Stand In The Rain
16 Chapter 16
Notas iniciais
Leah estava se sentindo uma completa idiota no meio de tantos homens.
Muitos a olhavam rindo, outros com um sorriso mais do que amigo. Mas ela simplesmente ignorava ou tremia. A segunda opção era realizada com mais frequência.
Kyle a havia feito se alongar e correr por quase uma hora, por ser a sua primeira aula. Ninguém queria que ela se machucasse e ela não estava muito afim também.
Depois que ela acabou de se aquecer, Kyle e Edward a levaram para o saco de pancadas.
Eles a equiparam com as luvas e deixaram-na conhecer o território. Ela nunca havia socado nada na vida, muito menos um saco com quase o seu peso em enchimento. Ou mais.
Leah ficou encarando o saco como se fosse um oponente mais poderoso. Ela olhou para Edward e Kyle, mas eles sorriam e fizeram sinais de positivo.
- Vamos, Henderson – O treinador falou. – Soque esse saco.
Leah quase riu quando ele disse isso, mas não ousou fazer. Ele falava sério.
Ela desferiu o primeiro soco. Ele balançou levemente. Depois, começou a socar um depois do outro, devagar. Como Kyle havia ensinado.
Aos poucos, ela foi pegando velocidade. Desferia frontais e abdominais, como havia visto na demonstração. Ela aprendia rápido. Mas ainda estava longe de chegar à meta.
Por algum tempo, ela ficou socando o saco e as vezes ele voltava e a derrubava no chão.
Ela caia, mas o treinador nada fazia. Apenas gritava:
- Vamos Leah! Você chama isso de socar um mero saco de cinquenta quilos?
Ela levantava, enxugando o suor do rosto, mas não ousou parar. Não gostava de ser desafiada.
Edward a olhava com um sorriso, mas ele também nada fazia por ela. Ela tinha que conseguir sozinha.
Leah desferia golpes, mas caía com facilidade. Levantava, dolorida e suada, mas continuava socando. Uma vez, quando ela socou com força, o saco voltou com tanta velocidade que bateu violentamente na lateral de seu rosto e a derrubou com força no chão.
Ela ficou atordoada, e ouviu Edward dizer:
- Kyle, acho que já está bom.
Ela ouviu algumas risadinhas dos rapazes, e a voz grave do treinador.
- Eu digo quando está bom, Edward. Leah, levante-se. Não faça corpo mole.
Trincando os dentes de raiva, ela levantou. Enxugou o suor do rosto e por um momento encarou o treinador.
Ele estava impassível.
- Não aguenta mais, Leah? É isso? Vai desistir por causa de um saco de enchimento de cinquenta quilos que te levou ao chão? Pensei que você fosse mais forte.
Os olhos dela encheram-se de lágrimas, mas ela não se moveu. Era isso. Estava tão fatigada, seus músculos doíam tanto, mas ela sentia que só assim ela conseguiria domar a consciência.
Um saco de cinquenta quilos a havia derrubado no chão. Uma consciência que nem peso concreto possuía a estava derrubando também.
Era essa a chave da queda de Leah. Ela desistia. E por isso a consciência a dominava.
- Não. – Ela disse confiante. – Vou continuar.
- Então, o que está esperando? – Mas ela notou nos olhos do treinador um brilho de trinfo.
Leah voltou a socar o saco. Cada vez que ele voltava, ela caía. Mas, levantava, e continuava lutando.
Mesmo caindo, ela estava tão concentrada em tentar não apanhar de uma coisa tão ridícula, que acabou esquecendo por um momento o porquê de estar ali.
Queria vencer.
Edward a olhava orgulhoso, mas não dizia nada. Ela imaginou que Kyle e ele estariam escondendo algo dela.
Quando percebeu, estava começando a anoitecer. Algumas pessoas a estavam observando, mas ela continuava lutando. E caindo.
Estava começando a sentir impotente. Que jogo ridículo era aquele? O saco não se movia. E ela continuava caindo.
Então, como se não bastasse, o treinador começou a provoca-la.
- Leah, pelo amor de Deus, já vi crianças brincando com isso. Caíam menos do que você.
Ela socava. E caía.
Levantava. Socava. Apanhava. Caía.
- Vamos garota! Onde já se viu? Está muito fraco isso, ande garota. Onde está a sua força? Não tem?
Com grunhidos de raiva, ela continuava socando. Mas também continuava caindo.
Depois de tantos socos e tantas quedas, Kyle ordenou uma pausa.
Leah pegou uma toalha e sentou-se no banco. Estava dolorida, acabada, suada e humilhada. Edward sentou-se ao lado dela, entregando uma garrafa de água.
Ela bebeu e depois o olhou de esguelha.
- Ainda não entendi o propósito de tudo isso.
- Leah, você não percebeu mesmo o que se deve fazer quando o saco volta?
Ela o olhou, apática.
- Acho que estava tentando não cair, se é que me entende.
- Claro. Mas para não ser atingida o que você faz, Leah? Defende-se. Ou você soca de volta ou se esquiva.
Ela sentiu seu rosto queimar. Como pode ter sido tão idiota? Deixava-se ser golpeada e nada fazia. Teve vontade de apanhar do saco de novo.
- Por que não me avisaram antes?
- Porque queríamos que você tomasse a percepção por si mesma. Mas quando eu vi que você não tomaria, vi que estava precisando ser trabalhado mais do que pensei.
- Como assim? – Ela abaixou os ombros.
- Querida, você não percebe que você se diminui demais? Até por um saco de pancadas? Não a culpo, sei o que aconteceu com você. Mas quero que você entenda Leah. Por que você acha que a sua consciência a domina?
- Por causa de suas quedas. Você não se defende dela, apenas caí quando ela te derruba. Era isso o que estávamos tentando te mostrar com o saco. Percebemos que você não se defende, apenas apanha. Como se sentiu com isso?
- Humilhada.
- Pois é. E você não fica assim quando a sua consciência te derruba? Quando você faz algo errado para poder aplacar a dor que ela te causa? Eu queria te mostrar Leah que ela não vai desaparecer sozinha e nem vai parar de te atacar. Você precisa aprender a se defender dela.
Leah entendeu. Por um momento, ela entendeu o que Edward estava tentando te mostrar com o boxe. Ele era como a sua consciência. Nunca podia ser derrubado. Mas poderia se defender dela.
- Vai se esquivar do saco agora? – Ele sorriu.
- Sim. – Mas não era só do saco que ela começaria a se esquivar.
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