Spooky Days
2 Nem Tudo É O Que Parece.
Notas iniciais
Depois de explicar detalhadamente como tinha feito para aterrorizar a Diretora da CIA e Marine durão e, depois de jurar que jamais contaria para alguém o que ela tinha presenciado, Lizzy começou a arrumar as suas coisas para que pudesse ir até a festa de Halloween de Abby.
— E eu posso saber de que você vai fantasiada? – Gibbs perguntou um tanto mal-humorado, já que ele tinha acabado de descobrir que o genro também iria.
— Mortícia Adams. Sean vai de Gomez!
Jenny deu uma risada ao fundo e Gibbs bufou algo que a filha jura ter sido: “Eu ainda vou matar esse Marine Suicida.”, Mas a garota sabia onde se metia e deixou o pai falando sozinho, subindo para se arrumar.
Alguns ~ muitos ~ minutos depois, — afinal, Elizabeth era uma Shepard, e as Shepards levam horas para ficarem prontas – Lizzy desceu as escadas devidamente trajada de Mortícia Adams, com direito a uma longa peruca preta, vestido preto, maquiagem completamente pálida, batom vermelho nos lábios e unhas pretas.
— E como eu estou?? – Perguntou animada.
Jenny deu uma conferida no espartilho do vestido, apertando só mais um pouco e disse:
— A própria Mortícia. Creio que o Gomez já está lá fora...
Lizzy deu um pulo e já ia para a porta, porém, se lembrou de algo muito importante.
— Hora de voltar? – Perguntou se dirigindo ao pai que parecia não ter gostado muito do tanto que a parte de cima do seu vestido era apertada.
— 23:30.
— Jethro é Halloween e ela já tem 18 anos!
Lizzy nada disse, esperando pela confirmação do pai.
— Meia noite e meia.
— Obrigada!! – Ela disse pulando e indo até o pai e dando um beijo na bochecha dele. – Eita... ficou marcada!
— Vai logo, Liz, antes que eu desista de te deixar sair de casa! – Jethro falou.
Lizzy deu um abraço nos pais e abriu a porta parafraseando Mortícia:
— Gomez, querido, espere por mim!
— Eu vou mandá-la entrar e vou prendê-la dentro do quarto!
— Você sabe muito bem que não vai fazer isso! – Jenny deu um abraço no marido e continuou: — Agora, o que nós temos que fazer mesmo?
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— Tenho que te deixar em casa que horas? – Foi a primeira coisa que Sean me perguntou.
— Também gostei da sua fantasia! — Respondi ajeitando o terno dele.
— Lizzy... você sabe que eu não quero que o seu pai me odeie ainda mais!
— Meia-noite e meia, em ponto. Um segundo depois e ele vai te colocar no mural dos mais procurados do NCIS!
— Então, meia-noite e quinze você vai dentro da sua casa, não quero a Ziva me caçando por aí.
— Você quem sabe... a cabeça é sua mesmo. – Dei de ombros e parei do lado da porta do carona e cocei a garganta.
— O que? – Ele me perguntou.
— Sou uma feminista, mas ainda acredito no cavalheirismo.
Sean abriu a porta para mim e me esperou ajeitar o meu vestido, depois a fechou e foi para o banco do motorista. Sim, eu o estava domesticando direitinho!
— Precisa comprar alguma coisa ou vamos direto para a casa da Abby?
— Direto para a Abby e você sabe que vai ter que passar pelo caminho mais longo caso queira evitar o congestionamento no centro.
— Vai bancar o GPS agora, Liz?
— Só avisando! Mas se preferir, eu posso ficar calada.
— Isso eu queria ver! – Ele me deu um peteleco na ponta do nariz e depois segurou a minha mão. – E então, como vai a universidade?
Revirei os olhos e joguei a minha cabeça para trás.
— Um ensino médio 2.0. A única diferença é que agora beber álcool é permitido, mas a velha encheção de saco das líderes de torcida e dos jogadores de basquete e futebol continua. Você faz ideia de quantas vezes por dia eu escuto a piada: “Você está querendo se camuflar com esse moletom, garota?”
Sean me deu uma olhada rápida e fechou a cara.
— Isso sem contar a piada de “mascote”... tudo porque não tenho lá essa altura toda. Não está sendo fácil.
— Será que vou ter que ir até lá e ensinar alguma coisa para alguém? – Murmurou azedo.
— Você é muito bem vindo para ir... mas não vai adiantar nada... ouvi de outras pessoas que é isso com todo mundo, no ano que vem eles pegam os outros calouros para Cristo.
— Mais oito meses de falação?
— Por aí... ou até algo muito extraordinário acontecer... vai saber. Mas vamos trocar de assunto porque eu não fiquei cinco horas dentro de um trem para ficar remoendo as minhas dores de cabeça dos dois primeiros meses de universidade do seu lado. Tem DOIS MESES que a gente não se vê... e eu espero que essa aliança aí tenha sido um excelente repelente de caçadoras de Marines! – Brinquei.
Sean riu e apenas falou:
— Foi um imã para apostas.
— Apostas?! – Perguntei intrigada e me sentei de lado no banco para poder encará-lo. – Não sabia que tinha um DiNozzo na sua turma.
— Aumenta para uns dez.
— Ai meu Deus! E o que eles apostaram?
— Um monte de coisas.
— Olha... eu conheço alguns dos seus amigos. Um monte de coisas é muito vago, ainda mais se for o Rick... aquele lá aposta sobre tudo! O que exatamente?
— Quando o seu pai vai me matar...
— A fama dele já chegou lá?!
— Vamos dizer que o Tom soltou o nome dele alto dentro do refeitório, e, parece, que meu comandante serviu com o seu pai...
— Céus... meu pai sabe tudo o que você está fazendo!
— É, ele sabe.
— Outra aposta?
— Sim...
— Qual?
E aqui ele desconversou.
— Sean... fala sério! São apostas!
— Se a gente se casa antes ou depois de você sair da universidade.
— Ah!.... Isso. – Definitivamente eu poderia ficar sem saber disso, porém desconversei e tentei manter o clima leve, casamento era um pequeno problema... – E aí, qual opção tem mais votos?
— Antes de você sair.
— Chocada que ninguém apostou que teremos um bebê em breve! – Eu sabia, por alto, que era uma espécie de afirmação o Marine dizer que seria pai, algo como contar um certo tipo de vantagem...
— Tem isso também, mas já me avisaram que se isso acontecer, eu não sobrevivo para contar a novidade para os meus pais.
— Claro, porque a CIA vai ficar sabendo antes e, consequentemente, contará para uma certa equipe do NCIS, que conhece uma cientista forense que é a única pessoa no mundo capaz de esconder um assassinato sem deixar provas.
— Mais ou menos isso. – Ele fez uma careta, o que me deixou mais curiosa ainda... até onde o tinham ameaçado lá dentro?
— Por acaso te disseram qual será a desculpa que vão dar o seu desaparecimento? – Perguntei, ainda tentando manter a conversa em uma forma mais descontraída.
— Missão de mergulho que deu errado.
— Mergulho! Sempre tem um tubarão faminto, né? – Eu comecei a rir.
— Ou uma arraia gigante. – Ele entrou na brincadeira.
— Ou um tanque de oxigênio furado...
— Ou um barco chamado Jenny para me atropelar...
Nós dois estávamos rindo das maneiras como Sean poderia (e seria caso isso fosse verdade!) ser morto se eu aparecesse grávida, quando passamos por cima de algo, parecia um redutor de velocidade, porém era muito mais alto.
— O que foi isso? – Perguntei alarmada tentando ver algo pelo vidro traseiro.
Sean parou o carro e desceu para a olhar, e eu comecei a rezar para que não fosse uma pessoa.
Olhei ao redor... é claro que coisas assim acontecem em ruas escuras no meio do nada... parecia até filme de terror! Fiquei observando Sean até que algo bateu na janela do meu lado. Virei a minha cabeça e... a expressão sua alma saiu do corpo nunca fez tanto sentido!
Parado ao lado da minha janela, tinha uma pessoa completamente ensanguentada, tinha o rosto coberto por uma máscara e escorria sangue do seu pescoço.
Em desespero, tentei chamar por Sean, mas tudo o que vi foi ele sendo nocauteado e caindo no chão.
Tentei não gritar e, tremendo, peguei meu celular, não tinha sinal, ao mesmo tempo, tirei o cinto de segurança e tentei trancar as portas, me mantendo presa dentro do carro, só que foi em vão. A janela de trás foi estilhaçada por um taco de beisebol e logo uma mão destrancou a minha porta e eu fui arrastada para fora do carro.
Eu não sabia o que faria. Por incrível que fosse, não passava um carro, e aquela era uma rota movimentada para quem quisesse escapar do trânsito pesado do centro. Foi quando eu me dei conta de que eu estava cercada por um grupo de dez pessoas.
Será que aquilo era uma seita?
Tentei respirar fundo e me manter calma, mas o meu desespero só aumentou quando duas das pessoas trouxeram Sean e ele estava coberto de sangue, ao que parece o taco de beisebol foi usado para algo mais além de espatifar a janela do carro. Me preocupei na hora... pela quantidade de sangue que ensopava a sua roupa, ele poderia ter um ferimento grave e quanto mais demorasse o socorro, menor eram as chances dele.
— O... O que vocês querem? – Minha voz tremia e ficou ainda mais estridente quando jogaram Sean, sem cerimônias, aos meus pés.
Uma das pessoas me rodeou e parou me encarando. Era impossível de ver quem era, nem os olhos eu conseguia ver. Engoli em seco, morrendo de medo e certa de que eu entraria para as estatísticas de Tony sobre os crimes macabros de Halloween. E a pessoa continuava a me encarar.
— O que vocês fizeram com ele? – Perguntei e apontei para meu namorado, a essa altura eu já chorava.
— Quem vamos comer primeiro? – Uma das pessoas perguntou com uma estranha voz abafada e metálica.
— Co...Comer?! – Eu praticamente gritei e, por um ato de sobrevivência, tentei sair correndo, só para ser segurada por um deles e arrastada para perto da caçamba da pick up. Com medo do que aquilo poderia significar, comecei a chutar e dar socos no ar. Quando a pessoa abriu a caçamba e tentou me jogar lá dentro, chutei a cara dela com a maior força que tinha.
— Não... você não vai fazer isso comigo! – Falei e consegui ver que o meu chute tinha sido certeiro, pois a mascará de goleiro de hockey no gelo que ele ou ela usava tinha se partido, me concentrei em ver algo do rosto, porém, logo outro do grupo veio e tirou duas facas de dentro do sobretudo, e, mais rápido do que meu cérebro pode processar, passou as duas facas pelo pescoço da pessoa que tinha me arrastado até lá e sangue voou por todo o lugar, inclusive em mim.
Eu não consegui conter o grito.
Mesmo tremendo, me levantei e tentei pular para fora da caçamba, sendo impedida no ato, corri para o outro lado, mas me cercaram ali também.
Eu tinha a opção de tentar lutar, Ziva tinha me ensinado muito, porém, ela nunca me ensinou a abater tantos... para onde quer que eu olhasse, tinha alguém... eram nove agora, já que um jazia no asfalto e, ainda tinha o meu namorado que estava desmaiado e sangrando, jogado perto da porta do carona.
Respirei fundo e escolhi a pessoa que me pareceu mais fraca, mesmo sabendo que isso poderia ser um erro... tirei os meus saltos e em um movimento que deixaria a minha mãe orgulhosa, arremessei o sapato na cabeça da pessoa mais baixa e depois na direção de outra que parecia ser quem estava no comando, consegui descer da caçamba e sair correndo, só para ter meu caminho bloqueado, porque, saído de não sei onde, um homem, com o mesmo macacão e capacete me pegou pela cintura e me jogou em seu ombro.
Esperneei tudo o que podia, xinguei com os palavrões mais cabeludos que já tinha aprendido, mas não foi muito, quando dei por mim, alguém apertava a base de meu crânio e eu simplesmente apaguei.
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Uma garota ruiva jazia em uma cama, dentro de um quarto em uma casa na cidade que ainda não havia despertado. Elizabeth era o seu nome.
Com pouco, a claridade de uma manhã de 1º de novembro passou pelas cortinas e atrapalhou o seu sono que foi tudo, menos reparador.
Assim que a claridade bateu em seu rosto, Elizabeth levou a mão diante dos olhos para poder espantá-la.
E foi quando ela se lembrou de tudo o que acontecera, de tudo o que ela vira.
Com um grito, ela pulou da cama e tentou se situar. Onde ela estava? O que havia acontecido com ela? Por quanto tempo ela ficou apagada? E onde estava Sean?
Acontece que quando ela parou para prestar atenção nos seus arredores, Elizabeth se viu em um quarto exatamente igual ao seu. Até mesmo os bichinhos de pelúcia eram idênticos.
— Mas o que é isso tudo? – Ela murmurou. Ainda um tanto confusa, caminhou para a porta onde ela sabia seria o seu closet, e assim que a abriu, viu seu reflexo no espelho e notou que tinha trocado de roupa, estava vestida com uma calça velha de ginástica e uma blusa de malha com as letras NCIS estampadas. – Não! Eu não estava com essas roupas! – Murmurou e começou a procurar pelo seu vestido preto e toda a sua fantasia de Mortícia... Não achou nada, era como se nada daquela noite tivesse acontecido!
Com o coração batendo rápido, pegou o seu celular, talvez, só talvez, tudo aquilo tinha sido um sonho e hoje era a sexta-feira de halloween, mas a data que a tela de bloqueio lhe mostrava era que era sábado, 1º de novembro.
— NÃO!!!! – A ruiva gritou desesperada e começou a chorar.
Como que respondendo aos apelos de uma menininha que tinha acabado de cair da bicicleta, Gibbs abriu a porta do quarto da filha, assustado com o grito dela.
— O que foi, Liz? – Ele perguntou assim que conseguiu abraçar a filha e a sentar na cama.
— Eu... a festa de halloween.. Sean... papai! Atacaram a gente no meio do caminho! Bateram em Sean!! Eu... eu... – Ela chorava de soluçar.
— Foi tudo um pesadelo, Liz. Você não foi a festa nenhuma... Ficou em casa e acabou por dormir cedo. – Ele disse pacientemente.
Liz encarou o pai.
— Não!! Eu fui sim!! Papai, eu fui de Mortícia!! Eu tenho certeza. – A garota bateu o pé. – Onde está a mamãe?
— Dormindo.
— Não!! Ela seria a primeira a acordar com o meu grito. O que está acontecendo aqui?? – Ela quis saber e saiu do quarto, indo em direção ao quarto dos pais. – Viu, ela não está aqui!! O que aconteceu comigo?? – Tornou a questionar e desceu as escadas em disparada.
Assim que pisou no hall de entrada e se virou para a sala de TV, ela escutou vozes, muitas vozes. Desorientada, parou ali e tentou se situar.
— Bom dia, Lizzy! – Tony DiNozzo a cumprimentou. – Esqueceu de trocar o pijama?
— Tony? Ziva? – Ela mirou o casal que estava sentado na mesa.
— Sim. – A israelense disse com uma sobrancelha levantada, como se questionando a sanidade da menina.
E Lizzy começou a questionar a própria sanidade ao correr os olhos por todas as pessoas que estavam ali. Até que parou em três.
Nick tinha uma enorme marca rocha no rosto. Começava na testa e ia até a mandíbula. Isso sem contar no nariz que claramente estava quebrado. Parecia que ele tinha levado um belo chute no rosto.
Ellie tinha um galo na testa e estava com uma bolsa de gelo no local. Não tinha a mais feliz das expressões.
E a sua mãe tinha um olho roxo enorme. Como se alguém tivesse batido nela, ou como se tivessem arremessado algo nela.
— O que aconteceu com vocês? Por que vocês estão assim? Mamãe, quem te bateu? – Ela correu para a mãe e tentou ajudá-la de alguma maneira.
— Lizzy, eu estou bem. – Jenny garantiu e jogou a cabeça para trás, recolocando a bolsa de gelo sobre o olho.
— Mãe... – A ruiva gemeu em desespero. E, depois, explodiu: — Alguém pode fazer o favor de me explicar o que está havendo aqui?
Nenhum deles abriu a boca. O único som que escutaram foi o chamado abafado de alguém.
Ziva e Tony se entreolharam. Ellie fez uma careta. Tim e Abby deram um pulo e entregaram a culpa.
— O que foi isso?? Gente, pelo amor de Deus!!
— Como foi que vocês esqueceram de tirá-lo de dentro do porta-malas??? – Ziva falou.
— Eu estava preocupada em limpar as evidências!!
Lizzy não estava entendendo mais nada. Gibbs desceu a escada e deu um sonoro tapa na cabeça de McGee e Tony, já Jenny grunhiu algo que poderia ser classificado como: “eu nunca mais vou inventar algo assim.”
— Evidências de que? – Liz se virou para a cientista forense.
— Eh... então... – Abbs sorriu. – Nada não. Nada para se preocupar.
— Como vamos nos livrar dele? – Torres sibilou.
Ellie deu de ombros e gemeu de dor.
Foi aí que Liz parou e observou a sala. Mas observou com cuidado.
— Regra #36 – Ela disse. – Se você acha que está sendo enganado, é porque você está!
Todos pararam e fingiram que não estavam escutando. Inclusive seus pais.
— FORAM VOCÊS!! ERAM VOCÊS ONTEM À NOITE!! – Ela gritou.
— Até que foi rápido! – Torres disse.
— E a “evidência”... Onde vocês trancaram o Sean??
Ziva deu de ombros.
— Ele está bem. É um Marine no fim das contas.
— Onde, Ziva? Não me diga que é ele quem...
— Sim. No porta-malas do carro da sua mãe! – Tony falou e recebeu outro tapa na cabeça.
Lizzy saiu correndo para a garagem e não perdeu tempo, foi logo abrindo a tampa do porta-malas.
— SEAN!!! Você tá bem?? – Ela perguntou assim que conseguiu livrar o namorado da mordaça.
— Eu estou, e você? O que fizeram com você?
— Nada...
— Nada? Tem certeza, Liz?
— Aprontaram com a gente. Isso aqui. – Ela apontou para o sangue na roupa dele. – É sangue falso.
— Mas quem...
Nesse momento entraram Abby e Tim na garagem.
— Desculpe, Sean, não era para você ter ficado tanto tempo no porta-malas...
— Ele passou a noite inteira aqui! – Liz sibilou.
— Mas só percebeu metade da noite. Eu sei como apagar alguém muito bem! – Ziva falou.
A vontade de Liz era de estrangular a própria família! Porém, antes, ela ajudou o namorado que estava todo cheio de câimbras, a sair do porta malas.
— O que vocês estavam pensando? – Questionou assim se sentou ao lado dele à mesa.
— Que isso não ia doer tanto... – Ellie murmurou.
— O que queriam? Que eu me entregasse? É claro que não!! Mas por quê?
— Estamos planejando isso há meses... a ideia surgiu depois que você ficou toda surtada depois de assistir a “Uma Noite de Crime”. – Tony resolveu falar.
— Nós vimos esse filme há quase um ano... – Liz falou e voltou sua atenção para o namorado que tinha uma estranha marca roxa no pescoço.
— A ideia surgiu lá... queríamos ter feito mais cedo, mas Abby achou que a noite de halloween seria mais adequada. – McGee respondeu e entregou uma bolsa de gelo para Liz, que prontamente estendeu para Sean.
— Eu quase morri de medo!! – Liz falou. – Eu achei que ele – ela apontou para Sean, mas estava perto demais e acabou por dar um tapa na cabeça dele. – Desculpe. Eu achei que ele tinha sido machucado de verdade. Depois... depois... Ah! Pelo amor de Deus!! Era o senhor me encarando, não era, pai?
Gibbs se sentou ao lado da esposa e encarou a filha.
— Eu deveria ter percebido... – Ela disse zangada.
— Pelo menos agora sabemos que você sabe se defender... – Ziva disse feliz. – Eu posso ficar mais tranquila sabendo que algo assim jamais vai acontecer com você!
— Isso não era um dos seus testes malucos, Ziva! – E lá estava a encarada que Liz tinha aprendido a fazer nos últimos anos.
— Só uma pergunta... – Sean entrou na conversa, tentando distrair Liz que parecia a ponto de voar no pescoço de Ziva. – Onde está o meu carro?
— E quem vai pagar pela janela? – Liz completou.
— Janela?!
— Sean... a janela do carona foi estilhaçada... por um taco de beisebol.
— Foi uma pena você ter perdido essa referência, Liz...
— Por que não me surpreendo por ter sido a sua ideia, Tony?
— O carro está na garagem da CIA. A essa altura já devem ter consertado a janela. – Jenny falou do sofá. – Já podem ir lá pegá-lo.
Sean se levantou, pronto para ir pegar o carro, queria sair dali o mais rápido possível, pois não queria dizer o que não devia e entrar na lista negra de Ziva, já que na do Gibbs ele estava desde o dia em que pediu Liz em namoro.
— O Gomez... pode ficar sentadinho aí. Coberto de sangue falso você só vai conseguir ser preso. – Gibbs falou e o genro obedeceu, se sentando ao lado de Liz.
— Peçam desculpas! – Ela sibilou encarando a família.
— Regra #06. – Cantarolaram todos.
— Não... eu quase pensei que tinha surtado de vez, passei os piores trinta minutos da minha vida, estou com uma dor horrorosa na base do meu crânio E achei que tinham matado o meu namorado. PEÇAM DESCULPAS!! – Ela bateu o pé.
— Como foi que ela falou conosco ontem de manhã, Jen? – Gibbs ainda sentado ao lado da esposa falou.
— Acho que foi algo como: “Qual é... onde está o espírito do halloween de vocês?? Um dia, há muito tempo, vocês devem ter aprontado algo mais ou menos assim...” – Jenny imitou a filha, tanto no tom de voz, como no jeito de falar.
Lizzy ficou pasma. E a única reação que ela teve foi:
— Pelo menos eu não desmaiei de medo! – Olhou diretamente para a mãe.
— Elizabeth... – Jenny alertou.
— Complete a frase.
— Você prometeu.
— Antes de sofrer esse ataque!
— Pegadinhas são pegadinhas e isso é o halloween. – Jenny deu a conversa por encerrada. – Além do mais, é a senhorita quem nos deve desculpas.
— Por? – Liz desafiou a mãe, algo inédito naquela casa.
— Preciso desenhar, Elizabeth? Basta olhar.
Liz encarou Nick, Ellie e a própria mãe.
— Isso só mostra a excelente aluna que fui nas aulas de defesa pessoal. – Ela deu de ombros.
Jenny tornou a encarar a filha, mas a reação inesperada veio justamente de Gibbs, pois ele começou a rir.
— Você tem que ficar do meu lado, Jethro!
— Mas a Liz está certa! Foram vocês quem criaram esse pequeno monstrinho.
— Monstrinho?! – Lizzy disse estupefata.
— Nós! Você também está no meio? Ou acha que aquela cara de convencida vem de onde? – Jenny rebateu.
— Deveriam saber que não se encurrala uma pessoa que foi treinada por uma ex-oficial do Mossad, por um agente do FBI e por um Marine. – Gibbs se ajeitou ao lado da esposa e tentou fazê-la colocar o gelo de volta no olho. – Até que ficou barato.
— Você tem TRÊS COSTELAS TRINCADAS, por conta dos chutes dela! – Jenny soltou. – E se não fosse por mim, ela teria te quebrado todo!
— Falando nessa cena em particular... – Tony começou, e os demais olharam para Liz.
— Onde foi que a senhorita aprendeu um vocabulário tão diverso no quesito palavrões? – Gibbs agora encarava a filha e Jenny tinha um sorriso irônico nos lábios.
Liz deu um passo para trás e tentou buscar por ajuda com Sean, que estranhamente estava calado e taciturno.
— Por aí...
— Mas em russo?
— O senhor fala russo, papai.
— Pashtu? – Jenny a desafiou. – Eu nunca soltei aquelas palavras dentro dessa casa.
— Ellie. Lembra do dia do teste com gás lacrimogênio?
— É incrível como dois meses de faculdade podem mudar uma pessoa! – DiNozzo comentou, fazendo uma cara de negação, logicamente, pegando no pé da garota.
— Eu ainda não te perdoei pela história da janela, Tony. Evite falar agora ou você será o próximo...
— A ganhar uma sapatada ou uma tacada de beisebol? – Ele desafiou Liz. – Porque ganhar do Marine aqui, – ele deu um tapa na cabeça de Sean. – foi muito fácil!
Mas a vingança não veio de Liz, veio do jovem Marine que estava calado. Sean chutou a cadeira de Tony e este, junto com Ziva foram ao chão.
— Da próxima vez, DiNozzo, não tenha a Ziva como backup, e nós dois vamos saber quem ganha a briga.
— Me chamem para isso! Já tô apostando vinte no Sean! – Torres falou.
— Concordo com o Nick. Sean vence.
— McTraíra!! Você tem que ficar do meu lado, Novato! E você, Torres, calado porque apanhou dele e de Liz!!
— Você tá ferrado, Tony! – Abby falou.
— Et tu, Abby?
Lizzy só olhava para Tony com um ar de vitória e depois passou bem atrás dele e sussurrou:
— Medroso.
— Eu tenho uma filha!! – Tony tentou se defender, mas só se encrencou mais.
Foi quando Lizzy encarou o namorado e os dois começaram a sorrir, com um certo ar conspiratório.
— Podem ir parando. – Gibbs avisou.
— Temos o direito de ter uma vingança! – Os dois falaram.
— Já estão falando até juntos?!! – Ellie deu um grito.
— Quando é o casamento? – Abby perguntou.
— O... o que? – Lizzy se engasgou.
— Podem parar!!! – Gibbs avisou e chegando perto do genro, disse. – Vá se trocar. Vamos pegar o seu carro.
— Eu vou também! – Liz disse. Nem pensar que ela deixaria o pai sozinho do Sean por quase uma hora.
— Não. A mocinha vai ficar aqui e ajudar a sua mãe a se livrar daquele olho roxo.
— Mas pai! – Liz falou enquanto via o pai jogar uma duffel bag na direção de Sean.
— Sua mãe pode ter procurado por isso, mas foi você quem acertou a sapatada. Agora, anda, ela vai te explicar o que tem que fazer. – Jethro empurrou a filha, que tinha uma feição apavorada no rosto, na direção da mãe.
Lizzy logo se pôs a ajudar, não só a mãe, como também Ellie e Nick. E quando notou o pai saía com Sean.
— Ele vai sobreviver, não vai? – Ela olhou preocupada pela janela.
Jenny começou a rir.
— Reze para que sim. Mas se a ficha dele realmente disser quem ele é, Sean sobreviverá, saíra um tanto arranhado, mas sobreviverá.
Elizabeth se encolheu e trocou a compressa do olho da mãe.
Com a saída de Gibbs e Sean, logo McGee e Abby saíram também, os dois dizendo que não queriam participar da emboscada 2.0 do dia.
Tony e Ziva foram logo em seguida, na verdade, foi Ziva quem puxou Tony pelo braço, já que o Agente Muito Especial, queria saber quem ganharia a aposta.
— Que aposta? – Liz perguntou da cozinha, ela já estava começando a preparar o almoço.
— Bem, entre tantas, a mais importante. – Tony começou.
— Tony, por favor! O que é?
— Quantos meses o seu namoro vai durar... – Nick disse sem piedade nenhuma. – Antes que o seu pai coloque o Sean para correr.
— Vocês apostaram isso? – Ela perguntou incrédula. – Por quê?
— Só para ter o que fazer, Liz. E não foram todos. – Ziva pôs panos quentes.
— E por que vocês acham que meu namoro não vai durar?
Todos olharam para as janelas e depois se despediram.
— Mãe? – Liz pediu ajuda para a única pessoa que tinha ficado.
— Só por conta do ciúme do seu pai. Ele ficou sabendo de algumas apostas que estão rolando no grupamento do Sean, e tem uma que o deixou possesso.
— A do casamento ou a do bebê?
— Você sabe? – Jenny levantou uma sobrancelha.
— Sem, muito sem graça, ele me contou. E parece que a fofoca também é um passatempo entre velhos companheiros.
— Sim. Nisso vocês deram azar.
— Mas não era completamente inesperado.
— Não, não era. Mas quanto ao Sean sair ou não correndo...
— Mãe!!
— Ele não vai. Seu pai sabe disso. E os meninos também. Eles querem mais te irritar do que desejam o fim do seu namoro. Essa noite foi um bom teste.
— Foi um tremendo susto. E olha o que fizeram com o Sean!
— Ele te defendeu, Liz. A Ziva o apagou para que ele não acabasse com o Tony e o com o Nick. E depois, bem... você se defendeu muito bem. – Jenny apontou para o próprio olho roxo.
— Me desculpe por isso. – Liz murmurou dando uma olhada no hematoma.
— Não imaginava que você era tão forte! Nem seu pai. Tive que te apagar ou era bem provável que você quebrasse seu pai ao meio.
— Papai deve ter adorado quando Ziva imobilizou Sean.
— Na verdade ele queria uma briga justa... mas foi melhor assim. Porém, não vou negar que terem esquecido o pobre no porta-malas o deixou de bom humor.
E a ruiva mais nova se jogou no sofá ao lado da mãe enquanto esperava a volta do pai e do namorado. Quando o pai voltou assobiando e todo sorridente, Liz temeu pelo pior. Porém, logo atrás, veio Sean, e, com uma feição não muito boa, parou na calçada e a chamou.
— Eu posso? – Ela pediu, mesmo que só fosse até a calçada, não queria que as coisas ficassem ainda mais complicadas.
Jenny balançou a mão e a filha correu porta afora.
Sean a parou com um abraço.
— E aí? Eu quase comi meus dedos de ansiedade!
— Vamos combinar uma coisa, Liz?
Liz deu dois passos para trás, morrendo de medo do que poderia acontecer.
— Aconteça o que acontecer, jamais vamos passar a noite de halloween com a sua família. Um ano já foi o suficiente!!
— Nem me fale... e eu achando que ia tirar vantagem de ter assustado a minha mãe.
— Acho que de todas as pessoas, a única que realmente gostou de tudo o que aconteceu foi o seu pai.
— Quem diria. Espero que mais nada aconteça hoje... — Liz comentou. – Vai entrar ou vai dar um tempo da companhia maluca da minha família?
— Melhor deixar o seu pai comemorar a vitória. Volto mais tarde.
— Muito sábio de sua parte. – Liz deu um beijo no namorado. – Até mais tarde então.
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Já era tarde da noite de sábado. Uma chuva torrencial caia sobre a cidade, era tão forte que era impossível de se ver o outro lado da rua. A família Shepard-Gibbs estava espalhada pela casa, cada um fazendo algo, Jenny tentava por um pouco do trabalho em dia, já que não iria trabalhar em seu escritório até que seu olho voltasse a cor normal, Lizzy estava sem eu quarto, finalizando alguns trabalhos da faculdade, enquanto seu namorado estava sentado perto dela, acariciando as orelhas de Ice, e Gibbs estava em seu porão, porém, de vez em sempre dava uma olhada no quarto da filha para ver o que o casal estava aprontando.
A esta altura, todo restante da família já tinha ligado para saber a quantas andava o namoro da ruivinha, e ao receberem a resposta de que tudo estava bem, somente Abby ficou feliz, afinal, ela fora a única que apostara que Liz e Sean durariam pela eternidade.
No silêncio que se encontrava a casa, era possível escutar uma agulha cair no chão, assim como foi possível escutar em alto e bom som uma voz. Uma voz de criança.
— Olá! Vocês não querem brincar comigo?
O chamado foi tão alto que as três pessoas que estavam no segundo andar deram um pulo e tiveram as mais diversas reações.
Liz deixou a caneta cair em cima do ensaio que escrevia. Sean ficou procurando de onde veio o som e Jenny, bem ela...
— Elizabeth Shepard-Gibbs pode parar com isso!!
Lizzy deu um pulo da cadeira e chegou no corredor, parando de frente para a mãe na porta.
— Eu juro, mamãe, não fui eu!
Jenny encarou a filha, mas viu que ela fora sincera.
As duas, logo em seguida, ouviram um som.
— Sean, foi você? – Lizzy perguntou.
— Não. – Veio a resposta bem atrás dela.
— Será que foi o seu pai? – Jenny perguntou.
Os três seguiram para a escada, acontece que não esperavam por um apagão.
— Eita...
— Liz, não tem nada de “eita”. Seu celular está aí? Liga a lanterna. – Jenny ordenou.
— Deixei no quarto. Sean, e o seu?
— No seu quarto também. Vou lá pegar.
— Eu não estou gostando disso. – Jenny comentou. E, outra vez, o barulho foi ouvido.
— Ahn... mãe, não é melhor sairmos do alto da escada... escadas são sempre perigosas.
As duas ruivas se afastaram da escada e foi só estarem na relativa segurança do corredor, que escutaram:
— Olá! Vocês não querem brincar comigo?
Foi quase automático, as duas saíram tateando no escuro até a porta do escritório de Jenny, e a cada passo que davam, o chamado parecia que as acompanhava.
— Sean, cadê você com essa maldita lanterna?? – Liz chamou pelo namorado.
— Nossos celulares estão descarregados. – Ele falou de algum lugar.
— De novo não! – Jenny murmurou.
— Olá! Por que vocês não brincam comigo? – A voz basicamente sussurrou atrás das duas ruivas, que correram para dentro do escritório.
— Alguém está aqui. – Jenny falou.
— Mãe, ninguém pode ter passado por nós!! Estávamos no alto da escada até agora a pouco.
— Vocês vieram brincar comigo? – A voz de criança falou e, como que em um passe de mágica, a luz piscou e lá estava a garota. Mas aquilo não era uma garota, era um...
— Ah Meu Deus!!! – As duas gritaram. — Tem um cadáver na mesa!! – Tentaram sair correndo só para baterem em algo. Ou melhor, em duas pessoas que estavam rindo.
— Duas vezes em menos de 48 horas, que vexame para vocês, hein? – Jethro perguntou, acendendo a luz e revelando nada mais, nada menos do que uma das muitas bonecas de gosto duvidoso de Abby.
— Fala sério?!! – Liz reclamou encarando o namorado. – Quer me matar do coração?
Sean deu de ombros e ainda ria da cara de apavorada da namorada.
— Jethro, o que você acha que estava fazendo?
— Feliz Halloween atrasado, para vocês duas. – Ele falou com a maior cara de pau.
Liz não estava nada feliz por ter sido enganada por duas vezes nesse halloween e considerava se matava o namorado jogando-o escada abaixo ou se o mandava embora.
— Fora!! – Ela falou, empurrando Sean até a escada.
— Ele fica, Liz. Tá chovendo. – Jethro defendeu o genro.
— Você.. acabou de defender o Sean?! – Jenny perguntou perplexa.
— Agora, depois que ele me ajudou nisso, ele é bem-vindo na família!
Lizzy e Jenny não acreditaram nas palavras dele, mas decidiram que não valia a pena brigar, um dia... não muito perto, elas teriam a vingança delas. Porém, por enquanto, elas dariam aos dois Marines o tempo para apreciarem o gostinho da vitória.
— Tudo bem. – Jenny disse.
— Vocês venceram. – Completou Liz.
— Parabéns. – Disseram as duas e cada uma se encaminhou para a sua tarefa.
Os dois Marines se encararam, certos de que ali tinha uma pegadinha, ou algo a mais que eles não notaram e, assim, cada um seguiu a sua respectiva ruiva para tentar descobrir o que elas iriam aprontar.
Acontece que não era a hora, ainda não. Um dia seria.
E a casa voltou ao silêncio de antes, mesmo que a tempestade no exterior ainda ecoasse pelas paredes.
Já tarde, muito tarde, quando Jenny e Gibbs estavam dormindo em seu quarto, Liz no dela e o Marine Suicida na sala – afinal, chovia muito para que ele conseguisse atravessar a rua sem morrer afogado. – uma tábua da escada do porão estalou, chamando a atenção de Ice que dormia enroscado aos pés de Sean. O cachorro se levantou e foi até a cozinha, onde parou e depois acompanhou a leve brisa que ali passava. Poucos segundos depois, Sean sentiu algo gelado tocar bem em cima de onde Ziva tinha apertado o seu pescoço, o Marine só levantou a coberta e virou de lado. Novamente uma tábua rangeu, dessa vez, na escada principal e tudo ficou em silêncio por um tempo.
— Mas será que eles realmente não querem brincar comigo?? – Perguntou a voz de uma garotinha loira que estava sentada no meio da escada olhando diretamente para os olhos enevoados do velho husky siberiano.
Ice latiu alto, acordando a todos.
— Cachorro mau! – A voz falou assim que as luzes se acenderam.
— Mas o que foi isso?! Por que Ice está latindo a essa hora da madrugada? – Jenny perguntou e o cachorro latia insistentemente na direção da escada.
Liz foi mais rápida e desceu as escadas para tentar acalmar o cachorro, quando passou mais ou menos perto do degrau do meio, sentiu um calafrio e ficou toda arrepiada.
— Credo! – Ela falou. – Ice, seja um bom cãozinho idoso e vá dormir. Não tem nada aqui.
— Tem sim.... – A voz murmurou, mas foi abafada pelo som de um trovão.
Ice latiu mais uma vez.
— Mas o que deu nesse cachorro?! – Jethro falou e desceu a escada, para olhar pela porta. Jenny o seguiu, parando no meio da escada, e, assim como a filha, sentiu um calafrio percorrer o corpo.
A garotinha loira achou que finalmente seria notada e que todos aqueles estranhos iriam brincar com ela, porém, nenhum deles pareceu notá-la. Resignada, ela apenas desceu a escada, passou perto de cada um deles como se fosse uma brisa gelada vinda de algum lugar e se foi.
— Quem sabe no ano que vem... – Foi o suave murmurar que todos os quatro juraram escutar. – O Halloween sempre volta... no ano que vem eu volto também.
E os quatro ocupantes da casa ficaram se encarando no meio da sala de TV iluminada apenas pelo fogo da lareira. Algo muito estranho tinha acontecido ali, e nenhum deles queria saber o que era realmente. Nem hoje, e muito menos no próximo Dia Das Bruxas.
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