Stand By Me

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Escutem a música Stand By Me do Oasis para entrar no clima! Boa Leiura! PS: Os (XXX) são cortes de tempo entre um acontecimento e outro.

O tempo passa muito rápido quando percebemos todas as coisas que perdemos. Coisas. É muito estranho usar essa palavra para definir tudo que aconteceu. Não perdemos apenas coisas com o passar do tempo, perdemos pessoas também, e por fim nos perdemos.

No domingo me olhei no espelho depois de vomitar toda a refeição que tinha feito. Ainda vejo os mesmos olhos, o cabelo continua igual. A imagem que me encara tem um ar questionador. “Quem é você? E o que fez comigo?”

― Fiz com que você crescesse. – respondo para a imagem com gestos rápidos.

“Está trancado no banheiro da sua mãe, vomitando a mesma comida de sempre. Isso é crescer?”

― Nós mudamos! – minhas mãos gritam.

“Você realmente mudou. Humilhou pessoas que se importavam com você, fez os amigos se afastarem, contou uma história que não era realmente sua. Que bela mudança.”

― Era preciso! As coisas mudam. Foi bom. – estou sentindo novamente o enjoou.

“Você tem tantas coisas para aprender.”

― Vá embora. Me deixe em paz. – Depois de falar apoio as mãos na beira da pia. Quero vomitar novamente.

“Eu disse que iria e provavelmente irei embora um dia.”

― Por favor, antes que meu coração comece a queimar. Não estou mais aguentando.

“Talvez já seja hora de parar de mentir para si mesmo.”

― Talvez. – Falo a ultima palavra antes de decidir.

XXX

Quando tomei os remédios não queria realmente que acontecesse algo tão exagerado. Só queria que as imagens da minha cabeça parassem. Não conseguia mais me olhar no espelho sem ver o reflexo gesticulando sobre como eu sou fraco, como sou idiota, como perdi tudo que era seguro. Como me perdi.

E os remédios realmente fizeram com que todas as imagens se calassem. Foi um momento de paz. Um pouco de tranqüilidade. Mesmo conhecendo o silencio tão bem, nunca o entendi como após os primeiros efeitos. Infelizmente os efeitos se tornaram rápidos demais. Foi quando perdi a conta e tomei um pouco demais, e minha mãe criou mais uma história mirabolante. Os trazendo de volta. Todos. Todos os problemas que não queria enxergar.

― Então, qual é o problema com você? – Todos questionaram. Depois de abraços. De olhares de medo, de acusação, um pouco de raiva, talvez pena.

― Estou bem. – Respondo rápido querendo me livrar da situação que estava tentando evitar. – Ela está exagerando.

Minha mãe parece ainda mais preocupada. E invento qualquer desculpa para meus amigos.

Amigos. Palavra engraçada para definir aquele pequeno grupo que tinha voltado da viagem dos sonhos porque acharam que eu estava tentando me matar. Amigos. Uma melhor amiga. Uma ex-namorada. Um irmão postiço.

Eles estavam juntos. Vivendo o que provavelmente teria vivido. E agora sou apenas um espectador que eles julgam. Sou um estranho para as pessoas que mais me conheciam. Só quero o silencio de volta. Eu perdi tudo. Eu me perdi por completo. Eu a perdi.

E assim como o frio, o vento e a lua eles parecem vir, mas quando me dou conta já estão indo embora.

XXX

Eu era tão feliz. Tinha planos grandes e historias maiores ainda. Não precisava fingir ser algo que não era. Tinha uma identidade. Surdo. Não precisava ser bem vestido, descolado, perfeito. Carlton era o lugar onde eu podia simplesmente ser quem eu era. Sonhador. Feliz. Namorado Fofo. Artista. Idiota nas horas vagas. Tempos são difíceis. Eles mechem com a gente.

Penso em como foi fácil fugir da clínica, o quanto ainda sou esperto para algumas coisas, mesmo com alguns remédios correndo pelas veias. Não querem que nos matemos, mas nos matam lentamente, aplicando venenos em doses homeopáticas. Quando as coisas não possuem sentido algum é difícil encontrar uma chave no chão que abra a porta certa.

― O que está fazendo? – Ela me questiona.

― Sabia onde e estaria? – Seus olhos são acusadores. Olhos que dizem que eu estou estragando tudo novamente.

― Eu te conhecia bem. – Ela responde se mantendo afastada.

E eu penso se deveria fazer com que ela abrisse a porta. Penso nas coisas que encontraríamos atrás dela. Se ela também acreditaria em nós. E em todas as coisas boas espalhadas pelas prateleiras.

XXX

― Eu não deveria ter terminado com você. – Estou triste e cansado. E ela parece sentir raiva.

― Agora estou com Travis. – Ela gesticula o mais rápido que consegue. – Estou feliz. Não faça isso comigo. Por favor.

― Não quero fazer. – Respondo.

Minha mente grita “Fique comigo, ninguém sabe como vai ser. Nós vamos dar certo. Precisamos dar certo. Somos Emmett e Bay. Ebay”. Seu rosto implora que eu não diga mais nada. Que eu não estrague o que ela tem.

― Não faça isso. Eu sofri demais. Fiquei dias sem sair da cama sofrendo. – Suas palavras são verdadeiras. – Não tem o direito.

― Eu sei. – Não tenho mais direito algum. Não posso mais ter.

― Obrigada. – Ela parece aliviada.

E minha mente continua a gritar “Fique comigo. Ninguém sabe como vai ser”. Antes das imagens me lembrarem exatamente como vai ser. Eu fazendo besteira. Eu a fazendo sofrer.

― Vai ficar tudo bem. – Ela me estica uma das mãos. – Vamos embora.

Quando a toco sei que o coração dela não vai ser minha casa. Eu larguei bagunça demais da ultima vez que me deixou entrar. Quebrei copos. Destruí pinturas. Matei plantas. Cortei roupas. Manchei o chão de vermelho.

E o silencio se torna atormentador.

Vou com ela. Mas ela não vai comigo.

Penso no veneno na veia, e morrer lentamente parece mais fácil do que matar um sentimento tão forte quanto o amor. E eu fui muito bom em deixá-lo em coma.

― Sinto muito. – Faço ela entender.

― Eu sei. – É a sua única resposta. – Eu sei.

“Eu te disse. Pare de mentir.”

A imagem do espelho me encara e eu sei que ela está certa. Eu estou certo.

Só não sei se é tarde demais

Notas finais
E ai tem alguém viciado na série também. Sejam bem vindos. Beijos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!