgada – Então era isso que nossos cientistas desenvolveram?! Isso é incrível! Demorávamos semanas para fazer uma viagem que agora é possível de se fazer em segundos! – John da uns soquinhos no ar e comemora com empolgação enquanto Katz e Cairo caem na risada.

A nave lentamente se aproxima de Europa e começa a sequencia de pouso, chacoalhando um pouco na atmosfera da lua. Os geradores de gravidade param de funcionar por detectarem a gravidade da lua sendo exercida nela. A nave então passa a deslizar suavemente pela atmosfera rica em gás carbônico do planeta, que estava assim porque o processo de terraformação ainda estava em progresso, mas era o suficiente para que a camada exterior de gelo no equador da lua derretesse, formando uma enorme faixa azul, onde os humanos faziam suas cidades flutuantes, com comercio, indústrias, minas e tudo mais.

Eles acabam pousando em uma dessas cidades flutuantes, a maior delas na verdade, era chamada Pervyy Dom, que significa “O Primeiro Lar” em russo, eles foram os primeiros a chegarem a Europa, mesmo o planeta sendo totalmente unificado, competições eram saudáveis para a economia e para a tecnologia, após a nave pousar, Katz dá a John um respirador, e Cairo fala. -Vocês vão descer, entrar na EMCo, pegar quantos cilindros de Hidrogênio puderem e voltar, enquanto isso eu e Sasha ficaremos aqui na nave caso algum dos Alienigenas tenha decidido nos seguir – Ele fala fechando a porta da ponte – Boa sorte... John prepara sua pistola, para caso de alguma coisa aparecer, e Katz usa uma sub metralhadora, quando os dois saem da nave o cenário é impressionante, a atmosfera da lua parece quase incolor, com um tom azul, mas quase transparente, o sol está tão distante que fica minúsculo, Júpiter domina quase a maior parte do céu, e agua se estendia até onde a vista alcançava, já a cidade estava destruída, partes dela haviam afundado, algumas pessoas mortas em decomposição no chão a anos, mas não eram muitas, sinal de que algumas fugiram ou foram capturadas, de qualquer forma os altos edifícios que antes existiam na lua já não estão mais lá, partes dos hexágonos flutuantes haviam afundado no oceano, mas um pouco adiante eles conseguem ver um dos armazéns de Hidrogênio da EMCo, parcialmente destruído, mas um pouco é melhor que nada Enquanto eles andam até o armazém ele decide puxar conversa com Katz -Toda essa destruição, esse... Caos... Aconteceu em seu planeta natal também? – Ele pergunta com um tom sério, o próprio lugar já tinha um ar pesado, ainda mais para John -Nossa raça perdeu o planeta natal para o próprio sol, a estrela de lá se tornou uma gigante vermelha há mais de 200 anos – ela fala normalmente — Dês de então nós migramos de planeta em planeta, pegando recursos, parando por alguns anos e depois voltando as naves. -Porque vocês não se estabilizam? – Ele pergunta – Devem ter vários planetas habitáveis por aí certo? -Sim, nós já passamos por diversos planetas – Ela explica – Mas o espaço passou a fazer parte da nossa cultura, “Kateshyra touska a ame y welan”, significa “O espaço e o tempo entrelaçados com a energia” nós acreditamos que quando morrermos nossa energia voltara a fazer parte do espaço de onde ela foi tirada, então de certo modo ficar perto do espaço é ficar perto daqueles que já se foram – ela para e fica encarando John -O que foi? – Ele olha de volta – Viu algo? -Este é diferente, assim como Cairo você não teme a mim, normalmente os humanos têm medo da nossa raça – Ela fala e continua a andar, já estão bem próximos ao armazém -Medo? – Ele indaga -Humanos acham que qualquer coisa pode ser uma ameaça, principalmente o desconhecido, e nós entendemos isso, porém eles levam isto ao extremo, não gostam da presença de qualquer um que não seja da espécie deles, pelo trauma do que os Koha’rt marcaram neles – Ela continua — Este têm tal trauma, mas não se deixa levar pelo passado. -Você salvou a minha vida, acho que isso pode ter ajudado um pouco hã? – ele dá um leve sorriso – Bom, chegamos, só mais uma coisa... Só eu que estou incomodado com a baixa gravidade desse lugar? Digo, é difícil andar sem voar um pouco sabe – Katz dá uma pequena risada -Vamos, abra a porta humano voador, fiquei sabendo que sua cultura favorece as fêmeas – ela fala e cruza os braços. -Quantos de nós humanos existimos atualmente? – Ele pergunta enquanto levanta a enorme porta de metal com facilidade, graças a baixa gravidade -Quatro milhões, nunca vi uma raça se reproduzir tão rapidamente – ela fala enquanto passa pela porta ligando a lanterna da sua arma – Mudando um pouco a conversa, havia alguma espécie de vida nativa aqui em Europa? -Ah sim, criaturas enormes, mais de 10 metros de comprimento, mas nenhuma delas conseguia passar pelas barreiras cinéticas... Que estão sem ener... – John é cortado pelo barulho de um impacto seguido por uma grande tremedeira no chão, que lança John lentamente numa pilha de caixas de metal, ele bate contra uma delas e Katz pula em sua direção. -Este achou o Hidrogênio? Muito bom! – Ela fala sarcasticamente – Agora vamos logo sair desse lugar – Katz saca o comunicador de seu cinto e contacta Cairo – Cairo, precisamos duma saída de emergência, nós vamos permanecer no telhado dum armazém localizado nas coordenadas... 885.432 e 240.671 -Estou a caminho! – Cairo fala e eles podem ouvir o barulho da nave bem baixo -Telhado? – John fala, mas depois ele se lembra – Ah é, baixa gravida.. – ele é cortado -Pegue uma das caixas e vamos! – Katz pega uma das caixas com cilindros e pula em direção a uma das paredes e pula dessa parede para o enorme buraco no teto – Voe humano! – Ela fala e olha para uma outra direção fixamente e depois olha para John novamente – Segure-se! Novamente o armazém treme, mas dessa vez a criatura chega a atravessar a plataforma, levando um pedaço do galpão junto fazendo um enorme buraco no chão pelo qual água começa a jorrar, John é arremessado com sua caixa para o alto, bate no teto e começa a cair novamente, mas consegue segurar a caixa e se agarrar numa viga de metal, ele consegue ouvir a nave chegando e não consegue mais ver Katz, num ultimo esforço ele se impulsiona para cima com seu braço em direção a grande abertura no teto, ele está na metade do caminho quando a criatura faz uma nova investida atravessando mais uma vez a plataforma, mas dessa vez ela esta de boca aberta, o resto das caixas entra na boca da criatura que se assemelha a uma enguia gigante e então ela fecha sua mandíbula perfurando as caixas, o Hidrogênio pressurizado escapa dos cilindros causando uma explosão que impulsiona John para cima, girando na baixa gravidade agarrado na caixa, ele é acertado na cabeça por um dos cilindros que não explodiu e sua visão escurece, ele fica inconsciente.