Stargazer
1 Stargazer
Notas iniciais
“Tudo está ótimo! Mas então por que eu me sinto tão mal?”
Essa era a pergunta que Sheherazade se fazia, todos os dias.
Sheherazade era uma mulher muito bonita, pra ela era fácil conseguir se relacionar com homens, na verdade, ela gostava de experimentar tudo. Já tivera relacionamentos com mulheres também, alguns foram apenas para satisfazer seus desejos carnais, outros foram muito mais sérios. Ela chegou a até mesmo, usar a pesada palavra “Eu te amo” algumas vezes. A linda jovem de 31 anos, já tivera vários relacionamentos, e alguns dos seus antigos amores ainda estavam fazendo aparições em sua vida, mesmo que não da mesma forma como antes.
Sheherazade tinha vários amigos. E não havia uma semana em que seu luxuoso apartamento não fosse visitado por diversas pessoas diferentes, as quais cada uma tinha uma historia na vida dela.
Sim, apartamento luxuoso! Sheherazade veio de uma família rica. Sendo assim, ela sempre teve de tudo de bom e do melhor.
Ah, e era uma linda família! A mãe de Sheherazade acabara de se livrar totalmente de um terrível câncer,e por isso a família estava ainda mais unida.
Muitos invejavam a vida de Sheherazade, mas com razão! Que maravilhosa vida ela tinha!
Mas ela não se sentia bem já fazia alguns anos.
Sheherazade se sentia tão sozinha, tão vazia, tão desconfortável.
Certa vez, ela chegou a pensar que estava com depressão. Então Pietro, seu namorado na época, a ajudou a procurar diferentes psicólogos. Mas nenhum deles soube dizer o que aquela linda moça dos cabelos ruivos, estava passando.
Algum familiar dizia que era falta de Deus. Bobagem! Sheherazade nunca se importou com crenças, e sempre viveu bem. E ela nunca parou para realmente pensar nessas coisas.
Um sobrinho meio louco dela, certa vez, disse que o diabo poderia ter tomado a sua alma. Claro que ela não deu atenção.
Com o tempo, Sheherazade se tornou uma pessoa um pouco mais fria e fechada em relação a algumas coisas, mas nada que a transformasse em alguém antissocial, pelo contrario, ela continuara sendo simpática e amigável. Mas ela sentia que algo estava muito errado, algo não se encaixava, e isso a perturbava terrivelmente.
Certa vez, cansada da vida, decidiu terminar, colocar um fim. Foi quando olhou pela janela e viu pessoas sorrindo, andando pela rua naquele dia frio, viu aquele tempo nublado, viu as arvores úmidas, que por essa razão, pareciam tão felizes. Para a maioria das pessoas, aquele era um dia triste, mas para Sheherazade era um belo dia, um dia com ar de misterioso, assim como ela. Então ela debruçou sobre a janela, sentindo aquela fria luz do sol de um dia de inverno, e pensou: “Que lindo mundo!”. Ela desistiu dessa covarde ideia de suicídio.
Mas por que se sentia tão sozinha se estava sempre rodeada de amigos? Por que se sentia tão vazia quando já havia vivido diversos amores? O que era esse sentimento estranho que a incomodava tanto? Bem, nada disso faria mais diferença, pois tudo estava para mudar.
Sheherazade acordou de mau humor. Como acordava tarde, foi logo almoçar. Ao terminar de comer, pensou em lavar a louça que estava acumulada desde anteontem, mas preferiu deixar como estava. Ela decidiu ir à casa de seu ex-namorado Pietro, para conversar um pouco, e esquecer-se dos seus problemas sentimentais. Ela se arrumou, saiu de seu apartamento e ligou o carro. Ela poderia ter ido a pé, a casa de Pietro era perto, mas como já dito, ela estava de mau humor, queria chegar rápido na casa de seu ex. No caminho, ela foi atingida na cabeça por uma bala perdida. Sheherazade morreu. Isso foi algo realmente trágico, quer dizer, se ela tivesse acordado de bom humor, talvez tivesse perdido algum tempo lavando aquela louça acumulada, e então não seria atingida pela bala perdida. Ou então, teria ido a pé para casa do seu ex. Ou então se tivesse demorado um pouco mais para se arrumar, ou então um pouco menos... Mas o fato era que ela estava morta. E agora estava livre!
— Fim da historia, crianças. — Disse a senhora com um leve sorriso no rosto.
Alguns alunos davam risada, pois acharam aquela velha louca, e a historia ainda mais louca. Outros tentavam entender o que aquela historia significava. Mas a senhora sabia que nenhum deles entenderia, pelo menos não agora.
— Bem... Agora vamos voltar para o nosso grupo, não podemos ficar tão dispersos, se não nossos professores não vão mais organizar passeios para nós. — Disse uma jovem adolescente, enquanto olhava para os outros seis alunos ali presentes.
— Ah, muito obrigada por nos contar essa historia, senhora...
— Sheherazade. — A senhora deu uma baixa risada. — A propósito, vocês sabem o que são as estrelas?
Os alunos olhavam espantados, mas sem mais perguntas, todos se despediram da doce senhora.
Ela olhou para o céu. Aquele era um belo dia! Ela sentia o vento gelado assoprar os seus finos e grisalhos cabelos.
— Eu não morri naquele dia... Eu me tornei melhor! Estou livre daqueles sentimentos confusos, e sei que um dia todos sentirão essa paz que eu sinto. Eu sempre suspeitei que não estamos aqui por mero acaso. Então devo ir cumprir a minha missão.
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