Notas iniciais
Depois de Srta. Desastre, cá estou eu com Sr. Perfeição!

– Você não pode estar falando sério!

– Claro que estou Sakura!

– Porquinha eu não posso fazer isso!

– E porque não? Vamos lá! É só uma vez!

– Mas imagine só quando ele descobrir!

– Ele não vai fazer nem falar nada! Disse que está apaixonado por mim! Por favor testudinha!

– Ok, mas o que eu ganho fazendo isso?

{...}

Definitivamente não havia sido uma boa ideia concordar com aquele plano mirabolante de Ino. Por mais que valesse aquela maravilhosa bolsa Chanel.

Um encontro às escuras com certeza não era o melhor jeito de começar um relacionamento. Pior ainda se você conhecia seu pretendente apenas pela Internet.

E se ele fosse um velho banguela de 70 anos? Ou pior: se ele fosse um pedófilo que já fora preso por homicídio culposo duplamente qualificado?

Oh Céus!

Em que enrascada havia se metido!

Ino lhe contara que usava um perfil fake em um site de relacionamentos quando o conheceu, e que ele nunca pedira para ver uma foto sua porque ”a aparência que ela tivesse não era importante para ele, mas sim o que ela era como pessoa”.

Então depois da ladainha que Ino repetira durante duas horas e trinta e quatro minutos, mais a proposta de levar a maravilhosa –e exclusiva- bolsa da Chanel, ela decidira por aceitar aquele plano louco que consistia em ir se encontrar com o futuro ficante/namorado/marido/pai-dos-filhos de Ino e se passar por ela. Depois deveria passar o relatório completo sobre o rapaz: desde a cor dos olhos até se tinha alguma unha encravada no pé.

A loura era muito seletiva quando o assunto era “homens” e só engatava um relacionamento depois de ter certeza que o parceiro era perfeito. Talvez fosse por isso que desistira de sair com os caras que conhecia em festas e baladas e passara a procurar em sites da Internet, já que esta compreendia uma grande quantidade de pessoas do sexo oposto e talvez fosse mais fácil achar o “Sr. Perfeição”.

Agora ela estava lá naquele restaurante usando lenço no pescoço para se identificar e esperando o futuro marido da melhor amiga.

– Ino?

Ouviu a voz grossa e se virou para encarar aquele que a chamara.

Aparentemente um metro e oitenta, braços fortes, pele branca , maxilar quadrado e com barba bem rala, cabelo num estilo bem despojado, calça e camisa social.

O que era aquilo? A visão do paraíso? Por Kami! Qual era o número dos bombeiros mesmo? Porque só eles para apagarem a chama que ela sentia crescer dentro de si ao avistar aquela paisagem.

Tudo pela edição limitada da maravilhosa bolsa da Chanel ela repetia em sua mente. Era só por causa da bolsa que estava lá com aquele maravilhoso Deus Grego.

– Gaara?

O rapaz acenou com a cabeça e logo se sentara do outro lado da mesa.

E depois disso o que se sucedeu foi uma conversa muito agradável sobre a vida de ambos. No caso de Sakura a vida de Ino, já que a mesma a conhecia melhor do que as tendências de moda da próxima estação.

Gaara era muito simpático, tinha um belo sorriso, um belo cabelo, uma pele legal e aparentemente um excelente porte físico. E droga! Não queria admitir, mas ele era muito atraente. Aqueles olhos eram... hipnotizantes! O tipo perfeito para Ino.

“E para você também!” sua mente gritava.

Ele se oferecera para leva-la até em casa, mas infelizmente –ou felizmente- só se despedira com um beijo na bochecha e uma promessa de um próximo encontro ainda naquela semana.

Assim que atravessou a porta Ino lhe encheu de perguntas sobre como o rapaz era. Mas traindo a si própria e aceitando a opinião de sua estúpida consciência ela apenas respondera:

– Acho que precisaremos de mais alguns encontros para descobrir se ele realmente não tem nenhuma unha encravada.

{...}

O segundo encontro aconteceu no cinema.

Talvez fosse um complô masculino sempre querer assistir filmes de terror na esperança de serem agarrados durante alguma cena arrepiante.

E ela não perdera a oportunidade.

{...}

Traidora!

Era assim que ela se sentia no terceiro encontro.

O que só piorou depois que ele lhe entregou um belíssimo buquê de rosas vermelhas.

Ela corou quando ele disse que vermelho combinava com seu cabelo.

{...}

Quarto encontro e ela não sabia se chorava ou agradecia por não ter rolado nada entre os dois (ainda).

Apenas um beijo na bochecha, mas nada de bitocas ou beijos arranca-obturação.

Sua mente a perseguia dizendo para encontrar qualquer defeito que fosse para que Ino desistisse da conquista, mas isso era uma tarefa impossível.

Ele era o homem perfeito! Do tipo que ao ver uma mulher descabelada e com a cara inchada de manhã não deixaria de dizer o quão linda ela é e está naquele exato momento.

E era horrível aquela constatação, mas ela estava se apaixonando aos poucos por ele.

{...}

Quando o viu na noite do quinto encontro com aquele sorriso de canto sua mente se transformou em geleia e seu coração em um tambor totalmente sem ritmo.

“Ele está apaixonado por mim!” A voz de Ino naquela primeira conversa lhe viera à cabeça.

Foi como se um balde de água fria caísse sobre si e a fizera recordar que aquele ser divino não lhe pertencia.

E que não era por ela que estava apaixonado.

{...}

No sexto encontro chegara decidida a contar toda verdade para ele, mesmo que perdesse sua bolsa Chanel.

Não podia continuar sustentando aquela mentira!

Quanto mais tempo ela passava perto dele mais ela se apaixonava e isto era errado consigo, com Ino e com ele também.

Nunca acharia nenhuma imperfeição nele e mesmo que achasse e Ino desistisse do romance com que cara ela iria dizer que estava interessada nele?

Ino acharia aquilo uma traição. Sob pena de morte social!

Quando o avistou sentado em um dos bancos do parque de diversões com um algodão doce em mãos seu coração parecia querer sair pela boca.

Quando ele disse que comprara o doce porque havia se lembrado da cor de seu cabelo, ela se sentira despedaçada por dentro, pois ele estava lhe dando coisas que não a pertenciam.

No entanto antes que pudesse contar a verdade ele já saíra lhe arrastando por todo parque de diversões.

Quando já estavam cansados o suficiente ela pensou que talvez aquele fosse o momento ideal, mas antes que sequer pudesse abrir a boca ela já estava sendo puxada em direção à barraca de tiro ao alvo.

“Escolha qualquer um” ele disse apontando os ursos de pelúcia, mas a sua vontade era de responder que o único que ela queria era ele.

Quando ele finalmente acertara o alvo e recebera o urso escolhido como prêmio ela sentira que seu conto de fadas estava chegando ao fim, no entanto quando ele lhe entregara aquele tufo de pelos marrons e ficara alternando o olhar entre seus olhos e sua boca, ficando cada vez mais próximo, ela sentia sua coragem se esvair e seu anseio por tocar aqueles lábios cada vez mais forte dentro de si. Foi fechando os olhos na medida em que ele se aproximava...

Mas antes que pudesse sentir o toque dos tão desejados lábios do rapaz, vozes aparentemente furiosas interromperam.

– Parados aí!

E quando abriu os olhos se deparou com os rostos coléricos de sua melhor amiga e de um rapaz ruivo desconhecido.

– Ino! – ela exclamou surpresa.

– Gaara! – o moreno- seu acompanhante- também disse surpreso.

– Gaara? – ela se virou para o moreno.

– Ino? – ele perguntara também.

– Sakura! – a loira gritou.

– Sasuke! – o ruivo fez o mesmo.

A confusão foi total entre os quatro.

– Pera aí – Ino se intrometeu – Quem é o Gaara?

– Sou eu – o ruivinho disse – E você quem é?

– Eu sou a Ino! – ela disse levemente irritada pela confusão — Espera aí, se você é o Gaara, quem é ele? – disse apontando para o rapaz de cabelos escuros.

– Eu sou o Sasuke, amigo do Gaara!

– Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? – a loura disse em tom imperativo.

– Não antes de responder quem é ela! – Sasuke disse apontando para a rosada.

– Sou Sakura, amiga da Ino!

– Mas como... – Sasuke começou.

– Nós trocamos de lugar – Sakura respondeu – Sabe como é... só para ter certeza de que você não era um velho banguela. Pelo visto vocês fizeram o mesmo não é?

Os dois homens assentiram.

– O que vocês dois – Sasuke apontou para Ino e Gaara- estão fazendo aqui?

– Espionando vocês é claro!

– Como assim? – Sakura perguntou um pouco confusa.

– Oras, cá entre nós, esses encontros já estavam enrolando demais... – Ino respondeu – Fiquei com medo de ser trocada.

– Digo o mesmo – Gaara afirmou.

Depois de um longo tempo de explicações e uma saída à la francesa de Ino e Gaara, que provavelmente após esclarecem o GRANDE mal entendido resolveram botar os encontros em dia e muito provavelmente trocar saliva, finalmente Sakura se viu sozinha com aquele que ela descobrira se chamar Sasuke.

– Ok, entendo. – a rosada disse meio sem graça – Então quer dizer que esse tempo todo não era com o Gaara que eu estava saindo e sim com o melhor amigo dele? Ainda bem! Pensei que estivesse apaixonada por ele! – disse aliviada.

– Está apaixonada por mim? – Sasuke se manifestou. Um estranho brilho de satisfação se fez presente em seu olhar.

– Acho que sim. – Sakura respondeu ficando corada.

– Então eu acho que temos assuntos inacabados, Sa-ku-ra – o moreno sussurrou próximo ao ouvido dela.

Sakura não sabia se se sentia aliviada por não estar enganando Ino ou tensa pelo que estava para acontecer.

Com certeza algum dentista ganharia um bom dinheiro restaurando algumas obturações.

Talvez ela tivesse que vender a bolsa Chanel para pagar pelo procedimento, mas isso era o de menos agora que encontrara o futuro namorado/marido/pai-de seus-filhos e porque não dizer o amor de sua vida.

Oh! É mesmo! E ela finalmente descobrira um defeito no “Sr. Perfeição”, porém esta já é outra história...

FIM.

Notas finais
Seu dedo não vai cair caso deixe um comentário.

Feliz Dia dos Namorados e uma ótima Noite dos Solteiros o/

E pra quem quiser me namorar é só deixar o telefone nos comentários.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!