Stalker
15 Dúvida
Notas iniciais

Depois daquele dia, Mio decidiu que aquela seria a última vez que confiaria em alguém que não fosse da sua família, seu irmão bem que havia o avisado que Ian só estava procurando diversão. Veria aquela situação como uma aprendizagem sobre o caráter das pessoas, e que não deveria confiar nelas facilmente; porém isso não queria dizer que ele não se relacionaria com mais ninguém depois de Ian, muito longe disso, daria chance para outra pessoa, mas sem a mesma expectativa que tinha pelo seu antigo amado. Na próxima vez que encontrasse Ian, ele não estaria triste e deprimido, mas sim, feliz e realizado, essa era sua intenção.
Mio chamava muito a atenção das pessoas do curso onde estudava; bonito, carinhoso e educado, ele também era muito prestativo em auxiliar os professores com os alunos novos em sala, chegando até estagiar por um tempo na instituição. Isso o ajudou a fazer mais amizades no curso, era uma vida bem diferente do que tinha através dos amigos online em seu quarto. Uma dessas pessoas que Mio chamou atenção foi Kame, um rapaz de vinte e três anos que constantemente era seu parceiro nas aulas. Kame sempre insistia que Mio deveria sair para jantar com ele, usando como argumento que por ser filho do dono das lojas mais famosas no ramo em que estudavam, seria mais fácil ele conquistar um emprego na área. Depois de tanto insistir, Mio achou que estava mais do que na hora de aceitar o seu convite, mas sua intenção era de sair somente como um amigo; apesar de ter todo um plano elaborado mentalmente que deveria namorar outras pessoas, ele ainda não se sentia preparado para por em prática essa decisão.
Não foi difícil convencer seus familiares de permiti-lo sair com Kame, esse já fazia parte de sua casa e era muito bem aceito pelos seus irmãos, talvez pelo fato de ser rico e não demostrar nenhum sinal que fosse homossexual, os irmãos de Mio não tinham preocupações com ele. Além do mais, Mio deixou explicito que era um jantar de negócios pois tinha a pretensão de aceitar alguma proposta da empresa de Kame. Esse seria o seu segundo encontro na vida, mesmo que não fosse com a mesma intenção do primeiro, Kame era a segunda pessoa fora da sua família que ele sairia.
Arrumado em frente ao seu prédio vestindo uma camisa esporte social de mangas dobradas até o meio do braço e calça jeans, Mio esperava ansioso a chegada de Kame. Ajeitando seu cabelo que quase batia em seus ombros, imaginava situações que poderiam ocorrer no seu jantar e como deveria se comportar diante delas, ainda sentia-se inseguro em viver como um adulto; quando finalmente Kame estacionou em sua frente e buzinou para ele, antes mesmo de dar o primeiro passo um homem esbarrou-se nele de modo violento. Dando um "desculpe" e saindo, Mio ficou chocado com tamanha grosseria, mas resolveu deixar isso para lá.
— Você está bem? Aquele mal educado se esbarrou em você com tanto espaço na rua... — perguntou Kame preocupado quando ele sentou do seu lado.
Mio olhou para seu amigo e ficou muito sem graça, ele sabia que Kame fazia sucesso no curso pois era muito bonito, mas não havia reparado nisso tão detalhadamente como agora. Usando uma camiseta também esporte social azul marinho de mangas curtas e dois botões abertos deixando seu peitoral um pouco à mostra, Mio se sentia um tanto incomodado com sua presença tão perto. Kame o ajudou colocar o cinto e Mio sentiu o perfume delicioso emendando do seu corpo, seu um metro e noventa, meio que caia em cima dele enquanto prendia a peça no local correto. Não era como se Mio não soubesse colocar o cinto de segurança, Kame estava exageradamente muito prestativo.
— Não me machuquei, mas me assustou. — respondeu, engolindo em seco.
Nesse momento, Kame fez um passo muito suspeito, debruçou-se novamente em cima de Mio muito próximo ao seu rosto, por um momento, Mio chegou a achar que ele fosse beijá-lo.
— Você não fechou direito. — disse abrindo e fechando a porta do carro.
— Ah, desculpe ... — respondeu muito sem graça por ter imaginado algo nada a ver com à situação.
— Então, pensei em te levar para um restaurante italiano, gosta de comida italiana? — perguntou ele a Mio dando partida no carro.
— Não! — respondeu meio exagerado demais — Não, quer dizer... Nada contra... Só não estou interessado em comida italiana no momento.
— Tudo bem, pensarei em outro local no caminho.
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Mais uma noite em que Ian se via obrigado acordar com Natally deitada ao seu lado na cama, obsessiva, ela ficava o admirando dormir até ela mesma pegar no sono. Ian estava farto daquela perseguição, irritado profundamente em ter que obedecer seus pedidos; porém, não tinha outra escolha se não tentar cumprir com suas exigências afim de proteger a vida de Mio, que ela usava a todo momento como chantagem.
Por conta da sua perseguição, ele nem mais comparecia ao trabalho, vivia jogando atestados falsos para explicar seu sumiço repentino. Fazia a maior parte do serviço em casa, sob constante vigilância dela. Naquela noite, Natally acabou facilitando sem perceber as coisas para Ian, deixou visível o frasco com comprimidos para dormir que uma vez ou outra ela o obrigava à tomar. Rapidamente, Ian roubou alguns desses comprimidos e não sendo muito exagerado para que ela não notasse, guardou no bolso de sua calça. A intenção era fazê-la dormir e fugir por algumas horas para finalmente ir até Mio e contá-lo o que aconteceu com ele todo esse tempo.
Estava tudo planejado em sua cabeça, faria um suco onde colocaria os comprimidos esfarelados, daria para ela, depois chamaria o serviço de quarto e combinaria com o garçom para emprestá-lo seu uniforme e aguardá-lo no quarto até que ele voltasse. Recompensaria com uma boa quantia de dinheiro em troca de sua cumplicidade. Começou então colocar em andamento seu plano, o quarto em que estavam hospedados tinha uma pequena copa cozinha, fingiu-se interessado em agradá-la e disse que faria um suco para os dois. Ela ficou animada e tentou acompanhá-lo no processo, ele inventou que precisava que ela desse uma opinião sobre o relatório que havia escrito para empresa, pois a opinião dela seria de grande ajuda. Natally tinha problemas com elogios, era facilmente enganada por ele sempre que recebia algum tipo de enaltecimento, enquanto ela olhava os papéis, mesmo não entendo nada, ele colocava o remédio em seu copo.
— Obrigado pela ajuda, aqui está meu agradecimento. — disse ele entregando para ela o copo com o suco.
— Como sua futura esposa tenho que te ajudar em tudo meu amor, obrigada. — respondeu dando um gole na bebida.
Ian ficou ali ao seu lado, esperando que o remédio fizesse logo efeito, não demorou muito para ela demostrar sonolência e dormir por cima dos papéis. Ian a pegou no colo e a deitou em cima da cama, ligou para o serviço de quarto e pediu um jantar, pois sabia que esse tipo de pedido vinham em carrinhos e ele precisava daquele carrinho para esconder sua roupa, solicitou também que o entregador fosse homem usando como desculpa que precisaria de sua ajuda para pegar algo pesado com ele.
Com tudo pronto, Ian separou o dinheiro e aguardou o serviço de quarto bater em sua porta. Ele poderia ter saído facilmente do hotel depois de colocar Natally para dormir, se não fosse pelos seguranças dela do lado de fora, eles não davam folga nenhum momento para ele, e Ian sabia que não eram guardas normais e sim, bandidos contratados dispostos a fazer tudo que sua contratante os ordenasse. Foi usando esse tipo de gente, que ela conseguiu amedrontar todos seus ex- parceiros.
O garçom bateu na porta do seu quarto trazendo consigo o carrinho e as bandejas com o seu pedido. Ian o chamou para entrar rapidamente, e fechou a porta, mostrando o montante de dinheiro. Ele explicou o seu plano e o homem aceitou ajudá-lo, trocando de roupa com o empregado e colocando escondido um casaco embaixo do carrinho, ele saiu pela porta de cabeça baixa fingindo ser o garçom que havia entrado. Os seguranças não perceberam a mudança, pois estavam entretidos com algo que viam no celular de um deles. Longe de onde eles estavam, Ian escondeu o carrinho atrás de um grande vaso com plantas que tinha no corredor, próximo ao elevador, e saiu correndo do hotel carregando consigo um pequeno bilhete para entregar a Mio caso não conseguisse falar tudo de uma vez para ele.
Vestindo o capuz suspenso do seu casaco para não ser reconhecido por outras pessoas do bairro, Ian avistou Mio muito arrumado em frente ao prédio que morava. Parecia estar esperando alguém, e Ian ficou incomodado com isso. Ele tinha um encontro? Enquanto ele sofria pensando em uma maneira de avisá-lo sobre tudo que estava acontecendo, Mio estava saindo com outra pessoa? Quando um carro se aproximou e buzinou para ele, Ian teve certeza que Mio estava saindo com outra pessoa. Antes que ele entrasse no carro, passou por ele se esbarrando violentamente, dessa maneira conseguiu colocar no bolso de sua calça o bilhete. Observando de longe, viu Mio entrar no carro, e o outro homem agir muito intimo dele.
Ian entendia que Mio poderia estar com raiva dele por ter sumido sem nada explicar e depois aparecer com outra pessoa, mas ele havia esquecido tudo assim tão facilmente? Para onde foi aquele garoto sensível e que não sabia nada sobre o mundo e o amor? Aonde eles iriam? Ele faz amor com aquele cara também? Aqueles pensamentos estavam o corroendo por dentro. Voltou para casa do mesmo modo, fingindo ter sido chamado novamente no serviço de quarto, os seguranças não desconfiaram já que Natally solicitava esses serviços a todo tempo, entregou o uniforme de volta ao garçom que foi embora sorridente por ter ganhado mais do que seu salario somente para ficar parado esperando ele voltar.
Deitado na cama do lado de Natally, olhava o rosto calmo e suave de sua sequestradora, e conseguia entender porque ninguém acreditava nele quando dizia que ela era perigosa e violenta; sua expressão sempre demostrou o oposto para as outras pessoas. Pensou em Mio, e se perguntou se ele também era como Natally, se existia um outro Mio que ele não conhecia, seu coração apertava ao lembrar da cena dele com o outro cara. Finalmente, o que ele estava protegendo se Mio estava seguindo em frente sem ele?
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