Stand up, be strong
4 Capítulo 4 - Tables have turned.
Não dormi bem essa noite, pois estava preocupada com o fato de ir para a casa do tio de Ichigo... Eu não acho que será perigoso, mas sim desagradável. Provavelmente ele vai agir da mesma maneira hostil de sempre. E o que importa? É só eu não deixar isso me afetar. É só fazer o trabalho e ir embora, não devia estar tão nervosa.
Após esse pensamento, outra coisa veio em minha mente. Lembrei da conversa com a Inoue. Ela estava tão decidida quando me contou aquilo, que cheguei a me impressionar.
~início do flashback~
- RUUUUUKIAA!!! – Inoue pulou em mim. – Ufa, achei que você já tinha saído do colégio, mas te alcancei! Ainda bem! Tenho algo para lhe contar. – seus olhos brilhavam e ela parecia muito nervosa.
- Você quase me matou de susto, Ino!!! – eu disse sem fôlego.
- Desculpa, eu estou um pouco ansiosa e nervosa.
- O que aconteceu?
- É que... E-Eu me decidi!
- Foi rápido! – eu falei, espantada — E qual foi a sua escolha?
- Eu resolvi me imaginar sem ele, sabe? Sem ele conversando comigo todos os dias e sem ele me ajudando quando tenho dificuldades com os estudos. E eu percebi que imaginar isso me deixou mais triste do que devia. Eu fiquei realmente mal ao me imaginar sem a gentileza dele. Ele é tão educado e inteligente, eu o admiro muito! E por isso... Acho que posso retribuir os sentimentos dele. Mas não sei como falar isso pra ele. Q-Quer dizer, eu estou realmente nervosa, não sei como começar o assunto! Muito menos como me expressar, me ajude! – ela falou tudo tão rápido que eu tive dificuldade de acompanhar. Mas ela pareceu menos infantil nesse momento. Não era a Inoue Orihime que eu conheço.
- Eu faço ele ir falar com você, Ino! Com certeza te ajudarei.
- O que você vai dizer pra ele??? – ela arregalou os olhos.
- Apenas que você comentou comigo que precisava falar com ele.
- Ah, acho que é uma boa idéia. Mas o que eu falo? – ela mexia no cabelo nervosamente.
- O que estiver no seu coração é o que você tem que dizer. – eu dei um sorriso encorajador. – Boa sorte! Tenho que ir para casa. Mandarei um sms pra ele dizendo aquilo. Até amanhã! – Dei um abraço apertado nela e fui para casa.
~fim do flashback~
Eu cheguei no colégio adiantada dessa vez. Apenas a Inoue e mais 4 alunos estavam lá.
- Bom dia, Inoue! Como foi a conversa com o Uryuu? Conte-me!
- Bom dia, Ruki! Ele me ligou, mas eu disse que preferia falar pessoalmente. Estou esperando ele chegar.
- Ah, ok. Tentarei não morrer de curiosidade até lá. – nós duas começamos a rir.
Eu vi Ichigo chegar, e andei até ele. Inoue me acompanhou receosa.
- O que você quer?
- Vim ter certeza de que você não esqueceu do nosso trabalho.
- Tá. – então ele me deu as costas e sentou no seu lugar.
Inoue me puxou para perto da carteira dela e cochichou:
- Ih, é hoje? Boa sorte! Ele continua tão amedrontador como sempre.
- Nem me diga, Ino. – eu disse, cansada.
Ishida chegou 2 minutos depois e veio até nós.
- Bom dia, senhoritas! Orihime, eu gostaria de saber o que você queria falar...
- Com licença, deixarei vocês conversando a sós. – me sentei no meu lugar e eles se afastaram um pouco, mas não o suficiente para eu deixar de escutá-los, para a minha felicidade.
- Ishida... Eu pensei muito sobre aquele assunto... E eu percebi que ouvir aquilo me alegrou mais do que tudo que qualquer outro garoto já me disse. Você é muito especial pra mim também.
- Inoue... Isso quer dizer que você aceita namorar comigo? – ele não conseguiu esconder sua felicidade.
- S-Sim. – ela corou e os dois sorriram sinceramente. Ele segurou delicadamente apenas os dedos de uma das mãos dela. Como se tivesse medo de machucá-la, ou de estar sendo precipitado.
- Eu gostaria de pedir uma coisa para você... Pode parecer meio bobo... Você se importaria de eu chama-la de “Hime”? É a palavra japonesa que melhor descreve o que você é para mim, além de ser parte do seu sobrenome.
- Claro que não me importo! – ela ficou um pouco corada. – Mas o que significa?
- Princesa. – ele disse, enquanto passava os braços em volta dela e sorria carinhosamente. Ela ficou vermelha como um tomate e retribuiu o abraço, escondendo a cara nele devido a vergonha. Foi engraçado ver a cena, ele é bem mais alto que ela, mas eles combinam.
Era raro ver esse lado de Ishida. Ele sempre esconde suas emoções. Acho que o amor realmente muda as pessoas.
— O-Obrigada, Uryuu. Você é sempre tão gentil. – não pude deixar de sorrir ao ver essa cena. Quem sabe um dia será a minha vez? Eu suspirei enquanto duvidava disso.
Quando parei de prestar atenção neles, reparei que a sala toda já estava cheia, e a maior parte estava observando a cena assim como eu. Mas como tudo que é bom dura pouco, logo a calmaria foi interrompida.
- Não acredito nisso! Vejam, um casal de idiotas! – Yuki riu, maldosamente. Ela realmente me tirou do sério dizendo isso, não consegui me segurar:
- Qual é o seu problema, em, Yuki? Você é tão sozinha que tá com inveja que eles estejam felizes? A culpa é sua se ninguém gosta de você. Você é insuportável. E depois você ainda se pergunta por que o Mike terminou com você e porque ele se apaixonou por outra! Mesmo se não fosse por mim, ele encontraria alguém melhor que você para se apaixonar. Você o perderia de qualquer jeito, porque você é uma vadia, e garotos não querem saber desse tipo de pessoa. – eu sempre fui muito educada, mas vê-la tentando magoar minha amiga num momento tão importante da vida dela me pareceu um motivo bom o suficiente para esquecer minha educação em casa.
Todos olharam boquiabertos para mim. Yuki me lançou um olhar mortal e Amber correu até ela, como se estivesse pronta para segurá-la caso ela desmaiasse.
- Você vai se arrepender por ter dito isso e por ter roubado Mike de mim. Guarde bem minhas palavras. – ela disse com os dentes cerrados e então a professora chegou para interromper a briga.
O sinal da liberdade finalmente tocara. Fui pegar minha carteira na mochila, e... Não a encontrei onde eu havia deixado hoje de manhã. Procurei em todos os bolsos da mochila, na minha mesa e no meu armário. Não estava em lugar algum.
- Ai não, como eu vou pagar o ônibus para ir pra casa do Ichigo?! Eu tinha documentos lá! Meu RG original estava naquela carteira! – eu disse, quase chorando. – Certeza que foi aquela cobra da Yuki e a escrava dela!
- Calma, Rukia! A gente vai recuperar sua carteira.
- Ei, eu tive uma idéia... – Ishida parecia muito pensativo. Graças a Deus temos um gênio entre nós!
- Fala, Ishida!
- Elas não devem ter ido embora ainda. Alguém precisa distraí-las, enquanto outra pessoa vai até a diretoria e inventa algo urgente o suficiente para a diretora chamá-las mesmo depois do fim das aulas. As mochilas sempre ficam do lado de fora da diretoria, então teremos tempo suficiente para procurar.
- Mas o que podemos inventar?
- Não sei...
- Já sei! Vamos dizer que elas estão tratando o Ichigo mal. Bullying é algo muito sério, e pelo que eu ouvi falar da família dele, o pai dele é mais importante que o da Yuki... A diretora com certeza se preocupará com a imagem da escola e fará algo. – Inoue falou animada, pois a ideia era ótima!
- Não quero que vocês coloquem meu nome no meio dessa briguinha idiota. – ele tem sempre que estragar tudo? Que vontade que eu tive de bater nele.
- Por favor, Ichigo! Tem muita coisa importante naquela carteira... – não consegui esconder o desespero.
- Ah, tá bom, só não começa com essa voz insuportável de criança irritante que vai chorar.
- Obrigada! – eu sorri aliviada e o abracei por impulso.
- O que você pensa que tá fazendo? – ele falou bravo.
- Ah! D-Desculpa! Tô indo atrasar elas, vai falar com a diretora, Ino! – eu saí correndo sem nem me importar se irritei o Ichigo ou não.
Eu nunca tinha corrido tanto na minha vida, mas felizmente achei-as perto do portão.
- Eeeei, o Mike acabou de me mandar um sms, sabia? Você devia ler! Tão fofo. Ele disse que sente a minha falta e gostaria de me ver de novo um dia desses. – eu ri maldosamente. Tive que apelar para ter certeza que elas não me ignorariam.
- Como é, sua vaca? O que você tá pensando? Eu nem me importo mais com ele!
- Ah, pois devia, ele me falou muito de você. E, acredite, apenas coisas ruins. Cara, até eu me impressionei com o que ele falou. – falei desafiadoramente.
- Eu vou fazer você engolir esse celular! Vê se volta lá pra falar com o seu traficante pessoal e me deixa em paz. Você merece alguém ridículo como ele, e não um cara gostoso e legal como o Mike! – eu vi a diretora se aproximando rapidamente com a Inoue.
- Por que você tá falando assim do Ichigo? O que ele fez pra você? Imagina se a diretora te ouve falando isso? Ela não ia gostar de saber que tá tratando o novato desse jeito.
- EU QUERO QUE A DIRETORA SE FODA, AQUELE MENINO TEM PROBLEMAS! Eu sinto nojo só de saber que estou respirando o mesmo ar que esse retardado! – ela gritou alto o suficiente para o continente inteiro ouvir.
- Desculpe, senhorita Hana, acho que não tenho certeza do que acabei de ouvir. Creio que terei que leva-la até a diretoria para resolvermos isso. – a diretora disse com muita seriedade e foi levando Yuki pelo braço. Quando a diretora virou-se, lancei um sorrisinho inocente para a Yuki. Depois disso, procuramos na mochila dela. Amber não nos atrapalhou, pois ficou com medo da diretora e foi embora imediatamente. Depois de um tempo procurando, encontramos minha carteira dentro de uma pasta na mochila dela.
- Ufa! – mas quando olhei, o dinheiro não estava mais lá. – Ah, não! Como farei para pagar o ônibus?
- Pelo menos os documentos estão aí... – Ishida tentou me tranquilizar em vão.
- Alguém poderia me emprestar o dinheiro?
- Estou sem, sinto muito...
- Eu também! E os outros já foram pra casa.
- Droga! – eu suspirei. – Terei que pedir para o Kurosaki!
Fui procura-lo. Ele estava sentado na escadaria da entrada do prédio, com cara de tédio me esperando.
- Nossa, você parece uma lesma, em? Perdi muito tempo aqui esperando.
- Er... Desculpa... Recuperei minha carteira, mas elas já gastaram meu dinheiro... Não terei como pagar o ônibus.
- Ah, tanto faz, eu pago pra você. Vamos logo.
Fale com o autor