Srª. Montesinos
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Notas iniciais
– Tia Ivana!
Era Santiaguinho, o garoto corria para abraçá-la.
– Meu amor, como você está? – Disse ela, abraçando-o.
– Bem, tia, você iria embora sem falar comigo?
Ela ficou sem resposta. Era exatamente isso que faria, mas era só pelo fato de que não conseguir despedir-se do garoto novamente.
– Você não foi me ver. – Improvisou ela, beijando-lhe o rosto.
– Mas nós viemos agora.
– Nós? – Questionou ela, surpresa.
– Sim, nós. – O garoto apontou para trás, estavam vindo em direção a eles Isabel, Valentina, Alonso e a pequena Cecília em seu carrinho cor-de-rosa.
– Minha filha! – Gritou Isabel, correndo em direção a ela. – Que saudades eu estava de você.
Ivana colocou Santiaguinho no chão, e correu para abraçar a mãe. – Mamãe, que saudades!
O abraço dado naquele momento expressou muito mais amor que todos os outros. Era sincero e puro, assim como o sentimento da mãe pela filha. Isabel beijava todo o rosto da Ivana, que retribuía com sorrisos e lágrimas.
– Mamãe, eu te amo. – Dizia ela, agarrando-se a sua mãe. – Muito e muito.
As duas ficavam abraçadas por um tempo, elas estavam se amando como nunca haviam se amado. Isabel estava sendo a mãe amorosa que sempre tentou ser, e Ivana a filha amada que agora aceitava sua mãe.
Valentina observava-as com admiração, elas finalmente conseguiram criar um laço que antes não existia.
– Tudo bem, Valentina? – Perguntou ela, ainda agarrada à mãe. – Como a pequena Cecília está linda.
– Tudo sim, está linda, não está? – Retrucou ela, gabando-se por sua filha.
José Miguel, com Rico no colo observava calmamente a cena, quando de repente viu se aproximar Alonso, e isso o deixou irado.
– O que faz aqui? – Questionou ele, já colérico. – Não tem vergonha na cara?
Não respondendo nenhuma das perguntas de José Miguel, ele começou a dizer.
– José Miguel e Ivana, eu preciso lhes dizer algo, algo que está me sufocando há algum tempo. – Ele se aproximava deles, que novamente estavam abraçados. – Sabe, vocês tem todo direito de não me perdoar, e dizer que estou mentindo, mas eu preciso pedir perdão a vocês.
– Ah, você? Me destruiu por dentro, e ainda pede perdão?
– Acalme-se, José Miguel, não terminei de falar. – Ele continuava a falar, sem se preocupar com a fúria que ‘inimigo’ trazia. – Hoje, eu entendo tudo que fiz Ivana passar, eu sei o quão dolorido é quase perder alguém que ama. Quase perdi minha filha, e com isso aprendi a valorizar o que tenho, minha família. – Santiaguinho correu para os braços do pai. – De verdade, eu peço que me perdoem. – Alonso estendeu a mão em direção a José Miguel.
Ele hesitou por um tempo, e olhou para sua esposa, que dizia com o olhar para que ele o perdoasse. Finalmente ele estendeu a mão à Alonso, que a apertou com força.
– Amigos?
– Amigos.
– E você Ivana, não diz nada? – Perguntou ele, colocando Santiaguinho no chão.
– Eu te perdoei há muito tempo, pois graças a você, aprendi a ser mãe, a ser esposa, a ser filha e o mais importante, aprendi a amar.
Alonso foi até ela, e beijou-a na mão.
– Amigos?
– Sim, e obrigada.
– Ivana, não é esse o seu vôo? – Gritou Valentina, apontando o telão que informava os vôos.
– Sim, é esse, vamos, José Miguel! – Disse ela, puxando-o pela mão. – Tchau, eu amo vocês, e até logo.
– Tchau, nós também te amamos! – Todos responderam ao mesmo tempo, em um coro saudoso.
Assim, eles embarcaram, rumo à Los Angeles.
– Eu te amo, meu José Miguel, muito, muito, sabia? – Disse ela, sentando-se no avião.
– Eu também te amo, minha Ivanita. Agora iremos ser felizes, juntos com nosso filho. — Assim, o voo partiu, sem nenhum ressentimento ou rancor, simplesmente levando um casal feliz, com seu pequeno filho.
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