Splintered
4 Before: Chapter 4
Notas iniciais
Samara. O maldito apelido que lhe assombrou durante os primeiros anos do ensino fundamental, e até hoje lhe persegue como um poltergeist. Alice não tinha culpa de ter morado no Alasca até os doze anos de idade, tendo como conseqüência adquirido uma pele pálida por falta de vitamina D. Nem mesmo de ter herdado as orelhas de elfo da sua mãe característica essa que não era possível camuflar com magia, e que por isso ela foi forçada a ter um cabelo longo. Também não tinha culpa de ter um cabelo oleoso que mesmo lavando quase todo dia ainda mantinha o aspecto pesado, que grudava no seu rosto. Realmente não era culpa dela, mas ninguém se importava exatamente com as circunstancias.
Especialmente crianças que eram as criaturinhas mais maléficas de todas, e que não viam problemas em colocar apelidos maldosos cabeça nos primeiros anos em que tinha se mudado para o Texas. Era obvio que tinha sido um apelido formulado pelo grupinho maldoso de James, que desde aquela época fazia da sua vida um inferno. Dava para entender agora o porque da birra em ir com o cabelo liso, aquilo lhe remetia a lembranças ruins, era também o principal motivo dela esta constantemente incrementando seu visual com uma boina, presilhas, fitas e qualquer outra coisa que remetesse a sua personalidade.
Mas apesar desses ’’porém’s’’ sabia que a maior parte das pessoas a conhecia como Samara ou "aquela garota que parece com a garota do filme o chamado" o que acabava sendo a quase a mesma coisa, não que eles ligassem para isso. E com pessoas ela incluía os alunos e até mesmo professores mesmo que alguns deles se esforcem para não chamá-la desse jeito em sua frente, por conta do seu olhar fuzilador atômico, que era tão boa em fazer quanto o olhar pedinte do gato de botas.
Balançando a cabeça ela, tentou focar na matéria que a professora destrambelhada tentava passar. A aula até que não foi tão entediante assim; a professora Kate chamou os alunos por fileira até a sua mesa para o visto na atividade, que se juntaria aos outros vistos ao virar uma nota para a soma da média bimestral. Depois é claro ela corrigiu as atividades mais erradas na lousa; não que Alice tenha prestado muita atenção já que ela tinha acertado todas. Algo que ela havia gostado de saber era que havia tirado dez na atividade avaliativa do bimestre e ela até fizera uma dancinha da vitoria, que arrancou algumas risadas de colegas da sala, não que ela tenha se importado.
Demonstrações de felicidade eram algo tão característico dela que as vezes se esquecia de que perante aos humanos deveria se mostrar mais reservada e anti-social, quase grosseira. Resumindo ela deveria não se misturar ao ter atos que cativassem os humanos de alguma forma. Entediada, a jovem Brandon teve que esperar até que o sinal tocasse e os outros alunos deixassem a sala para finalmente poder abordar a professora, e colocar seu ultimo plano em pratica. Era bom que dessa vez desse certo porque ela estava ficando impaciente e sem tempo.
— E então, professora, a Srta. Irá ao baile de Hallowen que ocorrera nesse domingo à noite? — perguntou Alice como quem não quer nada, deixando a voz o mais doce e delicada possível. Aquele artimanha era sempre boa em lhe tirar de encrencas, assim como para conseguir coisas. Se bem que só funcionava perfeitamente com seu pai que se derretia pelas filhinhas, já com a mãe, não. A mesma era eximia nessa arte e não se deixava levar por isso.
A professora travou no beiral da porta com a mão ainda na alça da bolsa que estava enganchada em seu ombro. Dando uma semi-volta, ela encarou a garota as suas costas que tinha os dedos presos ao cabo curvo do guarda chuva que equilibrava a sua frente feito uma bengala, a ponta do mesmo estando desgastada pelo continuo gesto repetitivo. Os olhos atentos como de uma coruja esperavam a resposta pacientemente.
— Hã... Sim. Nós professores condenaremos a noite para que não ocorra nenhum incidente. — explicou Kate achando graça da maneira formal com qual a aluna se referia a ela. Talvez fosse pela influencia dos pais, na qual ela sabia serem advogados renomados.
— E a Srta. Por acaso já teria um par para o baile? — questionou a garota piscando inocentemente.
Sentindo-se um pouco acuada diante da pergunta, Kate apertou com mais força a alça da sua bolsa reutilizável, querendo mais do que tudo fugir dali para não ter que responde-la.
— Não acho que seja necessário, Alice. Afinal de contas não estarei lá para aproveitar a noite. — explanou Kate de forma polida ao enfiar uma mecha que se desprendera atrás da orelha. A verdade era que a Denali desejava fazer um discurso moralista, sobre como as mulheres eram independentes e destemidas, podendo superar vários desafios como criar as irmãs mais novas sozinhas sem a ajuda de homem algum.
Alice fez uma cara de falsa decepção, olhando para baixo com seus enormes cílios de boneca como se realmente sentisse.
— É realmente uma pena. — suspirou ela no melhor tom de pesar, ao desencostar o guarda-chuva e passar a andar em direção do refeitório.- O treinador Garrett disse que ia... Bom, não importa mais. — desconversou dando de ombros ao passar pela professora um pouco atônita.
1...
2...
3...
— O treinador Garrett disse...? — insistiu Kate, para a frase que a garota não havia terminado. Alice abriu um grande sorriso com isso. Sabia que a regra dos três segundos funcionava.
A Srta Kate demonstrando interesse em algo relacionado ao treinador já significava meio caminho andado; afinal ela não era totalmente imune a tensão sexual que surgia quando estavam juntos. De qualquer forma, Alice escondeu o sorriso de satisfação quando se virou novamente, para a professora que apertava nervosamente a alça da bolsa com os dedos pálidos, em uma expressão que se dividia entre apreensiva e curiosa.
— Bom... — começou Alice, em um tom conspiratório, se aproximando lentamente. — Quando fui entregar a caderneta de presença na sala dos professores, acabei ouvindo sem querer uma conversa entre o Treinador e o Sr. Mackintosh... Onde ele dizia que pretendia convidar a Srta para o baile. — concluiu Alice com um meio sorriso animado, quase dando pequenos pulinhos.
Os olhos azuis da professora se esbugalharam enquanto ela travava por um instante tentando processar a nova informação. A jovem Brandon tentou esconder um sorriso ao esperar pacientemente que a professora voltasse a si afinal, ela bem sabia como era ficar presa em devaneios.
Após ficar sem piscar tempo o suficiente para uma mosca pousar no seu olho, a Srta Denali finalmente o fez, pigarreando para voltar ao foco.
— E-Ele realmente disse isso? — questionou a professora com o rosto corado tentando esconder o sorriso bobo. Aquilo era mais do que uma prova que ela estava a fim do Treinador e Alice não sábio o porque ela ficava enrolando para ficarem juntos de uma vez.
— Sim. — disse Alice balançando a cabeça repetidamente para dar ênfase a sua resposta.
— Isso muda um pouco as coisas... — cochichou a professora a si mesma enquanto mordia o lábio inferior perdida em pensamentos. Alice enganchou o guarda chuva no seu antebraço, esfregando as duas mãos uma na outra, feito um vilão de desenho animado com um plano maquiavélico. Se bem que ela tinha um plano, mas no seu ver não era maquiavélico.
— ...Mas por favor, não conte a ninguém que eu lhe disse isso. — continuou Alice como se não tivesse ouvido o ultimo comentário da loira. Como dizia sua prima em uma linguagem meio chula, ela precisava "tirar seu cu da reta" para que ninguém suspeitasse dos seus pequenos atos de ajuda.
A professora fingiu fechar a boca com um zíper invisível, jogando a chave fora para exemplificar que seu segredo estava seguro. A morena sorriu em agradecimento antes de saltitar em direção refeitório.
Fase um do 13° plano para juntar Kate e Garrett havia sido concluído com êxito.
Quase foi para no chão novamente, mas dessa vez foi porque alguém havia esbarrado nela de propósito. Quando se recuperou novamente ela teve tempo de ver um garoto de cabelos loiras e jaqueta jeans caminhas despreocupadamente junto a uma ruiva de cabelos selvagens. James. Ele com certeza havia feito aquilo de propósito para se vingar do seu tropeção acidental antes do começo das aulas. Ao menos aquilo não era uma vingança de alto nível então ela preferiu ignorar ao ajeitar o cabelo sob a boina e finalmente ir até o refeitório que aquela altura do campeonato já estava cheio.
Isso a fez questionar mentalmente o por que de James e Victoria estarem no corredor entre as salas se todo mundo já tinha ido, e mesmo que ele fosse meio sádico, ela tinha certeza que ele não perderia os preciosos minutos de intervalo para executar uma vingança de tão baixo nível, se bem que James deveria estar esperando Victoria voltar do banheiro e talvez tenha resolvido lhe importunar por vê-la tão distraída. Hum... isso parecia bem a cara dele mesmo. Talvez ela devesse tomar cuidado com o que James pudesse aprontar, porque ele definitivamente não iria deixar um acontecimento como esse passar em branco.
Sentou-se como sempre nas escadas que ficavam perto do portão que separava o refeitório das classes de aula, pegando o lanche que sempre trazia de casa; sendo o desta vez um sanduíche de queijo. Delicioso, por sinal. Após terminar de se alimentar ela enfiou a mão no saco de papel, encontrando um pirulito azul daqueles que deixa sua língua colorida. Tinha certeza que aquilo era obra do seu pai, afinal não se lembrava de tê-lo colocado ali. O patriarca sabia o quanto ela gostava de doce. Normalmente ela pegaria o livro que estava lendo da vez em sua bolsa, mas ao colocar o pirulito doce na boca e olhar o seu relógio de pulso da hello kitty, ela percebeu que não teria tempo se quisesse concluir a fase dois do seu plano 13.
Por isso se levantou em um átimo, rompendo para o refeitório cheio de adolescentes conversando e comento em diversas mesas. Alguns olhares eram direcionados a sua pequena figura de andar espalhafatoso mas ela não ligou, embora tenha se perguntado mentalmente se sua boca já havia ficado azul. Andou de forma determinada para a mesa em que Edward estava sentado junto dos irmãos, com uma expressão entediada ao seu ver, brincando de forma distraída com uma maçã vermelha intacta.
O pobrezinho estava claramente servindo de vela considerando que todos tinham seus respectivos conjugues menos ele. E mesmo que Alice tenha sentindo um pequeno aperto no estomago ao ver Maria sentada de forma confortável entre as pernas de Jasper ela não alterou a expressão quando parou ao lado do casal que erguei o olhar em sua direção, assim como o garoto de olhos verdes entediados que também o fizera.
— Desculpe não avisar que não poderíamos fazer nossa revanche no xadrez hoje, mas eu tinha algo muito importante para fazer. Na verdade ainda tenho, mas amanhã estarei livre para prosseguirmos. — concluiu ela com seriedade como se uma advogada perante a um júri.
Edward a encarava com as sobrancelhas arqueadas, provavelmente surpreso por ela se dar o luxo de explicar sua falta. Já que meio que havia uma regra implícita feito o clube da luta, sobre não falar na frente dos outros sobre jogar xadrez juntos.
— Hum... Okay, então. — ele concordou com um aceno. Alice ouviu risadinhas a suas costas, antes de sentir um leve roçar na mesma região sobre o tecido do vestido.
Quando se virou ela se deparou com Maria mordendo o polegar para conter um riso enquanto, Jasper amassava uma folha de papel mandando um olhar repressor e irritadiço a namorada. Alice não tentou entender o que estava acontecendo ali, não tinha tempo mas certamente pensaria sobre o ocorrido depois.
Ao se virar novamente para Edward ela se limitou a dizer:
— Tudo bem. Preciso realmente ir agora. É tarde, muito tarde. — e assim como o personagem que na qual ela repetiu a ultima fala, Alice deixou o refeitório para trás sem saber que vários colegas haviam zombado dela.
Exceto por um certo loiro gentil que não hesitou em arrancar-lhe das costas o papel que lhe fazia ser motivo de chacota, onde estava escrito em grande letras garrafais " dez dólares a hora". No meio do refeitório olhos dourados irritadiços encontraram-se com olhos cinzentos satisfeitos e maliciosos, em uma disputa de olhares que poderia se transformar em agressão física. Aquela não seria a primeira vez que Gigandet e Withlock bateriam de frente pela aquela garota, mas isso seria um acontecimento futuro para ser abordado em outro momento.
Ao olhar para seu relógio de pulso novamente, Alice percebeu que tinha cerca de quatro minutos até o sinal para a próxima aula tocar, não que ela achasse que precisaria de mais tempo para executar a parte dois do seu plano de cúpida. Passando pelo corredor dos armários escolares ela atravessou o portão cinzento meio enferrujado para a área vazia que dava atrás da escola. Bom, não mais vazia, já que a uns três anos aquele lugar havia se transformado no estacionamento privado destinados aos funcionários da escola
Alice se lembrava de que a professora havia comentado em um de suas aulas que ela tinha um Citroën preto antigo. E que estava caindo aos pedaços por sinal, concluiu ao torcer o nariz encarando o carro. Depois se auto recriminou pelo ato esnobe, pois nem todo mundo tinha dinheiro o bastante para comprar um porche canário 0k/h. Principalmente a professora Kate que tinha que sustentar as duas irmãs mais novas com um salário medíocre de professora de ensino médio. Pensando por esse lado, realmente era um milagre que ela tivesse um veiculo que a trouxesse em segurança ao trabalho. Era realmente uma pena que Alice tivesse que estragar isso, mas pelo menos ela estava fazendo isso por um motivo. Afinal os fins justificam os meios, não é mesmo?
Tombando a cabeça para o lado ela encarou o carro, pensando de que forma ela poderia fazer isso. Hum... pneu furado, talvez? Assim não causava muito prejuízo visto que a professora não tinha muitos recursos para pagar um concerto no mecânico. Mas isso seria resolvido com muita rapidez, afinal só era necessário trocar por outro. E que tal um problema no motor? Assim a professora seria obrigada a aceitar algumas caronas até que seu carro voltasse do concerto. Argh! Isso não estava funcionando, ela não entendia de carros para saber o que estragar no mesmo sem causar um grande prejuízo.
Era de conhecimento de toda escola de que Rosálie sabia sobre carros, aparentemente ela cursaria engenharia mecânica, assim como Edward que tratava seu volvo como um bebezinho. Ela deveria ter perguntado a ele, se bem que daria muita pinta. Afinal, depois da sua pergunta, o carro da professora para de pegar seria muita coincidência. Era melhor que não tivesse perguntado mesmo, ela não poderia deixar nenhum tipo de vestígio. Bom Alice teria que agir na base da fé de que tudo ocorreria como o desejado.
Respirando fundo ela, girou o pescoço sentindo-o estralar devido a tenção, abrindo e fechando as mão e dando até uns pulinhos em uma espécie de aquecimento já que nunca tinha feito algo como isso antes.O que ela deveria ordenar? ’’Motor Morra’’? ’’Motor pare de pegar’’? Estralando os dedos ela apontou os dois dedos indicadores em direção ao carro como um maestro segurando uma batuta diante de uma orquestra de músicos talentosos, coordenando-os a seu comando. Pensando no mecanismo que ela queria estragar; Alice não sabia exatamente como um motor de carro se parecia, ela ordenou ao poder mágico que pulsava em suas veias:
’’Motor... Estrague-se’’
Quase que imediatamente uma extensa fumaça branca começou a sair do capo do carro, em direção aos seus embora não houvesse qualquer resquício de chamas; o que tranqüilizou Alice de qualquer possibilidade de explosão como aconteciam em filmes. Mas logo novamente o alarme voltou a tomar a sua face, com a possibilidade de toda aquela quantidade de fumaça chamasse atenção de alguém, e criasse um muvuco. Por isso mesmo tossindo com a fumaça, ela se aproximou do carro abanando a mão energicamente, enquanto olhava um tanto desesperada para os lados com medo de que alguém a visse ali. Aquilo ia ser bastante para que a considerassem suspeita. O que não seria nem um pouco mentira.
Uma grande rajada de vento fora lançada por intermédio de seus gestos, e a fumaça em fim se extinguiu. Soltando um suspiro de alivio ela passou a mão na testa que havia transpirado devido a sua tensão, já que ela usava uma boina felpuda que retia calor como conseqüência a sua ’’fofurisse’’. Ainda um pouco atordoada por conta do cheiro forte de gasolina queimada, ela se afastou lentamente para longe do carro, de costas sem olhar para onde ia até que bateu de leve contra a beirada da parede e quase se desequilibrou, deixando seu guarda chuva cair no chão. Ao finalmente se virar para recolhe-lo ela deu de cara com uma câmera de segurança.
Droga, Droga, Droga! como ela não tinha percebido isso antes, por Hecáte!* ela poderia ter revelado a todo o mundo humano sobre a existência dos bruxos, não acreditava que tinha dado uma mancada desse tipo. Calma, Alice, não é o fim do mundo okay?, disse a si mesma em uma tentativa de se tranqüilizar. Pelo que pode perceber aquela câmera não era uma das mais tecnológicas, o que significava que as filmagens das câmeras ficavam na memória de cada uma delas.
O Diretor naquele momento deveria estar jogando truco com os outros professores coisa que ela sabia que fazia. Então ele não teria visto nada na sala com todos aqueles televisores. O que ela precisava fazer para se livrar disso era quebrar a câmera! Com a conclusão de seus pensamentos, ela estendeu a mão em direção ao foco da câmera girando o pulso, enquanto via o vidro se quebrar em sintonia com seu movimento, o metal se retorcendo e amassando deixando escapar uma pequena fagulha de energia elétrica que fez Alice sair dali às pressas, no mesmo momento em que o sinal tocava para a próxima aula.
Com o pirulito de amora na boca, o guarda-chuva apertado entre os dedos, e o coração acelerado, Alice se questionou se tinha estragado o carro certo considerado que não tinha muita noção básica sobre modelos de carro, tendo se deixado influenciar pelos dadinhos bregas que tinha espelho retrovisor na qual a professora, certa vez tinha dito comprar em uma fera ecológica de hippies. A jovem Brandon torcia para que sim, porque pela quantidade de riscos que ela tinha sofrido para juntar esse casal, esperava que se desse certo ao menos se tornasse a madrinha de casamento ou de um filho dos dois.
Sabia que o numero 13 era significado de azar na cultura humana, mas na sua não. Esperava que esse plano lhe trouxesse sorte desta vez. Porque de azar Alice já tinha tido o bastante por um dia só.
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