Stalker

9 Ansiedade


Notas iniciais
Agradeço aqueles que estão seguindo a fic!

Com a ajuda do seu irmão Nan, Mio conseguiu uma desculpa para passar o final de semana fora. Obviamente sua mãe achou a ideia absurda por conta de seu irmão ser conhecido como o rebelde da família, porém, Mio estava feliz por não precisar fugir de casa que era sua segunda opção. Sua face corava sempre que pensava nele e Ian à sós, colocou as mãos no rosto e balançou a cabeça afim de afastar aqueles pensamentos ruins que surgiam quando percebia sua falta de experiência com relacionamentos, diferente de Ian que parecia um especialista sobre o assunto, Mio morria de medo de decepciona-lo, e acabar naufragando o romance de final de semana porque um dos tripulantes não sabia remar. Por mais que buscasse não pensar nesse assunto, era inútil! O medo o perseguia o tempo inteiro, chegou a cogitar desmarcar e tentar outra forma de aproximação menos direta, mas, se conseguisse desmarcar a viagem será que Ian continuaria interessado? Essa pergunta martelava em sua cabeça deixando ele mais ansioso e agoniado. Andava pela casa roendo as unhas e a cada cinco minutos dava uma espiada na janela olhando para casa dele. Seu irmão mais velho — aquele que raramente estar em casa — notou sua impaciência com alguma coisa.

— Aconteceu algo, Mio? — perguntou enquanto bebia um pouco de leite direto da caixa.

— Nada... — respondeu ainda andando de um lado para o outro.

— Está nervoso por que vai sair com o Nan? Bem, eu no seu lugar também ficaria! — disse dando risada da sua própria piada.

— Hayato... — Mio pensou lhe falar algo, mas acabou desistindo — Esquece! Você sabe que a mãe odeia quando você bebe leite direto da caixa.

— Ela não está aqui para ver, não é mesmo? Você também não é um dedo-duro!

Hayato tinha vinte e nove anos, era o mais velho dos irmãos de Mio. Possuía um emprego fixo em uma empresa e tinha sua residência própria, mas constantemente vinha dormir na casa da mãe. Ele repudiava casamentos achando que estragava a relação, por conta disso vivia de namoricos sem planos para o futuro, isso deixava sua mãe desesperada.

— Hayato, o que se deve fazer em um encontro? — finalmente Mio tomou coragem e perguntou. Pensou que como irmão mais velho ele possuísse mais experiências de vida para compartilhar e assim diminuir seu desconforto.

— Vejamos... Você tem que agir naturalmente, deixar a pessoa mais confortável possível. O resto flui naturalmente.— respondeu o irmão sentando-se no sofá e ligando a TV.
Mio correu para seu lado e sentou-se perto cruzando as pernas em formato borboleta, o olhava curiosamente.
— Como eu faço para deixar a pessoa confortável?

Hayato percebeu que ele estava muito preocupado em agradar alguém, imaginou que Nan tivesse arranjado algum encontro com alguém que o Mio ficou interessado. Resolveu ajudar.

— Bom, seja doce e carinhoso. A elogie, pergunte sobre as coisas que ela gosta e converse sobre elas. Mulheres adoram atenção e homens preocupados com o que elas pensam. — Isso funciona com garotos também?

— Acho que sim... Espere ai! Com garotos? O que quer dizer? — perguntou assustado com à pergunta. Mio percebeu que falou demais, e levantou-se do sofá tentando contornar a situação. O Hayato era como o pai da casa, chegar diretamente e tocar sobre seus sentimentos por outro homem era algo insensato de se fazer, precisaria de mais tempo e outra abordagem.

— Nada, só estava curioso com relacionamentos em geral. Não exatamente o amoroso. — respondeu ele, Mio ficou aliviado quando viu o semblante do irmão voltando ao normal.

— Não se preocupe demais com isso! Relacionamentos de qualquer espécie não é um bicho de sete cabeças, é mais fácil do que imagina. Basta estar disposto a conhecer a outra pessoa. — disse dando o assunto por encerrado e aumentando o volume da televisão.

Mio saiu da sala e foi tomar um banho pensando no que seu irmão havia dito. Algumas coisas sobre Ian ele já sabia, poderia começar uma conversa perguntando o que gostaria de saber. Por exemplo: Qual seria sua comida favorita? O estilo musical que mais gostava? Quando saiu do seu banho imaginando inúmeras perguntas sobre as coisas que ainda não sabia sobre seu amado, ele olhou seu reflexo no espelho. Percebeu que seu cabelo havia crescido muito nos últimos meses e que precisava cortá-lo. Suas mechas brancas meio-acinzentadas, já batiam no ombro. Passou todo o cabelo para trás deixando o rosto mais evidente. Ele não era feio. Só aparentava ser mais novo, sua pele era bem clara e não possuía imperfeições. Seu rosto era limpo e macio.

Ele começou a tocar o seu corpo, imaginando se Ian o acharia bonito, passou suas mãos pelo seu peitoral descendo até sua barriga, seus músculos eram discretos, e algumas costelas apareciam. Estava um pouco magro demais, mesmo assim, imaginou que suas mãos fossem as de Ian percorrendo todo seu corpo. Aquelas mãos grandes e fortes descendo por dentro de sua toalha amarrada na cintura, seu rosto ia corando com o calor dos pensamentos proibidos com seu vizinho. Seus toques nas sua parte íntima aumentava o desejo que tinha pela aproximação do final de semana, estava quase chegando lá quando ouviu as batidas na porta do banheiro, levando um susto e a uma vergonha enorme de si mesmo. Respirou fundo e jogou um pouco de água no rosto para se recompor.

— Mio, você está bem? — perguntou seu irmão do outro lado da porta, preocupado com sua demora no banheiro. Mio havia esquecido que naquela casa ele era "o debilitado", que sua demora no banheiro sempre levava à todos a crer que ele havia desmaiado no chuveiro.

— Desculpe! Estou bem sim, somente me empolguei no banho.— respondeu com a voz um pouco rouca. Seu irmão se acalmou ao perceber que ele estava bem, porém Mio estava agitado pro dentro, se somente com aqueles pensamentos ele chegou aquele ponto, imaginou o que aconteceria se Ian o tocasse de verdade. Mal podia conter sua ansiedade para o final de semana.