Stalker
39 Goodybye, Love
Notas iniciais

Mio ficou paralisado com a cena, seu corpo tremia, mas ele não saiu do lugar. Seu coração parecia que sairia por sua boca. Havia chegado em casa arrasado pelo jeito que foi tratado por Ian, estava magoado pela maneira que ele evitou que ele esclarecesse as coisas e com a facilidade que foi descartado da vida do outro. Também estava irritado com Kame que abusou de sua boa fé para provocar intencionalmente Ian, Mio tinha certeza que aquilo foi feito de proposito, também não perdoaria ele tratá-lo como peça de um jogo. Chorou muito quando chegou em casa, demorou para finalmente criar coragem e tomar um banho para relaxar a mente e o corpo. Não adiantou muito, assim que entrou no quarto foi bombardeado com aquela cena entre Ian e Natally.
Primeiro não quis acreditar que fosse real, achou que seus olhos estavam te enganando; chegou a sacudir a cabeça acreditando que era uma alucinação e iria passar se ele se esforçasse. Não adiantou. Ian estava de verdade transando com a sua perseguidora de forma selvagem e sem pudor.
Uma dor forte atingiu seu peito, queria gritar mas não tinha voz em sua boca. Queria forças para jogar alguma coisa que alcançasse os dois encerrando com aquilo. Mas achou mais útil juntar toda sua coragem para fechar as cortinas e deixar de ser plateia.
Seu corpo não resistiu aos apelos de sua mente e desabou no chão assim que fechou a janela, se esforçava ao máximo para engolir o choro e não acordar ninguém em sua casa. Não queria que o vissem naquele estado de novo, muito menos ter que explicar o motivo de suas lágrimas. Estava ficando tão difícil de respirar, que chegou a pensar que iria morrer. Deitou-se no chão abraçando os joelhos contra o peito, olhando para o nada, esperando que o mal estar passasse.
Ele não era um total leigo sobre o amor, lia muitos livros, via muitos comentários em paginas na internet, o problema que esse sentimento sempre foi descrito de forma bonita, alegre, como uma benção. O que ele sentia por Ian, o que deveria ser? Se o amor é tão bonito, porque esse sentimento trouxe tanto sofrimento para sua vida, tantas decepções e inquietações à sua mente? O amor foi a arma que todos usavam ao seu redor para controlá-lo. Kame, que que demostrava ser uma pessoa legal, gentil carinhosa, declarava-se abertamente e insistentemente para ele, foi capaz de usar seu corpo para atingir quem ele considerava rival. Não se importou com os sentimentos dele, como isso o afetaria no trabalho, como seus colegas de trabalho o encarariam, ou seus superiores. Sentiu vergonha ao lembrar dos olhares e risadinhas das pessoas no elevador.
Como se aquele dia não bastasse, era obrigado a participar de uma cena constrangedora e nojenta. Mio chorou tanto por Ian, pensando que tudo tinha terminado, que ele não iria falar nunca mais com ele, mesmo assim, ele planejava continuar insistindo, queria explicar como ganhou as marcas. Mesmo que fosse complicado detalhar os acontecimentos, ele queria fazer Ian entender que não fez nada de caso pensado, ou por trocar os seus sentimentos pelos de Kame. Foram tantas preocupações, que agora nada além de nojo havia restado. Não era mais Ian que desejava não encontrá-lo nunca mais, era Mio agora que não queria nunca mais ouvir seu nome.
Para Mio, depois da cena que ele protagonizava na frente de seu quarto, não existia motivos para voltarem. Era o fim definitivamente. Usaria o ocorrido como uma experiência desagradável, enterraria suas memórias junto a ele, e seguiria em frente como uma nova pessoa. Mas madura e preparada para esses tipos de acontecimentos. Mas calmo, e sem chorar, percebeu que para levar aquilo como experiencia e amadurecer, ele precisaria largar de vez o passado para trás, ou as pessoas que atrasavam sua vida.
Levantou decidido que iria mudar de cidade, andaria sem rumo, escreveria seu próprio destino. Pegou a velha mala embaixo da cama, onde usava para guardar livros e mangás antigos, despejou tudo para fora dela, arrastou para frente do guarda-roupa e começou a jogar as roupas necessárias para uma viagem de longa duração. Pegou todo os objetos de alguma importância, abriu o cofrinho que tinha desde criança, colocou tudo na mala.
Daria um basta para Ian, Kame, seus irmãos, sua mãe. Todos que controlavam suas ações. Sairia antes do amanhecer, quando todos estivessem dormindo.
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De manhã bem cedo, a mãe de Mio, levantou para preparar o café, era um daqueles raros dias que todos os três filhos estavam em casa, quer dizer, sempre Nan e Hayato dormiam fora, Mio sempre estava em casa. Aprontou todo o banquete com tudo que os rapazes mais gostavam, dois já haviam acordados pelo cheiro da comida, Mio era o único que ainda não havia se levantado. Resolveu ir acordar o dorminhoco, queria comer em família e conversar sobre as novas experiências do caçula. Porém, quando chegou ao quarto e viu toda aquela bagunça, e nenhum sinal dele, não teve uma boa sensação. Gritou os dois filhos para correrem até o quarto.
— O que foi mãe? — perguntou Nan.
— O seu irmão... O seu irmão.... Aonde está o seu irmão? — perguntava nervosa. Hayato foi o primeiro a encontrar o bilhete de Mio grudado na porta do guarda-roupa com um adesivo. Arrancou e leu em voz alta para todos os presentes:
"Mãe e Irmãos.
Desculpe se desapontei vocês mais uma vez. Preciso de um tempo para respirar fora dessa cidade. Preciso percorrer o mundo e libertar meu coração de todos os desastres e tristezas que ele tem passado. Passarei um tempo fora. Preciso usar as lições que aprendi na prática, e sei que não consigo amadurecer sendo protegido por todos vocês. Entendo que querem o meu bem, mas, eu necessito cair para aprender a levantar e evitar a próxima queda. Por mais que vocês queiram evitar que eu descubra as maldades do mundo, elas já me alcançaram tem muito tempo, mas prometo que não irei me deixar abater por elas. Não me procurem, voltarei quando sentir que sou uma nova pessoa.
Mio. "
— Como assim ele foi para fora da cidade? Por acaso ele conhece alguém sem ser a titia? — perguntou Nan.
— Pode ser que ele tenha ido para casa dela, vamos ligar para lá. O que me preocupa é o que ele diz nessa carta, que as maldades do mundo o acalçaram a muito tempo. O que isso quer dizer? — perguntou Hayato.
A mãe deles depois de um tempo voltou a reagir, ela estava com raiva, passou por eles dois sem explicar para onde iria.
Atravessou a rua sem olhar quase sendo atropelada, entrou no prédio em frente, sem falar com o porteiro, subiu todos os degraus mal sentindo cansaço, estava dominada pela fúria. Ela sabe quem era o responsável por fazer as maldades da vida entrá na vida do seu precioso filho, e iria tirar satisfações com ele. Amaldiçoava o dia que Mio inventou de salvá-lo, foi depois desse encontro infeliz que toda a vida do seu filho caçula começou a desandar, junto com o resto de sua família. Sabia onde era o apartamento de Ian, lembrava do dia o incidente, dois homens estavam em frente á porta comendo pipoca. Ela tentou passar por eles para bater na porta e foi barrada.
— Quem é a senhora e o que quer? — perguntou um deles.
— Eu quero falar com o desgraçado que mora nesse apartamento! Chame ele agora aqui, não sairei até esse miserável me dizer aonde escondeu meu filho!
— Não sei do que está falando, vá embora velha maluca. Está incomodando. — respondeu o outro a empurrando.
Ela insistia, jogando-se por cima dos homens, chutando a porta com força.
— Chame esse desgraçado agora! Eu quero falar com esse desgraçado do Ian!— gritava.
Depois de tanto barulho, Ian abriu a porta para ver o que estava acontecendo. A mãe de Mio surpreendeu os seguranças e driblou eles, dando um belo tapa sonoro na face de Ian. Logo os seguranças seguraram ela, prendendo seus braços atrás das costas.
— Que mulher maluca! — reclamava eles.
— Soltem-na! — mandou Ian.
— Mas essa doida é agressiva.
— Eu mandei vocês a soltarem, ou acha melhor que a polícia bata aqui na porta por conta desse barulho?
Os homens a soltaram a contra-gosto, ela foi para frente de Ian apontando o dedo para o seu rosto.
— Seu bastardo infeliz! O que você fez para o Mio? Aonde ele está?— –perguntava exaltada.
— Juro para a senhora, eu não sei aonde ele está.
— Não se faça de desentendido! Eu sei que você sabe aonde ele está! Seu demônio! Você apareceu para acabar com nossas vidas! Acabar com a paz do meu filho! Você está escondendo ele na sua casa com suas falsas promessas de novo? — perguntou tentando entrar, mas parou assim que viu Natally se aproximando atrás de Ian com cara de sono, seminua enrolada no cobertor.
— Quem é que está gritando em frente a nossa porta, amor?— perguntou.
A mãe de Mio olhou com muita raiva para ele, e Ian ficou constrangido imaginando o que ela estava pensando.
— Me arrependo por ter acreditado em suas palavras e ter levado meu filho até você. Agora eu sei o motivo que ele foi embora, é tudo sua culpa, como sempre foi. — ela saiu andando furiosamente e desceu as escadas.
Ian queria correr atrás dela, perguntar mais sobre o tal desperecimento de Mio, mas ficou parado em frente à porta se sentindo culpado.
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