Stand up, be strong
3 Capítulo 3 - Into the Storm
Notas iniciais
Acordar hoje foi mais difícil do que o normal. Eu dormi bem, mas assim que acordei, lembrei que quando chegasse na escola, seria obrigada a olhar para aquele novato insuportável. Isso só me deu mais vontade de dormir pra sempre.
– Bom, eu não posso deixar que ele mude minha vida e meu humor desse jeito. Estou sendo muito exagerada, é só ignorá-lo. – eu falei em voz alta para convencer a mim mesma de que era o certo a fazer.
Desci e todos já estavam comendo. Parece que demorei mais do que o normal pra ficar pronta.
– Bom dia. – eu disse enquanto me sentava.
– Rukia, fiquei sabendo que um menino te tratou mal na escola. Quem esse tal e Ichigo pensa que é pra agir dessa maneira com uma menina? – por um segundo Byakuya não estava tão calmo como sempre, pois seu lado protetor estava falando mais alto.
– Não se preocupe, já resolvi o problema.
– Ainda bem.
Cheguei um pouco atrasada no colégio, então mal tive tempo de conversar e a professora chegou. Droga! Teria que esperar mais para saber o que aconteceu com a Inoue e o Ishida.
Durante a aula, virei para trás para procurar minha calculadora na mochila, e infelizmente passei os olhos no lugar do Ichigo. Ele estava me encarando. Fingi não ter percebido sua presença, achei a calculadora e me virei. A próxima aula era de inglês. E como o sargento que a professora era, ela chegou assim que tocou o sinal do início da pausa de 5 minutos que temos entre as aulas pra nos prepararmos.
– Apressem-se! Hoje tenho coisas muito importantes para dizer, nada de perder tempo conversando durante esses 5 minutos!
Assim que todos sentaram, ela começou a falar:
– Vocês farão um trabalho em dupla. Será um seminário de 10 minutos, totalmente em inglês, obviamente. Deverão falar sobre alguma cidade. NADA de ler quando apresentarem, então se preparem. Não direi pra quando será, pode ser qualquer dia a partir de semana que vem, então façam imediatamente! E não quero ouvir reclamações, decidi fazer no início do trimestre porque sei que tem menos provas e trabalhos nessa época. Eu escolherei as duplas por sorteio dos números de chamada e escreverei na lousa. Não ousem mudar de dupla, pois anotarei na minha agenda cada uma que eu sortear. Fiquem em silêncio enquanto isso. – e ela começou a escrever na lousa.
Eu estava distraída conversando baixinho com Inoue, que senta perto de mim, quando ela terminou e vi que eu estava com o número 28.
– Quem é o numero 28? – ninguém respondeu.
– Como ninguém sabe? Vou checar aqui na lista. Hm... Ah, sim! É o Andrew.
Ufa! Não o conheço muito bem, mas ele parece muito legal.
– Professora, eu não sou o numero 28, sou o 27.
– Ah, não é possível! Vou verificar. Parece que eu olhei errado. O número 28 é o Ichigo Kurosaki. Ele não está aqui? Rukia, por favor, explique para ele sobre o trabalho. Alguém sabe por que ele faltou? – ninguém respondeu, porque obviamente ele não tinha faltado, e mesmo se tivesse, ninguém saberia. Ele devia estar matando aula. Merda! Não acredito que terei de falar com ele! Trabalho idiota! Professora maldita!
O sinal pro intervalo tocou.
– Ruki, você vai fazer o que? Pretende fazer o trabalho sozinha e não falar com ele? – Ino estava quase tão aflita quanto eu.
– Claro que não, ele vai ter que fazer a parte dele gostando ou não. Temos 30 minutos de intervalo, eu procuro ele depois, não pretendo passar todo esse tempo correndo atrás dele. Me conte sobre a conversa com o Ishida... Ele te disse porque tava estranho?
– Ah... Você não vai acreditar, mas... Ele se declarou pra mim ontem. Quer dizer, não foi bem uma declaração. Ele na verdade, disse que eu era especial pra ele e que não gostou de ver um menino falando comigo com esperança de ser correspondido. Ele disse que não queria que o menino fosse correspondido. Depois ele ficou calado e sem graça por uns minutos. Ai disse pra eu pensar sobre isso e falar com ele, mas pra não deixar afetar a amizade. Então ele foi embora. – ela parecia muito angustiada.
– E o que você achou disso tudo? – eu estava morrendo de curiosidade.
– Bom... Não consigo me decidir. Eu acho que talvez eu goste dele da mesma forma, mas tenho medo de estar apenas confundindo amizade com algo mais. Não quero magoá-lo, mas não consigo entender o que eu sinto.
– Diga isso para ele. Diga que precisa de mais uns dias para pensar.
– É, acho que eu farei isso. Vá falar com o Kurosaki e resolver logo esse problema. É melhor do que ficar deixando pra depois. Vou explicar agora para o Ishida o que acabei de te dizer. Eu te aviso quando fizer minha decisão.
– Ok... Vou lá. –eu disse, desanimada.
Procurei primeiro na sala de aula. Ele não estava lá. Passei na biblioteca, informática e ginásio, mas ele não estava lá também. Quando eu estava desistindo e voltando para o pátio, ouvi uma música. Fiquei curiosa e fui procurar quem estava tocando o violão. Eu reconheci a música, era “You belong to Me” do Jason Wade. Ela vinha da sala de música. Fui até lá, e para a minha surpresa, era o Ichigo tocando. Ele tinha um leve sorriso no rosto, as feições do rosto estavam relaxadas e ele estava de olhos fechados enquanto tocava, provando mais ainda que tinha talento. Sem perceber, fiquei parada admirando aquele Ichigo Kurosaki tão diferente do que eu conheci, até que ele terminou de tocar, abriu os olhos e percebeu minha presença.
– O que você tá fazendo aqui?
– Ah, er... Eu tava te procurando, mas não quis interromper a música, então esperei.
– É, agora me achou. O que você quer?
– Olha, não pense que eu estou gostando disso, tá bom? Eu estou vindo por obrigação falar com você. Ou você acha que vim porque gosto de levar patada?
– Tá, então para de enrolar e fala logo o que ta acontecendo que vai aguentar patada por menos tempo. – falou de modo tão frio que eu fiquei parada por um minuto, tentando acreditar que era possível alguém ser grosso dessa maneira.
– Ta acontecendo o caos, apenas isso. A professora de inglês passou um seminário de 10 minutos pra semana que vem, e sorteou as duplas! E adivinha com quem a sortuda da Rukia caiu? Ah, sim! Com o garoto que odeia tudo que respira. E não quero saber se você me odeia ou não, você vai fazer sua parte no trabalho, ou não te deixarei em paz em nenhum segundo da sua vida. Nenhum de nós deseja isso, né?
– Tá, tanto faz. – felizmente, foi mais fácil convencê-lo do que eu esperava.
– Então já que você só tem a capacidade de formar frases de no máximo 3 palavras, eu decido as coisas. O assunto são cidades, quero falar sobre a cidade que você vivia, pra você ter alguma coisa pra fazer, já que duvido que procurará algo na internet se for outra cidade. Qual era? E é o seguinte, amanhã vamos começar. Como faremos? Prefere ficar a tarde aqui no colégio ou vir na minha casa?
– Eu vivia em Tóquio. – ele disse com raiva. – Tanto faz, terei que pegar um ônibus para voltar pra casa do meu tio de qualquer jeito.
– Casa do seu tio?
– Eu moro lá agora.
– Ah, entendi... Apesar de eu não querer levar um desconhecido pra casa, precisaremos de um computador, e os da escola ficam sem internet de tarde.
– Tudo bem, não precisa me levar na sua casa, a gente vai pra do meu tio.
– E por quê você acha que eu ficaria sozinha com você na casa do seu tio?
– Eu não sou um estuprador, e se fosse, não escolheria você, pode ter certeza – tentei não me ofender com o que ele disse, mas foi bem difícil;
– Tudo bem, será na sua casa, porque definitivamente, não quero levar um desconhecido na minha. – depois de ter reclamado tanto dele, eu nunca iria levá-lo em casa para meus pais e o Bya poderem me irritar. Nunca! Mas eu não diria isso à ele. Sem falar que se ele quisesse fazer algo, teria insistido mais para eu ir.
– Aquela não é a minha casa. – ele disse com tanta raiva que pensei que fosse socar a parede.
– D-Desculpa... to indo pra sala, porque eu não sou de matar aula.
– Não sabe o que tá perdendo. Mas vou com você, só na aula de inglês não dá para dormir, então não preciso matar as outras.
Caminhamos até a sala. E foi o momento mais desconfortável pelo qual eu já passei. Nenhum dos dois falou nada em nenhum momento. Ele me ignorou completamente. Para a minha alegria, o momento foi bem curto.
– Olha lá a nerd com o traficante de novo! Devem ter cheirando algo escondido! – Yuki sendo vadia como sempre. Ah, me desculpe pelo palavreado, mas ela me tira do sério!
Ichigo apenas revirou os olhos e sentou no seu lugar, mas eu não consegui ficar em silêncio:
– Queridinha, acho que seu silicone estourou. Liga pro papai marcar uma consulta que tá meio torto ai, viu? – e então eu me sentei, enquanto alguns da sala caíam na gargalhada pelo que falei, e ignorei tudo o que ela disse depois.
As aulas foram passando, e já era a hora de ir embora.
– RUUUUUKIAA!!! – Inoue pulou em mim. – Ufa, achei que você já tinha saído do colégio, mas te alcancei! Ainda bem! Tenho algo para lhe contar. – seus olhos brilhavam e ela parecia muito nervosa.
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