Notas iniciais
HELLOU

Já tinham passado algumas boas horas desde que tinham chegado, mas mesmo assim Sinbad continuava acordado. Na verdade não conseguiu dormir nem um pouco, o evento com a estrela tinha lhe sobrecarregado de informações. Ele, juntamente com os convidados e os generais, não conseguiram aproveitar a festa de boas vindas que tinha preparado. Sorte que a festa duraria mais três dias.

O sol começava a surgir no horizonte iluminando o quarto com sua luz alaranjada. A estrela continuava a dormir pacificamente coberta até os ombros. Lembrou-se da temperatura baixa da estrela. Colocou novamente as costas das mãos no rosto pálido da estrela, tomou um susto. Sua temperatura continuava fria, se não mais gelada. Por que?

Contudo, ao contrário da noite anterior em que tocou o rosto do albino misterioso e ele não reagiu,

Dessa vez ele se mexeu.

Os olhos verdes apertaram, e piscou repetidas vezes para se acostumar com a luminosidade no local. Agora não estava com a tontura de mais cedo então pode ver claramente a aparência de quem estava ao seu lado.

Finalmente o reconheceu.

"oe.. oe. Se sente bem?" o estranho lhe perguntou.

"S...Sin..bad?" perguntou hesitante.

"c-como sabe meu nome?" Sinbad lhe perguntou.

A estrela nada disse, apenas tirou uma das mãos debaixo das cobertas e a levou para a cabeça. Mesmo que não tivesse mais tontura a sua cabeça doía.

"onde.. estou?" perguntou fracamente.

"no palácio da Sindria." Lhe respondeu amaldiçoando-se em seguida, como uma estrela poderia saber onde é a Sindria?

"Sindria..huh." respondeu fazendo Sinbad estranhar.

Na verdade ele mesmo estava se estranhando, não agia assim tão mansamente. Ah, a dor de cabeça estava mexendo com sua razão...

"Então, erm.. Sírius. Por que caiu?" perguntou hesitante.

"que diabos?" rebateu se sentando na cama, finalmente pode colocar as ideias e seus pensamentos em ordem.

"eu digo, por que caiu na terra, Sírius?" perguntou de novo. Por que estava lhe chamando de Sírius?

Não respondeu, sentiu um peso a mais em seu pescoço e viu que usava um amuleto com uma esmeralda. Pegou-o e o analisou por um instante. Viu então um pequeno desenho entalhado na joia pendurada, apertou os olhos.

Uma estrela de oito pontas.

"Alma Toran..." pensou.

"Sírius?" o rei idiota lhe perguntou novamente.

"por que diabos está me chamando de Sírius?!" exigiu. Pode perceber que de sua súbita calmaria até sua personalidade explosiva o rei parecia surpreso, provavelmente com sua mudança de comportamento.

"ué, seu nome não é Sírius?" perguntou novamente.

"NÃO! Por que achou que meu nome seria Sírius idiota?!" olhou-o de um jeito afiado.

"é que... nós te chamamos de Sírius... Sabe. A estrela Sírius." tentou se explicar.

"ta de brincadeira... No outro mundo era alfa branca e agora é Sírius?! decadência..." sussurrou para si mesmo. Sinbad tinha ouvido, mas preferiu não irritar a estrela mais ainda com perguntas provavelmente idiotas.

"consegue andar?" mudou de assunto.

A estrela novamente ficou calada, apenas se preparou jogando suas pernas para o lado da cama para que pudesse levantar. Suas vestes esvoaçantes e belas acompanhando seu movimento. Ergueu-se apenas para cair na cama novamente quando sentiu sua perna latejar. É serio que depois de tanto tempo não tinham melhorado?!

"Vai com calma! Não consegue levantar?" o rei lhe perguntou novamente.

"claro! eu acabei de tentar levantar só pra cair de novo! Claro que consigo levantar gênio!" respondeu o extremamente óbvio.

Sinbad estava se sentindo cada vez mais estúpido com essas perguntas idiotas.

"...quer ajuda para andar?" lhe estendeu uma mão.

A estrela o olhou por um tempo, por fim optou por baixar a cabeça e agarrar a mão estendida, Sinbad não pôde ver mas a estrela estava ligeiramente corada com a humilhação de não conseguir andar por conta própria.

"qual seu nome? ja vi que não gosta de ser chamado de Sírius. E não me sinto confortável te chamando de "estrela que caiu do céu"." andava passos lentos para acompanhar os da misteriosa estrela.

"..." a estrela nada respondeu.

Continuou a andar, a estrela estava mais apoiada em seu braço do que na mão, e seus passos eram hesitantes e meio desengonçados. De vez em quando fazia uma careta como se doesse andar.

Saíram do quarto e Sinbad dirigiu sua palavra ao guarda no corredor.

"chame os generais e os convidados na sala de conferências imediatamente." disse.

"sim senhor." o guarda preferiu ignorar o estranho ao lado de sua majestade e correu para fazer o que lhe foi pedido.

Continuaram a andar lentamente, e Sinbad pôde perceber que os passos da estrela estavam se tornando mais centrados e menos hesitantes.

"...Jafar."

"hm?"

"o meu nome, é Jafar." a estrela finalmente lhe respondeu.

"Jafar..." ponderou. "é um lindo nome!"

Se Jafar não tinha se transformando em um tomate antes, agora com certeza conseguiu a façanha. Tentou ao máximo esconder o rubor baixando a cabeça.

Percebeu ao passar pelos criados que cochichavam algo, e aparentemente era sobre si.

"quem é ele?"

"é um companheiro do rei?"

"como ele é lindo!"

"que roupa diferente! é maravilhosa!"

Se encolhia de vergonha a cada comentário, e Sinbad claramente percebeu.

"que foi?" ele ousou perguntar, e ainda por cima sorrindo!

"seus criados não tem vergonha!" exclamou, e praticamente fuzilando em seguida um criado que podia jurar que tinha cochichado "certeza que não é uma mulher?".

Em resposta Sinbad riu.

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Ja aguardavam na sala de reuniões conforme o pedido, provavelmente o assunto seria a estrela que caiu.

"o que será que aconteceu? será que ele acordou?" Pisti perguntou a Yamu.

"não sei, mas se tiver acordado eu quero estudá-lo!" recebeu um olhar de Pisti "de um jeito que não pareça um rato de laboratório.." completou fazendo a princesa de Arthemyra sorrir.

"será que ele é perigoso?" Kougyoku perguntava aos irmãos.

"não faço ideia, contudo, não parece ser mal. Como o próprio Magi disse." Kouen se referia a Aladdin.

"Ai que demora! aquele rei velho devia nos chamar quando estivesse aqui! assim não teríamos que esperar!" reclamou Judar.

"Espere mais um pouco Judar-kun, o tio Sinbad ja deve estar vindo." disse Aladdin.

"acho que mais cedo do que pensa Judar." Yunan interrompeu a possível fala de Judar.

Como uma mágica/macumba, uma das portas duplas se abriu um pouco e a cabeça de Sinbad apareceu.

"ah! ótimo! ja estão aí." confirmando a própria dúvida sobre se os generais, convidados e Magis ja tinham chegado, abriu mais a porta e entrou 'pela metade' na sala.

"Por que a demora seu velho?!" novamente Judar reclamou.

"por que eu precisava ajuda-lo." respondeu simplesmente.

"ajudar a quem?" Titus indagou, então percebeu que tinha alguém agarrado ao braço de Sinbad e estava escondido atrás da outra porta.

O rei da Sindria entrou por inteiro na sala desta vez, e junto com ele o motivo da conversa de agora a pouco. A sala inteira ficou em silêncio.

Sinbad andou devagar até uma das cadeiras e deu suporte a estrela quando a mesma sentou, sem demora acomodou-se na cadeira ao lado do portador do estranho amuleto.

"vamos começar!" sorriu em seguida.

Todos se entreolharam e se acomodaram. O primeiro a falar foi Aladdin.

"Seu nome não é Sírius, não é?" o pequeno magi dirigiu a palavra a estrela.

"não, como disse a Sinbad antes, meu nome é Jafar." sorriu em seguida, no momento em que viu o pequeno magi ja simpatizou com ele. "Sírius deve ter sido o nome que me deram ao longo dos anos." seu sorriso sumiu ao se lembrar da decadência de nomes novamente.

"o que veio fazer aqui?" perguntou Koumei.

"sinceramente, não sei. Um momento estava em casa, e no outro estou na terra." respondeu, muito mais secamente do que quando respondeu Aladdin.

"ah! ia te perguntar! Como você sabia o meu nome?" Sinbad perguntou a Jafar.

"você não tinha dito o seu nome pra ele?" Sphintus parecia estar em um misto de emoções, fascinação e medo.

"não, por isso estou perguntando como diabos ele sabia o meu nome." respondeu o rei.

Todos olharam para Jafar.

"fácil. Eu sabia seu nome porque sou a sua estrela guardiã." respondeu.

"estrela guardiã?" Kouha se inclinou mais na mesa.

"como assim?" Yamu finalmente entrou na conversa.

"alguma vez, quando se sentiam desolados ou perdidos no mundo, olharam pro céu e viram uma estrela "piscando" pra vocês? uma estrela que capturou a sua atenção e só aquela estrela?" perguntou.

Depois de um momento pensando, todos balançaram a cabeça de forma afirmativa.

"essas estrelas que vocês se afeiçoaram são as suas estrelas guardiãs, sempre que se perdem elas te ajudam, e uma pessoa tem apenas uma estrela guardiã por toda a sua existência. É como se déssemos força para vocês continuarem e apontássemos uma direção para onde devem seguir." explicou de forma rápida. "eu sou a estrela guardiã de Sinbad. Já perdi a conta de quantos problemas eu te salvei..." Jafar disse.

Estavam pasmos.

"Os Magis, por alguma razão, tem as estrelas reais como suas guardiãs." continuou. "acredito que seja por sua própria existência impactante. A de Aladdin é a Estrela do norte, Judar a Estrela do sul, a de Yunan a do Leste, e a de Titus do Oeste." explicou.

"espera, você saber o nome de Sinbad eu até entendo, mas e os nossos?" perguntou Titus.

"o ruhk." respondeu simplesmente.

"o ruhk?" até mesmo Yunan estava fascinado.

"Judar eu sei seu nome por que ouvi da porta." respondeu secamente, levantando algumas risadas discretas e um barulho de descontentamento de Judar. Virou-se para os outros magis. "não é a primeira vez que vocês reencarnaram, suas alma ja tinham voltado ao palácio sagrado antes." se referiu a Titus e Yunan. "e você, Aladdin, eu sei quem você é porque eu também sou de Alma Toran."

"QUE?!"

"você é de Alma Toran Jafar-oniisan?" Aladdin perguntou fascinado.

Os outros não eram diferentes, uma estrela estava diante deles e ela era de Alma Toran...

"sou." Respondeu olhando o pequeno magi nos olhos, no entanto com um olhar terno que transbordava calor. "por que acham que esse amuleto tem o símbolo dos Djinns?"

"mas... Alma Toran existiu a mais de mil anos!" exclamou Alibaba. "você parece ter no máximo vinte e sete anos..."

"não é bem assim. Do jeito que fala é o tempo em que a última geração de Alma Toran existiu. Eu nasci muito antes. Antes mesmo que o rei Salomão." respirou e continuou. "eu era da 18ª geração de humanos de Alma Toran. Devido a uns acontecimentos na época eu estava havia morrido..." todos travaram, mas notaram como seu tom de voz escureceu. "mas assim que ia voltar ao fluxo do Ruhk, eu fui salvo por Ill Ilah antes que ele fosse corrompido pelo Ruhk negro."

"ILL ILAH?!" Mais uma vez todos ficaram sem fala.

"sim, na história de Aladdin vocês viram que ele era originalmente branco." respondeu.

"como-" Kougyoku começou.

"eu ja disse, estava sempre vigiando Sinbad, consequentemente eu vi a história." Jafar a cortou. "Eu fui salvo por ele da depravação, não sei como, mas depois ele me transformou em uma estrela, não tenho a mínima ideia do porque. Muitas gerações passaram, até chegar a geração do rei Salomão." continuou.

"foi o amuleto não foi?" Yunan o cortou por um momento.

"foi. Ugo tinha o encontrado e o estudava quando eu fui trazido pra terra." Jafar respondeu.

"conheceu Ugo-kun?!" Aladdin adiantou-se.

"conheci, conheci todos na verdade." sorriu. "quando eu caí na terra da primeira vez fui encontrado pela sua mãe, então eu me tornei parte do esquadrão dela. Foi aí que eu descobri que me chamavam de Alfa Branca, era uma época feliz." sorriu, antes de sua expressão escurecer novamente. "mas não durou muito..."

"o que aconteceu?" perguntou Pisti.

"Al Thamen aconteceu." respondeu frio.

"Al Thamen?" Hinahoho sussurrou.

"sim, foi bem na sua criação. Eles sabiam que eu era uma estrela, e aproveitaram a fragilidade interna do lugar pra me capturar." continuou, a essa altura todo o ambiente da sala estava tenso.

"por que eles te queriam?" perguntou Drakon.

"queriam o meu poder. Assim como querem a sabedoria de salomão de Aladdin." olhou para o pequeno Magi. "mas eles não sabem o que pode acontecer se esse poder for descontrolado... tanto o meu como o do Aladdin."

"Como eles tentaram pegar esse poder?" arriscou Judar.

"tomando o meu coração." foi direto. Todos na sala suspiraram.

"seu coração?" disse Yamuraiha.

"sim, o ponto fraco de todos é o coração, o meu não é diferente. Eles acreditam que o coração de uma estrela pode dar a vida eterna a alguém, ou um poder inimaginável." suspirou com os olhos fechados. "...quando Alma Toran ia ser destruída, o Rei Salomão conseguiu me resgatar das garras de Arba... então me mandou de volta para o céu pra me proteger, e escondeu o amuleto que tinha me trazido em algum lugar longe dos olhos da Al Thamen. Então tudo foi destruído..." suspirou, seu ânimo tinha se esgotado.

Todos tentavam processar a história que ouviram, era trágica...

"Quanto ao assunto de eu saber sobre quem são vocês, o de Aladdin é obvio, eu estava lá quando sua mãe disse que estava grávida. E quanto a Titus e Yunan, meu poder está diretamente ligado ao Palácio Sagrado, assim Ugo poderia ficar de olho e intervir caso algo acontecesse." Jafar terminou.

"isso é... incrível." Yunan estava admirado.

"desculpe perguntar, mas quantos anos você tem?" Sharrkan estava com essa dúvida desde que a estrela entrou na sala.

"atualmente eu tenho 2.781.394.087 anos." riu em seguida da cara de chocados de todos na sala.

"M-M-M-M-M-MA-MA-MAI-MAIS DE DOIS BILHÕES DE ANOS?!" Alibaba estava inconformado.

"e eu achando que a Sheherazade era velha..." murmurou Titus.

Jafar olhou a expressão de todos, era extremamente engraçado como todos tinham um perfeito "0" na boca. Não aguentou e começou a rir. E essas caras ficaram aí por um bom tempo.

Notas finais
BAYBAY
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.