Stand up, be strong

5 Capítulo 5 - Life is like a Boat.


Notas iniciais
River flows in you - Yiruma (guitar version): http://www.youtube.com/watch?v=P_xFh7XFC_w&feature=fvwrel < vídeo da música que o Ichigo tocará em uma parte desse capítulo. Se quiser, ouça enquanto lê a história, você não se arrependerá! É uma musica muito bonita e calma. Eu prefiro a versão original em piano que eu coloquei no meu tumblr, mas o Kurosaki-kun não toca piano na minha fic, rs.

Estávamos dentro do ônibus. Eu consegui um assento, mas Ichigo teve que ficar de pé. Depois de certo tempo, entrou uma idosa e obviamente eu cedi meu lugar para ela. De repente, um garoto ficou de pé atrás de mim e estava extremamente próximo, o que me incomodou e me deixou ansiosa para chegarmos logo na casa do tio do Ichigo. O tempo parecia não passar nunca, mas enfim chegamos. Ichigo saiu na frente e continuou andando, pois sabia que eu iria segui-lo. Porém, quando eu desci do ônibus, o garoto que estava atrás de mim me segurou e começou a me puxar para outra direção.

– Vem cá, gracinha. Eu tô com uma vontade de roubar um beijo seu... E quem sabe roubar algo mais também. – o garoto disse maliciosamente.

– N-Não! Me solta! – eu gritei e puxei meu braço, mas ele era muito mais forte que eu. – Socorro!!!

Eu estava desesperada quando senti a força com que ele segurava meu braço diminuir. Quando consegui entender o que tinha acontecido, Ichigo já estava rolando no chão com ele.

– Ichigo, para! Não quero que você se machuque por minha causa!

Foi como se eu não tivesse falado nada. Eles estavam se espancando, mas conforme a briga acontecia, ficou claro quem ganharia: Ichigo. No fim, o garoto falou uns xingamentos e saiu correndo. Ichigo estava com a boca e o nariz sangrando um pouco. Claro que eu me preocupei, afinal era por minha causa.

– Meu Deus, onde você aprendeu a brigar desse jeito? Deixe-me limpar seu rosto. – eu peguei um lenço que estava no meu bolso, mas ele afastou minha mão.

– É só uma das várias coisas que eu aprendi na época que eu vivia em Tóquio. Claro que nenhuma delas meu pai aprovava. – ele disse sarcasticamente.

– Hm... Ok, eu vou limpar seu rosto querendo ou não quando chegarmos na casa do seu tio. Foi por minha causa que você ficou assim!

Ele deu de ombros, revirou os olhos e começou a andar. Tive que fazer certo esforço para acompanhar os passos dele, apesar dele estar apenas caminhando. Por ele ter quase o dobro do meu tamanho, um passo dele vale três do meu!

Chegamos na casa do tio dele e eu me perguntei como ele podia ter ficado tão bravo por eu ter dito que a casa era “dele” naquele dia na sala de música. Era gigante! Qualquer um adoraria viver lá. Ele não se deu o trabalho de me mostrar a casa. Fomos até a cozinha e comemos uma lasanha de forno como almoço.

– Obrigada pela comida. – eu sorri enquanto me levantei e fui até a pia. Molhei apenas uma ponta do lenço e fui até ele. – Vamos limpar esse sangue. – Dessa vez ele não afastou minha mão. Pude ver o canto de sua boca retorcendo um pouco conforme eu ia limpando, provavelmente porque ardeu. Ele não falou nada, apenas foi até o quarto e eu o segui. Quando entramos no quarto, ele tirou a camisa e começou a mexer em uma das gavetas. Não pude deixar de reparar que ele tinha um corpo muito definido. Após esse pensamento fiquei com vergonha e virei o rosto para o outro lado. Enfim ele fechou a gaveta e colocou uma regata preta.

– Er... Então... Você prefere pesquisar ou fazer os slides? – eu perguntei tentando diminuir a tensão do momento. Eu estava na casa de alguém que eu mal conheço! E eu ainda tive a ousadia de reparar no corpo dele e gostar! Até pensei na palavra “gostoso” como descrição! Não consegui esconder meu nervosismo.

– Pesquisar. Slide tem que organizar, escolher imagens e essa merdas aí. É chato. – quando olhei para a mesa dele tinha um notebook da Apple.

– Hm... Parece que terei que fazer os slides em casa, afinal só tem um computador...

– Tenho outro, vou buscar. — Nisso ele saiu do quarto dando-me tempo suficiente para analisar o lugar. Ele tinha pôsteres nas paredes brancas. Um deles era de uma banda que eu gosto muito: Avenged Sevenfold. Tinha uma cama de casal só para ele, que parecia muito confortável. O edredom era preto e tinha 3 listras brancas onde fica o travesseiro. O armário ficava de frente para a cama. Do lado direito dela, tinha uma porta fechada que provavelmente daria no banheiro. A mesa ficava no lado esquerdo. Tinha alguns livros, um rádio, o notebook e alguns papéis de cifras. Ele tinha um violão encostado na mesa e uma guitarra pendurada acima dele. Era um quarto bem menos assustador do que eu imaginava.

Ele voltou com um notebook azul escuro em suas mãos e entregou-o a mim. Com cada um fazendo uma parte, foi mais rápido do que o esperado. Ele terminou a pesquisa e começou a tocar guitarra enquanto eu terminava os slides. No momento em que eu terminei, ele levantou e pegou o violão. Começou a tocar uma musica muito bonita e relaxante. Era calma e familiar, mas não conseguia lembrar o nome. Quando olhei para ele, o meio sorriso do dia anterior estava novamente lá. Admirei mais um pouco aquele Ichigo raro de se ver, e então fechei os olhos. Fiquei apenas ouvindo a música e deixando minha mente vagar. Assim que ele terminou a música, abri meus olhos e ele estava me olhando de um jeito muito tranquilo. Quem dera ele fosse assim sempre. Eu dei um sorrisinho e falei:

– Qual o nome dessa música? É linda... – minha voz saiu extremamente calma. A música realmente tinha me feito relaxar.

– River flows in you. – e ele finalmente sorriu. Eu fiquei tão impressionada que meu coração parecia ter parado de bater. Nunca tinha visto um sorriso tão bonito. O Ichigo ficava lindo quando sorria. E eu tinha sido a única a ver! Senti-me sortuda por isso. Afinal esse trabalho não foi tão ruim assim.

– Toca “With me” do Sum 41? – eu pedi enquanto me sentava ao seu lado na cama.

– Pode ser.

Independente de quantas vezes eu já tenha presenciado ele tocando, a habilidade dele sempre me impressionará. Era quase uma hipnose. Ele fazia parecer fácil e natural. Quando a música acabou, ele levantou, olhou pra mim e perguntou:

– Tá com fome? Eu acho que vou comer algo...

– Um pouco.

– Então vamos lá. Vou fazer torrada.

Descemos para a cozinha, e enquanto ele estava de costas colocando os pães de forma na torradeira, eu reparei que tinha uma corrente no pescoço dele que as camisetas costumavam esconder. Eu não consegui explicar o motivo, mas fiquei muito curiosa para vê-la, porém não falei nada. Quando as torradas ficaram prontas ele me entregou as minhas e sentou.

– Er... Depois que você terminar de passar a manteiga no pão eu posso pegar? – eu fiquei sem graça em pedir, mas não queria que a torrada esfriasse.

– Ah, me desculpe, pega aqui.

Terminamos de comer sem mais conversas, mas não era um silêncio pesado e desagradável como normalmente. A música realmente pode mudar uma pessoa, não? Não consegui mais controlar minha curiosidade e estiquei o braço até alcançar a corrente em seu pescoço, ignorando o calor da sua pele, e puxei-a para fora da regata. Era um crucifixo.

– O que você pensa que tá fazendo? – ele me olhou com raiva e empurrou minha mão violentamente.

– D-Desculpa, fiquei curiosa... Eu não sabia que você ia ficar bravo.

– Acho melhor você ir pra casa e me deixar em paz. Ligue pros seus pais ou chame um táxi, não quero mais te acompanhar no ônibus até sua casa como combinamos, e é perigoso você ir sozinha. Se acontecer algo com você, eu que me fodo, e ai meu pai vai ficar puto mais uma vez. Vai logo. O telefone tá ali se você não quiser ligar do celular.

– T-Tá, desculpa. Nunca mais te incomodarei, não se preocupe. Apenas treine sua parte do seminário, e depois que apresentarmos estará livre de mim. – eu tentei o máximo esconder minha mágoa, mas minha voz de choro me entregou. No entanto, ele não pareceu se importar. – Com licença... – Eu fui até a sala e liguei pra minha mãe do celular. Enquanto eu esperava sentada no sofá segurando as lágrimas, ele passou por mim sem sequer me olhar, entrou no quarto e fechou a porta.

Eu não costumo ser tão sensível, mas estava tudo tão bem... A raiva dele me pegou de surpresa e as palavras dele foram como facas me perfurando.

Minha mãe chegou e eu saí sem me despedir. Quando entrei no carro, ela perguntou:

– Tá tudo bem, filha? Parece meio desanimada...

– Tô cansada, só isso.

Nesse momento, meu celular vibrou e tinha um sms do Renji:

“Rukia Kuchiki, vc tá LOUCA d ir pra casa daquele idiota do Kurosaki?

Ainda mais SOZINHA! A Inoue me contou, viu?

Se ele fizer algo com você me avise que eu dou uma lição nele!

Tá td bm? Estou preocupado.”

Não pude deixar de dar uma risada fraca, desanimada e irônica.

Não podia estar pior.

Mas não contei isso pro Renji.

Notas finais
o que acharam?