Spell The Most
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Preciso dizer que Ryan era um amor de pessoa?
Eu falava sem parar, apontando todos os cômodos e prédios da Spell the Most, e lhe explicando sobre cada aula e como fazia para chegar. Tudo o que ele fazia era assenti e sorrir. Exatamente como Suzy fazia quando eu falava demais.
É, o professor Nage tinha razão. Eu era faladeira e fofoqueira.
“Aquele é o estábulo”, eu disse apontando para o espaço aberto entre o dormitório masculino e a lanchonete. “Você já tem cavalo?”
“Sim”, Ryan disse.
“Vamos até lá”, eu disse e começamos a andar por entre os prédios em direção as casinhas dos cavalos. “Há quanto tempo você tem poderes?”, eu perguntei tentando puxar assunto e o fazer falar.
“Um ano e meio”, ele respondeu olhando para frente. Mesmo ele não me encarando eu ainda conseguia ver como seus olhos verdes eram brilhantes. “Herdei da minha mãe”
Antes que vocês pensem algo errado sobre as bruxas, a alguns anos atrás, bruxos elementares homens eram raros, por isso hoje em dia, muitos bruxos herdam poderes das mães. Casos como o meu , que herdei o poder de meu pai, são raros. Ryan e Nick também são raros por serem homens. Vejam que eles tiveram irmãs nas famílias deles. Talvez fosse para alguma delas herdarem, mas eles nasceram primeiro.
Quando chegamos ao estábulo, encontrei a leve mudança de imediato. A casinha ao lado de Wave estava limpa, com uma placa de madeira com o nome HURRICANE (*Furacão) em cima e ocupada por uma cavalo totalmente dourado.
Assim que o cavalo viu a nossa aproximação se alegrou, tanto quanto Wish, e começou a relinchar e se remexer. Com certeza eles já se conheciam antes. Diferente dele e de Nick, eu e Suzy tínhamos conhecidos nossos cavalos na Spell the Most.
“Acho que seu namorado não gostou muito de ter deixado você me levar para conhecer a escola”, Ryan comentou enquanto acariciava Hurricane.
“Nick pode parecer um pouco duro no começo, mas no fundo é um doce de pessoa. Vocês logo serão amigos”, eu respondi passando a mão no pêlo macio de Wish. Então, parei, pensativa. “Como você sabia que Nick era o meu namorado?”
Ryan me encarou sorrindo, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
“Tem um jeito que vocês se olham que... não sei.”, ele fez uma careta e voltou a sorrir. Seus olhos verdes brilhavam mais do o próprio sol. “Mas, meio que delatou isso para mim”
“Deve ter sido a atração maluca de elementos”, eu disse, sem perceber que tinha dito em voz alta.
“O que é isso?”, ele perguntou curioso.
Eu corei.
“Atração Elementar é quando dois elementos opostos se sentem atraídos, mesmo que se repudiem. Isso raramente acontece, mas aconteceu comigo e com Nick. Tipo, os opostos se atraem, sabe?”, nós dois rimos.
“Então é tipo água e fogo, terra e ar?”, ele perguntou.
“Sim, felizmente só acontece com bruxos elementares, mas isso é só uma das poucas coisas que você irá aprender sobre seus poderes.”, eu sorri. “Você tem sorte do professor Nage ser do mesmo elemento que você”
“Tem razão”, ele disse voltando ao modo pensativo. E eu pensando que ele era de poucas palavras. Eu que não tinha usado as palavras certas. “Mas, que tipo de coisas a mais eu vou aprender?”
“Hum”, eu coloquei minha mão livre no queixo e pensei. “Tem como você fazer formas com seus poderes, se comunicar através deles, o reconhecimento de bruxos elementares.”, eu comecei a falar , mas Ryan me interrompeu.
“Nossa, são tantas coisa”, ele coçou a cabeça, preocupado. “Mas, em falar de reconhecimento de bruxos, o professor Nage disse que podemos ter laços tão fortes que poderíamos ler a mente um do outro, não é?”, eu assenti. “Você tem esse laço?”
“Oh, tenho”, eu ri constrangida. “Tenho esse laço com Suzy”
“A bruxinha do raio?”, ele perguntou desviando o olhar para o cavalo.
“Sim, a bruxinha do raio”, eu sorri de novo sem que ele visse. ”Sei de tudo o que passa pela cabeça dela com um toque e ela sabe tudo o que se passa na minha”. Então me lembrei de algo importante que ele iria aprender. “Você também vai aprender a invocar ser Animal Elementar”
Isso o fez tirar os olhos do cavalo e voltar a me encarar, confuso.
“Animal Elementar?”, ele perguntou.
“Sim. É são animais que saem de nós, como um reflexo de nossa personalidade”, eu rolei os olhos lembrando de Sam. Ele deveria ser doce e meigo, como eu, mas vi que eu não era tão doce e meiga assim.
“Você tem um?”, os olhos de Ryan brilhavam em expectativa.
“Claro! Sam, a raposa”, eu ri, tendo certeza que Sam tinha escutado.
Quando eu recolhia Sam para dentro de mim, ele escutava e via tudo o que eu fazia e falava. E quando saía reclamava mais do que Lien.
“Quer que eu te mostre?”, eu perguntei tirando a mão de Wish e me ajeitando.
Wish reclamou um pouco, mas logo desistiu de me chamar a atenção e foi dormir. Ryan fez a mesma coisa que eu e me seguiu até um espaço aberto depois da área de arco e flecha. Ele tinha em contado, (depois que eu tinha mostrado o nosso teatro) que iria fazer teatro. Ryan tinha começado por ser tímido, mas depois começou a fazer por prazer mesmo.
Paramos em uma área tão verde quanto o restante da Spell the Most, mas só que mais deserta e desconhecida. Ryan estava quase que fungando na minha nuca. Está certo que ele queria ver tudo de perto, mas precisava ser tão de perto?
Olhei para ele quase que atenciosa.
“Você poderia, por favor, das uns passos para trás?”, perguntei.
“Oh, desculpe”, ele parecia um pouco embaraçado.
Esperei Ryan dar cinco passos para trás e me preparei. De olhos ainda abertos, estiquei meus braços para frente e abri as palmas de minhas mãos juntas, me concentrando. Professor Nage disse que quanto mais praticamos a invocação dos Animais Elementares, mas aptos nós ficamos em fazer isso. Além de rápidos.
O ar começou a rodopiar e esquentar ao nosso redor. Apenas com um olhar rápido pelo canto de olho pode constatar que Ryan sentia isso, ao passar a mão pela testa que tinha uma leve linha de suor.
Uma bola avermelhada começou a se formar na minha frente, enquanto o meu poder queimava (sem piadas) dentro de mim, me trazendo a mesma felicidade de sempre. Com uma elegância invejável, Sam saiu de dentro da bola de poder que tinha conseguido um tamanho médio.
“Ryan, esse é Sam, meu animal elementar”, eu disse me virando para olhá-lo.
O ar, tão como ficou quente de repente, voltou ao normal. Um abafado aceitável.
Sam fez uma pequena mesura em direção a Ryan, se mostrando, pela primeira vez, educado. Ryan estava mais pálido do que era realmente. Ele deu um passo estudado na direção de Sam, sem tirar os olhos deles um segundo se quer.
Sam, se precipitando, deu outro passo na direção de Ryan e o fez recuar. Mandei um olhar de censura na direção da minha pequena raposa e a vi rolando os olhos. Acho que quando falei de Sam e dos animais elementares, Ryan tinha levado na brincadeira. Ou até mesmo pensado que eu era maluca, como o restante achava do restante da escola. Mas eu tinha dado a prova real, bem ali na sua frente.
Sam, minha raposa elementar.
“Isso realmente saiu de dentro de você?”, Ryan perguntou ainda chocado.
“Sim”, eu assenti. Sam começou a se afastar, levando o olhar de Ryan junto com ele. “Onde você está indo?”
Sam parou e me encarou como se tivesse esquecido que era parte de mim e tinha que me dar satisfações. Acho que ele nem mesmo pensou nisso.
“Ao estábulo ver Wish”, ele disse.
“Ele fala!”, escutei Ryan murmurando. Sam revirou seus olhos, já cansado daquele joguinho.
“Você poderia ter arrumado um amigo mais inteligente.” , ele disse e olhou para o ainda chocado bruxo do ar. “É claro que eu falo, não é, idiota. Eu saí de Alex e tenho certeza que ela é inteligente o suficiente para me ajudar a fazer isso”, ele parou de falar e voltou a me encarar. “Parece que além dessa capacidade incrível de falar, você infelizmente me deu sentimentos. E meu coração, antes denominado como amargo, quer conversar com um ser inferior chamado cavalo para provar a minha superioridade e minhas emoções recém adquiridas”
“Vá logo, Sam”, eu disse já esbravejada e corada. “Antes que eu mude de idéia e te recolha. Mas não se afaste demais”
Sam revirou os olhos escuros e foi embora em direção ao estábulo fazer o que ele tinha dito o que iria fazer. Olhei Ryan que continuava distante e chocado com a cena que tinha acabado de ver.
Dei um passo em sua direção, mas ele só continuou ali parado, olhando o nada. Me aproximei o bastante para colocar a mão em seu ombro e sorrir. Ele não me afastou, felizmente, mas pareceu acordar do transe.
“Tem um animal mal criado dentro de mim?”, ele perguntou. Eu ri
“Não, felizmente só comigo aconteceu esse acaso”, dei um passo para trás, lhe dando espaço para respirar em paz. “Quer tentar?”
“Posso?”, ele perguntou e todo aquele choque foi embora dando lugar a uma excitação antecipada.
“Claro”, eu mostrei como ele deveria ficar e me afastei.
Ryan fechou os olhos e se concentrou. Assim como Suzy na primeira vez, demorou um pouco para o poder se reunir e se mostrar. O vento começou a se mostrar, bagunçando meu cabelo e minhas roupas. Uma bola de poder média apareceu na frente de Ryan.
Um falcão dourado saiu de lá.
Ele era lindo. Tão lindo quando Chelsea e Luir. O falcão voou um pouco até que pousou na frente de Ryan e fez uma mesura. Ryan estava tão chocado que ameaçava ir para frente, mas não ia. Só depois de uns bons segundos de especulação, que ele foi.
Os olhos do falcão eram tão verdes quanto os de Ryan e seus pelo brilhava em dourado. Apenas na barriga e na parte de dentro da asa era branco. Ele parecia tão inteligente quanto os outros animais, e eu fiquei feliz por isso. Na verdade, fiquei eufórica com a ideia de eu ter ajudado Ryan a criar seu animal elementar.
Me ajoelhei ao lado de Ryan e toquei seu ombro, sorrindo.
“Qual será o nome?”, perguntei.
“Miel”, Ryan respondeu. Os olhos cheios de lágrimas. “O nome dele é Miel”
Voltei a encarar o pequeno falcão.
“Bem vindo a Spell the Most, Miel”
“Obrigada”, Miel respondeu com uma voz profunda.
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