Sr. Otimista
1 Prólogo
Notas iniciais
Quando foi que as coisas chegaram a esse ponto?
Não sei dizer.
Pra ser sincero, eu teria rido bastante se alguém me dissesse que um dia estaria onde estou. Diria que essa pessoa tem uma imaginação e tanto, ou que andou conversando muito com o Licurgo. Mas não era assim que eu sempre agia? Sempre ria de tudo que era improvável. Até porque eu gostava desse tipo de situação.
Mas agora não havia motivo de risadas.
E eu não poderia demonstrar meu sofrimento. Agora eu deveria continuar a agir sob esta máscara de indiferença e tédio. E continuar com minhas risadas, só que vazias.
Deveria agir como sempre agia: vendo-a ali, sendo acariciada pelo cara que pisava na bola com ela o tempo todo. Sendo tocada por ele como eu queria tocá-la. Dando a ele os beijos que deveriam ser — e já foram- meus.
Eu confesso que já estava acostumado a isso. Antes, não era tão doloroso.
Mas agora, depois daquele dia, depois daquela noite... Sinto todos os meus sentimentos à flor da pele.
E não posso fazer nada.
Nada além de ser o espectador de toda aquela cena.
E sofrer calado.
Afinal, era esse o preço que eu pagava por ser o Sr. Otimista.
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