Spell The Most
31 Capítulo 30
Notas iniciais
Incrivelmente, eu não acordei no inferno. Mas acordei em um lugar similar.
A enfermaria.
E invés de demônio e comissário da morte, em volta de mim estavam a enfermeira ajeitando seus óculos, Nick com seu olhar preocupado disputando com o olhar aflito de Suzy, que apertava minha mão, e Lien sentada em uma poltrona folheando uma revista.
“Ela acordou”, a enfermeira anunciou com felicidade.
“Graças a Deus”, Nick suspirou.
“Oh, Aly, estávamos tão preocupados”, Suzy disse.
Mas tudo que eles diziam pareciam zumbidos para mim. Eu olhei em volta da enfermaria procurando um par de olhos negros e encontrando um grande e vazio nada. Meu coração se apertou. Eu tinha confiado nele e ele tinha me deixado sozinha na enfermaria. Idiota.
“Como eu vim parar aqui?”, eu perguntei interrompendo Suzy.
Um silêncio perturbador se instalou, mas foi quebrado por Lien.
“O Bad Boy te trouxe, depois chamou Nick e Suzy.”, ela mudou de página e nem sequer olhou para cima. “Como eu escutei ele dizendo que Dylan tinha te atacado, vim também”, mudou novamente de página.
“Nathan me salvou de Dylan”, eu disse. “Onde estão Dylan e Nathan?”, eu perguntei preocupada.
“Depois que Castille te deixou aqui, ele foi falar com a diretora que prendeu Dylan em uma das câmaras anti-magia. Ele vai ficar lá até a diretora resolver o que vai fazer com ele”, Nick respondeu.
Encarei-o e percebi que ele estava um pouco incomodado por eu ter sido salva por Nathan. Eu mesma estava com raiva de mim, por não me lembrar da sensação dos braços de Nate em volta de mim. Desmaio idiota.
Coloquei a mão no rosto de Nick e dei um sorriso triste.
“Isso vai acabar com o nosso encontro, não é?”, eu perguntei.
“É, acho que sim”, ele respondeu. Seus olhos azuis se fecharam por um segundo quando ele beijava apalma da minha mão. “Mas eu prefiro a sua segurança e sua saúde do que um encontro estúpido”
“Hey”, eu reclamei. “Não era estúpido. Era o nosso último encontro”
“Crianças”, a enfermeira chamou. “Não precisam dizer no passado. Vocês podem ir ao encontro de vocês hoje. Alexa teve uma ótima recuperação. O desmaio foi por causa da perda de sangue. Ela já pode ter alta.”, ela foi se sentar a mesa e começou a assinar vários papeis, com certeza que tinham a ver com minha alta.
“Que ótimo!”, eu exclamei.
“Ótimo mesmo”, Nick concordou.
Captei um movimento pelo canto do olho e vi Lien guardando a revista e se levantando.
“Muito doce de manhã.”, ela disse. “Acho melhor eu ir tomar um banho. Estamos aqui desde de madrugada.”, ela parou na porta e se virou para Suzy. “Você vem ou passou no teste para castiçal?”, ela perguntou.
“Estou indo”, Suzy anunciou. Então se virou para mim com um sorriso. “Melhore”, ela deu um beijo em minha testa e foi pulando na direção de Lien , que apenas revirou os olhos e fez um movimento breve com a cabeça para a gente, antes de fechar a porta atrás de si.
“Lien está estranha esses dias”, Nick disse, ainda olhando para a porta.
Arrastei meus olhos até ele, e o vi balançando a cabeça e voltando sua atenção para mim. Seus olhos azuis pousaram um pouco abaixo do meu rosto e ele engoliu a seco. Não entendi nada , até que percebi que estava apenas de sutiã na frente. Eu abri minha boca para soltar um Mas Que Diabos, mas Nick foi mais rápido em explicar.
“Sua camisa estava coberta de sangue. A enfermeira achou melhor tirá-la”, ele disse e forçou seu olhar de volta ao meu rosto enquanto apertava minha mão entre as suas. “Você não sabe o quanto eu fiquei preocupado com você”
Aquilo me lançou uma onda de culpa. Nick deveria ter pensando que eu estava em meu quarto, quando, na verdade, eu estava , literalmente, correndo atrás de outro. Isso não foi nada legal com ele. Novamente aquela pergunta se formou em minha mente: O que eu faria se não tivesse Nick para me segurar de meus impulsos. Eu poderia estar segura agora, mas e quando ele se fosse? Eu me jogaria nos braços de Nate, mesmo ele estando com Lana? Eu bateria em Lana de novo por causa do Nate?
Realmente esperava que não.
Reprimi o impulso de encolher os ombros e puxei as cobertas para cima do meu corpo, como se eu estivesse com vergonha. Para terminar, senti minhas bochechas queimarem. Nick riu e passou a mão pelo meu rosto.
“Não precisa ter vergonha de mim, Alex”, ele sorriu e isso fez com que seus olhos azuis brilhassem ainda mais. “Se quiser, Luen passou aqui e deixou outra camiseta para você”, ele fez um gesto com a cabeça indicando o canto do quarto.
Segui seu olhar e vi uma blusa branca dobrada no sofá que Lien estava sentada antes. Eu só não tinha notado antes por que o sofá em si também era branco. Nick soltou minha mão e foi até o sofá para pegar a minha blusa. Quando ele me entregou, eu a coloquei tão rapidamente que fez Nick rir.
Corei mais ainda.
“Aqui está, querida”, a enfermeira apareceu me dando um passe. Ela tinha ficado tanto tempo em silêncio que eu quase tinha esquecido da sua presença. “Antes que você vá, deixe-me fazer só mais um checape geral”.
Antes que eu pudesse protestar, ela estreitou seus olhos e pareceu olhar no fundo da minha alma. Mas na verdade ela só estava fazendo uma visão de raio X em mim. Já que ela era uma fada, e não precisava de máquina eletrônicas. Apenas aluns segundos e ...
“Podem ir”, ela disse sorrindo.
Levantei e entrelacei meus dedos com os de Nick. Tudo parecia tão certo. Ele sorriu para mim e me deu um beijo suave na boca. Eu sorri também quando percebi que eu ainda conseguia responder. E que meu coração ainda batia forte por ele. Que ele era meu. Sem mais nem menos. Apenas e totalmente meu.
Nick me acompanhou até o meu quarto, feliz e contando sobre como tinha ganho de Daemen no video game ontem. E eu, como uma boa namorada, assentia e sorria nos momento certo. Eu lembrei de como Nathan tratava Lana do mesmo jeito quando ela ficava lhe falando assuntos superficiais.
Eu fiquei impressionada com o fato de ter dormido até o pôr do sol, mas Nick me explicou que isso era porque eu estava me recuperando, tanto que eu não tinha nenhuma sequela. No caminho até o meu quarto não encontramos Nathan. Parte de mim estava feliz. Não queria que rolasse aquela batida de santo entre ele e Nick. Mas parte eu estava triste. Queria agradecê-lo e me desculpar por ontem.
“Tem certeza que está bem o suficiente para ir ao jogo comigo?”, Nick perguntou me tirando dos meus pensamentos. Nem tinha notado que já estava na porta do meu quarto.
“Claro, estou bem”, eu disse e forcei um sorriso. Para ser mais sincera, eu ainda estava um pouco enjoada, mas isso não me tiraria a ideia de ficar ao lado de Nick a noite toda e esquecer todos os problemas por uma par de horas.
“Então até as 8”, ele se inclinou e me deu um demorado beijo na boca.
Quando se afastou, sorriu e deu um beijo em minha bochecha corada.
Assim que entrei no quarto, encontrei Luen jogando alguma de seus roupas do armário para o chão. Sempre reclamando consigo mesma. Eu sorri. Só Luen mesmo. Ela poderia comprar o shopping inteiro, mas ainda acharia que não tinha roupas para sair.
“Eu sei que você está ai, Alexa.”, ela disse ainda de costas para mim. “Sei também que está rindo de mim”, ás vezes Luen era um saco como vidente.
Fechei a porta atrás de mim e me joguei na cama, a observando.
“O que está procurando?”, eu perguntei ainda sorrindo.
“Uma roupa descente para que eu possa sair em um encontro duplo com Daemen, Suzy e Ryan.”, ela disse jogando uma blusa rosa por cima do ombro direto para a pilha de roupas no chão. Então ela parou e me encarou por cima do ombro. “Você está bem?”, sua voz se suavizou.
“Tudo ok.”, eu sorri. “Sou dura na queda”
“Que bom.”, ela sorriu. “Odiaria perder minha colega de quarto.”, ela voltou a prestar a atenção nas roupas no armário. “Agora seja uma boa colega de quarto e me ajude a escolher uma roupa”
Eu revirei os olhos e me levantei, parando ao lado de Luen e analisando a situação da sua parte no armário. A parte de Lana estava vazia, a minha estava coberta por blusas brancas , um suéter vermelho, um vestido branco e lilás, uma blusa azul e inúmeras calças e shorts jeans. Já a parte de Luen ( ou o que restou dela), tinha tantas cores e formas de roupas que estava me dando dor de cabeça. Tive que dar um passo para trás.
“Eu sei, doí os olhos”, Luen disse esfregando os olhos azuis. “Está uma catástrofe”
Peguei um vestido rosa que achei super fofo e o levantei.
“Use esse”, eu disse.
Ela olhou o vestido por alguns segundos , até que sorriu e o arrancou da minha mão.
“Deve servir”, ela disse colocando-o na frente do seu corpo magro. “É, vai ser ele, obrigada”, ela abaixou o vestido e estreitou os olhos para mim. “O que você estava fazendo ontem a noite depois do toque de recolher na floresta?”
Era engraçado a mudança brusca de humor e de assunto que as irmãs Winter tinham.
Desviei meu olhar para o chão.
“Dando uma volta.”, eu disse.
É claro que eu não a convenci. E a culpa deveria estar estampada em meu rosto,por que as próximas palavras de Luen foram:
“Você foi atrás dele, não foi?”, ela arfou.
Eu sabia muito bem de quem ela estava falando, mas preferi me fazer de desentendida.
“De quem?”, perguntei.
“Nathan Castille”, ela respondeu e seus olhos se estreitaram mais ainda.
“É claro que não , Luen”, eu respondi.
“Você está gostando dele”, ela afirmou.
“Luen , pare de falar besteiras”, eu retruqui fechando minha cara.
“Você foi encontrá-lo ontem, não foi?”, Luen perguntou de novo. E antes que eu pudesse responder, ela arfou novamente e acrescentou: “É claro que foi.”
“Luen, eu juro que se você não parar de dizer besteiras, eu vou chutar o seu traseiro”
Isso fez com que Luen levantasse suas mãos como em um assalto.
“Tudo bem, não esta mais aqui quem falou.”, ela disse e se empenhou em pegar um salto rosa para combinar com o vestido. Eu voltei para a minha cama e fechei os olhos.
Pensar estava me fazendo muito mal.
“Alexa”, Luen chamou.
Eu tirei o braço dos olhos e a encarei.
“Apenas tenha cuidado com as suas decisões e, principalmente, cuidado com Nathan.”
Com isso ela entrou no banheiro.
**********
Encontrei Nick na entrada do meu dormitório.
“Você está linda”, ele disse e me dei um leve beijo.
“Mentiroso.”, eu lhe dei um tapa no braço de brincadeira. “Luen reclamou das minhas roupas e me chamou de Senhorita Preto-e-Branco”
Tudo bem que a maioria das minhas roupas eram pretas e brancas, mas era um estilo. Antes de entrar para Spell the Most, usava roupas chamativas e brilhantes, mas com o tempo, (e com a ajuda de Drake), eu descobri que aquilo não era eu. Era um tipo de mecanismo para chamar a atenção. Aquilo era o estilo de Lissa, não o meu. No meu ver, prefiro passar despercebida pelos lugares. Por isso, o preto e branco.
Por exemplo, hoje eu estava usando uma saia pregada preta, uma blusa branca super fofa com as costas nadadoras e sandálias (a única coisa que Luen elogiou, mesmo que elas fosse pretas). Tinha ficado o dia todo alisando o meu cabelo, o que deu um resultado incrível. Ele estava perfeitamente liso e brilhante. Meus olhos ainda estavam vermelhos, mas nessa escola, o máximo que poderia acontecer era deles acharem que eu troquei meus poderes por uma vida imortal como vampira. O que , é claro, eu nunca faria.
“Ela pode dizer o que quiser”, Nick disse entrelaçando meus dedos nos seus e me levando em direção a quadra. “Eu ainda acho que você está linda”.
Chegamos a resfriada quadra e nos sentamos, observando enquanto algum dos jogadores se aqueciam ao seu jeito. Drake estava arremessando algumas bolas na sua posição de lançador. Eron estava correndo pela quadra, e antes que eu pudesse piscar, ele já tinha dado três voltas completas. Connor estava rebatendo as bolas de Drake , sempre com um grande sorriso no rosto. Quando eles pararam, se reuniram com os outros jogadores e se desejaram boa sorte.
Nessa hora, Connor levantou o olhar na minha direção e sorriu acenando alegremente. Eu acenei de volta. Connor cutucou Eron, Drake e Jason que também acenaram para mim sorrindo. Fazia um bom tempo que não ia aos jogos deles. Parecia que eu fazia bastante falta.
Aos poucos a quadra foi enchendo, tanto com alunos daquela escola, como a do concorrente. Me inclinei um pouco na direção de Nick.
“Com quem eles vão jogar hoje?”, perguntei.
Nick deu de ombros.
“Eu não sei.”
“Você traz a sua namorada a um jogo que nem sabe de quem é?”, uma voz soou atrás de nós e segundos depois, Lien estava sentada ao meu lado rolando os olhos.
“Lien, pensei que você tinha saído com os outros”, eu disse curiosa e surpresa.
“Não, muito obrigada. Me reprovaram no teste para vela.”, ela fez um gesto vago com a mão. “Pelo menos aqui tem bastante gente conhecida e ao primeiro sinal de melação, eu posso escapar”, ela sorriu. “Mas, respondendo a sua pergunta, essa é a Spell the Most da Roma, Itália”
“Nossa!”, voltei minha atenção para o jogo.
Encontrando o olhar de Nathan do outro lado da arquibancada.
Ele e Lana estavam sentado a uns poucos degraus abaixo, mas parecia que um tipo de imã tinha puxado nossos olhares juntos. Ele desviou primeiro, no exato momento em que Lana parecia ter terminado de lhe falar algo. Ele sorriu para ela e assentiu.
Se eu não sentisse como se meu mundo fosse cair, eu riria.
O jogo começou, mas eu não prestava nenhuma atenção. Mesmo com o olhar centrado no jogo, eu conseguia acompanhar quando um time fazia um ponto. Hora ou outra, Nick fazia um cometário sobre os jogadores italianos e, como sempre, Lien retruquia com outro comentário.
Eu respirei fundo. Eu tinha vindo aqui para me distrair com meu namorado. Ele iria embora no dia seguinte e não tinha data para voltar. Eu engoli a seco e coloquei meu melhor sorriso no rosto. Quando fizemos um ponto, e a torcida foi a loucura, eu também gritei. No intervalo, me balancei ao som da música eletrônica, junto com Lien. Nick olhava para mim com orgulho e admiração.
“Você parece bem melhor”, ele sussurrou em meu ouvido.
Eu ri.
“É muito bom estar viva”, eu disse ainda rindo. Então meu espírito foi de Alegre para Estou Apertada Para Ir ao Banheiro. Não deveria ter tomado todas aquelas cocas. “Vou ao banheiro”, eu me levantei, passando a mão pela minha saia e saí.
Todo esse tempo sem dar um único olhar para Nate.
Quando atravessei a multidão de espectadores, desci as escadas num ritmo apressado e abri as grandes portas duplas que davam para um enorme corredor e os banheiros. O corredor estava vazio e estranhamente quieto. Apressei meus passos, aliviada quando passei pelo banheiro masculino e mais uns dois metros depois, achei a porta a porta do feminino.
Quando terminei de tirar toda a coca do meu organismo, fui até a pia e lavei meu rosto. Meu sorriso parecia ter congelado no rosto. Mas eu gostava dele. Do meu sorriso, quero dizer.
Todos os meus pensamentos foram abafados, quando a porta do banheiro se abriu. Não precisei me virar para ver quem era, o espelho fez esse trabalho. Na verdade, estava impressionada por ele não ter quebrado.
“Olá, Night”, ela sorriu jogando seu cabelo loiro por cima do ombro.
“Lana”, me virei para encará-la frente a frente.
Lana estava com um suéter rosa que eu acharia fofo em qualquer outra pessoa, menos nela. Saia branca e botas de cano longo. Ela parecia uma daquelas panteras. Seus olhos azuis se estreitaram para mim.
“Você parece estar aproveitando o último encontro com o seu namorado”, ela disse quase ingênua. “É muito bom fazer isso, ás vezes.”
“Sim, é”, eu não sabia onde Lana queria chegar com isso, mas não estava gostando nada.
“Você tem uma sorte por ter Nicolas a sua disposição. Eu quase tive que arrastar Nathan para cá hoje”, ela balançou a cabeça com falso pesar. “Ás vezes namorados são tão complicados”
Namorados? Nathan e Lana eram namorados?
Continuei com a minha expressão fria, mesmo que por dentro eu estivesse pronta para ir na direção dela e arrancar aquele sorriso falso do rosto dela. Mas eu não o fiz. Tudo que eu fiz foi dizer:
“Cada caso é um caso”, e passar por ela.
Mas aquela cadela era tão abusada que me segurou pelo braço. Estava tão apertado que ela praticamente cravava suas unhas na minha pele.
“Você só vai dizer isso? Não ficou feliz pelo meu relacionamento com Nathan?”, ela perguntou ainda com aquele sorriso no rosto. Continuei com a minha expressão fria.
“Você e Nathan são livres para fazerem o que quiser. Quem sou eu para dizer algo?”, dou de ombros. “Ah, é .”, eu disse como se lembrasse de algo importante e realmente legal, tanto que me faz sorrir. “Me solte”, minha expressão volta a ser fria e meu corpo esquenta, fazendo Lana tomar um susto.
“Aquilo ainda não acabou, Night”, ela gritou enquanto eu abria a porta.
“Cale a boca, Flowers.”, eu disse baixo. “Você não me conhece com raiva de verdade”
Sai, fechando a porta atrás de mim e por um momento, fechei os olhos e me recostei nela. Minha cabeça estava a mil. Nathan e Lana estavam namorando? Deveria ser isso que ele estava fazendo ontem. Se ajoelhando na frente de Lana e dizendo que ama e que queria que ficassem juntos para sempre.
“Eu sou tão idiota”, eu disse batendo com a minha cabeça na parede.
Nick deveria estar preocupado comigo, mas antes que eu abrisse os olhos e a realidade me atingisse, derreti a fechadura do banheiro do lado de fora. Isso faria com que Lana se atrasasse para o seu querido encontro. É, eu era oficialmente uma egoísta.
Abro meus olhos, pronta para voltar para a realidade. E para os braços de Nick, me segurando para não rir da cara de Lana. Na verdade, não consegui muita coisa, porque eu sentia o sorriso de satisfação em meu rosto.
Que foi apagado no momento em que vi Nathan no corredor.
Ele estava encostado na parede ao lado do banheiro masculino. Os braços cruzados e uma das pernas dobradas. E diferentes dos nossos primeiros encontros, mas mais parecidos com nossos mais recentes, ele estava sério. A expressão quase ilegível.
“Parabéns”, eu digo acabando com o momento Reencontro Da Mocinha Com O Mocinho.
“Pelo o quê?”, ele perguntou e sua expressão era realmente confusa.
“Você e Lana”, eu esclareço e começo a caminhar na sua direção. Tudo ao nosso redor parece sumir. “Ela me contou, lá no banheiro”, eu parei bem perto dele. Levantei meu olhar para encarar seu rosto. Esperava ver um tipo de expressão : Caramba, aquela vadia tinha que sair espalhando? Ou: Eu não queria que você soubesse desse jeito.
Mas sua expressão era tão fria quanto a minha no banheiro com Lana.
Cruzei meus braços e esperei ele dizer algo.
Ele suspirou.
“É verdade”, eu disse.
“Não”, ele nega. “Nós não estamos namorando”
Pode parecer idiota, mas meu coração dava pulos de emoções e meu pulmão puxava tanto ar que eu parecia ter acabado de correr uma maratona. Passei a mão pelo meu cabelo para disfarçar o sorriso que escapou. Mas, quando voltei a encarar Nathan, ele também está sorrindo.
“Obrigado por ontem”, eu disse.
Ele deu de ombros.
“Foi nada”
“Salvar minha vida foi nada?”, eu perguntei.
“Não é isso que eu quis dizer e você sabe muito bem disso”, ele joga de volta.
“Na verdade, eu não sei nada de você”, eu disse.
“Não a nada que você deveria saber. Não sou nada seu. Nem a menos seu amigo”, ele diz. Dessa vez os nossos sorrisos sumiram. Como um alívio pode virar tensão? Cruzei meus braços de novo.
“Você é um idiota, ás vezes, sabia?”, eu disse séria.
“E você bem ignorante”, ele jogou de volta.
Dei um passo para trás. Minha raiva voltou e eu estreitei meus olhos.
“Quer saber de uma coisa?”, não esperei ele responder , por que sabia que ele diria Não. “Eu nem deveria estar aqui. Deveria estar com o meu namorado.”
“Vá”, ele esticou sua mão na direção da porta. “Ninguém está te segurando”
Virei em direção a porta e comecei a ir.
“Que você e Lana fiquem bem. Vocês se merecem”, eu disse ainda andando.
“Idem para você e o Mauricinho”, ele disse, sua voz tão fria e cruel que parecia me cortar por inteiro.
Continuei indo em direção da porta. O corredor parecia tão grande e inacabável. E meus olhos estavam ardendo. Não, eu não iria chorar. Mas, assim que senti uma lágrima caindo, limpai antes que fosse muito longe.
“Aly”, Nate me chamou.
Eu não virei.
“Me desculpe”, ele tentou de novo. Sua voz parecia mais calma.
Isso me fez virar.
“Eu não quero e nem preciso das suas desculpas”, passei a mão pelo rosto com raiva das lágrimas que caiam. “Como você mesmo disse eu e Nick nos merecemos, então não o deixarei esperando”
Ele deu um passo a frente. Seu olhar , de duro, foi para meloso. Aquilo me derreteu em plenos segundos, mas eu me segurei para não me jogar em seus braços e implorar para que ficasse comigo. Mas não fiz. Eu fiquei observando-o e ele o mesmo. Os cabelos escuros bagunçados estavam cobrindo um pouco os seus olhos, mas eu conseguia enxergar o maremoto de emoções ali.
“Aly, se você me escutasse, entenderia”, ele disse finalmente.
Dei um passo para trás.
“Escutar o quê?”, eu disse. “Que você e Lana estão juntos? Ou sobre você e seu “trabalho” como espião?”, eu fiz aspas com os dedos. “Eu não quero escutar nada sobre isso, Nathan. Desde que você chegou a escola, só tem feito minha vida virar de cabeça para baixo. Eu brigo com meus amigos, levo suspensão por fazer alguma coisa boa, meus olhos ficaram vermelhos, meu namorado vai embora amanhã –”
“O Mauricinho vai embora amanhã?”, Nathan me interrompeu.
Eu assenti.
“Vai se afastar por um tempo da escola por causa da irmã dele que ficou doente”, eu disse, então balancei a cabeça. “E o quê você tem haver com isso?”
“Muito se eu faço seu mundo virar de cabeça para baixo”, ele sorriu e eu corei. Então, de súbito ele ficou sério. “Você deveria escutar, é sério.”
Outro passo para trás.
Nathan deu um a frente.
“Não”, eu balancei a cabeça. “De hoje em diante, quem dita as regras desse jogo sou eu, Nathan Castille. E a primeira é : só escuto quando você vier me dizer algo que vá ser prestativo para nós dois e que não inclua a nossa vida pessoal”
“Você está dizendo que não quer mais falar comigo, então?”, ele questionou.
“Eu não disse isso”, eu disse. “Eu disse que era melhor que só falarmos sobre magia”
“Nós temos magia”, ele disse e me deu um olhar significativo.
“Eu sei”, eu disse. “Somos bruxos”,
“Eu não estava dizendo sobre esse tipo de magia e você sabe muito bem disso”, ele deu um sorriso torto e me coração quase explodiu.
“É, eu sei”, passei a língua pelos lábios estranhamente secos. “É melhor eu ir”
Mais um passo para trás.
Ele assentiu.
“Vá antes que eu faça algo que me arrependa”, ele disse e riu. “Não quero ter que brigar com o Mauricinho no último dia dele aqui”
Eu me virei e comecei a ir embora, então parei.
“Eu falei sério, Nathan. Só fale comigo se for profissional, não pessoal”, eu o lembrei.
“Como quiser”, ele deu de ombros. “Só não vale dar para trás depois”
“O que você quer dizer?”, fiquei confusa.
“Esse jogo é para dois, Aly”, ele se virou e voltou a esperar Lana na porta do banheiro feminino. “Se você quer jogar, jogaremos, mas odeio desistentes”
“Você é um idiota, Castille”, eu disse indo embora.
De volta para os braços de Nick.
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