Srª. Montesinos
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Notas iniciais
(...) Eles ficaram abraçados, ali sem nenhuma reação, apenas um sentindo o amor do outro.
Ela ficou algum tempo abraçada ao filho, até que teve uma idéia.
- Ficarei uns dias no hotel, e depois irei para o México, quero que você tenha uma boa educação. – Disse ela, enchendo-o de beijos.
Ivana voltou para o banco da frente e seguiu para o hotel. Chegando lá, pegou seu bebê, que se contorcia um pouco, e começava a chorar.
- Não chore, meu amor, você precisa ser um homenzinho forte. – Ela o pegou com delicadeza, e cobriu, pois estava um pouco frio.
Com Rico no colo, ela foi até o balcão.
- Senhor, me disponibilize um quarto? Tenho malas no carro, você pode trazê-la para mim?
- Senhora Ivana, pode subir, seu quarto é o 7, o 4º quarto à esquerda. Já levo suas malas.
- Muito obrigada. – Ivana subiu conversando com seu pequeno. – Vamos morar aqui, e depois vamos morar bem longe, meu amor.
Chegando ao quarto, ela colocou Rico na cama, deixou a porta aberta para entrarem com as malas, quando tudo já estava dentro do quarto, ela fechou a porta, e deu um suspiro de alívio.
- Finalmente, agora posso cuidar de você. – Disse ela, voltando-se para Rico.
Ela deitou na cama, o abraçando e beijando-o muito.
- Meu bebê, eu te amo. – Disse ela, beijando as bochechas do pequeno. – Quando fiquei sabendo que te carregava no ventre odiei, sabe? Pensei que eu nunca fosse te amar, imagine só, outro ser cresce em você, deixa seu corpo deformado, ocupa todo seu tempo, e não te deixa em paz. E ainda sim, quando a mamãe engravidou de você, o papai mal queria saber de mim, e muito menos de você. Você não entende, mas o que a mamãe quer dizer é, eu não sei como eu pensava assim, você é tudo para mim, cada progresso seu, é uma vitória. Quando o médico te entregou para mim, e eu vi seu rostinho, logo pensei: ‘Ele é meu, meu filho, meu bebê’, eu aprendi te amar, mas do que a mim mesma. Por você me arrependi de tudo, principalmente de um dia não te querer. Hoje a mamãe te ama mais que tudo, nunca se esqueça disso. – Ivana chorava muito enquanto lhe dizia tais palavras.
Mesmo Rico tendo pouco mais de um mês, parecia querer dizer a sua mãe que parasse de chorar, ele passava suas mãozinhas sobre os cabelos molhados de lágrimas de Ivana.
- Vamos parar de chorar. – Disse ela, limpando os olhos com as mãos. – Enquanto essa tonta da sua mãe chora, você continua sujo, vamos dar um jeito nisso.
Ivana pouco sabia sobre trocar fraldas, então preferiu dar um banho nele, pois esse negócio de limpar ‘cocô’ não era com ela.
- Bom, sujo você não fica. – Ela tirou toda a roupa do menino e o colocou na banheira, ele se debatia, mas isso não a impediu de banhá-lo. – Rico, a mamãe está ficando brava. – Concluiu ela.
Com toda a delicadeza, ela tirou o pequeno da banheira e o levou para a cama, pegou a fralda o deitou, quando se lembrou da pomada.
- Pelo amor de Deus, para que serve isso? – Contestou ela, olhando para o tubo de pomada para assaduras.
Assim, lendo o rótulo deduziu para que servisse, e passou a sua maneira, mas o importante é que fez, a sua maneira, mas fez. Vestiu o pequeno, e o deitou na cama.
- Pronto, meu bebê, agora durma.
Ivana o ninou até que pegasse no sono, o que não era tarefa difícil. Ela aproveitou que o menino dormira para tomar um banho também, embaixo do chuveiro ela desabou, chorava muito, pensava na injustiça que sofreu, ela chorava por dor e por raiva. Tudo aquilo a abalou demais. Finalmente saiu, e se vestiu. Já passada a hora do almoço, Ivana pediu no quarto sua comida e uma mamadeira para o pequeno, que assim que acordasse reclamaria seus direitos.
Enquanto esperava sua comida chegar, ela fitava a parede com tédio. – Como aquele idiota do José Miguel pensa isso de mim? Mas não tem problema, pois ele virá me procurar, eu sou a mulher que ele mais ama e Rico é nosso filho, ele virá vê-lo, e não resistirá aos meus encantos. – Pensava ela, indignada.
Finalmente a comida chegou, ela não sabia se comia, se chorava ou se observara Rico. Ela queria apenas provar que desta vez não tinha culpa de nada.
Enquanto isso, na fazenda dos Montesinos, José Miguel andava de um lado para o outro arrependido.
- Por que não a deixei falar? E se a história for verdade? Não posso viver sem eles. – Resmungava ele, enquanto continuava seu trajeto em ‘zig-zag’.
Ele sentou por um tempo, e ficou refletindo.
- Eu não devia ter chamado-a de cadela ou vadia, ela me deu o bem mais precioso que tenho, meu filho Rico, e é assim que eu a agradeço? Devia ter agido como homem que sou, não como um adolescente imaturo. Eu não acredito que ela me trocaria pelo Alonso, ou trocaria? Bem, a Valentina me trocou. – Pensava ele. – Mas Ivana não é Valentina! – Soltou sem querer.
Ele voltou a andar, agora em círculos.
- Ela errou no passado, mas ela mudou por mim, e eu mudei por ela, e eu não acho que ela seria tão estúpida a me trocar pelo pai de um filho da Valentina. José Miguel pare de se confundir. – Argumentava consigo. – Ivana te ama, ela se propôs a deixar o patrão de vida que tinha para ficar ao seu lado, para se tornar mãe. Valentina sempre te viu como um capricho, pois ela sempre desejou Alonso. Os beijos de Valentina nem se comparam aos da Ivana, sempre cheios de amor e ternos. Essa mulher te ama, José Miguel, te ama. – Concluiu ele.
José Miguel ficou horas fazendo-se a mesma pergunta, até que finalmente tomou uma atitude.
- Vou atrás dela! – Exclamou ele.
José Miguel colocou seu casaco e quando se aproximava da porta, ouviu seu nome e se virou para ver o que era.
- José Miguel, você tem certeza disso? – Disse Leonor, com os braços cruzados.
- Sim, eu tenho, eu a amo.
- Mas será que ela te ama?
- Eu tenho certeza que sim. – José Miguel começava a pressionar a maçaneta para sair, quando Leonor continuou.
- Eu não, pois você sabe como ela é, mal se importa com o mundo ao seu redor, é ociosa e quer vida fácil, ela só levou o Rico para te comover, não se iluda com seus olhos verdes-esmeralda, ela é cruel.
José Miguel tirou a mão da maçaneta e voltou-se para sua mãe. Talvez ela tivesse razão, e era tudo um grande teatro. Ela já saiu com Alonso, e não seria impossível que ela quisesse ‘reviver os bons tempos’, então José Miguel hesitou e voltou para seu quarto.
- Como posso ter me enganado tanto?
Ele deitou na cama, e chorava, as mesma lágrimas que Ivana chorava deitada ao lado do fruto do amor dos dois.
- Eu te amo, meu filho. – Dizia ela, enquanto acariciava a testa do pequeno.
Assim, os dois passaram a noite, um sofrendo pelo outro.
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