Stand up, be strong

17 Capítulo 17 - Peace


Notas iniciais
Olá! Desculpem-me pela demora! Eu fiquei um pouco desanimada por estar sentindo falta do review de vários leitores, mas a criatividade enfim surgiu.
Eu caprichei nesse capítulo, viu?! Fortes emoções estão por vir, hihi.
Capítulo dedicado à: Doce Amarga, LauchanS2, Miko, Fe Neac, Reira, marifanfiction.
UM SUUUUPER OBRIGADA para a Miko, pela 4ª indicação da "Stand up, be strong"! Me perdoe por não ter agradecido antes, viu?
Poooor favooor, deixem reviews e INDICAÇÕES para que eu sinta-me mais feliz e faça mais capítulos!
Ei, tenho uma novidade: nessa quarta-feira, dia 29/08 é meu aniversário!!! Quero muuuuitos reviews e indicações de presentes! E leitores novos também, viu? hihi *-*
Enfim, boa leitura.

“Ótimo, sexta-feira. E bem diferente do que acontece normalmente, não tenho com quem passar o tempo durante o fim de semana. A Inoue está brava comigo e não sei se devo confiar no Ichigo. Depois de Renji ter roubado um beijo não acho sensato ficar sozinha com ele. Ishida deve apoiar Inoue, afinal são namorados, e Sado não é de conversar muito. Vou ter muito tempo para desfrutar da solidão. Que animador. Mas eu estou com a mente mais clara agora. Decidi que serei mais séria de hoje em diante, para evitar problemas como o que eu estou enfrentando. A partir de hoje serei uma nova pessoa.” Eu mal acordei e todos os problemas voltaram como uma explosão em minha mente. Minha vontade era de me esconder em baixo das cobertas e nunca mais sair de lá. Fingir que eu nunca existi e assistir o mundo seguindo em frente sem mim. Quem sabe eu não poderia começar uma vida nova em alguma outra cidade? Infelizmente eu tive que me levantar e me vestir, não podia deixar meus estudos de lado, afinal empregos em Londres são concorridos e não terminar o ensino médio apenas dificultaria que eu tivesse um futuro promissor. Coloquei o uniforme. Não adicionei adereços ou maquiagem. Borrifei um perfume qualquer, tomei o café da manhã e escovei os dentes. Tentei parecer normal para que minha mãe não se preocupasse, mas ela mesmo assim captou meu desânimo. Por sorte, ela não fez comentários ou perguntas.

Fui para a escola arrastando os pés para que o sofrimento demorasse mais para chegar, mas logo eu já conseguia vê-la no fim da rua. Entrei na sala e o único a me falar bom dia foi o Renji. Inoue me ignorou, assim como meus outros amigos. Ichigo ainda não havia chego. Fiquei conversando com o Ren, e aos poucos o clima tenso entre nós diminuiu. Logo Ichigo chegou e me cumprimentou com um abraço, me deixando estática e fazendo com que o ruivo fechasse a cara. O “Laranja“ ignorou esses detalhes e foi logo contando-me sobre o dia anterior.

– Rukia, eu fiz de tudo para descobrir quem era a dona daquele celular, mas a funcionária da loja se recusou a fornecer o nome! Sinto muito! Mas eu ainda conseguirei resolver essa história, confie em mim! – ele falou energicamente. Dei um casto sorriso, sem me dar o trabalho de esconder o desalento.

– Obrigada, Ichigo. – Eu sussurrei. Ele estava sendo de grande importância para o meu bem estar, apesar de ser o motivo de toda a confusão. Os dois ruivos da sala eram a única coisa, fora a minha família, que me mantinha viva e com forças para continuar. Eu sentia falta de Inoue, mas eu queria descobrir quem era a responsável antes de resolver as coisas. Eu sabia que era errado desconfiar da minha amiga e já me arrependia disso, mas estava muito confusa.

Enfim a professora chegou e o resto do dia passou sem novidades. Quando eu estava indo para casa, Ichigo apareceu.

– Posso te acompanhar até sua casa? – ele sorriu.

– Não acho que é uma boa ideia. – respondi secamente.

– Por favor. Prometo que não passarei da porta. É apenas para garantir que você fique segura.

– Eu sei me cuidar muito bem sozinha, afinal até hoje nunca fui sequestrada. – falei de maneira incisiva e irônica.

– Bom, aceitando ou não eu irei te seguir até que você esteja na segurança de seu lar. – ele decretou com um tom autoritário.

– Ai, como você é chato, parece um velho! – eu revirei os olhos e saí apressadamente, batendo os pés e bufando. Ele apenas riu da minha reação e me acompanhou.

– Sabe, eu queria que tudo tivesse sido diferente quando você foi na casa do meu tio. Pena que fui tão idiota e me exaltei por um motivo tão estúpido.

– É, foi um pouco assustador.

– Que tal irmos lá agora e conversarmos? Juro que será apenas isso.

– Você está achando que eu sou burra? Eu não voltei a confiar em você. – o fato de ele ter sequer considerado que eu aceitaria um pedido absurdo como aquele foi o suficiente para que eu novamente ficasse de mau humor.

– M-Me desculpe. É que... Eu sinto a sua falta. Sinto falta de poder conversar com você descontraidamente. Recentemente todos os assuntos têm sido tão tensos e sérios... – ele abaixou a cabeça e encarou os pés enquanto andava.

Ignorei-o e continuei marchando até a minha casa. Repentinamente um carro preto surgiu e de dentro dele saiu um homem muito alto. Seus cabelos eram arrepiados e seu sorriso era cruel. Ele tinha uma cicatriz que iniciava-se em sua testa e findava em seu queixo, porém essa não era a parte mais assustadora. Seus olhos eram carregados de violência. Atrevo-me a dizer que lembravam olhos de um psicopata. Eu mantive pouco contato visual, mas já foi o suficiente para causar-me arrepios. Acelerei o passo, pois a presença daquele individuo me enervava, e percebi que Ichigo parecia tão aflito quanto eu. Mas eu não estava preparada para o que aconteceu em seguida. De repente Ichigo pegou minha mão e iniciou uma corrida desenfreada, implorando que eu acompanhasse-o. O homem correu atrás de nós. Eu tentava não tropeçar, pois o ruivo era muito mais rápido que eu, afinal suas pernas eram mais longas.

– Ichigo?! O que está acontecendo? – eu gritei enquanto tentava não perder o fôlego.

– Ele foi um dos homens que me sequestrou!

Assim que eu ouvi a resposta arranjei energia para correr mais rápido, mas, por infortúnio do destino (ou quem sabe seria sorte?), tropecei, dando tempo suficiente para o homem se aproximar. Ichigo colocou-se a minha frente de maneira defensiva.

– Não ouse tocar nela! – ele vociferou.

– Quem disse que eu quero algo dela? – ele riu debochadamente e o som estridente fez com que eu me encolhesse.

– O que quis dizer com isso? Deixe-nos em paz! – Ichigo avançou com o punho em direção do desconhecido, que desviou facilmente. Ao ver essa cena levantei-me com um salto, quase tão gracioso quanto o de um felino, e iniciei uma busca frenética por algo que eu pudesse usar para defender-nos.

– Eu adoro uma briga, mas não é para isso que estou aqui hoje! – ao falar, ele mal escondeu o quanto se divertia com a situação. – Eu estou aqui para vingar-me de alguém. E como você é uma pessoa de influência, você irá ajudar-me.

– Eu nunca farei algo que você me pedir.

– Ah, mas é um assunto do seu interesse. – ele disse debochadamente. – Envolve certa mulher que te manteve em cativeiro...

Ichigo ficou estático e seus olhos arregalaram-se.

– Está vendo essa cicatriz em meu rosto? Ela não estava aqui quando te sequestramos, não é? Essa vadia vai pagar pelo que me fez!

Nenhum de nós respondeu, pois estávamos confusos demais. Ele continuou:

– Logo após você ser libertado e ela ter terminado de “divertir-se” conosco, ela recusou-se a pagar pelo serviço que prestamos. Quando a ameaçamos ela jogou louças e outros objetos ao seu alcance em nós. Um porta-retratos me acertou e os vários pedaços de vidro quebrado deixaram essa marca em meu rosto! Por pouco eu não fiquei cego! Em seguida apareceram outros seguranças de algum lugar e nos expulsaram de lá. Essa maldita está me devendo muita grana e eu vou dar o troco!

– E o que você pretende que eu faça? – Ichigo perguntou nitidamente atordoado.

– A denuncie por sequestro. Eu sei como arranjar provas! E por estupro também! Afinal ela te forçou a fazer coisas, não? E como se não fosse o suficiente, ela tirou fotos porque pretendia usá-las contra você mais tarde. Antes de ser expulso pelos seguranças eu consegui roubar o pendrive em que ela havia guardado tudo.

“Que? Estupro?” Não pude evitar que a raiva tomasse conta de mim aos poucos. Tentei controlar o ciúme que queria se apoderar de mim, mas fracassei. Ichigo fitou-me preocupado. Desviei o olhar e questionei, cabisbaixa:

– E-Estupro? – assustei-me ao constatar o quão trêmula minha voz saíra.

– Conversamos melhor sobre isso depois, prometo. – pude perceber o receio em sua voz ao responder-me.

– Nada disso! Quero saber agora!

– Parem os dois com essa conversa de casal antes que eu me irrite e acabe com vocês! – o homem estranho interrompeu-nos, fazendo-me calar.

– Eu posso ajudar se você me disser qual o nome dessa desgraçada! Eu vou adorar coloca-la atrás das grades depois de todos os problemas que ela me causou!

– Ela se chama Yuki. Yuki Hana.

Ficamos aturdidos.

– A Yuki... A Yuki fez isso? – Ichigo balbuciou. – Todo esse tempo fingindo que não sabia de nada! Eu não acredito nisso!!! – ele gritou.

– ELA COLOCOU A CULPA NA INOUE! – a fúria tomou conta de mim e meu corpo inteiro tremia. Fechei os punhos e cerrei os dentes, tentando me acalmar.

– Como você se chama? – Ichigo perguntou ao estranho à nossa frente, porém lançou-me alguns olhares preocupados e descansou uma de suas mãos em meu ombro, tentando tranquilizar-me.

– Zaraki Kenpachi.

– Pois será um prazer ajuda-lo.

Zaraki entregou-nos o pendrive e, após deixar seu numero de celular, foi embora. Fiquei alguns momentos olhando para o nada e culpando-me por ter agido de maneira tão lastimável com Inoue. Ichigo tirou-me de meus devaneios e só então fui reparar que seu semblante estava tomado por preocupação.

– Rukia... Está tudo bem?

– E por que não estaria? – Eu estava decidida a agir de maneira mais séria, como eu estava acostumada a ser antes de conhecê-lo.

– Bom... Eu imaginei que aquele tal de Zaraki poderia ter te amedrontado, e percebe-se a angústia em sua face! Está preocupada com a Orihime, não é?

– Sim.

Então ele passou a mão no cabelo e ficou encabulado. A frase em seguida saiu quase inaudível:

– E você deve estar querendo saber sobre essa história de estupro...

– Você não me deve satisfações.

Ele lançou-me um olhar zangado.

– Por que está agindo como se não se importasse?

– E por que eu deveria me importar? – retruquei.

– Eu sei que você se importa! Vamos, admita!

– Você não tem o direito de exigir algo de mim.

Ele então aproximou-se repentinamente de mim e passou o braço por minha cintura.

– Não se faça de difícil, baixinha. Se você quiser, te conto tudo. Prometo dizer-lhe somente a verdade. Eu não queria ter falado sobre isso porque não teve significado algum para mim e não queria mais brigas. Odeio brigar com você. Eu imagino que nas fotos seja possível perceber que eu não fiz nada, porém não sei o que podemos encontrar lá. Você quer mesmo assim arriscar-se a vê-las?

– Você fala como se meras fotos pudessem me afetar. O que você fez ou deixou de fazer com a Yuki não é da minha conta. – eu disse, espalmando minhas mãos em seu peito e empurrando-o para que me soltasse.

– Se você está tão certa de que não se incomodará com as fotos, então venha comigo até a casa de meu tio. Posso te explicar tudo com calma e poderemos ver o que esse pendrive contém.

Ponderei por alguns minutos e enfim concordei. Apesar de não querer admitir, eu sentia uma necessidade imensa de saber do que se tratava. Durante o caminho trocamos poucas palavras e só ficamos extremamente próximos no ônibus, pois estava lotado. Fomos surpreendidos ao chegar à casa, pois o tio de Ichigo estava lá.

– Ichigo com uma menina? Que incrível! Como você se chama? – ele sorriu e encarou-me.

Por alguma razão enrubesci.

– Rukia, muito prazer.

– O prazer é meu de ter a oportunidade de conhecer uma moça tão bela.

– O-Obrigada.

Ichigo deu uma risada, mas nada disse, apenas andou em direção à cozinha e eu o segui. Quando enfim paramos em frente à mesa, ele olhou-me e riu novamente.

– Que foi? – eu perguntei.

– Acho que a única vez que te vi tão vermelha foi quando roubei-te um beijo. Você fica linda assim.

– E-Ei! Não sei do que você está falando.

Ele riu novamente e foi em direção ao fogão, verificando o que havia dentro das panelas.

– Parece que a nova diarista sabe cozinhar muito bem! O cheiro está maravilhoso. Vamos comer primeiro? Você deve estar faminta, já passou da hora do almoço.

– Sim, mas primeiro ligarei para a minha mãe. Ela deve estar preocupada.

Peguei meu celular na mochila e após alguns minutos, desliguei. Disse apenas que demoraria um pouco mais para chegar em casa porque faria um trabalho no colégio.

Nós comemos rapidamente e em seguida subimos em direção ao quarto dele. Senti-me corar ao lembrar-me da ultima vez em que estive ali. Imediatamente livrei-me desses pensamentos. Ele sentou-se na cama e eu fiquei parada na porta.

– Rukia, encoste a porta e sente-se aqui do meu lado. Não quero que meu tio escute o que vou te contar.

Fiz o que ele pediu apesar de estar receosa. Respirei fundo algumas vezes, preparando-me para o que estava por vir. Apesar de não admitir, eu estava realmente preocupada com essa história de “estupro”.

Ele me contou tudo o que aconteceu e não desviou seus olhos do meu um segundo sequer. Assim que ele terminou de falar, eu fiquei em estado de letargia. Meus olhos vidraram e eu não sabia o que responder. Eu devia acreditar que ela havia insistido para que eles fizessem sexo e, mesmo com todo o assédio, ele recusou? Eu sabia que só as imagens e vídeos que aquele pendrive continha podiam provar que ele realmente não havia feito nada, porém eu não me sentia preparada para ver tudo o que ele me narrara. Senti minha mente girando e a confusão voltar a se instalar em meu coração.

– Está tudo bem? Você quer ver o conteúdo do pendrive agora? – ele perguntou, preocupado.

Respirei fundo e afastei a mistura de sentimentos – que ia de raiva até mágoa – que tomava conta de mim e confirmei com um balançar da cabeça.

Ele colocou o objeto minúsculo na entrada USB e eu prendi a respiração enquanto o computador reconhecia o drive. Olhei de relance para o rosto de Ichigo e pude perceber que ele franzia a testa, parecendo muito apreensivo. Enfim a pasta abriu e ele clicou na primeira imagem. Senti uma faca atravessando meu peito quando vi uma mulher de costas sentada no colo de um homem de cabelos laranjas com os olhos vendados. Para a minha infelicidade, conforme as imagens iam passando, a cena apenas piorava e o numero de peças de roupa diminuía. Eu já não conseguia prestar atenção no que passava no monitor, estava absorta em meus próprios pensamentos. Mas um barulho me chamou a atenção, fazendo-me focar em um vídeo que ele mandara reproduzir. Para o meu alívio era possível ouvir as falas absurdas de Yuki, e estava claro que Ichigo não queria nada do que ela oferecia. Mas não deixava de ser perturbador ver eles naquela intimidade em uma cama. Balancei minha cabeça em reprovação.

“Desde quando ele significa tanto para mim? Não era eu quem estava indecisa, que jurava que ele era apenas um amigo? Quando foi que tudo isso começou? Será... Que eu estou apaixonada? Ou pior! Será que eu o amo? Tudo o que já ouvi sobre o amor é que ele é perigoso e muitas vezes dolorido. Eu sou nova demais para experimentar tal coisa. Eu pensava que eu me sentia arrasada pelo fato de ser traída e enganada... Mas e se eu realmente gosto de Ichigo? E se eu me apaixonei pelo ‘menino-problema’? Pensei que era meu orgulho ferido que doía, mas agora o que mais dói é o meu coração que a cada dia é despedaçado mais. Isso está errado. Não podemos ficar juntos. Somos de universos diferentes. Eu quero ter um futuro brilhante, quero ser a melhor nos estudos e fazer algo grande para que meus pais possam sentir orgulho de mim. E ele? Ele quer apenas se divertir. Somos opostos, isso nunca dará certo.”

Minha vista embaçou devido às lágrimas que inundavam meus olhos. Virei o rosto para o lado contrário de onde Ichigo se encontrava para esconder minha face úmida. Arrepiei-me quando senti o toque de sua mão em meu ombro e imediatamente sequei as lágrimas. Ele virou delicadamente meu rosto, fazendo-me encará-lo.

– Rukia... Não chore, por favor. Eu cansei de vê-la desse jeito e saber que o motivo sou eu. – seus olhos expressavam uma dor enorme.

– Eu não estou chorando. – minha voz não saiu tão confiante quanto eu esperava.

– Por que você não admite que se importa?

– Claro que eu não me importo! Por acaso tenho algum motivo? O vídeo mostra claramente que você implorou para que ela parasse e em nenhum momento alisou-a. – retruquei sem fita-lo, dessa vez com um tom mais ríspido.

– Sim, você tem motivo! E esse motivo chama ciúme!

Fuzilei-o com o olhar e dessa vez elevei o volume de minha voz ao responder:

– Que absurdo você achar que sinto algo tão trivial. É um sentimento insignificante que demonstra que o indivíduo é possessivo e inseguro. Sendo assim eu o desprezo e recuso.

Ele olhou no fundo de meus olhos por alguns segundos, fazendo-me corar, e então sua expressão séria transformou-se em um sorriso travesso.

– Ah, tudo bem então... Acho que terei que encontrar alguém que queira ter-me como posse, já que você recusa.

Olhei-o com desdenho e repliquei com todo o orgulho que eu tinha:

– Então vá, será melhor para você. Pare de fazer com que eu perca meu tempo. – desviei o olhar para o lado oposto e segurei ao máximo as lágrimas que ameaçavam brotar. Para a minha felicidade, eu consegui. Mas não consegui esconder o espanto quando ele, ainda sentado, esticou-se até mim e abraçou-me, puxando-me para ele e fazendo-me encostar desajeitadamente em seu peito. Ele riu e então cochichou em minha orelha:

– Você fica linda quando está com raiva.

– Quem disse que eu estou com raiva? E o que pensa que está fazendo? Solte-me imediatamente! – eu tentei me desvencilhar de seu aperto, o que apenas causou-lhe mais risos, pois eu fracassei na tentativa de escapar.

– Se não está com raiva, que cara é essa?

– Não sei do que você está falando. – sussurrei cabisbaixa.

– Flor de cerejeira, por que você tem que ser tão confusa? Não é muito mais fácil me falar a verdade?

– Não. A verdade é muito complicada. – eu admiti, enfim.

– Você que a torna complicada.

– Quem dera... – eu falei para mim mesma, em meio a um suspiro.

– Olhe para mim, baixinha. – eu obedeci, virando um pouco o corpo para poder enxerga-lo, e ele olhou-me ternamente. Afagou meu rosto com uma de suas mãos enquanto a outra ainda segurava-me. – Vamos ficar juntos. Você já não teve provas suficientes de que eu te amo?

– Você fala como se fosse fácil.

– E não é?

– Não... Somos diferentes. Você passou por coisas que eu nunca entenderei. Não temos o mesmo foco. – eu mal consegui disfarçar a tristeza que tomava conta de mim.

– Você não precisa me compreender. Só peço que esteja comigo. E é claro que não temos o mesmo foco. Eu pretendo fazer o máximo possível para tirar as melhores notas de agora em diante. Sabe por quê? Porque eu quero dar-lhe o futuro que você merece, minha princesa. Por que você não pensou nisso antes de descobrir sobre a Yuki ter me assediado? Tem certeza de que não é ciúme?

Eu fiquei em silêncio, pois se eu falasse algo minha voz falharia. Um nó formou-se em minha garganta e eu não consegui conter o choro. “Mas que droga! Por que estou assim de repente?”

– Rukia? RUKIA? Você está... chorando?

Escondi meu rosto em seu peito e desisti de disfarçar.

– Amor... O que aconteceu? Falei algo de errado? – ele estava desesperado.

– Seu baka. Nunca mais faça isso! Idiota! – eu disse soluçando e dei leves socos em seu peito.

– O que eu fiz?

– Promete que nunca mais vai me dizer coisas horríveis, nunca mais vai me deixar e que nunca mais alguma menina encostará em você. – eu encarei-o em meio às lágrimas e seu olhar acalmou-se, enchendo-se de afeto.

Ele acariciou meu cabelo e respondeu de forma branda:

– Eu prometo, meu anjo. Eu prometo.

Ficamos abraçados e deitados em sua cama por muito tempo. Tanto tempo que os dois adormeceram. Acordei, ainda em seus braços, quando estava dando 21h. Fiquei preocupada, mesmo sabendo que de sexta-feira tenho passe livre para voltar mais tarde para casa. Sondei Ichigo para ver se ele ainda dormia e fiquei estarrecida. Ele ficava tão lindo com aquele jeito inocente e sereno. Controlei a vontade de beijá-lo que tomou conta de mim e levantei-me da cama com cuidado para não acordá-lo. Enquanto eu procurava meu celular para ligar para minha mãe, ouvi uma voz sonolenta reclamando:

– O que você está fazendo?

– Ligando para a minha mãe.

– Volta aqui... – ele pediu, manhoso.

– Não posso... Está tarde.

Ele levantou-se e caminhou até mim, parando atrás de mim e beijando o topo de minha cabeça. Ele passou os braços em volta da minha cintura e apoiou sua cabeça em meu ombro.

– Dorme aqui em casa hoje...

– Você sabe que minha mãe não deixaria.

– Ela não precisa saber. – após dizer isso, ele depositou um beijo rápido no meu pescoço e novamente apoiou sua cabeça no meu ombro.

– E o que o seu tio pensaria de mim?

– E que diferença isso faria na nossa vida?

– Ah, Ichi... Não sei não. – falei fazendo charme.

– Por favor? Você diz que dormirá na casa de uma amiga.

– E onde eu dormiria se eu aceitasse?

– Comigo? – ele respondeu com deboche.

– Claro que não!

– Calma, baixinha, eu estava apenas brincando. Temos vários quartos aqui. Você fica com um deles. Podemos chamar uma pizza e assistir um filme. Podemos ir ao shopping. Podemos fazer qualquer coisa que você queira até que você fique com sono e decida dormir. Hoje você que manda! Mas não se acostuma não, viu?

– Mas não tenho pijama...

– Eu te empresto uma camiseta minha. Vai ficar gigante como uma camisola em uma anã como você.

– Ei! Não sou uma anã!

– Opa, me desculpe. Quis dizer “nadadora de aquário”.

Fuzilei-o com os olhos e em seguida dei vários tapas, causando uma crise de riso nele.

– Você é muito fraca, sabia? – ele disse, secando uma lágrima que escorria dos seus olhos.

– Você quem pensa, eu apenas não quero te machucar.

– Sei... – ele aproximou-se e continuou – Então, vai dormir aqui?

– Ai... Tá bom... Mas não preciso me preocupar com segundas intenções, não é?

– Claro que não! Nunca forçarei você a fazer algo que não queira.

– Ok!

Liguei para a minha mãe e disse que dormiria na casa de Inoue, afinal ela não sabia ainda que havíamos brigado. Eu me sentia mal por mentir para ela, mas eu merecia pelo menos uma noite de descanso depois de tanto estresse, não?

Optei por ficarmos em casa e assistirmos um filme. Também jogamos videogame e conversamos com o tio de Ichigo por um breve momento.

Após horas de diversão, fiquei com sono. Ichigo buscou a camiseta para que eu usasse de pijama e após eu estar pronta, veio até o meu quarto.

– Vamos, deite logo! Além de minúscula também é lerda? — ele provocava.

– Fique quieto! Já estou indo, por que a impaciência?

– Eu quero te dar boa noite, poxa! Mas você fica demorando... — ele fez cara feia. Dei risada e enfim deitei. Ele aproximou-se e ajoelhou ao lado de minha cama. Pegou uma de minhas mãos e olhou-me intensamente nos olhos.

– Rukia... Eu te amo. Eu sei que talvez eu devesse ter perguntado isso antes de te convencer a dormir aqui e de roubar-te vários beijos... Mas ainda assim eu quero ouvir a resposta. Você aceita ser a minha namorada?

– Sim, Ichigo, eu aceito. Por mais que eu não queira admitir, eu também te amo. Muito. — eu enrubesci após proferir tais palavras que mais pareciam um juramento.

– Obrigada por não desistir de mim, meu anjo. Boa noite. — ele selou meus lábios com os seus.

– Boa noite, meu querido. — ele deu um sorriso lindo de tirar o fôlego e, após dar-me um beijo na testa, ele foi para seu quarto. A camiseta estava com seu cheiro, o que ajudou-me a dormir bem.

Notas finais
Me perdoem caso eu tenha feito erros ou escrito algo de uma maneira estranha. Não tive tempo de reler o capítulo e decidi postar mesmo assim. O que acharam do capítulo?