Stalker

2 Anjo?


Depois de refletir por alguns segundos, Mio pegou um par de sapatos e segurou contra o peito. Iria passar pela sala descalço, não queria fazer barulho. Sua mãe estava atenta na novela e seus irmãos não estavam em casa. Como de costume dormiram na casa das namoradas. Aproveitou para passar sem ser notado, abriu a porta e fechou cuidadosamente. Não quis esperar o elevador, então saiu correndo as escadas do prédio. Ele morava no sexto andar. O desespero para salvar Ian era mais forte que sua condição física debilitada. 
Só lembrou de calçar os sapatos quando estava na saída do prédio. O porteiro achou estranho ele de pijama descendo ofegante e perguntou: 
— Senhor Mio, o que faz aqui em uma hora dessas, e vestido desse jeito? E sem sua mãe? Aconteceu alguma coisa, Senhor? 
Mio não deu importância ao porteiro e saiu correndo atravessando a rua por entre os carros que passavam. Ele estava muito cansado quando entrou no outro prédio. O porteiro deu boa noite, Mio só conseguiu falar "Liga pra polícia." E começou a subir o mais rápido possível os degraus. Estava tão desesperado para salvar a vida de Ian que não passou por sua cabeça usar o elevador, e saiu pulando degraus para chegar o mais rápido possível no andar. Sabia qual era a numeração da porta então quando chegou exausto, procurou ela. O cheiro do gás de cozinha já começava a sair pelo corredor, mas ainda não era perceptível para os outros apartamentos do andar. Tentou girar a maçaneta e abrir a porta normalmente, mas estava trancada. Aqueles homens queriam mesmo matá-lo. Tentou então abrir a porta com chutes, e ombreadas na porta até que conseguiu. A adrenalina em seu corpo estava tão alta que não sentia dor, nem nada. Nesse momento pessoas dos apartamentos vizinhos começaram a surgir no corredor pelo barulho. Assim que a porta abriu, Mio foi dominado por aquele odor de gás, puxou a camisa contra o rosto para evitar respirar tanto daquilo e procurou o sofá aonde Ian dormia inconsciente. 
O pegou pelos braços e arrastou até o chão e assim foi levando até o corredor. Após deixar Ian sã e salvo do lado de fora do apartamento, correu para desligar as bocas do fogão e abrir todas as janelas, para ventilar o ambiente e ameaça diminuir. Voltou sua atenção para o corredor novamente e correu até a vítima que estava com o porteiro e uma pequena quantidade de pessoas em volta.

— O que aconteceu com o Sr. Ian? — perguntou o porteiro a ele que ajoelhava-se do lado dele com lágrimas nos olhos. Mio novamente não o respondeu, sem pensar começou a fazer massagem cardíaca no peito de Ian e respiração boca a boca. Era tudo que ele poderia fazer no momento — o único procedimento de primeiros socorros que lembrava. Respirou aliviado quando viu ele tossir sem parar.

Ao perceber que ele estava bem, voltou sua atenção para o porteiro. 
— Dois caras entraram com ele no apartamento e ligaram todas as bocas do fogão depois fecharam as janelas pra que morresse. Da janela da minha casa acabei vendo o ocorrido e vim ajudar. Por favor, ele precisa de uma ambulância, além que a polícia também precisa ser avisada.

O porteiro, abismado, só conseguia concordar com a cabeça. Saiu correndo para ligar para polícia e hospital. As pessoas cochichavam, achando um absurdo aquilo ter acontecido em um bairro tão pacífico.

Como Ian já se encontrava seguro, Mio resolveu voltar para casa. Quando iria levantar, sentiu uma mão segurar seu braço, e Ian o fitava com os olhos semicerrados e balbuciava algo que ele não conseguia compreender. Então encostou seu rosto mais próximo ao dele para ouvi-lo. Ian sussurrou quase inaudível: 
— Você é um anjo?

Mio ficou sem palavras. Pensou que ele poderia estar confuso devido ter respirado tanto gás, ou pela bebida. Percebeu que estava muito próximo do seu rosto. Ele era mais bonito de perto. Seus olhos eram pretos e brilhavam com a luz do corredor como duas pérolas negras. Mio sentiu uma vontade enorme de beijá-lo. Ouviu uma voz familiar vindo das escadarias. Era sua mãe! 
Ela notou que ele saiu? Não, possivelmente o porteiro informou a ela dá sua saída repentina. Levantou correndo, e com as pernas cambaleando foi até o elevador. Não demorou muito para o elevador chegar ao andar. Entrou se sentindo tonto. O corpo pesava demais, sua visão estava escurecendo. Apertou o botão do térreo e desmaiou.

Notas finais
Perdoe qualquer erro gramatical. Obrigado