Notas iniciais
Meninas, eu comecei a escrever a continuação da história, achei tão fofa

Ele voltou-se para o canto, afastando-se o máximo dela. Assim passaram a noite, não tão romântica, mas ainda uma noite.

Algumas semanas se passaram, José Miguel e Ivana estavam cada vez mais apegados a Santiaguinho, os quatro pareciam uma grande família, Rico estava cada vez maior e mais esperto. Leonor finalmente se rendeu a mudança de Ivana, e agora as duas eram inseparáveis. No México, Cecília se recuperava, e Alonso e Valentina sempre ao lado da menina, que já entendia que seus pais a amavam demais. Isabel ficava entre Ivana e Valentina, e agora conseguia conciliar as duas ‘meninas’. A tão esperada viagem que Ivana queria estava em andamento, eles já tinham um destino, Los Angeles, muitos motivos os ligavam ao lugar. Tudo estava saindo melhor que o planejado. Ivana e José Miguel finalmente viram que não poderiam viver separados, e nem sem Rico, o elo que os unia para sempre.

Ivana estava sentada conversando com Leonor, quando o ouviu um ruído, era o telefone. Ela correu para atendê-lo.

– Alô?

– Ivana, sou eu, Valentina.

– Ah, sim. Olá Valentina, como está?

– Bem, só queria avisá-la que estamos voltando, e que amanhã de manhã passaremos para buscar Santiaguinho.

– Sim, ele estará com tudo pronto amanhã. E Cecília?

– Por um milagre ela está bem, e Rico?

– Lindo, um príncipe. – Ivana era muito ‘modesta’ quando falava de seu pequeno Rico, ele era o tesouro mais precioso.

– Imagino, estou com saudades dele. Prima, eu vou desligar, obrigada por tudo.

– Não precisa agradecer. Até amanhã?

– Sim, até amanhã.

Ivana estava feliz, mas um pouco entristecida. Feliz porque Cecília estava bem, porém, ela não queria se separar de Santiaguinho. Ela não reparou, mas ele estava presente, e ouviu toda a conversa.

– Eles virão me buscar, tia? – Disse o garoto, entristecido.

Ela se assustou, não sabia o que responder, na verdade sabia, porém precisava dizer de uma maneira que não o machucasse.

– Virão, meu amor, mas não se preocupe, você poderá vir sempre para cá. – Ela o carregou, e beijou sua testa. – Não precisa se preocupar.

– É, eu sei, mas agora não será tão legal, a tia Valentina é boa para mim, mas lá eu não brinco como aqui, e você cuida de mim como se fosse minha mamãe. E eu te amo, tia Ivana.

Uma lágrima teimosa insistiu em escorrer dos olhos de Ivana, que o abraçou com força.

– A tia também te ama, meu bem. Agora vamos parar de chorar e vamos brincar, e não se preocupe, a tia nunca vai te abandonar.

Ivana e Santiaguinho brincaram a tarde toda, eles não pensavam em como seria amanhã na despedida, brincavam e riam como se os dois tivessem a mesma idade, José Miguel os observava, mas não quis interrompê-los, eles estavam em um momento deles. Ele compreendia que ela agora entendia seu próprio coração, e se guiava por ele. Rico foi um milagre na vida de Ivana, e por ele, ela mudou. As brincadeiras, embora infantis, eram delicadas, cada sorriso era compreendido pelo outro. As risadas de ambos eram ouvidas a quilômetros de distância, eles estavam vivendo o momento. Nada, nem ninguém poderia arrancar o sorriso do rosto deles.

Já estava anoitecendo quando finalmente entraram, ainda sorridentes e felizes. Ivana fez questão de fazer as malas do menino, que a observava, sentado na cama com as pernas livres.

– Tia, quando o Rico cresce? Ele já está pequeno há muitos dias.

– Santiaguinho, ele é um bebê, bebês ficam pequenos por muitos dias, mas logo começam a crescer. Não vai demorar muito para ele estar do seu tamanho.

– De verdade?

– Sim, de verdade.

As malas finalmente ficaram prontas, e todos foram dormir. Ivana embora sorrindo, estava triste, ela havia se apegado demais ao garoto, e quando ele partisse, ela sentiria como se seu próprio filho tivesse partido. Ela estava apreensiva, porém tentava esconder isso do garoto, e de José Miguel, que começava a perceber. Inquieta, ela não conseguia dormir, virou-se e agarrou a mão do marido.

– Não quero isso, me apeguei ao garoto.

– Eu sei, meu amor, mas é preciso.

Assim adormeceram, com as mãos entrelaçadas, e os corações batendo na mesma freqüência.

Bem antes do amanhecer, Ivana já estava desperta, ela andava de um lado para o outro. – Não quero me separar dele, e se ele sentir minha falta? – Pensava ela, desesperada. José Miguel sentiu a falta da esposa na cama, e logo notou que ela estava em pé.

– O que faz ai, meu amor? – Perguntou ele, sentando-se na cama.

– Não consigo dormir, José Miguel, eu não quero me separar do menino. – Ela começou a chorar, e encostou-se na porta.

José Miguel pulou imediatamente da cama para consolá-la.

– Não chore, meu amor, ele não mora longe, e o elo que criou com ele, você nunca perderá.

– Você acha? – Perguntou ela, soluçando.

– Sim, eu acho, agora vamos dormir, e amanhã enfrentar da melhor maneira possível. Vamos, meu amor, se acalme.

José Miguel a abraçou, e a levou lentamente para a cama, ele acariciava seus cabelos molhados. – Ficará tudo bem. – Dizia ele. Ela novamente adormeceu, e assim passaram a noite, um abraçado ao outro. Não se passou muito, e já estava amanhecendo, e ela estava desperta novamente.

– Eu irei acordá-lo. – Pensava ela, ainda deitada. – Não, eu o deixarei dormir.

Quando finalmente decidiu que deixaria o garoto dormir, levantou-se e tomou um bom banho, e enquanto se banhava, ela preparava-se para a despedida.

– Você precisa ser forte, Ivana. – Dizia ela, a si mesma.

As horas se passavam, e ela estava apreensiva esperando o menino acordar. Enquanto o esperava, lia algumas revistas na sala.

– Bom dia, tia. – Disse Santiaguinho, que ainda estava todo despenteado e com o rostinho inchado.

– Bom dia, meu anjo. – Respondeu ela, abraçando o pequeno.

– Tia, eu vou tomar um banho, e me arrumar para esperar a tia Valentina. – O garoto parecia entusiasmado com a ideia, e isso a deixou indagada.

– Você quer ir?

– Na verdade não, mas eu pensei muito essa noite, e eu acho que já estou com saudade da tia Valentina e do papai, mas a senhora ainda é mais legal, muito mais legal.

Ivana sorriu, ela queria que o garoto estivesse bem, e se ele estivesse, ela também estaria. A manhã passou voando, quando se deram conta, Valentina já estava adentrando a porta da casa. A família toda estava esperando com o menino, inclusive Leonor. Ela era durona, mas tinha um coração, e esse coração também se apegou ao menino, que agora a chamava de vovó, assim como Isabel. O menino era carinhoso, e não tinha como não se apegar a aquela pequena criatura inocente.

– Olá a todos, como estão? – Disse Valentina, entrando na sala de estar. – Está pronto, Santiaguinho?

O garoto correu abraçá-la, e quase a derrubou, logo depois, voltou-se para José Miguel.

– Tio, você foi legal comigo, muito, muito obrigado. – Disse o garoto abraçando-o. – Sabia que alimentei o Cocoyo, tia?

– Que maravilha, meu amor. Agora vamos, a tia Valentina está com pressa. – Disse Valentina, ficando da altura do garoto.

– Tudo bem, já vamos. – Ele voltou-se novamente, agora em direção a Leonor. – Vovó, você foi um pouco má comigo, mas agora eu gosto da senhora, você ficou boazinha. – O garoto beijou as bochechas de Leonor, que o retribuiu da mesma forma.

Santiaguinho estava entusiasmado, ele pulava de um lado para o outro, e a alegria dele fazia a despedida menos dolorosa, principalmente para Ivana, que foi a que mais se apegou ao garoto.

– Rico, você precisa crescer logo, então você vai ser o dragão, e o tio o cavalo, só cavalo. – Ele beijou a testa do menino, que estava no colo de Leonor.

– E a tia Ivana, você não vai agradecer, Santiaguinho? – Perguntou Valentina, que observava o garoto.

O garoto imediatamente soltou a mão de Valentina, e correu até Ivana, assim assustando a todos.

– Tia Ivana, minha tia Ivana, como eu te amo. – Ela suspendeu-o no ar, e o abraçou apertado. – Você é muito linda, e eu te amo, te amo e te amo.

– Eu também, meu amor. – Ela o beijou na testa, e o colocou no chão. O menino olhou para ela, e puxou sua mão, para que ela se aproximasse. E em seu ouvido sussurrou.

– Minha mamãe. – Ele a beijou no rosto e a abraçou novamente.

Valentina estava muito apressada, se quer deu tempo de perguntar sobre a pequena Cecília.

Assim, ele se despediu de todos e foi embora, levando junto o coração de Ivana, que já começava a sentir sua falta.