Notas iniciais
Eu posso ter demorado por que eu pesquiso muito, penso muito, e acho essencial ter uma coisa bem escrita, bem explicada, é o meu jeitnho de ser... ♥~♥ ~♪♫Enjoy♥♪♫ ~

Era uma refrescante manhã de primavera, o avião de Luco aterrissou em Florença, Toscana, na Itália. Estava visitando o pai, fazia um tempo que não o via, tinha sido aniversário dele; não foi por isso que ele decidiu ver o pai; e sim pela mensagem que ele recebeu em seu email; dizendo ele teria uma surpresa agradável.
Fazia quatro meses que não via o pai; ele estava fazendo um mestrado em Copenhague, ele tinha ótimas ligações com seus amigos e meio irmãos; já estava até planejando uma festa pelo retorno. O rapaz respirou fundo quando viu Narcisa, a motorista particular do seu pai; ela tinha cabelos levemente ondulados na cor vinho, ela tinha por volta de trinta anos, não havia problema de ela ter ido busca-lo; mas, ele se lembrava de que sempre que Narcisa iria o buscar em qualquer lugar, uma coisa era certa; seu pai estava um pouco doente ou com uma notícia ruim para dar.

—Você está tão grande... – Ela sorriu passando a mão sobre os ombros dele. Era a maneira dela de acalma-lo. – Tão bonito e forte. – Ele cumprimentou a mulher da forma mais cordial que podia, e guardou as malas porque na opinião dele, aquele não era o trabalho da mulher.

—A madame também está jovial. – Luco disse com um sorriso abraçando ela. Mesmo que na verdade, a inquietação tomou conta dele enquanto iam para a propriedade da família de Luco, era um pouco longe, mas, sua mente estava a mil com pensamentos nada agradáveis ou positivos. Principalmente seus dedos batendo sobre a maçã do rosto e mexendo as pernas em um ritmo discreto.

—Está muito quieto Lufeyson... – A mulher falou depois de trinta minutos de viagem. O rapaz deu uma leve risada. – Não se preocupe, seu pai está bem. Nunca o vi melhor...

—Tem algum motivo especifico para ele não ter ido me buscar no aeroporto? Aconteceu algo com o trabalho dele? Com alguém da família? – Ele tinha apenas duas tias e um tio por parte do pai e no total: três primos, mas, velhos que ele, que mesmo sem serem Semideuses eram tão insuportáveis que nem Luco os aguentava.

—Não quero estragar a surpresa... Mas, é uma surpresa boa. – Luco deu um meio sorriso e encostou a cabeça no vidro do carro. Uma surpresa? Vindo do seu pai qualquer coisa poderia ser uma surpresa. O que poderia ser? Não era como se o seu pai não lhe ajudasse em algo ou com uma coisa; aliás, seu pai tentava ao máximo compensar o fato de Luco não ter uma mãe presente; não importava quantas namoradas seu pai tivesse, mesmo que o rapaz gostasse delas, havia o fator de que Luco era explosivo como Belona, nesse ínterim, Conrado fazia isso porque assim poderia ver Belona algumas vezes. Mas, da parte dela eles não tiveram mais filhos. Infelizmente ele não tinha a sorte que os irmãos Black tinham; ás vezes queria, porque claramente, seus primos eram bem detestáveis.

Depois de quase uma hora de viagem do aeroporto até a casa do seu pai em Nápoles, Luco ergueu as sobrancelhas. Ele encostou a mão na janela observando um vasto jardim, muros altos, a mansão do seu bisavô? Ele tentou pensar em coisas plausíveis, mas, não conseguiu formular a frase.

—Narcisa?! – A mulher riu, a expressão dele era muito divertida, a expressão de confusão e surpresa, o que acontecia raramente, por isso era tão bom. Luco pressionou os lábios ficou levemente envergonhado. – O quão bom é essa surpresa?

—Um spoiler? – Ela perguntou em um tom divertido, na qual ele concordou. – Vai mudar sua vida para sempre.

—Para melhor ou pior?

—Só posso dar um spoiler... – Ela sorriu e parou o carro na garagem da mansão, então ela se virou para trás. – Bem-Vindo de volta para Itália Sr. Luco. – Ele respirou fundo, aquele palacete havia sido construído em algum momento do século XIX combinando com o estilo neoclássico, claro, seu bisavô não mudou em nada a arquitetura e as decorações antigas, ali era para se entrar em uma viagem no tempo. Além dos 20 quartos, também tem um apartamento no terceiro andar, tinha um segundo apartamento no andar principal depois de uma grande escadaria de pedra. E claro, para completar, 11 grandes quartos duplos com roupeiros e sete casas de banho de serviço. O palacete era enorme, servia mais para reuniões familiares, cada um com a sua extensa família e uns agregados. Depois de muito procurar pelas salas, encontrou o pai na sala com lareira, sentado ao sofá lendo um livro, com uma pasta ao lado; suas pastas sempre eram meio prateadas com vermelho para lembrar Belona; o rapaz deu um sorriso abafado e pigarreou antes de entrar na sala, o que deu tempo do seu pai parar de ler e se levantar para abraçar o filho com força.

—O senhor está bem? Aconteceu alguma coisa muito grave? Alguém morreu?! – Conrado deu uma risada animado, estava feliz de ver o filho.

—Eu estou ótimo! Não aconteceu nada grave; e ninguém morreu. – Houve uma pausa. – Sua tia Gothel continua vivíssima. – Luco torceu o nariz, não desgostava da tia, mas, também não a amava, era apenas mais uma parenta. – E como você está? Como foi na Dinamarca? Se divertiu? Fez alguma coisa interessante? Conheceu alguém importante? – Luco abriu os olhos surpreso e se corou levemente passando a mão na nuca.

—Claro que não pai. Eu estava estudando. Trabalhando; eu tinha objetivos e estava focado. – Luco olhou para o pai desacreditado. – Até parece que não me conhece.

—Bom, ao menos é uma coisa boa... – Conrado se sentou no sofá, pegou a pasta e bateu duas vezes para que Luco se sentasse, o que o rapaz fez com curiosidade.

—Negócios? – Ele chutou, o outro confirmou o que fez o garoto tirar seu blazer e se prestar atenção no que o pai iria falar.

—Como você sabe, o negócio do seu bisavô e avó sempre prosperaram. – Luco concordou. Tudo começou com um engenheiro de máquinas, que depois quis investir em algo que deu certo, os carros, dali se construiu um império automobilístico. Sua avó começou como gestora, se tornou médica veterinária, seu pai por sua vez, optou por ser empresário da saúde, basicamente, Luco nasceu em berço de ouro. – E óbvio, agora é a sua vez para eu passar a sua parte da empresa. – O rapaz ficou pálido; não estava esperando por isso, não tá cru assim. – Você fez 25 anos, é inteligente, responsável e vai saber administrar cada parte.

—Obrigado pai, não precisava; eu nem... – Ele foi interrompido.

—Existe uma condição para você receber tudo e claro, ter o direito quando eu morrer. – Luco estreitou os olhos. – Definitivamente será ótimo para você. – Luco deu um sorriso bobo; seu pai sempre fazia isso. Surpresas.

—Então me conte o que eu vou precisar fazer...

—É sobre o testamento. Tem uma cláusula especial; digamos, a única clausula que eu não cumpri; dado a isso, eu fiquei sem uma parte da herança... – Luco ficou surpreso, não parecia que seu pai ficaria sem uma parte da herança da sua família. – Mas, eu sei que você será capaz de fazer, você é bom nisso.

—Então... – Ele juntou as mãos por baixo do queixo curioso. – Qual é a cláusula que o senhor não conseguiu cumprir? – Conrado riu e colocou a mão no ombro do filho, por um momento ele sentiu-se apreensivo, devia ser realmente uma coisa muito difícil de fazer.

—Me casar. – Luco piscou lentamente parecia estar absorvendo tudo aquilo. Ele ficou imóvel por um momento, antes de dizer algo seu pai continuou.

—Eu precisarei me casar?! O senhor só pode estar ficando delirando... Com todo o respeito. – Houve uma pausa, e Luco se acalmou, tentou pedir desculpas.

—Sei que parece que estou tirando de você a chance de conhecer e escolher a pessoa que você vai casar... Entretanto confie em mim, não é nenhuma pessoa lunática, interesseira ou que te odeia, nem tem medo de você. – Esse fato era importante. O que deixou Luco curioso.

—É uma mulher? – Conrado sorriu e abriu um pouco a pasta.

—Sim; e acredite em mim; ela é incrivelmente bela e vocês formam um belo casal... – Luco ergueu uma sobrancelha. – Não gosto de imaginar você tendo um filho com uma deusa e ficando o resto da vida sozinho. Quero que você esteja acompanhado em cada parte do seu novo caminho. – Digamos, que estamos aqui para apresentar ela á nossa família, logo todos estarão aqui, junto com ela e a família dela.

Aquela frase pareceu acalmar o rapaz que olhou para o pai sem ter o que dizer propriamente. Houve um silêncio que era acompanhado pelo canto dos pássaros que tinham ninhos nas árvores ao redor do palacete.

—Então; será com Elisabeth Black?! Alicia Baudelaire? – Conrado soltou uma risada de divertimento pelo filho tentar acertar. E negando, ele entregou a foto da sua futura esposa.

—Não... – Luco murmurou incrédulo. Sua respiração ficou mais rápida e sua garganta secou, ele quase não conseguia formular nenhuma palavra. Ele olhou para o pai quase desesperado. – Katherynne Karlan? O senhor... – A sua voz sumiu.

—Em partes, eu e Josh concordamos; á uns anos, eu ajudei bastante ele; e disse que ele não precisava me pagar de volta, fizemos um acordo e um contrato, uma aliança perfeita. Um acordo, que não prejudicaria ele em quitar demoradamente evoluindo para uma divida pendente. Ele só precisava compartilhar a guerreira dela com o meu guerreiro. – Um arrepio percorreu o corpo de Luco que olhava para a foto de Katherynne, ela estava com beca, o capelo, o diploma na mão e um longo sorriso no rosto.

—Nem parece uma semideusa... – Ele resmungou baixinho. Ela parecia uma mortal comum, não perdeu o brilho ou a beleza; mas, também significava que poderia não ter perdido o charme. Luco respirou fundo, entregou a foto para o pai e inclinando a cabeça olhou para ele sério. – Me casar?! A melhor ideia que o senhor teve?

—A mais saudável...

—Eu nem ligo se não conseguir a herança! – Ele exclamou, mas, era um blefe, Luco gostava dessa parte luxuosa da vida, ás vezes entediante, outras vezes, era como estar no filme “Se beber Não Case” com seus amigos.

—Mas, precisa de uma companheira.

—Quem disse que eu preciso? – Conrado segurou no pulso do filho e olhou por longos segundos.

—Ser solitário não tem nada de divertido, e seus amigos não serão solteiros para sempre... – Aquilo o calou. – Você é um cavalheiro, um guerreiro, um semideus, você é um Seward. Quando eu partir não quero que fique sozinho... – Luco abraçou o pai com força, não queria casar com Katherynne, de tantas conhecidas, porque ela? Depois de um tempo ele se afastou um pouco.

—Então, ela vem hoje? – Conrado confirmou. Luco começou a absorver a informação sem surtar muito. – Me desculpe perguntar; mas, quanto custou esse favor? – Conrado trincou os dentes como se temesse a reação do filho. Porque na verdade, ele temia. Por isso Luco precisava aceitar para o legado dos Seward não morresse.

~

Era uma tarde de outono um pouco agitada em Melbourne, na Austrália, agitada e bastante confusa. Qualquer viagem internacional deve ser avisada ao menos com três semanas de antecedência e não exatamente no dia. O aviso repentino de uma viagem pegou Katherynne de surpresa, a faz cancelar alguns planos. Até porque, ela sempre tinha planos. Mesmo que seu pai morasse em Brisbane, ele insistiu que poderia ir para a cidade da filha para anunciar a magnífica viagem; mesmo que ele estivesse entusiasmado, sua filha não compartilhava do mesmo entusiasmo, e tudo piorou quando a caminho do aeroporto, era um voo de escalas, ou seja, além da viagem de carro, teria ainda a de avião, seguiriam por um caminho de trem, ou seja, a viagem seria longuíssima. Com planejamento seria tudo mais rápido e fácil. Enquanto estavam a caminho do aeroporto, ela encontrou uma pasta com papéis que ela não tinha conhecimento, mas, só de olhar por cima já a deixou transtornada.

—Tudo depende do ponto de vista minha querida... – Josh disse cautelosamente enquanto tentava não parecer muito aflito com a reação da filha ao ver alguns empréstimos, contas, notas. No cru da palavra: dívidas em aberto.

—Entre 150.910.33,00 á 20.707.828.871,20 dólares canadenses?! – A exclamação de Katherynne ecoou no banco de trás do carro que seu pai dirigia até o aeroporto. Seu pai nunca escondia nada dela, e agora estava mais misteriosa que o Mister M. – Quero tanto dizer que é muito, mas, se convertermos para...

—Dólares Americanos? – Josh deu um meio sorriso tentando se concentrar na estrada, desde a noite anterior ela começou a ficar agitada. – Daria em volta de... Talvez... 1.509.258.313.899,87. – A jovem bateu os pés sobre o chão do carro com indignação.

—Pelos deuses pai! Como o senhor fez essa dívida? Como o senhor vai pagar ela? Como vai resolver isso?! – Seu pai respirou fundo e inclinou a cabeça ponderando em como daria a notícia. – Porque não me falou? Eu poderia te ajudar, eu sou sua filha e.

—(...) Eu já resolvi... – A jovem parou momentaneamente. – Bom, me deixe começar, dizendo que você é a coisa mais preciosa do universo para mim, e merece sem dúvidas uma vida de luxo e calmaria. – Kathy deu um sorriso gracioso, adorava quando seu pai amaciava o seu ego. – Você sabe que eu nunca faria nada para te ver infeliz. Você fica deslumbrante vestida de felicidade. – Ela sorriu novamente, porém, franziu o cenho.

—O que o senhor vai fazer? Para onde estamos indo mesmo?

—Florença, Itália. – Ela prestou atenção no pai e estreitou os olhos. Ela ficou em silêncio.

—Você vai quitar a dívida lá?

—Nós vamos fechar um acordo de noivado. – Foi quando eles chegaram ao aeroporto, e Josh começou a articular com as mãos ao ver a expressão de confusão da filha.

—Noivado de quem?

—Bem... – Josh abriu a porta do carro e começou a sair para tirar as malas do carro. – O seu.

—O meu o que?

—Noivado... – Ele deu um sorriso. – Você será uma noiva linda.

Kathy congelou, como assim? Ela sentiu o ar faltar, então saiu do carro para confrontar o pai, ela estava desesperada, assustada, bastante preocupada, aquilo só poderia ser uma brincadeira, uma maneira de amenizar tudo.

—O senhor me vendeu? – Aquilo a indignou mais do que a dívida. Ela valia muito mais que aquilo.

—Não... – Ela respirou fundo. – Foi um acordo, eu, não queria te encher de dívidas. Sei que você se esforçou tanto, e eu estou tão orgulhoso de você. E apenas para seu interesse, você ficará linda em um vestido de noivado.

—Pai... – Disse em um fio de voz. – É brincadeira não é? O senhor não quis dizer casamento, não é?

—Eu disse noivado. – Ela negou. – Pelo lado bom, não é com um desconhecido, é com um rapaz que você conhece e incrivelmente se dá bem. É um semideus fantástico. – Ela inclinou a cabeça confusa. Com quem ela se dava bem? Na verdade, “com quem ela se dava bem que tinha tanto dinheiro assim?”.

—O egípcio? A entidade do Jae? – Ela respirou mais fundo, precisava pensar em alguém mais próximo da sua realidade. – Brenton? Alois? Tomáz? – Thomas, Armin, Peter e Steffano estavam fora do seu alcance no momento. Seu pai negou calmamente, entregando a passagem dela, foi quando o desespero tomou conta dela. Poderia ser qualquer um, por Atena da Justiça! E se fosse Piort? E se fosse Paul? Ela sabia que eles tinham uma estabilidade fenomenal. Vendo a filha ficar pálida Josh acariciou seus cabelos e seu rosto com calma.

—Não, eu não seria tão cruel assim. – Ela olhou para a filha com um sorriso tranquilo.

—Me parece bem cruel... – Eles pegaram as malas, e Katherynne mandava inúmeras mensagens para seus amigos em geral, algo como um testamento, um pedido de socorro, procurando algum conhecido na Europa. – De todas as surpresas, essa nunca estaria na minha mente. O senhor realmente quer me ver infeliz? – Josh olhou para a filha e deu um sorriso carinhoso, protetor, era sua princesinha, ele sabia que seria uma viagem longa.

—Você não vai ser infeliz, você só está irritada porque foi pega de surpresa, mas, eu te garanto; você nunca acharia ninguém melhor que ele...

Katherynne indagou como seu pai tinha tanta confiança assim? Mas, pensando bem, seu pai não deixaria ela se casar com qualquer cara; então sua curiosidade aumentou. Não podia passar a viagem interira se preocupando de casar com uma pessoa feia, ou que beijasse mal, ou que não fosse no mínimo inteligente.

—Eu tenho o direito de saber o nome do meu futuro esposo? Já estou sendo vendida..

—Não diga assim... – Ele disse suavemente enquanto já sentavam na poltrona do avião e ele começara a decolar. – Eu não te vendi; mesmo que pareça; eu fiz isso pensando no seu melhor, no seu futuro e nas suas conquistas. – Katherynne não estava entendendo. – Até porque eu sei que Luco Seward sempre foi um cavalheiro com você. E será um ótimo marido.

—Que?! – Ela perdeu a voz, talvez tenha até perdido a consciência, a capacidade de raciocinar e de manter a boca fechada. Seu coração disparou, sua garganta fechou. Era muito pior que ela imaginava, nem Hera em suas piores vinganças seria tão cruel á esse ponto.

Notas finais
Obrigada pela leitura. Até mais♥♫♥ ~♥~Um Beijo da Autora. ~♥~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.