Sr. Otimista

4 Capítulo 3


Notas iniciais
NÃO ME MATEM! GENTE, SÉRIO. NÃO TEM DESCULPA PRA DEMORAR TANTO A POSTAR. Eu realmente fiquei muito, muito feliz com os reviews e adorei todos eles, um por um! Eles me deixam mais disposta a escrever.Em especial, gostaria de agradecer à senhorita Zelda0Lah, pela mensagem que me animou bastante. Obrigada, sua linda

Olhei para meu relógio de cabeceira. A luz fraca provinda dos pequenos números verdes era a única fonte de iluminação do quarto. Voltei-me para Mônica, que dormia em meu peito. Ela parecia tão linda assim, naquela penumbra esverdeada. Creio que nunca a havia visto dormindo antes, por isso fiquei tão impressionado com sua expressão pacífica e calma.

Fiquei observando-a durante alguns minutos. Eu não conseguia desviar os olhos dela. Na verdade, eu não conseguia parar de pensar no que acabara de acontecer. Acho que quase não acreditava também, por isso precisava ficar olhando para ela ali, comigo, para ter certeza de que aquilo não fora só um sonho ou um devaneio. Já havia acontecido diversas vezes de minha mente pregar, justamente, esse tipo de peça em mim. Quando eu voltava à realidade, todo aquele paraíso imaginário se dissolvia como fumaça e apenas remanesciam as saudades de uma experiência que, apesar de vívida como a luz do dia, nunca ocorrera.

Esse tipo de ilusão permeava meus pensamentos com tanta frequência que, apesar de muito cansado, eu me relutava a dormir. Era como uma necessidade primária, um frenesi: eu precisava velar o sono de Mônica. Não apenas isso. Eu precisava continuar a sentir o calor de seu corpo em contato com o meu, cheirar seus cabelos, roubar pequenos selinhos de seus lábios letárgicos. Acho que, em suma, eu precisava de provas constantes de que, de fato, ela estava comigo.

Aquelas divagações começaram a ficar mais nebulosas e desconexas. Eu já podia sentir o sono me embalando. Minhas pestanas pesavam e eu começava a ceder àquele estado híbrido entre a vigília e a inconsciência, até um som irritante e estridente encher meus ouvidos abruptamente. Tentei colocar um travesseiro na minha cabeça, mas não era exatamente fácil me mover com Mônica em cima de mim, e eu não queria acordá-la.

Aquele barulho insistiu em me perturbar. Está muito cedo pra ser um despertador. São 04h30min da madrugada, caralho! Fiquei mais um tempo na cama, ainda em completo torpor, sentindo minha cabeça oscilar. Pensei até que fosse um delírio — efeito do excesso de bebida -, ou fruto de algum sonho que já começara a ser formado.

A percepção de que, na verdade, tratava-se de um celular tocando demorou a me ocorrer. E não parecia ser o meu, porque eu jamais escolheria uma musiquinha tão incômoda como toque.

De certo, porque não era o meu.

Como não pensei nisso antes? Aquele celular tocando era o da Mônica! Eu nem a tinha visto carregando celular pra ser sincero. Neste momento, o sono já havia fugido de mim completamente.

Levantei da cama num salto, não sem antes rolar Mônica suavemente para o lado. Tentei descobrir de que direção vinha o ruído. Como eu ainda estava muito tonto, alguns segundos se passaram até que eu pudesse localizar a peça de roupa jogada no canto do quarto. O som era acompanhado de uma luz amarelada que transparecia pelo tecido róseo da saia dela, o que me ajudou bastante na hora de tatear o chão em busca do objeto procurado.

Tirei o celular do bolso e chequei no visor quem teve a audácia de ligar, a essa hora da madrugada, para alguém tão pavio curto quanto a Mônica. As opções eram duas: ou seriam os pais dela, e, nesse caso, nós dois estaríamos indubitavelmente ferrados; ou era uma pessoa bem atrevida, pra não dizer corajosa. E, realmente, eu não estava errado quanto à última possibilidade. A foto que aparecia na tela era a de uma ruiva de marias-chiquinhas, sorrindo e simbolizando com os dedos o típico sinal de “paz e amor”.

Só poderia ser a Denise mesmo.

Debati comigo mesmo se atenderia ou não o telefone. Pô, eu já estava com sono, a minha noite – embora houvesse sido muito agradável – fora cheia. Nem preciso mencionar que o horário já avançava bastante da meia-noite. Além do que, eu teria que dar satisfações do motivo de eu estar atendendo ao telefone de outra pessoa a essa hora da madrugada. É óbvio que qualquer um desconfiaria e pensaria bobagens. Sem falar que é bem provável que a única coisa que Denise queria no momento era contar alguma fofoca pra Mônica. Essas coisas de mulher parecem ter uma urgência incomum.

Bufei e apenas apertei o botão vermelho do teclado, rezando para que ela não voltasse a ligar.

Desta vez, eu estava errado, pois mal tive a oportunidade de me virar para minha cama e o celular voltou a tocar. Agora eu já estava muito impaciente. “Irritado” seria a palavra certa. Será que o assunto em questão não poderia esperar até amanhã? Algumas pessoas gostam de dormir, caramba!

– Caralho, Denise! Olha a hora! Você não sabe o significado da palavra “conveniência”?

Minha voz saiu ríspida. E eu não me arrependia. Eu estava certo em querer pregar os olhos, não estava?

– Ih, foi mal, bofe esquentadinho. Devo ter ligado errado e... Espera! Como você sabe meu nome?

Ela indagou, curiosa. Será que não reconhecia minha voz?

– Sou eu, o DC.

Respondi totalmente sem ânimo e desconfortável com aquela conversa.

– DC? Ai, bafão. Nem sabia que tinha seu número no meu telefone. Devo estar tão bêbada que confundi o seu nome com o da Mônica na minha agenda, a louca! Desculpa incomodar seu sono de beleza, gato. Beijos, me liga.

Então, ela desligou na minha cara, sem nem me deixar explicar nada.

Eu não me importaria com isso, se não soubesse que ela tentaria ligar de novo e eu teria que atender. E, de fato, foi o que aconteceu. Poucos segundos e a musiquinha irritante de alguns minutos atrás voltou a ecoar no cômodo pequeno.

– Denise! Mas que porra! Me deixa explicar. Esse telefone é da Mônica mesmo.

– Oi de novo, nervosinho. Afe. Só vai me dizer agora? Devo ter gastado mais créditos. Você acha que eu sou da família Frufru pra ter dinheiro de sobra, é? Mas, enfim, por que você tá com o celular do Mônica, hein? Cadê ela? Preciso falar com ela logo! Tá um silêncio aí. Ela não devia tá na festa? Ai meu Deus, será que aconteceu alguma coisa? Ela teve uma overdose? Tá em coma alcóolico? Seu Sousa vai me matar!

Ela começou a tagarelar freneticamente. Interrompi seu monólogo antes que ela gritasse mais e meus tímpanos sofressem sequelas devido a sua voz exageradamente fina.

– Calma, Denise! A Mônica tá bem. Ela tá dormindo aqui. Já fomos embora da festa. E não se preocupe, você estará perfeitamente a salvo da ira do pai dela. A propósito, muito propício você se lembrar de sua amiga, pelo menos, duas horas depois de ela ter saído da festa.

A última parte eu acrescentei de forma sarcástica. Aquela menina conseguia ser bem egoísta quando queria.

– Ai, DC. Claro que me importo com o bem-estar da nossa Moniquinha, né? Mas também tenho amor-próprio. Sem falar que eu não sou babá dela, até porque, isso é a última coisa de que a senhorita valentona precisa. E eu tava me divertindo com um boymagia, mas a magia acabou e preciso levar a Moniquete pra minha casa antes que o pai dela descubra que não ficamos a noite toda fazendo as unhas e assistindo a filmes mela-cueca. Agora conta pra tia Dê, por que você atendeu ao celular dela? Obviamente vocês saíram juntos da festa.

Ao ouvir essa pergunta e o tom de provocação dela ao dizer a palavra “juntos”, fiquei com muito receio de contar a verdade. Ponderei se deveria dizer o que houve e sofrer as consequências de todo o Limoeiro no nosso pé — porque não precisava ser um gênio pra deduzir o que a Denise faria com uma notícia como essas — ; ou se inventava uma desculpinha bem esfarrapada e torcesse pra ela acreditar. Creio que está bem claro qual das alternativas eu escolhi.

– Ah, eu estava passando pela festa, a gente se viu e conversou um pouco. Ela estava muito bêbada, aí eu resolvi trazer ela aqui pra casa até ela melhorar. Acabou que ela dormiu.

– Aham... Certeza de que foi só isso?

Sua pergunta transbordava malícia e duplas interpretações. E não era pra menos. Que pretexto patético eu havia formulado para responder alguém cheio de astúcia como a maior fofoqueira do bairro! Deve ser por isso que, na categoria “planos e afins”, o mestre era o Cebola, não eu.

– Claro que foi só isso, Denise. O que mais poderia ter ocorrido?

Não vou mentir que minha voz não vacilou um pouco na última frase. Meus lábios se contorceram num sorriso maroto quando as cenas de alguns minutos atrás invadiram meus pensamentos. Droga! Eu estava traindo minha própria mentira! Se eu continuasse assim, Denise não demoraria a descobrir o que realmente aconteceu. Ainda bem que ela não podia ver minha expressão naquela hora.

– Não sei. Até porque, nem é como se você fosse apaixonado pela minha amiga desde sempre e também nem é como se ela tivesse bebido o bastante pra fazer coisas que nunca faria sem uma enorme quantidade de álcool no sangue, nem nada. Bobagem, coisa da “cabecinha pirada” da Denise, né?

Engoli em seco quando ela disse aquilo. Eu poderia afirmar que, apesar de zonzo, agora eu estava sóbrio o bastante para entender o estado real em que Mônica se encontrava. Um lampejo de entendimento passou em minha mente. Senti o remorso tomar conta de mim. E se aquilo tudo tivesse sido fruto de um deslize? E se não passara de um ato impensado que ela cometeu num lapso de fraqueza? E se ela se arrependesse assim que acordasse ao lembrar que transamos?

Não, DC. Que pensamento mais oblíquo! É claro que a primeira vez de Mônica não ocorreria nesse tipo de circunstância. Óbvio que ela não era tão impulsiva assim...

Se bem que, de fato, ser calculista e premeditar antecipadamente as próprias ações nunca fora o forte dela. No entanto, eu me recusava a acreditar que, num caso sério como esse, ela se deixaria levar apenas por instinto. Não... Claro que não...

As últimas palavras de Denise continuaram ecoando em minha mente por alguns segundos. Eu poderia perceber uma nova sensação tomando conta de mim, mas não conseguia identificar o que era. Só sentia meu estômago um pouco embrulhado e minhas mãos transpirarem, gélidas.

– Morreu aí do outro lado da linha? Alô? A ligação caiu?

O falsete na fala de Denise me fez sair daquele estado de transe. Agradeci à Gaia (porque aos céus é muito clichê) por ela não ter interpretado meu silêncio de maneira equivocada.

– Foi mal aí, Denise. Eu realmente tô muito cansado e sem paciência pra essas perguntas ridículas. Você tem algo de importante pra dizer? Se não tem, olá.

– Não, calma aí! Não desliga. Eu falei sério quando disse que precisava da Mônica aqui em casa. Ela não pode passar a noite aí. O pai dela vem busca-la daqui a algumas horas. Ela ia pra um batizado ou uma dessas breguices de família. Se não puder trazê-la, acorda ela aí que eu chego em alguns minutos.

Soltei um suspiro alto e deixei escapar um muxoxo inaudível. Eu não queria que Mônica saísse da minha casa. Ainda mais depois de todos aqueles anseios que teimavam em permanecer em minha mente. No fundo, eu sabia que eles eram infundados, mas sempre tive o pé atrás com as coisas... É claro que eu também queria ter aquela maravilhosa sensação de acordar ao lado da pessoa com quem dormi durante a noite. Se a situação não fosse urgente e se eu soubesse que minha persistência não acarretaria encrenca pra ela, eu certamente não a deixaria ir.

Se eu pudesse, não a deixaria ir nunca mais.

Foi o meu último pensamento antes de dizer à Denise, em tom monótono e abatido, que me passasse seu endereço para que eu deixasse Mônica em sua casa.

Notas finais
Gente, qualquer errinho, me digam! POR FAVOR. Sério mesmo. Eu tento revisar o capítulo, mas toda vez que leio, depois que posto, vejo alguma coisa errada. Então, podem me dizer, viu? Qualquer coisa estranha no enredo, na ortografia, no desenvolvimento dos personagens, no diálogo etc. Espero que vocês possam me perdoar e não tenham me abandonado. T_T Vou dar um jeito de postar com mais regularidade. No mínimo, uma vez por semana. E, se minhas musas inspiradoras me derem a dádiva de seus dons, postarei mais vezes. Por fim, espero que tenham curtido esse capítulo. Ele não é tão emocionante como o anterior (DC não é sex beast, né, gente? AHEUAHEUAHE), mas é muito importante pro desenrolar do enredo. Ah, mais uma coisinha. Eu tendo a colocar alguns palavrões no decorrer da narração, porque acho que são necessários para entrar de forma mais verossímil na mente de um adolescente de 16~17 anos. Do fundo do meu coração, espero que não se importem com isso. A propósito, vocês acham que o DC tá muito sensível? Tipo, com os pensamentos meio afeminados? Eu tô tentando me pôr na mente de alguém como ele. Não acho que ele teria uma mente de um adolescente comum da idade dele, justamente porque ele é o Do Contra. Ele parece ser bem mais maduro quando todos são infantis. E não imagino ele pensando safadeza 24h por dia. Mas vocês me digam aí. Acham que devo colocar ele mais "machão"? Beijo, beijo ;*