Star-Sick
1 Capítulo único - Star-Sick
Star-Sick
— Curso definido, chegamos em dois dias – Rocket avisou, sentado na cadeira do piloto, com Gamora na cadeira ao lado.
Drax andava lentamente pela cabine ninando o bebê árvore adormecido em seu ombro. Groot agora tinha o dobro do tamanho de quando lutaram com Ego. Mantis observava curiosa os comandos de Rock e Gamora para pilotar a nave. Eles a estavam ensinando a pilotar a Milano nas últimas semanas. Ela era uma boa aprendiz, concentrada e habilidosa, mesmo sem jamais ter pilotado antes. Ainda não o tinha feito, mas já tinha memorizado todos os comandos.
— Então podemos ir dormir um pouco? – Peter, sentado na terceira cadeira atrás de Rock e Gamora, perguntou num tom de voz mais fraco que o normal, fazendo todos o olharem preocupados.
O que se esperava é que ele levantasse, se espreguiçasse e saísse dançando alguma música em direção à cozinha da nave ou mesmo para o quarto, mesmo cansado.
— Podemos – Rock respondeu.
Peter soltou o cinto da cadeira e se levantou mais lentamente do que deveria, ainda sendo observado por todos, mas não parecendo notar isso, ou estava cansado demais para dar atenção a esse fato, além de estar nitidamente pálido. Ele caminhou em passos um tanto vacilantes em direção às escadas e mais tempo que o normal se passou para ele chegar lá em cima.
— Estamos em piloto automático – Rocket confirmou.
Gamora também soltou seu cinto e seguiu na mesma direção que o Senhor das Estrelas. O encontrou ainda entrando no quarto e entrou atrás dele antes que fechasse a porta. Peter não pareceu se importar, sentou-se na cama e observou Gamora fechar o quarto, enquanto tirava a jaqueta vermelha e a deixava de lado. Depois se abaixando lentamente para remover as botas e meias, o que pareceu lhe tomar um extremo esforço e causar dor.
— Peter...?
Um sorriso cansado, mas sincero, se formou nos lábios do terráqueo com o tom de voz tão doce e gentil que ela usou. A guerreira sentou ao lado dele e o observou. Virando a cabeça para vê-la, Peter enxergou a preocupação nos olhos castanhos, e uma mão foi levada a sua testa, em seguida passeando por seu rosto e pescoço.
— Está queimando!
— Terráqueos podem adoecer diante de mudanças bruscas de temperatura – ele falou baixo – Nosso organismo não gosta muito disso. Não costumo ser afetado, sou bem resistente.
— Eu sei – ela falou, sem repreendê-lo, apenas buscando uma resposta – No entanto você foi.
A última missão dos Guardiões tinha sido em um planeta anormal com clima completamente instável. Poderia estar quente em um segundo e ficar frio no próximo instante. Gamora o encarou brevemente e ergueu a camisa de Peter, olhando a marca do corte em cicatrização no abdômen, de uma de suas batalhas recentes.
— Você ainda não se recuperou totalmente. Seu corpo não está em sua força total.
— Ainda bem que minha garganta e meu nariz não foram afetados. Seria horrível dormir com o nariz obstruído.
Dizendo isso ele franziu o cenho, abaixando a cabeça e apertando os olhos.
— Peter... Sente alguma dor?
— Tudo dói.
— Vá tomar banho. Você precisa baixar essa febre.
Peter se mexeu, considerando se levantar para seguir o conselho dela, mas parecia incrivelmente cansado. Gamora o observou por mais alguns instantes e se abaixou, fazendo-o calçar os chinelos que usava durante a noite, que estavam sempre no chão no fim da cama, enquanto Peter tirava a camisa, gemendo ao se sentir dolorido e parando no meio do processo. Gamora ficou de pé e o observou, a camisa largada em volta de seu pescoço, o torso já exposto. Viu Peter estremecer com calafrios e afagou seu cabelo com uma das mãos, tentando oferecer algum consolo. Vê-lo daquele jeito doía. Peter lhe dissera uma vez que o amor dói, no momento ela não sabia exatamente porque. Fugira do amor por toda sua vida, mas pela dor que sentira ao ter o amor de seus pais arrancado dela, e por Thanos fazê-la acreditar que jamais o teria novamente. Puxou a camisa pela cabeça dele e a deixou junto da jaqueta e das meias em cima da mesa.
— Venha – a zehoberi falou baixinho, o puxando calmamente pelo braço.
Peter forçou seu corpo a levantar e segui-la. Esperou que Gamora o deixasse no banheiro e saísse, mas ela ligou o chuveiro numa temperatura morna, quase fria, e com cuidado o empurrou para debaixo da água, unindo suas mãos para mantê-lo mais estável enquanto estava de pé. O Senhor das Estrelas estremeceu quando a água se chocou com sua pele e os polegares de Gamora acariciaram suas mãos.
— Você não precisa ficar. Vai se molhar assim.
— Não tem importância – ela respondeu, mantendo seu tom ameno.
— Você pode matar num piscar de olhos e com as duas mãos atadas nas costas, mas tem um coração de ouro, sabia? Eu adoro isso.
Os olhos castanhos lacrimejaram e Gamora sorriu. Perdera há tempos a conta dos anos em que alguém a elogiara de forma tão doce. Pessoas que ela preferia não recordar. Peter sorriu de volta. A assassina se afastou dele por alguns minutos e voltou do quarto descalça e com uma roupa mais simples e leve, apenas uma camiseta e um short, ainda trazendo roupas limpas para os dois, entrando no chuveiro e puxando Peter para um abraço. Com a saúde em bom estado ele lançaria alguma provocação, Gamora poderia entrar em seu jogo ou matá-lo, mas agora ele só queria aceitar o conforto que ela estava oferecendo. A cabeça dele repousou no ombro dela quando ele escondeu o rosto em seu pescoço, e os braços envolveram suas costas. Gamora ficou satisfeita com o suspiro de contentamento do namorado, e enquanto um braço também o envolvia, a outra mão acariciava os cabelos ruivos. Em resposta Peter também afagava seu cabelo longo. Os minutos se passaram assim e agora Peter parecia estar dormindo abraçado a ela.
— Peter...? – Chamou baixinho.
Ele murmurou algo alguns segundos depois indicando que estava acordado, mas sonolento.
— Não pode dormir ainda, agora que estamos aqui completamente encharcados e ainda vestidos, precisamos tomar banho antes de dormir.
— Me sinto exausto.
— Eu sei... Fale-me mais sobre isso. Já estive doente assim uma vez... Quando ainda estava com meus pais. Deixe-me saber se há uma grande diferença disso entre terráqueos e outras espécies.
— Dor, febre, cansaço, às vezes garganta inflamada e nariz congestionado, muito sono... Alguns remédios, boa alimentação e descanso, e vou ficar bem.
— Podemos providenciar isso. Os medicamentos que temos na Milano, algum deles pode ser útil?
— Sim.
Quando ambos já estavam prontos para dormir, Gamora o deixou no quarto, seguindo até o local onde guardavam medicamentos na cozinha. O som do datapad em cima da mesa chamou sua atenção. Era o datapad de Peter. Ele nem devia ter percebido que o deixara ali. Gamora checou. Uma ligação de Yondu. Por um instante cogitou não atender, mas o saqueador insistiria depois, e Peter precisava descansar, ligações insistentes não estavam nos planos. Tocou a tela para estabelecer o contato e o rosto de Yondu apareceu.
— Cadê o garoto?
— Se você quer a ajuda dele pra algum trabalho, receio que seja impossível no momento.
— Achei que todos tivessem saído inteiros daquele planeta – Yondu respondeu com surpresa.
— E saímos, mas o corpo dele não reagiu bem àquelas mudanças bruscas de temperatura. Me disse que terráqueos são mais suscetíveis a isso.
Os olhos vermelhos do homem azul ficaram distantes por um momento, como se lembrasse de algo, e apesar dele ter tentado esconder, Gamora pode ver sua preocupação com o filho adotivo.
— Ele tem febre? E muito sono?
— Sim. Dor também.
— Ele consegue respirar direito?
— Sim, embora tenha me dito que talvez não pudesse.
— Eu já cuidei dele assim uma vez quando era criança. Terráqueos tem um organismo ridiculamente fraco pra essas coisas, especialmente se estiverem debilitados por alguma outra. Mesmo pra um metade celestial.
— Isso pode matá-lo?
— Não... – o homem fez um gesto com a mão negando – Só se ele já estivesse muito acabado por alguma razão. É algo simples e passageiro. Chá e remédio pra dor e febre vão curá-lo em pouco tempo. Meu assunto pode esperar. Cuide bem do garoto – Yondu falou antes de desligar.
Gamora sorriu. Apesar de todos os transtornos que viveram com Yondu no passado, ele realmente era o papai de Peter. Ela tinha encontrado o remédio que Peter já lhe ensinara que usava para dor e febre, mas, antes que pudesse pensar em mais, a porta abriu e Rocket entrou atrás de um sonolento Groot.
— Ele acordou quando ouviu que Peter está doente. Mesmo desse tamanho ele ainda tem seu conhecimento avançado sobre ervas. Quer ajudar – Rock falou.
Gamora pegou Groot no colo e trocou um sorriso com o bebê, levando-o até o armário onde guardavam ervas. O pequeno apontou algumas dizendo sempre “Eu sou Groot”. Os guardiões agora entendiam quase tudo que Groot falava.
— Acho que ele quis dizer pra fazer chá com isso.
— Você acertou – Rock falou empolgado.
Nesse momento Drax entrou na cozinha.
— Nós podemos fazer isso. Vá ficar com ele e lhe dar logo essa medicina humana de cura pra dor e febre. Mantis está tentando diminuir a dor de cabeça dele.
Gamora beijou a cabeça do bebê árvore e o entregou a Rock, que começou a niná-lo para que dormisse de novo, enquanto Drax preparava chá. Levou o comprimido e água para Peter, encontrando Mantis de pé ao lado dele com uma mão em sua cabeça. Peter estava sentado na cama, novamente parecendo dormir.
— Ele sente dor, e fraqueza – ela disse a Gamora ao perceber sua chegada – A cabeça está pesada e ele se sente exausto. A febre está diminuindo e consegui reduzir a dor, mas ainda recomendo medicá-lo.
— Obrigada, Mantis – Gamora sorriu para a nova guardiã, que sorriu de volta timidamente.
— Obrigado... Mantis... – Peter murmurou quase inaudivelmente.
— Você deve dormir logo – a alienígena com antenas disse a ele – Boa noite – ela falou para os dois antes de sair.
Gamora o fez engolir o medicamento e deixou o copo em cima da mesa.
— Drax está fazendo chá. Parece que mesmo no tamanho que está Groot ainda se lembra de como usar ervas. Rock o está fazendo dormir de novo, ele acordou quando ouviu que você está doente.
Peter sorriu e finalmente abriu os olhos. Gamora o fez se deitar, e pegando o kit de primeiros-socorros numa gaveta, ergueu mais uma vez a camisa dele, tratando o ferimento em seu abdômen. O toque gentil de suas mãos quase fez Peter esquecer que aquilo ainda estava doendo ao ser tocado. Ele quase gritou quando a zehoberi aplicou um medicamento, ardia muito. Mas a sensação logo passou e ela cobriu o local com um curativo. Novamente de olhos fechados, Peter sentiu um beijo suave e demorado em sua têmpora. Algum tempo se passou enquanto ele ouvia Gamora guardando o kit e se movimentando pelo quarto. Depois o lençol foi puxado sobre ele e uma manta quentinha foi colocada em cima. A porta do quarto se abriu, e Peter abriu os olhos outra vez.
— Achamos que ele não devia dormir de estômago vazio – Drax falou – Como se sente, amigo? – Ele perguntou a Peter.
— Atropelado por uma nave.
— Mas você não foi atropelado por nenhuma nave, podia ter morrido!
— Ele quis dizer que se sente fraco e dolorido – Rocket, carregando um Groot adormecido, respondeu.
— Ah... Tudo bem.
O destruidor deixou uma caneca com chá quente e um prato com algumas torradas em cima do criado mudo.
— Espero que melhore logo.
— E eu que você cozinhe bem – Peter brincou, e ele e Drax compartilharam uma risada.
— É claro que cozinho bem. Um dia houve pessoas pra quem eu cozinhava de vez em quando – falou misturando orgulho e tristeza em sua voz.
— Groot gostou dessas torradas. Se uma criança aprova, você pode comer com segurança – Rock falou.
— Minha Kamaria adorava. Hovat também.
Peter sorriu outra vez em resposta, não se sentia bem para falar muito.
— Boa noite – Drax disse aos dois – Melhore logo, Peter – falou antes de sair.
— Não vai morrer durante a noite. Não quero Groot chorando por sua culpa – Rock disse, também indo embora.
Gamora riu com a tentativa do guaxinim de mascarar sua preocupação com Peter. O ajudou a sentar-se e se alimentar. Peter inspirou fundo, aliviado por finalmente poder dormir após a tarefa de se deslocar até o banheiro para escovar os dentes parecer muito mais exaustiva do que devia.
— Fica... – ele sussurrou quase pegando no sono quando Gamora apagou a luz.
— Durmo com você há semanas, essa doença está afetando sua cabeça.
— Cansado demais pra pensar... Desculpe.
Ficou tranquilo quando os dedos da zehoberi acariciaram sua bochecha e ela o beijou carinhosamente nos lábios.
— Tudo bem – Gamora sussurrou – Você vai ficar bem.
A guerreira verde sentou-se ao lado de Peter, suavemente massageando o peito do terráqueo, que pouco a pouco começou a relaxar.
— Você quer que eu ative sua máscara? Pra que respire melhor enquanto essa febre passa.
Peter abriu os olhos, parecendo pensar, e assentiu.
— Como nunca pensei nisso antes? – Se perguntou quando Gamora apertou o botão atrás de sua orelha direita, e a máscara se materializou em seu rosto.
O Senhor das Estrelas inspirou profundamente, mas logo seu peito passou a subir e descer num ritmo regular.
— Tudo bem... – ele falou ao ver o olhar apreensivo de Gamora.
Com as poucas forças que tinha, Peter a puxou até que ela se deitasse de costas para ele debaixo do cobertor, e se virou para o lado dela para abraçá-la por trás. Gamora deixou espaçar um sorriso e um suspiro de satisfação. Aquela posição era confortável.
— Peter... Tem certeza que consegue dormir? Quer que eu chame Mantis pra bloquear alguma dor?
— Não... Isso vai passar logo. Só quero dormir aqui com você. Girl, you just don’t realize... What you do to me…— ele cantou baixinho.
A zehoberi emitiu um risinho, e inspirou fundo. Palavras não poderiam dizer o quanto ela se sentiu amada nesse momento.
— É muito esquisito dormir com você usando máscara, ainda que eu não esteja vendo seu rosto.
Peter riu como ela.
— Podia tirar uma foto. E se gabar eternamente que é o único e verdadeiro amor do Senhor das Estrelas.
Dessa vez ela riu com mais vontade. Mesmo doente Peter não conseguia parar com suas piadas.
— Como eu provaria que é você se está de máscara?
— Não existe nada como essa máscara, exceto essa máscara.
— E estou certa que não existe nada como você, exceto você – ela respondeu com um sorriso divertido.
— Espera aí... O que quis dizer com isso?
Gamora riu outra vez e acariciou as mãos que a seguravam protetoramente.
— Amo você, Senhor das estrelas – falou suavemente.
Ouviu o som característico da máscara sendo desfeita e um movimento demorado, ainda indicando o quanto Peter se sentia fraco. Ele pressionou um beijo em sua bochecha, e outro em seus lábios quando ela o olhou. Se encararam profundamente por alguns instantes, sem desfazer os sorrisos.
— Também amo você – ele sussurrou, beijando sua testa antes de recolocar a máscara e voltar à posição de antes – Mas preciso realmente dormir agora... – falou sonolento.
Gamora se virou em seus braços, ficando de frente para ele, e passou a acariciar seus cabelos no topo da cabeça até ter certeza de que ele já dormia.
— Durma bem, Peter.
Se encolheu mais perto dele, também fechando os olhos.
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Quando Gamora acordou se deparou ainda com a máscara de Peter diante dela. O observou. Parecia respirar bem e sua pele não demonstrava mais sinais de febre, embora ele continuasse levemente mais quente do que ela achava que deveria, e estivesse suando.
— Quente demais... – ele a surpreendeu quando falou baixinho através da máscara.
— Você está suando. Me diga que isso não é um sintoma ruim.
Peter apertou o botão para desfazer a máscara e a olhou. Seus olhos ainda pareciam cansados, porém mais enérgicos que no dia anterior.
— Febre passando. É um bom sintoma, mas muito incômodo.
— O chuveiro poderia ajudar?
— Agora não, ainda parece que minhas forças foram drenadas... Quando minha temperatura se estabilizar vou me sentir melhor.
— Ao menos vamos livrar você de algumas camadas de tecido – Gamora falou, sentando-se e empurrando as cobertas de cima deles.
Peter sentou-se, tirou a camisa e a deixou na cabeceira da cama, voltando a deitar-se, perturbado pelo calor incômodo. A mulher verde levantou-se, acendendo a luz e indo até o banheiro, voltando com uma toalha molhada, e passando-a suavemente no rosto, no pescoço e no peito do terráqueo.
— Bem melhor assim... – Peter murmurou de olhos fechados, parecendo exausto.
Meia hora se passou até ele se sentir melhor e a temperatura de seu corpo voltar ao normal. Conseguiu sentar e aproveitou enquanto tinha energia para tomar banho. Logo estava deitado outra vez, mas agora no colo de Gamora, e quando os dedos delicados se enredaram em seu cabelo, ele estava no céu.
— Se você não melhorar, vamos a um hospital no próximo planeta.
— Eu vou se precisar... Mas a partir de agora só preciso dormir e recuperar a força. Eu ainda me lembro. Mamãe dizia que depois de se livrar da febre você sempre estava a poucos passos da recuperação.
Gamora sorriu. Os olhos azuis estavam fechados, mas Peter também sorria. Ela se sentia aliviada por vê-lo falar na mãe com felicidade e não com a dor que sempre parecia acompanhá-lo.
— Peter, já esteve assim outras vezes quando estava sozinho?
— Umas duas vezes talvez... Yondu sempre mantinha sua pose de superior desinteressado, mas na verdade sempre se importava. Ele cuidou de mim quando eu era criança e ele me ajudou quando estive assim antes.
— Ele é seu pai, é claro que se importa com você – ela falou sorrindo – Por falar nisso... Ele ligou ontem à noite.
— O que ele queria?
— Não disse. Quando soube que você não estava bem ficou preocupado, nos instruiu como cuidar de você e disse que o assunto que queria discutir podia esperar.
Peter sorriu.
— Tente dormir um pouco mais.
Gamora se esticou para pegar o walkman no criado-mudo e colocou os fones nos ouvidos de Peter. Ela mexeu nos botões por algum tempo e quando parou, as notas de Bring it on home to me começaram. Peter procurou pela mão dela e no mesmo instante viu os dedos verdes se entrelaçarem com os seus. Ele teria fechado os olhos, mas o som da maçaneta da porta sendo aberta chamou a atenção de ambos. Esperavam Rock comentando sobre Peter não ter morrido durante a madrugada, ou Drax perguntando como ele estava se sentindo, ou Mantis querendo saber como poderia ajudá-lo a se sentir melhor, mas quem entrou foi Groot. O pequeno recolheu as videiras que tinha alongado para abrir a porta, após fechá-la, e caminhou na direção da cama, subindo e sentando-se ao lado de Peter.
— Eu sou Groot?
— Sim, estou melhor, Groot – sorriu – Em breve de volta.
O bebê sorriu e estendeu uma mão na direção dos fones. Peter os retirou dos ouvidos, colocando-os em cima de si mesmo, e Gamora aumentou o volume, assim os três podiam ouvir. O olhar de Groot iluminou-se de alegria e o bebê deitou-se ao lado de Peter, que o envolveu com a mão livre.
— Meus pais sempre me disseram pra valorizar e guardar as coisas realmente importantes antes de perdê-las – Gamora contou – Agora entendo o queriam dizer.
Ela olhou para Peter, retribuindo o sorriso que ele já tinha para ela.
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