Splintered

6 Before: Chapter 6


Notas iniciais
Depois de um milhão de anos, olha quem voltou?!(risos). Pois é demorei, me desculpem por isso, mas com a matéria do ultimo ano e a pressão dos vestibulares a coisa ficou meio complicada. Eu amo de verdade essa historia, mas meu foco principal é a outra fanfic Begin Again * propagando não intencional mas intencional* , por isso sempre atualizo ela primeiro, deixando Splintered em segundo plano com relação as postagens. Mas aqui estou o que quer dizer que não vou desistir dela. Obrigada a Lena Black por comentar no ultimo capitulo( Voce é leitora de Begin Again? tenho a impressão de já ter te visto lá....) E a Susuh que favoritou a fic, Yay! Obrigada ás duas lindas flores. Bom, prontos para mais desventuras engraçadas da Alice? boa leitura e nos vemos nas notas finais!

Alice estava exultante. Dessa vez o plano para juntar seus professores daria certo, ela podia sentir a confirmação borbulhar em suas veias! Se bem que nas ultimas doze vezes também tivera certeza, mas dessa vez seria diferente! Pensar nisso lhe deixou agitada durante a ultima aula de espanhol, o que a fez bater o pé no chão e apertar o botão da caneta repetidas vezes, deixando seu colega de carteira, Edward, irritado. Não que ele tivesse falado alguma coisa, embora tenha olhado para a sua caneta da Rainbow Dash, com uma expressão parecidíssima com o de alguém com constipação, porem ela não externou esse pensamento para não deixa-lo envergonhado.

Ao olhar pela janela percebeu que faltava pouquíssimo tempo para a chuva que havia previsto mais cedo de manhã, se concretizar. Para visões desse tipo ela se focava em algum detalhe em especifico que lhe ajudasse saber em que momento exato aquilo aconteceria, como agora em que ela observava a nuvem cinzenta com o formato da princesa caroço que tampava o sol.

Abrindo a bolsa, Alice, tirou duas sacolas plasticas daquelas descartáveis de supermercados para então colocar cada pé em uma respectiva sacola, dando um nó bem forte para fechar. Ela não ligava de estar parecendo mais esquisita ainda daquela forma, mas nunquinha na vida que andaria até em casa com as meias encharcadas esguichando a cada passo. Nunca mesmo!

Depois de ajeitar o material dentro da bolsa ainda aberta Alice se levantou, caminhando tranquilamente até a porta, sem se importar de estar interrompendo a explicação do professor, assim como desviando a atenção da maior parte dos colegas que a encaravam atônitos por sua indiferença.

— Mary Alice, para onde esta indo? A aula ainda não aca...

A frase do professor Mackintosh foi interrompida pelo sinal do fim das aulas soando naquele mesmo instante, deixando o mesmo aturdido e sem mais argumentos.

— Como ela consegue fazer isso todas as vezes? — verbalizou Emmett o que todos estavam pensando ao observarem a garota sumir pela porta.

Colocando os fones de ouvido e apertando play no seu celular, imediatamente a musica you’re gonna go far kid do The Offspring começou a tocar, enquanto ela era guiada pelo som animado e divertido da banda. Aquela musica em especifico tinha um tom nostálgico para ela, pois uma das poucas lembranças boas que tinha com sua irmã, Cynthia, era permeada por essa trilha sonora, quando as duas pulavam juntas ao som dela na sua antiga casa de quando ainda moravam na Inglaterra.

Mesmo que as lembranças não fossem claras em sua mente, a sensação delas causava um conforto enorme em si. E guiada pela emoção do momento, ela deixou que a musica guiasse seus passos, transformando os em rodopios harmonicos de uma ex-bailarina, que no momento pouco se importava com a reação ou julgamentos dos alunos que deixavam a salas e viam sua performasse.

Talvez essa fosse a mais bela e importante qualidade de Mary Alice Brandon, o fato dela não ligar para o que as pessoas pensavam dela, o fato de não tentar se enquadrar nos padrões socialmente impostos para o considerado "normal". Ela se aceitava como era, e não tinha vergonha de expor isso.

Com os ouvidos preenchidos pela musica, sem ouvir os comentários zombeteiros e maldosos que causavam um burburinho a suas costas, Alice seguiu dançando pelos corredores, como se apresentasse um espetáculo na qual somente ela enxergava, até sair da área coberta da escola. Encarando o céu cinzento daquele outono, ela sorriu antes de abrir seu guarda- chuva com as cores do arco-iris, bem no exato momento em que uma grossa chuva desabou, como se alguém no céu houvesse ligado uma torneira.

Os alunos que ainda estavam sobre a dependência coberta da escola praguejaram desde ofensas á resmungos de como não queriam se molhar com o curto trajeto até o carro. Alice, no entanto, nem ligou continuando a saltitar nas poças que se formaram, girando o guarda-chuva em suas mãos fazendo os respingos voarem para todo lado. Sob hipótese alguma admitiria, mas ela sentia falta da irmã, apesar de não serem exatamente próximas devido a diferença de idade de seis anos. Alice se sentia um pouco solitária. Os pais trabalhavam constantemente, enquanto a pequenina parecia crescer sozinha, sem amigos com a qual poderia contar de verdade. Para alguém naturalmente expressiva era difícil viver de forma tão contida.

Algo em alta velocidade passou a centímetros do seu corpo, fazendo-a dar um pulo para trás guinchando assustada, parando sua caminhada e a tirando dos seus doces devaneios. Olhando para trás ela viu um ciclista sem protetores pedalando a toda a velocidade, como se participasse de uma disputa. Movida pela irritação momentânea, ela ergueu a mão fechando-a em punho e dando um puxão para trás como se preparasse para dar um murro. Imediatamente a bicicleta deu um solavanco devido o acionamento súbito dos freios, fazendo o individuo literalmente beijar o chão, ou deveria dizer poça lama?

Um riso divertido lhe escapou ao observar a cena a sua frente, mesmo que não tenha recompensado o susto levado, ao menos restabelecera um pouco do seu bom humor. Onde já se viu andar de bicicleta naquela velocidade, ainda por cima na chuva? Era pedir mesmo para morrer, se não tivesse sido ela, teria sido um carro. Ele deveria ter perdido somente um ou dois dentes ao invés da vida, o que transformava Alice indiretamente em uma salvadora, uma heroína! Não que ela ligasse para esse titulo.

Ao menos aquilo havia recobrado-a de seu proposito, que era ser madrinha de casamento da Srta Kate. Mas para isso acontecer era necessário que seus professores tivessem ao menos um relacionamento antes. Ou seja ela precisava dar mais uma forcinha. Com um estralo de dedos imediatamente o céu escureceu para um tom cinza escuro, a chuva engrossando para um forte temporal que soprava as gotas de água em diagonal, com direito a ocasionais relâmpagos e trovões. Nenhum dos carros que passavam, pareceu notar que o vento não afetava um certo guarda chuva multicolorido que se destacava em meio a imagem.

(...)

Alice desceu a escada de sua casa já de banho tomado, com o cabelo úmido molhando as costas do seu moletom de gatinho, guiando-se pelo cheiro bom que parecia permear a casa inteira, vindo direto da cozinha. Chegando lá, ela observou diversas travesas sujas dispostas de forma desordenada pela cozinha, enquanto sua mãe batia em uma tigela, uma massa pastosa e esverdeada com aspecto de vomito. Imediatamente sua animação teve um decaimento com a possibilidade de sua mãe estar cozinhando para o jantar. Carmem Brandon e cozinha não eram palavras que combinavam bem em uma mesma sentença.

— O que está fazendo?— Curiosa como era, Alice se viu perguntando.

Carmem ergueu o rosto salpicado de farinha em direção a filha, antes de largar a travessa que a seguiu flutuando enquanto a mulher andava agilmente até a filha, dando-lhe um beijo na testa em um ato pouco usual que deixou a garota desconfortável. Carmem Brandon de bom humor era algo tão inusitado que deixou Alice curiosa e um tanto temerosa sobre o que sua mãe estava planejando.

— Ah! Mary Alice, nem havia visto que já chegara. — disse Carmem com indiferença ao se afastar, o que fez a filha torcer os lábios. — Mas isso é ótimo, pois agora pode me ajudar a terminar a torta de abobora. Vá até a dispensa e pegue aquele frasco de lagrimas de unicórnio, que eu comprei na ultima viagem até a capital. — ordenou Carmem voltando a mexer na gororoba que parecia adquirir uma forma mais homogênea.

Alice arregalou seus grandes olhos em surpresa e incredulidade.

— Para que você precisa lagrimas de unicórnio?— questionou ela com visível choque.

Unicórnios existiam no seu mundo, mas não eram tão bonitos, graciosos e coloridos como os humanos imaginavam. Na verdade eles pareciam rinocerontes gigantes, com aquela pele cinzenta e dura e aquele chifre enorme. Não eram muitos os que restaram já que essa era uma criatura quase pré-histórica e que agora se encontrava perto da extinção. Eles viviam em uma reserva natural que as ninfas cuidavam em Volterra.

Lagrimas de unicórnio possuíam uma coloração bonita, lembrava um pouco sabão com reflexos de arco-iris e cor leitosa, mas o efeito que causava nas pessoas ao ser ingerido não era nada legal. O liquido sem gosto proporcionava a mesma reação que uma intoxicação alimentar com o desconforto abdominal, algumas vezes náusea e fraqueza. O efeito em si não durava muito, mas a sensação era algo que não se esquece facilmente. Era bem obvio que com um efeito tão adverso, esse tipo de ingrediente faria tanto sucesso entre os bruxos, como forma de pequenas e sutis vinganças contra os humanos.

— Para torta que eu estou preparando para os Pingson’s, é claro! Esse ano minha travessura será muito mais divertida que o do ano passado, com as baratas, embora nenhum supere a minha primeira pegadinha com a Wik!— destacou sua mãe com sorriso maquiavélico e os olhos perdidos em lembranças.

Wik era jiboia-vermelha de estimação da sua irmã Cynthia, que felizmente havia ido com a sua irmã para Volterra. Alice não tinha medo da cobra que praticamente vivia nos ombros da sua irmã como se fosse um colar chick, afinal ela era até que bem calma, nunca tinha atacado ninguém da família e sempre havia comido os pequenos roedores que sua irmã dava para ela. Mas era um tremendo alivio poder dormir sem acordar assustada no meio da noite com um peso estranho esmagando sua cintura.

Ah Claro! Alice se lembrava da primeira pegadinha feita pela sua mãe, no mesmo ano em que tinham se mudado para a América, devido a gentileza exacerbada da Sra. Clara ao receber os novos vizinhos. Se lembrava do sorriso forçado da sua mãe ao receber os Pignson's na sala de estar, quando estes os visitaram. E se lembrava também de como fora divertido, naquela mesma noite, ver o sr. e Sra. Higgnson correndo de forma afobada com medo da pequena cobrinha, que "sem querer", se espreitara para a casa ao lado. A Sra. Highnson surtara ficando vermelha e gritando como um leitão indo para o abatedouro, e fora naquele dia que aquela família recebera o apelido Pignson's.

— Se quer causar uma intoxicação alimentar aos Pignson's, não acho que precise de lagrimas de unicórnios para isso.— pensou Alice em voz alta. Carmem Brandon não era uma boa cozinheira, embora Alice não soubesse o porque, tudo o que sua mãe tentava preparar acabava com um gosto intragável.

Quando pequena, a mãe de Alice costumava cozinhar o jantar das terças e quintas, deixando o resto das refeições para o marido que era muito melhor na cozinha. Alice e Cynthia sempre distraiam sua mãe com conversas, enquanto a outra esvaziava seu prato em uma sacola debaixo da mesa. E mais tarde na noite, quando Carmem ia se banhar, Eleazar, dava-lhes fatias de pizza. Era o pequeno segredinho deles. contudo felizmente Carmem Brandon desistiu de cozinhar para a família, reservando ocasionais e raros momentos para isso. Como aquele.

— Humpf...—bufou sua mãe empinando o nariz contrariada, um ato que despertou certa semelhança entre ela e a filha. — Só você acha isso, seu pai e sua irmã nunca reclamaram da minha comida.

Isso porque papai te ama e Cynthia é bajuladora. Os dois são mentirosos que querem te agradar, pensou ela embora tenha preferido guardar essa resposta para si mesma como não fez com a anterior.

— Saia da minha cozinha.— ordenou a mãe ainda perecendo ofendida ao bater o pano de prato no ar como se pudesse, espantar a filha tal como faria com uma mosca.— Você está estragando meu bom humor, e eu preciso terminar isso ainda hoje. Leve esses Cupcakes para seu pai, porque ao contrario de você ele adora minha comida.— declarou ela, cortante, ao estender uma travessa com vários mini bolinhos com coberturas multi coloridas.

Alice simplesmente pegou a travessa e deixou a cozinha, com medo de que caso ficasse mais tempo naquele comodo, acabasse explodindo em uma gargalhada estrondosa com as coisas que sua mãe dizia. Tentando não olhar para os quadros bizarros de seus ancestrais, que se despunham no corredor em direção do gabinete de seu pai, Alice se focou na travessa que segurava.

Os Cupcakes pareciam verdadeiramente deliciosos, com aquele glace rosa, roxo, azul e verde, principalmente com aqueles confeitos de estrelinhas e bichinhos de goma. Alice, porem, não se deixou enganar pela aparência saborosa que a fazia salivar, sabia que sua mãe utilizava da mesma artimanha de Marggie Simpson, no episodio 21 da decima oitava temporada, ao camuflar o estrago culinário com glace e docinhos para melhorar seu aspecto. Uma verdadeira propaganda enganosa que revoltava a amante de doces em Alice.

Se bem que quando pequena era divertido levar essas guloseimas para as festinhas da escola, e ver todos os seus colegas irritantes fazendo caretas e vomitando. Sim, boas lembranças aquelas, concluiu a jovem Brandon com um sorriso nostálgico no rosto. Finalmente ao voltar sua atenção para o corredor, ela parou em frente a porta de carvalho envernizada equilibrando a travesa só em uma das mãos, para bater efusivamente na porta até que seu pai soltasse um cansado "Entre", como se já estivesse acostumado com a agitação da filha que chegava a ser irritante.

Alice entrou no comodo abarrotado de estantes que iam até o teto repleto de livros grossos e complexos, que nem a juíza Straus de desventuras em serie gostaria de ler. Alice lia bastante... HQ's de super heróis e mangás, em sua maioria, mas ela dizia serem livros para parecer mais intelectual. E de certa forma ela não estava totalmente errada já que comprava, na maioria das vezes, a edição de luxo com todas as edições da saga, e com a linda capa dura que mais se assemelhava a um livro mesmo pela sua grossura de paginas. Era claro que ela também comprava as primeiras edições, mas na versão brochura porque ela era meio muquirana.

Alice também gostava de livros de colorir, no entanto esses ela deixava em casa para não ser tão ridicularizada.

— Mary Alice. — Chamou seu pai em um tom que lhe fez dar um sobressalto, embora a expressão dele continuasse inalterada.— Creio eu, que você não veio aqui só para me encarar com essa expressão abobalhada.

Alice sentiu suas bochechas arderem e se recriminou por isso, mas seu pai apesar da bronca sustentava um ar bem humorado, por saber que era comum e engraçado de ver sua filha perder-se em devaneios.

— Não. — concordou ela ao depositar a travessa de cupcakes na mesa sob o olhar questionador do pai. — Mas mamãe mandou que eu trouxesse essas delicias que ela preparou com muito amor especialmente para você. — explicou ela com um sorriso zombeteiro nos lábios.

Alice teve a impressão de ter visto seu pai engolir em seco, devido ao movimento do seu pomo de Adão, mas ele foi bem rápido em disfarçar a expressão nauseada.

— Hmmm... Do meu sabor preferido.— mentiu ele, isso ela tinha certeza porque não tinha como ele saber o sabor sem ter provado, algo que ele definitivamente não fez.

— Pai, eu sei que odeia a comida da mamãe, então não precisa fingir que gosta na minha frente.— explicou ela gentilmente, mas com um sorriso de diversão no rosto.

Seu pai soltou um suspiro aliviado com a sua resposta, afastando a travessa com a ponta de uma caneta, como se a mesma fosse um bicho asqueroso.

— Mas então?— continuou ele com um humor mais relaxado.— Minha princesa está ansiosa para depois de amanhã?

Mas o que teria depois de aman... Ah! certo, seu aniversário. Alice estava evitando pensar sobre isso, talvez devesse agradecer seu pai por lembra-la tão encarecidamente. De preferencia com outra travessa de cupcakes feitos pela sua mãe, já que ele "adorava" tanto.

— Não muito. — admitiu ela ao encolher de leve os ombros o que meio que contradizia sua fala.

Dizer que não estava nervosa seria um eufemismo, Alice estava uma pilha de nervos talvez seja por isso que ela tenha se ocupado o dia inteiro com a missão 13, para não pensar no assunto. Agora todo seu esforço tinha ido direto para o ralo. Valeu pai, valeu...

— Não se preocupe com isso, eu também fiquei nervoso na minha vez, você sabe como seu avô e seus tios são.— brincou ele com um leve sorriso, que a fez replicar também a expressão ao lembrar das figuras pitorescas que compunham sua família.— Mas o eu quero dizer é que não acho justo que esse tipo de responsabilidade recaia tão cedo na vida. Por isso saiba que não me importo com o resultado da sua maldição, se você for diagnosticada com um núcleo magico maior ou menor que sua irmã. Eu sempre terei orgulho da minha princesinha.— Afirmou ele carinhosamente, com um olhar tão acalentador que aqueceu o pequeno coraçãozinho de Alice, que não mais tremia com o frio do nervosismo.

Ouvir aquilo de seu pai trouxe uma perspectiva positiva, de que mesmo que ele ficasse bravo com o resultado do seu plano, em algum momento do futuro próximo ele iria perdoa-la. Ela quase podia visualizar essa imagem, o que tornava as coisas um pouco mais reconfortantes. Não que tenha impedido Alice de ter sonhos turbulentos, com a reação de sua mãe por isso. Ela sabia que Carmem Brandon era um caso mais complicado.

Naquele dia Mary Alice fez tudo no automático ao acordar, para em seguida fazer sua higiene matinal. Tá isso é mentira, Alice demorou um bom tempo ao escolher a roupa perfeita que transmitisse seu humor; antes de voltar ao automático. Decidindo-se por fim a uma calça jeans cigarrete escura; galochas vermelhas, porque ainda teria um monte de poças d’agua decorrentes da chuva do dia anterior; uma blusa de manga fina de botões que lhe dava um ar mais serio, e um lenço azul escuro amarrado de ladinho no pescoço para quebrar um pouco as cores neutras, embora sua vontade fosse se vestir feito a pseudo-gotica da sua prima, para demonstrar o seu luto pela aproximação da data infeliz.

Os cabelos foram presos em um rabo de cavalo baixo e de ladinho, os pequenos cachos formados na ponta, em decorrência de ter dormido com o cabelo molhado, deram um toque especial. E é claro, não podia se esquecer da maquiagem. Alice sem ela tinha uma aparência meio raquítica devido suas feições angulares demais, o que meio que a obrigava à ser uma entre milhares de escravas desses produtivos.

Já pronta, ela desceu as escadas e tomou um café reforçado, ouvindo as conversas dos seus pais. Eleazer iria finalmente ajeitar a decoração de Halloween, se bem que nem era muito necessário. O casarão dos Brandon's tinha um estilo meio gótico, com as cores escuras, janela altas e a grama seca e mal cuidada, se assemelhando muito as casas mal assombradas que se viam em filmes.

No entanto Eleazer se decidiu por fazer isso mais tarde, para que a filha pudesse lhe acompanhar ao mercado quando suas aulas acabassem, visto que ela era melhor nessas coisas de decoração. Alice aceitou alegremente, porque ir ao mercado com o pai significava ganhar um monte de doces de graça! Já Carmem levaria a torta e os capcakes que preparara na noite anterior á casa ao lado dos Pignson’s, para depois se encarregar de descer os sacos de doces estragados do sótão, para coloca-los na geladeira visando que endurecessem e perdessem o aspecto de doce vencido até a noite do dia de travessuras ou gostosuras.

Como já havia chovido no dia anterior, Alice não precisou levar seu guarda chuva novamente — foi o que concluiu após um rápido vislumbre do dia—, por isso ela logo deixou sua casa em direção a instituição de ensino, desta vez indo pelo caminho mais longo para não precisar passar em frente da casa do Melvin. Era capaz de que se ele citasse seu aniversario, ela lhe desse um murro na cara sardenta. Mas isso se provou uma péssima ideia quando a Srta. Mulligan lhe abordou duas casas após a sua.

Nancy Mulligan tinha a idade dos pais de Alice, e se tornara a tipica solteirona dos gatos, se bem que gatos não era exatamente o que ela parecia colecionar. Se conformando que talvez nunca fosse achar alguém com quem construir uma família, ela resolveu formar uma sozinha através de fertilização in vitro. Fertilização essa que resultou em três lindos pestinhas. Coitada, se um bebe já da muito trabalho imagina três para uma mãe independente?

Mesmo imaginando o sufoco pela qual ela deve ter passado, Alice só conheceu os pirralhos quando tinham dois anos e já sabiam balbuciar algumas silabas de palavras. Para ela, naquela época com onze anos, eles pareciam Gnomos de jardim do mal, que pareciam inocentes a principio com aquele sorriso doce, mas depois que se virava as costas se tornavam pequenos diabretes totalmente encapetados. Se bem que Alice não era alguém pudesse criticar alturas alheias, mas naquela época eles eram menores que si.

A Srta. Mulligan também era conhecida por sua loja de doces no centro da cidade, doces esses que eram bastante bons e faziam sucesso nas festas. Mas seu aperitivo mais conhecido era seu bolo de carne, que sempre ganhava o primeiro lugar na competição anual da cidade, seguido pela Sra. Clara no segundo lugar. Esse era também um dos motivos para Carmem odiá-la, visto que sempre que a matriarca Brandon resolvia participar acabava em ultimo lugar. Muito justo na opinião de Alice.

A srta Mulligan era alta e magra como um palito, o que contrastava com o seu nariz de tucano, cabelo chanel liso e os olhos de corsa. Ela possuía grandes orelhas arroxeadas abaixo dos olhos, o que deixava a coitada mais feia.

— Alice, querida.— começou a mulher com sorriso que lhe deixou deveras parecida com um flamingo.— Venha aqui um instantinho, por favor.

Não, Não, Não! era o que queria dizer ao apressar os passos para longe dali, mas ao invés disso ela empacou no lugar, hesitando antes de falar.

— Hmm... Srta. Mulligan, eu tenho escola agora. — justificou ela ao encolher os ombros e entrelaçar as mãos em frente ao corpo.

— Ah! Não tem problema, só precisarei dar uma palavrinha com você, é rapidinho.— Insistiu ela balançando a cabeça, o que fez Alice se aproximar da cerca branca mesmo que estivesse contrariada por dentro.— Terei que ficar até mais tarde na confeitaria, hoje, para terminar uma encomenda para festinha na sua escola; e eu preciso muito que alguém fique com meus anjinhos.

Alice entendeu a onde a mulher queria chegar, mas mesmo assim repetiu:

— Hoje?

— Sim! Sei que é um pouco em cima da hora, Então vou entender se não puder. Eu até tinha começado a conversar com um mocinho sobre isso, porem o carro dele acabou estranhamente descendo ladeira abaixo.— informou a mulher soltando um risinho nervoso desse infortúnio, fazendo Alice se sentir na obrigação de acompanha-la no ato mesmo que de forma pouco animada.

Na religião Hiduista e Budista essa situação irônica poderia ser explicada pelo termo carma; que é quando a ação de um individuo retorna como uma conseqüência para ele. Na ciência explica-se com a terceira lei de Newton: ''Toda ação tem uma reação''. Existem também ditados populares como: ''a justiça tarda, mas não falha'', ''Você colhe aquilo que plantas'' e outras inúmeras baboseira moralistas. Contudo podemos resumir está conclusão em apenas uma frase: ’’ Alice havia levado o primeiro dos inumeros chutes que receberia da sorte nas próximas duas semanas’’. Se bem que isso ela só viria descobrir depois, porem o que ela pensou naquele instante foi:’’ Tomei no meu c*’’

Okay, Alice não pensou exatamente nisso porque ela odeia palavrões, contudo o que ela pensou não estava tão distante desta tradução.

— Olha srta. Mulligan, eu tinha prometido sair com meu pai depois da escola, então não sei...— disse ela coçando a nuca meio desajeitada.

— Oh, não, mas você só ficaria com eles a partir das seis, depois que chegam da escola. Tenho certeza que podemos chegar em um consenso sobre o valor...vinte dólares á hora, está bom para você?— afobou-se mulher em um tom de quase desespero. Alice se perguntou se seus olhos haviam ganhado forma de cifrões, ou se fora a unica a escutar o som da caixa registradora, porque ela definitivamente sentiu-se mais tentada a aceitar depois de saber sobre esse detalhe.

— Bom, como a Srta. precisa tanto da minha ajuda assim, acho que consigo fazer um esforço e chegar a tempo para olhar seus filhos.— concordou Alice, como se estivesse fazendo um verdadeiro favor a pobre mulher

— Muito obrigada, querida, você não sabe o quanto esta me ajudando com isso.— garantiu ela com um sorriso amplo e meio macabro que fez Alice se encolher um pouco para trás, desejando possuir o poder de evaporar em um piscar de olhos.

Serio, porque tinha que ter uma vizinhança tão excêntrica?

Notas finais
Ai Ai, adoro escrever sobre os pais da Alice, na verdade adoro escrever sobre a Alice, é tão divertido e engraçado(risos) Espero que estejam se divertindo tanto quanto eu me divirto ao escrever e revisar cada capitulo. O Episodio de Simpsons eu pesquisei mesmo, porque como deu para notar Alice é meio infantilizada e adora ver desenhos animados. Vou tentar(não prometo nada) postar outro capitulo antes das minhas ferias acabarem, Okay, meus amores? Por isso comentem, favoritem e recomendem bastante, me deixem ver o que estão achando da historia porque isso me incentiva demais! Nos vemos na próxima postagem, okay? Blown kisses, Mia.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.