Notas iniciais
Já postando o segundo capítulo porque não pude conter a ansiedade.

Elara

Dei uma última no espelho e suspirei.

— Algum problema? — perguntou Aaron, me fazendo pular de susto — Me desculpe, não era minha intenção te assustar.

— Senador, o que faz aqui? Pensei que estivesse ocupado demais com suas coisas de político. — caçoei, sabia que ele odiava.

— Não me chame de senador, Elara, nos conhecemos desde que éramos bebês. — ele riu, como se lembrasse de algo muito engraçado — Sabe, ontem mesmo eu tive uma vaga lembrança de você correndo pela casa apenas de fraldas.

Fiquei vermelha e ele percebeu, rindo mais alto ainda. De repente ele parou de rir e ficou olhando para o nada, perdendo-se em seus próprios pensamentos. Percebi como estava bonito hoje, com seus cabelos claros bagunçados, os olhos azuis brilhando.

— Ainda não me disse o motivo de estar aqui, Aaron. — disse, tirando-o de seu transe.

— Ah sim, mestre Satoro pediu que eu te acompanhasse até a base. Sendo o bom amigo que sou, cancelei todos os nadas que faria hoje para ir com você.

— Hum, ele acha que não posso receber a minha padawan sozinha.

— Você só aceitou essa missão para provar a ele que é forte o bastante, não é? — perguntou alisando minhas costas.

Balancei a cabeça e sorri. Foi a família de Aaron que cuidou de mim quando me abandonaram, recém nascida, em frente a porta do senado. Fomos criados juntos e éramos melhores amigos, mas seguímos caminhos diferentes quando descobriram que eu tinha a Força. Mestre Satoro passou a me levar em suas missões e de repente Alderaan não era mais minha casa. Agora, 11 anos depois, as coisas não pareciam mais as mesmas e eu me sentia nervosa perto dele.

— Vamos, madame? — estendeu o braço, me arrastando para fora de meus pensamentos. Peguei seu braço e fomos em direção a base.

— O que você sabe sobre a sua padawan?

— May Skywalker, 16 anos, era uma escrava em Jakku até seu mestre a libertar e começar seu treinamento. Na semana passada ele foi morto por alguém relacionado ao Império e então resolveram que seria melhor se terminasse seu treinamento comigo. Não me assusta que estejam tentando matar uma Skywalker.

— Uma Skywalker? Você, uma Kenobi, vai treinar uma Skywalker?!— Aaron não parecia acreditar nas minhas palavras — Quer dizer, duas gerações depois? Não era esperado uma reunião. Isso vai ser demais!

— Não Aaron, todos que já tiveram uma relação com algum Skywalker acabaram mortos. Principalmente meu bisavô.

Aaron me olhou com cautela, como se finalmente entendera a minha preocupação. Passou os braços por meus ombros, fazia isso quando estávamos em perigo.

— Você realmente acha que ela possa fazer isso? Se juntar ao Império? — perguntou com medo da minha resposta.

— Eu não sei, essa garota já passou por tanta coisa e sendo uma Skywalker... — balancei a cabeça, tentando afastar pensamentos ruins — Mas ela vai ser minha primeira companhia em 11 anos. Me sinto tão sozinha que não pensei duas vezes quando me ofereceram esta tarefa. E não venha me falar de Satoro, sabe que ele nunca foi uma figura paterna.

— Eu sou sua companhia. E seria muito mais se você deixasse, mas você tem medo de amar. Ou pior: você tem medo de ser amada.

O olhei com cara de choro. Odiava brigar com ele, principalmente sobre isso. Eu o amava, mas ele era um senador e eu uma Jedi. Os fatos mostravam que seria impossível um relacionamento desde que éramos crianças.

— Aaron, por favor... — comecei, mas fui interrompida pela a nave que pousava. Chegou a hora. A porta se abriu e de lá saiu o piloto Lexit. Só. Me lembro muito bem de sua tripulação.

— Lexit! O que houve?! — corri em sua direção, Aaron me seguindo — Onde estão os outros? Onde ela está?!

— Fomos atacados, Elara — ele abaixou a cabeça -, estão todos mortos. O Império os assassinou.

Olhei para Aaron, que apenas negou com a cabeça. Lexit se virou para a nave e deu um meio sorriso.

— May, tem alguém especial querendo te conhecer.

Uma garota adolescente saiu de lá. Era loira, com marcantes olhos verdes. Quando me viu levou um susto, como se já me conhecesse.

— Seja bem muito bem vinda May. Sou Elara Kenobi e vou ser sua mestra pelos próximos 4 anos. — puxei Aaron para o meu lado — Esse é o Senador Aaron Maven, você pode confiar nele.

Ela acenou com a cabeça, mas não tirava os olhos dos meus.

— Algum problema, May? — perguntou Lexit.

— Eu tenho a impressão de que já vi a senhora, mas seus olhos não eram negros... — disse vagamente.

Aaron me olhou desesperado. Estava pensando o mesmo que o eu. Não podia ser.

— Tenho certeza que foi só um sonho. Jedis tem sonhos muito poderosos. — Aaron disse, me salvando.

Então ela o viu. Olhei para ela uma e fiz uma promessa para mim mesma que não deixaria nada acontecer a esta menina.

— Vamos, May, vou lhe mostrar onde vai ficar e depois teremos uma conversa com O Conselho Jedi. — disse colocando a mão em seu ombro.

Seguímos em silêncio até a casa de Aaron. Eu estava morando lá desde que voltara do meu treinamento Jedi, já que seus pais haviam morrido e ele morava sozinho. A casa era enorme, parecia um palácio, e May estaria protegida aqui.

— E este é seu quarto — disse abrindo a porta -, espero que goste.

— Uau. Ele é perfeito. — ela disse encantada.

— Sei que não é o melhor quarto que você já teve mas...

— É o meu primeiro quarto.

A olhei, lembrando do que me disseram. Ela era uma escrava. Não tinha nem uma casa. Não tinha família.

— Agora ele é seu. E quero que se sinta em casa, pois essa também é sua casa.

— Obrigada, mestra. De verdade. — ela sorriu e me abraçou, me deixando surpresa. E então eu a abracei de volta. Tinha achado uma família.

— Vamos, os outros Jedis querem lhe conhecer. — falei me separando do abraço e ela me olhou assustada — Tudo bem, só vão lhe fazer algumas perguntas sobre como era o seu treinamento e o que aconteceu durante a viagem para cá.

Ela assentiu e me seguiu. Foi olhando maravilhada para tudo o que via no caminho.

— Como é Jakku? — perguntei, para quebrar o silêncio.

— Bem diferente de Alderaan — deu uma risada seca -, não tem cor nenhuma, é quente, cheia de lixo e os habitantes são piores ainda.

— Você nasceu lá?

— Sim. — disse quase tropeçando — Bom, eu acho. Posso lhe fazer uma pergunta agora?

— Claro. — respondi, com medo que ela perguntasse sobre ele.

— Você e o Senador Maven são casados?

— O que?! — quase engasguei — Claro que não! Somos só amigos, só isso.

— Hum, sei... — falou desconfiada — E você? Nasceu em Alderaan?

— Eu não sei. Meus pais me abandonaram 3 semanas depois do meu nascimento, em frente a porta do senado. Desde então, a família de Aaron me criou.

Ela me olhou com pena e assentiu. Adentramos o Templo Jedi e fomos em direção ao elevador. Fomos recebidos calorosamente pelos outros Jedis e paramos no centro da sala.

— May Skywalker, finalmente posso conhecer você. — disse Mestra Leia.

Notas finais
Momento WTF do dia. Sim, a Leia tem a Força. Ela apenas decidiu não treinar. JJ Abrams disse que veremos ela usar a Força no ep 8 e então eu disse: porque não transformar a Leia em uma Jedi? Beijos de Luz.