Spell The Most
26 Capítulo 25
Notas iniciais
Desculpem pela demora em postar. Espero que gostem.
No dia seguinte, eu estava estasiada.
Cantarolei algumas músicas que fariam Lien vomitar e me bater. Dancei enquanto me vestia e colocava minha roupa de luto. Até mesmo Luen foi embalada pelo meu entusiasmo. Lana tinha saído mais cedo para ajudar a tal prima de segundo grau. Então, quando eu e Luen descemos e fomos em direção ao ginásio, nossa ficha pareceu cair. Ou melhor, a minha ficha parecia ter caído. Estávamos indo para um enterro, não para um parque de diversões. Mas, a alegria que me embaçava, não sumiu. Foi apenas contida, no momento em que entramos no ginásio e começamos a sentir a vibração do luto nos atingindo. Nós escorregamos para os nossos lugares na arquibancada com os nossos amigos. Luen se sentou ao lado de Daemen e eu me sentei ao lado de Nick. Ele tentou colocar os braços em volta de mim, mas eu consegui me desvencilhar. Parecia apenas errado que eu deixasse Nick me abraçar depois do ontem com Nathan. Em falar em Nathan, comecei a procurá-lo pelo ginásio como uma louca. Meu olhar passeava em cada banco atrás daqueles olhos escuros e os cabelos lisos. Estava quase desistindo quando o vi sentado do outro lado da arquibancada. Comecei a levantar a minha mão para cumprimentá-lo quando meu olhar foi atraído para a pessoa sentada ao seu lado. Eu quase não acreditei. Comecei a esfregar meus olhos para ver se aquilo era realmente real. Era. Eu realmente estava vendo Nathan sentado ao lado de Lana. Como se não fosse o cúmulo, ela se aconchegou em seu corpo e ele colocou seu braço em volta dos ombros dela, como em um abraço de consolo. Minha garganta fez um barulho estranho, mas eu me mantive firme. Nick , parecendo ver para onde meu olhar estava indo, rosnou. Eu o encarei na mesma hora em que ele estava pronto para me falar algo faria eu me estressar sério. Ele também sentiu isso e ficou quieto, apenas vendo como aquela cena se desenvolvia, até que um sorriso maldoso surgiu em seus lábios. “Eles formam um belo casal, não é?”, ele disse e me encarou. Foi a gota d'água. Me levantei e fui me sentar com Suzy, do outro lado do bando. Ela, sentindo que eu não queria ser perturbada ou que queria falar alguma coisa, ficou quieta e prestou a atenção no enterro. E eu fiquei me segurando para não olhá-los, mas, uma hora ou outra meu olhar puxado para aquela cena na minha frente. E sempre era nessa hora que Nathan estava acariciando o cabelo loiro de Lana ou ela estava passando as unhas pelo peito dele através da camisa. Teve uma hora que eu não aguentei mais e estava pronta para sair do enterro, mas uma coisa me parou. Um choro estridente encheu o ginásio. Era a avó de Jack. Ela estava debruçada sobre o caixão e chorava tanto que poderia fazer mal, na sua idade. Me senti como se fosse desrespeitar a memória de Jack deixando seu enterro assim, sem mais nem menos. Por isso, permaneci firme até o final. Mas, assim que fomos liberados, eu fui uma das primeira a sair. Estava tão devastada que nem vi o casal na minha frente e acabei embarrando com eles. “Me desculpe -”, eu comecei a dizer, mas me calei quando vi EM QUEM eu tinha embarrado. Os olhos azuis e ferozes de Lana me encararam firme e ela largou Nathan para colocar as mãos na cintura. Mesmo nós duas sendo do mesmo tamanha, naquele momento, eu me sentia pequena. “Não olha pra onde anda?”, ela disse. Mas, eu não estava olhando para ela. Meu olhar era de Nathan. Por que? Eu perguntava com os olhos. Depois de ontem, como ele pode estar me traindo de um jeito tão doloroso como este. Eu aceitaria qualquer pessoa. Até mesmo a minha própria irmã. Qualquer um. Menos Lana. Nathan sentiu a dor em meus olhos e os desviou dos meus para olhar Lana. Mas eu ainda conseguia ver a culpa em seus olhos. Ele segurou Lana pelo ante braço, tentando fazê-la retroceder, mas é claro que ele não a conhecia o suficiente para saber que Lana não voltava atrás. Ainda mais com a pequena multidão que estava se formando em volta da gente. “Eu falei com você, esquentadinha”, Lana persistiu. Eu arrastei meu olhar até onde ela estava parada, ainda com as mãos na cintura. “Vamos embora , Lana”, Nathan disse baixo em seu ouvido. “Não, me solte”, Lana se livrou das mãos que eu tanto ansiava e se pôs toda a sua atenção em mim. “Me encoste de novo, e eu faço picadinho de você” Então, toda a minha mágoa virou raiva e eu a direcionei para a única pessoa que estava merecendo no momento. Meu olhar deve ter denunciado isso, porque Lana deu um passo para trás e hesitou um pouco, mas continuou firme na sua pose de vaca. “Como você vai fazer picadinho de mim, Lana?”, perguntei me movendo pra mais perto dela de um modo ameaçador. “Com a sua voz de taquara-rachada?”, isso gerou uma multidão de risos. “Como você ousa me chamar assim, sua ..., sua...,”, ela estava sem xingamentos e sem munição, eu percebi. Tudo aquilo era só para chamar a atenção de Nathan. “Sua putinha” O corredor foi carregado por vaias e risos. Eu já conseguia sentir meu corpo esquentando e minhas mãos formigando para que eu usasse o poder. Não iria hesitar em queimar a cara daquela vadia toda de uma vez. “Vai ser essa putinha que vai acabar com a sua raça”, e antes que qualquer um percebesse, minha mão se acendeu em chamar. Eu estava pronta para acabar com ela de vez. Todos no corredor arfaram e quando perceberam que era sério, ficaram em silêncio.
Até mesmo Lana pareceu perder toda a sua coragem. “A diretora irá te expulsar e você vai presa”, ela disse, mas eu senti a sua voz tremer. Nathan me observava com os olhos arregalados. É, ele nunca tinha me visto realmente em um dia ruim. Foi o medo que eu vi em seus olhos que em fez apagar o fogo em minhas mãos e não a ameaça de Lana. Mas ela pareceu achar que ela tinha feito a diferença. Ela riu e voltou a sua pose de vaca total. “Parece que a nossa pequena bruxinha de merda tem medo de alguma coisa”, ela disse e voltou a rir. O silencioso corredor também riu. Meus olhos voltaram a se incendiar. “Eu não preciso de poderes para quebrar a sua cara e terminar de deformá-la”, eu disse e ela parou de rir. Parecendo ver o futuro, ela começou a abri a boca para gritar, mas eu já estava em cima dela pronta para dar um de direita direto no rosto. Os animais do corredor urravam por uma boa briga, até mesmo Nathan foi segurado para que não impedisse. Minha mãos estavam prontas para arrancarem, fio por fio, daquele cabelo loiro 'perfeito' de Lana. Mas elas foram detidas por braços de ferro que me envolveram pela cintura e me puxaram para longe de Lana. “Me solte”, eu gritei e comecei a me debater. “Pare com isso, Alex”, a voz de Drake ressoou em meus ouvidos. “Me solte, Drake.”, eu gritei de novo. “Eu vou quebrar a cara dessa cadela” Lana se aconchegou nos braços de Nathan e me lançou um olhar maldoso. “Não esqueça que você dorme no mesmo lugar que eu, vadia”, eu gritei para ela. Então seu olhar maldoso se dissolveu a puro medo. Ela tinha esquecido. Ela sempre esquece. Nathan colocou o braço em volta dela e começou a puxá-la para longe, sem nem mesmo me dar um segundo olhar. Dylan apareceu logo depois e os seguiu. “O show acabou, pessoal”, Lien disse se movendo para o centro do circulo. O pessoal começou a reclamar, mas se dispersou com o tempo. Escutei alguns jogadores de futebol reclamando sobre terem apostado que eu acabaria com Lana. É, eu gostei daquilo. Drake me levou para o lado de fora, sem nem mesmo suar. Eu deveria pesar nem mesmo uma grama para ele. Ele me soltou delicadamente em um banco e se afastou para me dar um olhar duro. Comecei a passar a mão pela minha roupa, tanto para evitar o seu olhar, quanto para recuperar o restante da minha dignidade. Meus amigos formaram um circulo irregular em volta de mim, mas apenas Suzy teve coragem para se sentar ao meu lado. “Oh, querida”, ela disse. “O que aconteceu?” Pelo som que meus amigos fizeram, ela tinha feito a pergunta prêmio. “Lana me provocou”, eu disse, mas não tive coragem para levantar o olhar na direção de mus amigos. Por isso, continuei olhando para as minhas mãos. Assim pude ver quando Lien andou até mim e tomou a frente da situação. “Lana te provocou? Nossa, que novo!”, ela disse sarcástica. “Lana provoca todo mundo, Alex. Se eu me estourasse e usasse meus poderes contra todos que me provocassem...”, mesmo não olhando, eu sabia que ela estava balançando a cabeça, sem saber como terminar. “Você estaria sem namorado”, Nick disse. “Oh, com certeza”, Lien disse. “Você poderia ser expulsa. Sua sorte foi que a diretora estava ajudando a vó do pobre Jack. Lembra? O Jack, que morreu a dois dias atrás.” Eu senti meu rosto ficando vermelho. Tinha brigado no dia do enterro do doce e fofo Jack. É, eu não sabia o que diabos tinha me dado. Me levantei e comecei a sair andando. Escutei passos atrás de mim, então a voz de Suzy. “Onde você vai, Aly?”, ela perguntou. Eu estava cansada de ser questionada. “Vou para o quarto descansar”, eu disse. “Se não acredita em mim, pergunte a Luen” Nem esperei ela responder e sair correndo até o meu quarto, sentindo as lágrimas tomando conta dos meus olhos. Consegui segurar até passar do lobby feminino e me trancar no quarto. Mas esse foi o meu máximo. Quando andei para a minha cama, minha visão já estava embaçada. Me joguei sem pena que ela quebrasse e afundei meu rosto no travesseiro. Mal tinham se passado dois minutos que eu estava naquele estado depressante de torpor, alguém bateu na porta. “Entra”, eu gritei. Eu não levantei meu rosto pra ver quem era. Eu não ligava. Mesmo que fosse uma das amigas de Lana querendo tirar uma foto minha nesse estado deplorável e espalhar pela escola toda. Mas eu soube que não era o caso quando a pessoa que entrou, se sentou na ponta da minha cama e começou a acariciar o meu cabelo. Meu choro se aquietou um pouco, até que só virou um soluço solitário. A mão que estava em mim, era grande demais para serem de Suzy, Lien ou Luen. E tinha movimentos familiares demais para serem de Daemen, Ryan e (infelizmente) Nathan. Então, por critério de eliminação, eu soube quem estava ali antes mesmo de escutar a sua voz. “Precisamos conversar, Alexa”, Nick disse. Eu me virei e vi seus olhos azuis tristes e sua expressão derrotada. Como um sensor, eu me sentei e puxei sua mão para que ele se aproximasse mais de mim. Ele parecia tão certo, tão meu. Por que eu não poderia ficar com Nick e viver feliz. “Nick, me desculpe”, eu disse. “Tudo bem”, ele disse. “Eu fui mesmo um idiota”, ele deu um sorriso triste e tocou em meu rosto, antes de esticar sua mão para o criado mudo de Luen e pegar uma caixinha de lenços. Ele me ofereceu e eu limpei o rastro de lágrimas do meu rosto. “Você é tão linda”, ele disse e seus olhos brilharam. “Mesmo quando está pronta para matar alguém.” “Mesmo que esse alguém seja você?”, eu perguntei. “Mesmo que esse alguém seja eu”, ele respondeu e passou a mão pelo cabelo. Então, pela primeira vez, eu notei o como ele parecia preocupado. “Preciso te dizer uma coisa importante, Alexa e não posso mais esperar” Oh, droga! Eu pensei. Ele vai se declarar para mim. Não, não, não. Agora não. Eu engoli a seco. “Pode falar, Nick” Ele me encarou por alguns segundos, me estudando. Acho que ele estava tentando prever a minha reação quando ele dissesse que me amava. Ele suspirou e puxou minha mão , colocando-a entre as suas duas. Pude ver o contraste da minha pele na sua. A sua tinha um perfeito tom de marfim e a minha era de um moreno bem claro, do tipo que se tem quando é muito pálida e pega um sol rápido. Ele também pareceu notar o contraste e sorriu. Mas o seu sorriso só durou poucos segundos, até que seu olhar se levantou e seus olhos azuis ficaram presos nos meus castanhos. Era como um dejá vù do primeiro dia de aula. Então, sem tirar os olhos dos meus, ele disse: “Eu vou ter que deixar a Spell the Most”
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