Sra. Williamson
18 Capítulo 17
Notas iniciais
A primeira coisa que Elisabeta viu ao acordar foi o olhar apaixonado de Darcy vagando por todo o seu rosto. O quarto ainda estava escuro, e apenas metade do rosto de Darcy estava iluminado pelos pequenos raios de sol que ameaçavam sair. O verde dos olhos dele agora eram tranquilos e passavam uma calma inexplicável.
—Bom dia, Elisa.
—Já é dia? Eu esperava voltar para casa antes de dona Ofélia notar minha ausência.
—Talvez ainda dê tempo se eu a levar de carro. Só temos um problema.
—Qual?
—Eu não quero deixá-la ir.
—Darcy… — Elisa tentou esconder o sorriso, em vão.
O rapaz inclinou um pouco mais seu corpo em direção a moça, um dos braços por cima dela apoiando seu peso. Com a mão livre tirou uma mecha do cabelo dela do rosto e sorriu preguiçoso.
—Você está mesmo aqui? Eu mal consigo acreditar.
—Estou… Darcy, isso é tão errado. Mas por que eu sinto que é o certo?
—Eu não me importo com certo ou errado desde que esteja com você. Desde que você surgiu na minha vida tem sido assim.
O sorriso de Elisabeta se alargou ainda mais. Como aquele homem podia ser real? Nada mais fazia sentido na cabeça dela, mas pela primeira vez ela não se importou com isso.
—Ontem a noite quando eu senti que precisava procurar por você… O sentimento em mim era tão… Urgente.
—Tudo em você é urgente, Elisabeta. Estou começando a achar que tudo em nós é urgente, por isso tem sido tão complicado para mim ir com calma.
—Talvez não precisemos ir com calma.
—Elisa… — ele olhou fundo nos olhos dela, sério e intrigado com a frase que acabara de escutar. Ele estava oficialmente desistindo de acompanhar a cabeça de Elisa. Definitivamente Elisabeta Benedito o enlouqueceria. Talvez ele já estivesse completamente louco. Por ela.
—Eu desisti de tentar ser racional, Darcy. Algo sempre me atrai para você e eu descobri que gosto disso. Então simplesmente vou me deixar levar por esse sentimento.
—Elisabeta, Elisabeta… — Ele inclinou a cabeça para trás, gargalhando. — Eu vou beijar você agora, Elisabeta Benedito.
—Por favor me beije, Darcy Williamson.
***
Quando Darcy deixou Elisabeta em casa, 1 hora depois, os dois se despediram com um beijo. Com vários beijos, na verdade. Darcy parecia ainda mais fascinado por Elisa, ele sorria com olhos, olhos que não desgrudavam de cada detalhe do rosto dela.
—Entāo agora que somos… Namorados? — Ele fez a pergunta em meio a afirmação, assim como ela havia feito meses antes no alto do morro.
—Sim… — ela respondeu, as mãos acariciando os dedos dele.
—Nada não. Era só para ter certeza.
—Você é um bobo, Darcy.
—Eu fico bobo quando estou feliz.
—Meu Deus, como você é brega!
—Mas você ama esse homem bobo e brega.
Darcy não falou isso com a intenção de atingi-la, era uma brincadeira. Mas atingiu. Ela o amava. Sabia disso agora. Ele sabia? Já havia dito a ele?
—Eu preciso ir. Todos já estão acordados a essa hora. Minhas irmãs com certeza já notaram minha ausência, e basta apenas um descuido delas para dona Ofélia entrar em surto.
—E eu preciso ir para a ferrovia, muitas pendências. Mas prometo passar aqui ao final do dia, tudo bem?
Elisa acenou e depositou um beijo rápido em Darcy, saindo em disparada para a casa.
Encontrou a família toda reunida fazendo desjejum. Mariana trocou um olhar cúmplice com ela e Jane escondeu o riso na xícara de café que levava à boca. Cecília a questionou com os olhos e antes que Lídia pudesse dar com a língua nos dentes Elisabeta tratou de se pronunciar.
—Bom dia! Saí antes do amanhecer para clarear meus pensamentos. Perdi a noção do tempo, mas que bom que ainda os peguei tomando café, estou morrendo de fome!
—Posso saber que pensamentos a senhorita precisava clarear antes mesmo do dia clarear? — perguntou dona Ofélia sem dar tempo para que a filha sentasse à mesa.
—Eu passei por muita coisa, mamãe, era de se esperar que eu estivesse confusa.
—Espero que sua confusão não afaste o lorde inglês de dois metros de altura que você milagrosamente conseguiu fisgar.
—Ofélia!
—Mamãe!
Felisberto e Cecília repreenderam a matriarca ao mesmo tempo.
Elisabeta comeu em silêncio, e aos poucos a família foi se dispersando. Mariana foi a primeira a sair, e Elisa suspeitava que tinha algo a ver com o personagem mascarado que a irmã havia criado. Rômulo apareceu para se despedir de Cecília, pois precisava ir à Campinas para ver um paciente. Lídia e Ofélia embarcaram em uma conversa sobre dona Ágatha; as duas falavam da intromissão da dona da casa de chá, mas eram as primeiras a fazer fofoca da mulher. Jane sentou-se no sofá com seu bordado, esperando pela hora em que a irmã a chamaria para uma conversa. Mas o momento não veio, porque seu Felisberto possuía uma sagacidade de dar inveja, e conhecia sua primogênita como a palma de sua mãe.
—Elisa, chegaram uns livros novos de São Paulo, você poderia vir à biblioteca por um minuto?
Elisabeta trocou um olhar ansioso com a irmã, mas acompanhou o pai até a biblioteca. Seu Felisberto foi direto ao ponto:
—Eu vi você chegando de carro com Darcy. Minha filha, não me diga que você está iludindo o pobre rapaz.
—Iludindo? Pobre rapaz? O senhor não deveria ficar do meu lado?
—Existe um lado? Elisabeta Benedito, o que aconteceu?
—Não aconteceu nada papai. — Elisa caminhou pela sala, as mãos brincando com o tecido da longa saia vermelha, indicando que ela estava nervosa. — Na verdade, aconteceu. Eu acho que o amo, papai.
—Ah, minha filha! Minha menina… — Felisberto caminhou até a filha e segurou suas mãos, depositando um beijo em cada uma delas. — E como você está lidando com isso?
— Ele não é orgulhoso, papai. Hoje eu vejo que não. Ele é íntegro e honrado e paciente. E é bom pra mim.
— E lhe ama.
Elisabeta encarou o pai, em um misto de surpresa e ansiedade. Felisberto riu, um riso carinhoso.
—Eu sei disso. Sei pelo jeito que ele lhe olha e cuida de você. E sei porque ele me disse.
—Ele lhe disse? Papai!
Elisabeta caiu sentada na poltrona atrás de si, um sorriso bobo surgindo em seu rosto. Darcy a ama. E ela o ama de volta. De repente tudo pareceu tão simples.
— Sendo assim, acho que fica decidido entre nós que seremos o casal mais feliz do mundo. — Ela riu alto e logo depois colocou os dedos na boca, mas o sorriso ainda podia ser visto em seu rosto e em seus olhos. — Mas você está contente, papai? Você gostaria de tê-lo como genro?
— Eu já o considerava como tal.
Elisa então abraçou o pai e ele teve certeza de que o sorriso da filha ali, bem próximo ao ouvido dele, as batidas do coração dela aceleradas bem próximo ao coração dele, eram os sons mais bonitos que poderiam existir em todo o mundo. Nada seria capaz de fazê-lo mais feliz do que ver a felicidade das filhas.
Elisabeta era sua menina dos olhos, seu maior orgulho. Claro que ele amava todas as suas filhas, e sabia o que cada uma delas possuía de único e mais especial, mas Elisabeta sempre fora a mais parecida com ele, com quem ele sempre fora mais próximo. Felisberto gostava de Darcy, confiava nele e acreditava no amor que o jovem lorde sentia por sua menina. Ele estava tão feliz que se os namorados das filhas pedissem sua benção para o casamento ele daria ali mesmo, sem pensar duas vezes.
Quando Elisabeta deixou a biblioteca encontrou apenae Jane à sua espera bem diante da porta, os olhos apreensivos e curiosos. Elisa sorriu para a irmã — a verdade é que ela ainda não havia conseguido parar de rir desde a hora em que acordou — e tudo que disse foi:
—Eu o amo, Jane. E ele precisa saber!
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