Spirit Bound

28 III - E o futuro acontece.


Notas iniciais
Feliz 2013.
Boa leitura...
*leiam as notas finais*

#PovBella#


Meus olhos estavam abertos e encaravam o nada. A sensação de vazio e de estar flutuando no nada era completamente embriagante, me enchia e me completava.

– Você está bem?

Eu encarei a dona da voz e fitei seus olhos azuis. Eles carregavam ansiedade, preocupação, tristeza e...receio.

– Sim, eu estou. – respondi. Porque essa era a verdade. Eu estava confusa, e totalmente ignorante em relação a minha realidade, mas eu estava bem.

– Alguma dúvida? – aquilo me fez gargalhar. Eu sentia o sarcasmo, a ironia e o deboche na ponta da minha língua mas resolvi me segurar. Se eu tinha alguma dúvida? Mas era claro que eu tinha!

– Estamos na Áustria?

– Sim. – ela respondeu, acenando com a cabeça e apontando para uma janela que ficava na parede sul. – Estamos numa pequena cidade chamada Horn. É segura.

– Aonde está August?

– Estou bem aqui. – ele disse, entrando no quarto e segurando um copo com algo que provavelmente era uísque.

Eu levantei da cama, porque simplesmente estava cansada de exercer o papel de frágil e delicada. Eu percebi que não era nada disso, eu era uma sobrevivente, uma pessoa forte e determinada, mesmo que vivesse confusa na maior parte do tempo. Fui em direção a janela e olhei para o ambiente lá fora. Estávamos numa casa de campo, a neve tomava conta do chão e dos pinheiros que nos cercavam, ao longe, podíamos ver os topos montanhosos dos Alpes.

– Quanto tempo até Edward descobrir onde eu estou?

– Você lembra dele? – ela perguntou atrás de mim, eu podia sentir a surpresa em sua voz.

– Eu estou na Áustria, tudo aqui me lembra ele. – e então eu virei para encará-los. – Eu sei que sou a Bella e que por todos esses anos você se passou por minha prima, sendo que agora isso simplesmente não faz sentido algum, porque Renée e Charlie não tinham irmãos e eu não sei como fui burra de não perceber isso. E eu sei que você sabe de toda a história Rosalie e seu egoísmo e fé inabalável em seres tão covardes, que sequer lutam suas próprias batalhas, vão impedir de me conta-la, mesmo sabendo que eu mereço saber.

– Bella...

– Não! – eu pedi. – Eu estou cansada, mas tão cansada. Eu sinto que todos esses meus vinte anos foram uma completa mentira. Ou melhor, eu fui usada como fantoche. Primeiro de você e depois de Edward, vocês fazem comigo o que bem entendem e eu não tenho o direito de nada. É ridículo o fato de que até quando eu estava nos Estados Unidos, com a mente bloqueada e totalmente sozinha, nem lá eu tive alguma liberdade. E vocês esperam que eu seja compreensiva e perdoe tudo. Que eu simplesmente acate. Porque é assim que tem que ser? Isso é ridículo! – eu respirei fundo mas isso não impediu as lágrimas de caírem.

– Ei garota, eu te entendo. – August disse, tomando seu lugar em uma poltrona perto da lareira acesa. – Não estou me colocando em seu lugar porque isso é impossível, mas eu entendo. E realmente não foi justo sua vida ter sido manipulada dessa forma, como se você não tivesse nenhum controle sobre ela. Mas agora as coisas estão se encaixando, estão se ajeitando aos poucos.

– Ah é? Me diga como, por acaso Jacob morreu? Edward já casou com Tanya e eles estão a espera do menino? Esse é o “se ajeitando aos poucos”? Então por que eu ainda estou aqui, escondida? Por que não posso simplesmente ir embora?

Rosalie suspirou e olhou para August, com um olhar de confirmação, ela foi até a mesa de cabeceira e retirou um livro de lá. Ao entregar para mim, eu sentei na cama e abri o livro, percebendo que se tratava de um álbum de fotos.


– Você está vendo essas fotos? – ela disse sentando do meu lado. – É você. Você no Templo das Escolhidas, você ao lado de Edward no primeiro jantar de vocês, e então nas festas que ele te levou, e os passeios por Viena e isso foi naquela viagem que vocês fizeram até a Escandinávia. Isso aqui é você nas ruelas de Copenhague. – uma por uma, ela ia me mostrando as fotos, apontando para os lugares e dizendo meus roteiros. Eu sorria nas fotos e Edward também. Ele carregava aquele brilho no olhar, aquele verde intenso que há muito tempo eu admirava.

Quando o álbum terminou e ela o guardou na gaveta, tanto ela quanto August me encaravam.

– Essa é a sua vida Bella, e por mais limitada que ela tenha sido, você teve seus momentos de escolha, mais ainda, você teve seus momentos de princesa, porque era assim que Edward tratava você. Sempre soubestes que ele pretendia se casar contigo, te transformar em amste...

– Não...

– Não me interrompa! Agora é a minha vez de falar. – ela disse num tom que era impossível desobedecer. – Você pode acusar a todos de terem escondido coisas de você, mas você também fez isso. Você via o que estava acontecendo e se recusava a acreditar. Edward te amava e você sabia disso, ele tinha planos e você sabia disso. Você se recusava a aceitar que era feliz Bella, porque você nunca estava satisfeita. Você tinha uma vida naquele palácio, uma vida de princesa, ao lado do homem que beijava o chão que você pisava. E você jogava sempre um pouco fora, a cada vez que você rejeitava a sua realidade.

– Então agora você está pondo a culpa em mim?

– Não, Bella. Será que você não consegue entender que não devemos ver a culpa aqui? Nada do que aconteceu de ruim foi nossa culpa, as coisas aconteceram porque tinha que acontecer, mas a sua natureza sempre foi o pessimismo, pensar o pior, denegrir a si mesma. Deus, eu quase enlouqueci quando descobri que você passou semanas trancada num banheiro se automutilando. Eu queria me socar, socar Edward e socar você. Mas eu não poderia fazer isso, porque não mudaria nada, Bella.


Rose suspirou e foi até o frigobar pegar água para si, com a costa da mão em enxuguei as lágrimas silenciosas e olhei para August, que já estava em seu quarto copo de uísque.

– Se você quer culpar alguém, menina. Culpe o destino, ou os deuses. Geralmente os humanos são os responsáveis por seu próprio destino por colocarem seu deus em segundo plano, mas nós...bem, nós não somos humanos e nós só podemos governar nossas vidas até certo ponto.

– Charlie e Renée eram humanos, August. – eu retruquei debilmente e ele apenas arqueou as sobrancelhas.

– Mas você sabe que você não é. Quer exemplos disso? O fato de Edward sempre ter tido dificuldades em entrar na sua mente, ele apenas conseguia se comunicar com você e mesmo assim não era todas as vezes que dava. E você ficou semanas num banheiro, trancada e sem se alimentar direito, apenas se cortando e mesmo assim não morreu. Qualquer humano teria morrido no terceiro dia. E não coloque o fato de ser uma Sgiah como resposta, porque nem isso lhe salvaria da morte. E o ultimo de todos, você está grávida, Bella. E nós sabemos que o pai dessa criança é Edward. Se você fosse totalmente humana, isso seria impossível.

– Eu ainda não tenho certeza sobre essa gravidez. – cochichei e escutei Rosalie bufar.

– Pelo amor de Deus, Bella. Você é mesmo tão cega assim a ponto de não ver o óbvio?


[...]


– Por que eu recuperei a memória assim que pisei na Áustria? E por que me mandaram para Seattle? – esses eram meus principais questionamentos no momento.

– Como você disse mais cedo... – August disse, entre uma mordida e outra de seu biscoito de chocolate. – Você nunca exatamente perdeu a memória, apenas teve sua mente bloqueada.

– Tá, mas a principio, quem fez isso comigo? Quem mexeu com a minha mente, me fez ir pra Seattle, me tirou do meio da batalha...

– Nyx e Óregon. – Rose respondeu. Desde mais cedo ela estava sentada na poltrona mais próxima da janela e ficava encarando lá fora. Sempre muito pensativa. – Eu sei que você não acredita muito nos deuses, Bella. Mas...a resposta de tudo isso é eles. Eles te tiraram do meio da batalha, eles bloquearam sua mente e eles te levaram para os Estados Unidos porque sabiam que ninguém procuraria por lá. Afinal de contas, você odeia inglês.

– Mas...por quê? – eu questionei.

Ela apenas deu de ombros. Quem respondeu a pergunte foi August.

– Eles são deuses, Bella. Para nós, meros mundanos, não há qualquer razão para suas ações. Mas eles sabem o que estão fazendo. Pode não parecer justo, mas os deuses jamais nos fariam sofrer sem necessidade.

– E por quê, entre todas as pessoas do mundo, eu fui a escolhida?

– Porque era mais fácil. – Rosalie disse, olhando para encará-la pela primeira vez em muito tempo. – Renée e Charlie descobriram muitas coisas sobre os vampiros em suas descobertas arqueológicas, eles provavelmente eram os humanos que mais sabiam na época e planejavam lançar livros contando sobre tudo. Então Renée engravidou e os deuses viram nisso a oportunidade de salvar o segredo. Porque Nyx e Óregon são nossos deuses, não dos humanos. E eles fariam de tudo para proteger nossa existência. Eles apenas uniram o útil ao agradável. Precisavam de uma força para equilibrar a iminente guerra entre lobisomens e vampiros, e nada melhor do que o bebê humano que Renée carregava. Ela jamais iria revelar algo sobre nosso mundo se a sua vida, que agora já não pertencia mais ao mundo dos humanos, fosse revelada também. Mas é claro que todo mundo achou que você seria a única para salvar o povo da guerra. Que você iria escolher entre Jacob e Edward e então a guerra teria seu fim e blábláblá. Até eu acreditei nessa lorota, até que eu tive a revelação de que na verdade Renée não teve só você, ela teve um menino também.

– Então eu tenho um irmão? – sussurrei.

– Tem, e o papel dele é tão importante quanto o seu. Olhe para mim, Bella. O seu destino nunca se tratou de escolher entre Edward ou Jacob, vampiros ou lobisomens. Os deuses não jogaram esse peso nas suas costas, porque se fosse assim, então é provável que você nunca teria ficado com Edward, porque simplesmente não seria justo dar ao Jacob o beneficio da duvida.

– Então qual é a importância de tudo isso, Rose?

– O seu lugar é ao lado de Edward, Bella. É governar junto a ele, acreditar na sua felicidade e vive-la. E o seu irmão governará o lado dos lobisomens. Ele irá tirar Jacob da liderança imunda que ele tem tido e irá finalmente ser o rei que os lobos precisam. E então, unidos pelos laços de sangue, vampiros e lobisomens...através de você e seu irmão...

– Vão se unir. – Eu, August e Rosalie falamos ao mesmo tempo. A ficha tinha caído.



Notas finais
Entonces, aí está o penúltimo capítulo de Spirit Bound.
SIM!, Penúltimo! O próximo é o último, e então terá o Prólogo e mais alguns extras que ainda estão na minha cachola.
Conforme eu disse no último capítulo, aí está o Pov Bella, e vamos esperar para que eles possam se encontrar no próximo capítulo.
Alguém aí tem alguma noção de como será o encontro Beward?
Sobre esse capítulo, perdoem pelo tamanho e pelos possíveis erros de português. Eu o escrevi as pressas, porque estava super ansiosa e irei revisá-lo até o final da semana.
O próximo definitivamente será maior.
E então, mereço comentários??????? *abre um sorrisão*
Até a próxima galera,
Beijos da Mah *muah*
P.S: Quem deixar um comentário bem bonitão e fofo *e pedir* ganhará uma prévia do reencontro dos dois.