Srª. Montesinos
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Notas iniciais
Ivana pegou sua bolsa e saiu. Valentina com a menina ainda chorando no colo pensava – Meu Deus, o que farei da minha vida?
Ivana saiu do hospital sem nenhum sentimento preso, embora nervosa, ela estava muito aliviada. — Agora é só contar para o José Miguel. – Pensava ela. O peso que ela carregava nas costas desapareceria. Ao som de sua música ‘Sexy’, ela dançava freneticamente enquanto dirigia, carros desviavam de seu carro, pois ela não estava nem se importando com a direção, ela queria era curtir sua liberdade.
Chegando a San Pedro de La Peñas, o único som que se ouvia era o carro de Ivana. Ela queria apenas tem o alívio de contar para seu marido o que ocorreu, e ele a entender, pois agora ela teria o ‘apoio’ de Valentina. Ivana agora estava a poucos metros da entrada da casa dos Montesinos, quando viu malas na porta. – Quem viajará? – Pensou ela.
Ao descer do carro, foi até José Miguel que estava colocando as malas para fora.
- Quem vai viajar, meu amor? – Perguntou ela, entusiasmada.
- Eu. – Respondeu ríspido. – Eu vou embora.
- Como assim, embora? E nós, eu e o Rico?
- Rico eu levarei comigo, e você, vá para os braços de seu amado Alonso, aquele que você nunca esqueceu. Já fiquei sabendo de tudo, esposa adorada.
Ivana estremeceu, e antes que pudesse dizer algo, começou a chorar.
- Pare com essas falsas lágrimas. – Continuou ele, ainda colocando as malas para fora. – Os beijos estavam tão bons, que até a bolsa de nosso filho você deixou lá.
- Não fale assim comigo, você não tem esse direito, não sabe o que aconteceu. – Ivana puxava os braços de José Miguel para que ele colocasse as malas dentro da casa.
- O que aconteceu é que eu me casei com uma cadela, me deixei seduzir por olhos brilhantes e por um corpo esbelto, mas olha o que eu ganhei, o que será que eu fiz para ter tanta má sorte com as mulheres? Não, você não é uma mulher, é uma vadia.
No momento em que José Miguel pronunciou a palavra ‘Vadia’, os impulsos de Ivana foram mais fortes, e ela lhe deu uma bofetada no rosto. Ela realmente não merecera ouvir tal coisa, talvez, teu passado a condenasse, mas do crime que a estava sendo acusada, ela era totalmente inocente.
- Eu não fiz nada, ele me agarrou a força, mas eu recuei. Eu fui ao hospital visitar a Valentina e contei para ela, e estava me preparando para contar para você, mas me deparo com isso, quem te contou? – Ivana massageava a mão, ainda dolorida da bofetada que ela dera.
- Não interessa, na verdade interessa, pois essa pessoa nunca mentiria, foi o filho de Alonso, Santiago. Ele é uma criança, Ivana, nem isso você respeitou?
Ivana se contorcia de raiva, agora era oficial, ela odiava Santiaguinho com todo seu coração.
- Confesso que errei de não contar, mas olha o que está fazendo? Agindo como um idiota, lembre-se, muita coisa sobre você eu relevei, seu desprezo por mim, cada vez que você entrava em casa e fingia não me ver, me machucava, e eu superei tudo por você, eu cometi muitos erros, mas deste sou inocente.
- A senhora Ivana de Calcutá quer um prêmio por isso? – Retrucou irônico.
- Não quer acreditar não acredite, mas meu filho você não leva. Lembra-se de quando me disse que o filho é mais da mãe, do que do pai? Pois então, o garoto fica comigo. E você não vai a lugar nenhum, sua mãe me detesta e a casa é sua, quem se vai sou eu.
Ivana entrou decidida na casa, chorando desesperadamente, Isabel, sentada no sofá, olhou-a com reprovação.
- Como teve coragem? A história se repetirá. Onde eu errei? – Isabel chorava como uma criança.
- O erro foi em se importar com a doce e santa Valentina, e deixar sua filha de lado, muitas vezes, quando precisei de um colo para chorar, esse colo estava ocupado por minha prima e seus problemas fúteis, mas eu não a culpo, pois a mãe ausente não foi ela, e sim você, mamãe. – Ivana correu para o quarto arrumar suas malas.
Ela pegou algumas roupas suas e do menino e colocou em três malas. Chorando muito, e tremendo, em sua cabeça passava um filme, tudo que passara, o que agüentara para depois ouvir tais ríspidas palavras?
Em menos de 20 minutos, ela já estava com as malas feitas e com o menino no carro. Antes de sair, Leonor acenou para ela com ironia. Ela entrou no carro e se voltou para seu pequeno.
- Agora somos só eu e você, meu amor. Só eu e você. – Ela beijou a testa de Rico, que mudou de posição, ainda dormindo.
E assim partiu sem rumo. Muito nervosa, e sem destino, Ivana parou o carro, passou para o banco de trás, agarrada ao seu pequeno, ela chorava muito.
- Você é o motivo que eu tenho para viver, Rico, meu motivo, apenas meu. – O garoto passava suas pequenas mãozinhas sobre os cabelos da mãe. – O seu amor é o único em que eu posso confiar. – Eles ficaram abraçados, ali sem nenhuma reação, apenas um sentindo o amor do outro.
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